A narrativa e o saber histórico
 
A narrativa e o saber histórico
 


Deparamo-nos com algumas limitações diante de tais pretensões deste ensaio, como por exemplo, a questão da narrativa, que poderia ser analisada por diversas páginas para compreendermos as várias maneiras que ela foi tratada por diversos historiadores, em inúmeras obras. O seu debate é muito amplo, logo, não podendo ser explicado todas as argumentações em algumas laudas.

Dessa forma, por opção, selecionei alguns pontos de análise para a realização desse debate. Considerei importante partir dos Annales, através de alguns caminhos apontados, principalmente, por Peter Burke e Paul Ricoeur, para analisar, brevemente, a trajetória da narrativa.

Doravante, utilizarei a micro-história para apresentar uma forma de abordagem histórica, na qual houve historiadores que optaram pelo uso da narração em suas pesquisas, e como exemplo de obra em que as técnicas narrativas foram empregadas, exemplificarei com a obra de Guinzburg.

Na obra A escrita da história - novas perspectivas, organizadas por Burke, verificamos que para a chamada "escola dos Annales", de Lucian Febvre e Fernand Braudel, havia uma rejeição do que era pejorativamente chamado de "história dos acontecimentos". Para o historiador Marc Bloch, a História da França, de Levisse "ainda avança tropeçando de reino em reino; a cada morte de príncipe, narrada com o detalhe que se atribui aos grandes acontecimentos" (BLOCH, 2001: 147). Nas primeiras gerações dos Annales, percebemos o uso da história-problema em detrimento do tipo de história que se fazia até então, percebemos essa afirmação, quando analisamos esse trecho da obra de Lucian Febvre:

o sentimento de que se pode viver a vida, sendo historiador  senão examinando à vossa frente, convosco alguns dos problemas vivos da História põe, hoje, àqueles que se colocam na ponta extrema da investigação. É que por problema é precisamente o começo e o fim de toda a história. Se não há problemas, não há história. Apenas narrações e compilações (FEBVRE, 1985: 43).

Dessa forma, se percebe uma negação à narração, visto que ela estava interligada com a "história dos acontecimentos" e a história acadêmica tornar-se-ia, cada vez mais, preocupada com os problemas e com as estruturas. Burke, na mesma obra citada, destaca que de um lado se encontram os "historiadores estruturais" que mostraram que a narrativa tradicional "passa por cima" de aspectos importantes do passado, que ela é, simplesmente, incapaz de conciliar, desde a estrutura econômica e social até a experiência e os modos de pensar das pessoas comuns e, de outra direção, se encontram os defensores da narrativa, mas não mais aqueles historiadores ditos tradicionais, anteriores aos Annales, mas sim, a historiadores da micro-história, por exemplo, que alguns observaram que a análise das estruturas é estática, sendo assim, não-histórica.

Nesse sentido, portanto, encontramos dois campos de historiadores; os adeptos à estrutura e o narrativo. Eles diferem tanto na escolha do que consideram importante, como no modo de explicação histórica. Destaco que os "historiadores da narrativa tradicional" , possuem explicações em termo de caráter e intenções individuais, do tipo as ordens chegaram tarde de Madri, porque Felipe II não conseguira decidir o que fazer. De outro lado, estão os historiadores estruturais que para entender sua linhagem, cito o famoso exemplo de Braudel: as ordens chegaram tarde de Madri porque os navios do século XVI demoravam várias semanas para cruzar o Mediterrâneo. Por isso, Stone evidencia que o "renascimento da narrativa", encontrado na segunda metade do século XX, se relaciona com uma certa desconfiança do segundo modo de explicação histórica, freqüentemente, criticado por reducionista e determinista.

Notamos que, para Burke, alguns historiadores da década de 60 em diante, percebem que seu trabalho não reproduz exatamente o que aconteceu, além de representar um ponto de vista particular. E para comunicar essa consciência a seus leitores, as formas tradicionais de narrativa são inadequadas, logo, os narradores históricos necessitam encontrar um modo de tornarem visível em sua narrativa, não de auto-indulgência, mas advertindo o leitor que os autores não são oniscientes ou imparciais e outras interpretações são possíveis.

Os historiadores sociais do século XX, desse modo, voltam para a narrativa, pois descobrem nela uma forma de "esclarecer as estruturas" e examinar a relação entre o acontecimento e a cultura em que elas ocorrem.

Sintetizando, tenho tentado mostrar através da obra de Burke, citada inicialmente, que historiadores como, Bloch, Febvre e Braudel são contra uma história tradicional de narrativa que consideram mal adaptada à história estrutural, que eles consideram importantes. Eles enriqueceram a história com a expansão de seu tema e pela idéia da história total. No entanto, os historiadores adeptos ao "renascimento da narrativa", acreditam que a historiografia tem empobrecido pelo abandono da narração, estando em andamento uma busca de novas formas de narrativa que serão adequadas às novas histórias, que os historiadores gostariam de contar. Estas novas formas incluem "a micronarrativa, a narrativa de frente para trás e as histórias que se movimentam para frente e para trás, entre os mundos público e privado, ou apresentam os mesmos acontecimentos a partir de ponto de vista múltiplo" (BURKE, 1992: 347).

Poderíamos acrescentar, outrossim, algumas considerações do filósofo francês Paul Ricoeur, lembradas por Peter Burke. Mais, precisamente, quando o filósofo fala em "eclipse" da narrativa histórica em nosso tempo, e quando ele declara que toda a história escrita, incluindo a chamada história "estrutural" associada a Braudel, necessariamente, assume algum tipo de forma de narrativa.

Analisando a obra A memória, a história, o esquecimento, de Paul Ricoeur, percebemos algumas considerações no que se refere ao lugar da narratividade na arquitetura do saber histórico. Segundo o autor, há duas faces de opiniões a respeito dessa questão. A primeira seria que a narrativa não constitui uma solução alternativa à explicação e compreensão, e a segunda, corresponde aqueles que vêem a narrativa como um autêntico componente da operação historiográfica. Acrescentando algumas informações ditas, anteriormente por Peter Burke, verificamos que para Ricoeur,

antes do desenvolvimento da narratologia na esfera da lingüística e da semiótica, a narrativa é tida como uma forma primitiva de discurso, ao mesmo tempo muito ligada a tradição, à lenda, ao folclore e finalmente ao mito, e muito pouco elaborada para ser digna de fazer os múltiplos testes que marcam o corte epistemológico entre a história moderna e a história tradicional. (RICOEUR, 2007: 251)

Assim sendo, Ricoeur comenta sobre os trabalhos das "escolas narrativistas" que acarreta em uma "esteira" de pesquisas dedicadas à linguagem comum, a sua gramática e à sua lógica, "como elas funcionam nas línguas naturais". Então, o autor observa que esse caráter configurante da narrativa trazido ao primeiro plano em detrimento do caráter episódico, único levado em conta pelos historiadores dos Annales.

Para o filósofo francês, a forma narrativa atua como um "instrumento cognitivo", logo, ele levantará um problema que atormentará a filosofia da história, ou seja, qual seria a diferença de história e ficção, se ambas narram? Na resposta clássica, apenas a história relata o que, efetivamente, aconteceu, não obstante, não parece contida na idéia de que a forma narrativa tem enquanto tal uma função cognitiva.

Destaco, também, a noção de Ricoeur em relação os jogos de escala quando é dito que

nem a micro-história, nem tampouco a macro-história opera continuamente em uma mesma única escala. Certamente, a micro-história privilegia o nível das interações na escala de uma aldeia, de um grupo de indivíduos e de famílias; é nesse nível que se desenrolam negociações e conflitos (....) o debate sobre a exemplaridade dessas histórias locais vividas ao rés-do-chão pressupõe a imbricação a pequena história na grande história; nesse sentido, a micro-história não deixa de se situar num percurso de mudança de escala que ela narrativiza enquanto caminha. (RICOEUR, 2007: 257)

A partir dessas considerações, pretendo avançar o debate para entendermos como ocorreu o "renascimento da narrativa" quando um grupo de historiadores italianos à mesma geração, por volta de 1970, "dá a vida a um projeto comum que depois de algum tempo foi chamado de micro-história" (LIMA, 2006: 9).

Na obra A micro-história italiana: escalas, indícios e singularidades, de Enrique Espada Lima, encontramos considerações importantes desse projeto italiano. Segundo o autor, o núcleo central da micro-história corresponderia a consciência, por parte dos historiadores, da escala de observação. Na revista Quaderni Storia, se evidenciam elementos de debate desses estudiosos, como por exemplo, a história social, dos estudos e da família e comunidades e da antropologia histórica.

O autor coloca, também, alguns contrastes com os Annales da primeira e segunda geração. Além das diferenças que citei na concepção de outros autores, para Lima em vez de deter-se sobre as tendências de longa duração e os largos espaços geográficos, a micro-história propunha o estudo intenso sobre comunidades, grupos familiares ou mesmo indivíduos. Assim, a micro-história definida por Carlo Guinzburg corresponderia a "uma prosopografia a partir de baixo", ou seja, uma tentativa de reconstituição biográfica ou de pequenos grupos que tentava colocar no plano central o ponto de vista das chamadas classes subalternas. Considero importante mencionar, que Lima cita vários micro-historiadores em sua obra que defendem a perspectiva microanalítica, pois ela não quer limitar a atenção a um fragmento microscópico, mas quer colher ocasião na reconstrução da sociedade, na totalidade de seus aspectos.

Acrescentando essas constatações, menciono a obra Microanálise e construção do social, de Jacques Revel, que nos informará algumas questões no que tangem a micro-história, além de algumas outras considerações, para que possamos, então, entender o uso das técnicas de narrativa como uma alternativa para se efetivar essa abordagem histórica proposta pelos micro-historiadores.

Para Revel, a escolha da escala produz efeitos de conhecimento e

variar o objetivo não significa apenas aumentar ou diminuir o tamanho do objeto no visor, significa modificar sua forma e sua trama. Ou, para recorrer a um outro sistema de referências, mudar as escalas de representação em cartografia não consiste apenas em representar uma escala constante em tamanho maior ou menor, e sim transformar o conteúdo de representação (REVEL, 1998: 20).

Assim, é o princípio da variação que conta, e não a escolha de uma escala particular.

O autor toca em um ponto que é importante para compreendermos alguns dos objetivos de Guinzburg em O Queijo e os Vermes, que trataremos mais adiante, isto é, para muitos micro-historiadores o que importava era constatar o que a experiência de um indivíduo, de um grupo ou de um espaço, permite perceber na modulação da história global.

Após resumirmos, brevemente, quais eram os propósitos desses historiadores italianos, chegamos em uma questão relevante; determinar a relação entre a micro-história e a narração, para, então, se alcançar um dos objetivos desse ensaio.

Revel nos informa que a micro-história possui algumas preocupações com as formas argumentativas, modos de enunciação, modalidades da citação, uso de metáfora, ou seja, uma preocupação de como escrever história. Essa constatação é de grande relevância, uma vez que durante muito tempo, a escrita da história era pensada como um formulário estrito de um trabalho científico e

chegava-se assim a esquecer que mesmo uma série de preços constitui uma forma narrativa  ela organiza o tempo, produz uma forma de representação  e que uma noção tão complexa como a de "conjuntura", tão prestigiada na historiografia francesa dos Annales, engloba em seu interior, indissoluvelmente ligados, um método de análise, uma hipótese interpretativa e uma maneira de narrar (REVEL, 1998: 35).

Dessa forma, os micro-historiadores possuem um papel central na escolha de narrativa que reflete em uma experimentação histórica tanto quanto os próprios procedimentos de pesquisa. E essa invenção de um modo de exposição, além de produzir efeitos de conhecimento, ela contribui para a produção de um certo tipo de inteligibilidade de condições experimentais definidas.

O que quero salientar, portanto, é que às vezes os micro-historiadores recorriam as técnicas narrativas como uma forma de procedimento de exposição que entraram em contraste com as maneiras habituais da corporação historiadora. O próprio caso de O Queijo e os Vermes nos confirma essa afirmação. Assim sendo, se evidencia uma preocupação entre o conteúdo de conhecimento e a forma de exposição.

Depois de verificarmos, brevemente, como ocorreu o uso da narrativa para algumas gerações de historiadores e como ela foi pensada por alguns historiadores da micro-história, chegamos no último ponto desse ensaio, para exemplificarmos como foi aplicado o uso das técnicas narrativas em uma obra.

Como já foi dito, anteriormente, analisaremos alguns pontos da narrativa na obra O Queijo e os Vermes, de Carlo Guinzburg. Esse livro, segundo o autor, foi escrito para leigos e especialistas, pois se percebe uma preocupação com uma comunicabilidade relativamente acessível. Confirmamos essa asserção, quando observamos, por exemplo, que o autor deixou as notas de rodapé para o final, possivelmente, para não atravancar a leitura.

A obra é composta como um inquérito judicial e se baseará em dois processos do moleiro Menocchio perante o Santo Ofício. Dessa forma, é contado o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela Inquisição, no qual será queimado entre 1599 e 1601. O autor narra a história do protagonista utilizando uma farta documentação que nos mostrará quais eram as leituras de Menocchio, suas discussões bem como seus pensamentos e sentimentos. Será realizada uma reconstrução de sua fisionomia, parcialmente obscurecida, de sua cultura e de seu contexto social no qual ela se encontra.

Segundo Guinzburg, "o caso de Menocchio é o fato de esses obscuros elementos populares estarem enxertados num conjunto de idéias muito claras e conseqüentes, que vão do radicalismo religioso ao naturalismo tendencialmente científico, às aspirações utópicas de renovação social" (GUINZBURG, 2006: 19).

Doravante, se chega a conclusão que Menocchio é um indivíduo, aparentemente, fora do comum, e seria cabível nos indagar, qual a relevância podem ter, num plano geral, as idéias e as crenças de um indivíduo único em relação aos do seu nível social, visto que não podemos considerá-lo como um camponês típico, uma vez que seu caso é relativo ao isolamento da comunidade.

No posfácio da obra de Peter Burke, na qual citei anteriormente, encontram-se alguns escritos de Renato Janine Ribeiro verificando que o nosso protagonista foi um homem que passou a vida construindo uma cosmologia e possuía uma paixão de pensar e falar. Constatamos essa afirmação quando verificamos o seguinte trecho:

O que é que vocês pensam, que Jesus Cristo nasceu da Virgem Maria? Não é possível que ela tenha dado a luz e tenha continuado virgem. Pode muito bem ser ele que tenha sido um homem qualquer de bem, ou filho de algum homem de bem (GUINZBURG, 2006: 35).

Desse modo, Guinzburg vai contando a história de Menocchio. Consigno como relevante detectarmos que sua narrativa não é cronológica, visto que, já nas primeiras páginas, ele comunica ao leitor que no dia 28 de setembro de 1583, o moleiro foi denunciado ao Santo Ofício. No entanto, sua forma de narrar não é prejudicada, isto é, de fácil compreensão.

Encaramos, portanto, tanto a documentação como a narrativa, nesse caso, como uma oportunidade de reconstruir não só as "massas indistintas", como ,também, as personalidades individuais. A partir de uma reconstituição biográfica, percebemos um ponto de vista das classes subalternas e torna-se possível analisar a relação da experiência de um indivíduo, em um determinado espaço, com uma modulação da história global.

Assim sendo, podemos perceber na obra de Carlos Guinzburg, alguns pontos que ponderamos inicialmente, como por exemplo, o uso da narrativa como uma forma de esclarecer as estruturas, mencionadas por Peter Burke, já que o historiador italiano encontrou uma farta documentação, e pode reconstituir a trajetória de Menocchio em um texto claro e atraente, desembocando em uma hipótese geral sobre a cultura popular da Europa pré-industrial.

Verificamos que a narrativa tornou-se, nessa obra, um componente de operação historiográfica, como salientou Paul Ricoeur, e foi capaz de demonstrar, através de um relato de fatos sólidos, o verdadeiro funcionamento de alguns aspectos da sociedade que seriam distorcidos pela generalização e pela formalização quantitativa usada independente e, por fim, incorporou, ao corpo principal da narrativa, os procedimentos de pesquisa em si, as limitações documentais, as técnicas de persuasão e as construções interpretativas. Esse método "rompe claramente com a assertiva tradicional, a forma autoritária de discurso dotada pelos historiadores que a apresentam a realidade como objetiva"(BURKE, 1992: 153).

Por fim, encerro a última parte do debate proposto, com uma citação de Revel, a fim de concluirmos as considerações da obra de Guinzburg:

Se fosse suficiente saber tudo sobre um personagem, do seu nascimento à sua morte, ou sobre um acontecimento, em todos os seus aspectos, para compreendê-los, os jornalistas contemporâneos estariam muito mais bem equipados do que os historiadores; isso não acontece necessariamente como sabemos. Mas a biografia ou o relato do acontecimento desempenha, ao que me parece, o papel de uma experiência limite: já que os modelos narrativos-analíticos clássicos deixaram de ser convincente, que é preciso fazer - que se pode fazer - para contar uma vida, uma batalha, um episódio qualquer? (REVEL, 1998: 37).

Podemos responder, essa última questão de Revel com a própria obra analisada de Guinzburg, pois houve uma tentativa de contar a história de um homem no qual tornou-se um objeto problemático e essa vida não se pensou sob a forma de necessidade - esta vida existiu e a morte a transformou em destino  mas como um campo de possibilidades entre as quais o ator histórico teve que escolher.

Portanto, evidenciamos nesse debate que realizei opções de autores e obras para expor algumas questões das técnicas de narrativa. Com Peter Burke e Paul Ricoeur, se realizou uma condução das concepções de narrativa que percorreram dos Annales ao "renascimento da narrativa". Para explicar o uso da narração na micro-história e na obra O Queijo e os Vermes, optei, principalmente, por Jacques Revel, Henrique Espada Lima e Carlo Guinzburg, não negando, dessa forma, que existam outros autores e gerações historiográficas que abordem esse tema.

O que se pretendeu, nesse debate, então, se relaciona como uma verificação de como foi possível uma obra como a de Guinzburg, ser escrita por meio das técnicas de narração e ser considerada uma forma de abordagem histórica. Para alcançar essa pretensão, foi necessária a realização de uma breve exposição de diferentes concepções de narrativa, desde historiadores do século XIX, passando pelos Annales, para alcançarmos o Menocchio.

Após essas afirmações, saliento que não estou concluindo que essas diferentes formas de escrever história, ou mais precisamente, as inúmeras maneiras de encarar a narração, sejam uma correspondendo a "evolução" da outra, e sim que se tratam de historiadores diferentes; inserido cada um em seu tempo, possuindo concepções que se chocam e que acarretou em pretensões, focos e intenções que entram, por muitas vezes, em contradição.

Acredito que nenhuma dessas formas abordadas, de efetivar a adoção da narração, deva ser descartada ou considerada como não sendo uma forma de realização de pesquisa histórica. Cada uma tem sua lógica e seu modo de fazer história, não podendo, automaticamente, ser considerada uma mais verdadeira que a outra. Por isso, considero digno de apreço perceber os diferentes focos de interesses dos autores, uma vez que resultam em diversas formas de se legitimar a escrita da história.

Assiná-lo que foi por meio dessa conjuntura da micro-história que possibilitaram inúmeras pesquisas históricas de temas que, por muitas vezes, foram negligenciados por historiadores, ou seja, essa abordagens historiográficas, ou até mesmo outras que, nesse momento, não estão sendo foco de minha análise, como a história das mentalidades, a história cultural e a história oral, aumentaram o espectro analítico do olhar do historiador. Desse modo, a medida que a pesquisa histórica se efetiva, a História em si, se caracteriza por ser sem limites e sem fronteiras.

 

Referências

BLOCH, Marc. A apologia da história ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.

BURKE, Peter. A escrita da história novas perspectivas. São Paulo: Editora UNESP, 1992.

RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. São Paulo: Editora da UNICAMP, 2007.

LIMA, Henrique Espada. A micro-história italiana: escalas, indícios e singularidades. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.

REVEL, Jacques. Microanálise e construção do social Jogos de escala  a experiência da microanálise. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1998.

GINZBURG, Carlo. O queijo e os Vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela Inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

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FEBVRE, Lucien. Combates pela História, 2ª ed. Lisboa. Presença, 1985.

STONE, Lawrence .The revival of narrative: reflections on a new old history, Past and Present, 1979.

CABRAL, Flávio José Gomes. Paraíso Terreal  A rebelião sebastianista na serra do Rodeador  Pernambuco  1820.1ª edição. São Paulo: Annablume, 2004.

 

LARA, Silva Hunold. Escravidão no Brasil: Um balanço historiográfico. Revista de

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