A MORFOLOGIA NAS GRAMATICAS BRASILEIRAS
 
A MORFOLOGIA NAS GRAMATICAS BRASILEIRAS
 


RESUMO:
A intensão do presente artigo é fazer alguns questionamentos sobre a Gramática Tradicional, mas em especial mostrar as contradições em relação à definição do "sujeito gramatical", com a finalidade de orientar professores, acadêmicos e estudantes sobre o sentido de ensinar gramática nas escolas. Serão apresentadas concepções, falhas e críticas em relação à inconsistência teórica da Gramática Normativa.


PALAVRAS-CHAVE: Gramática Tradicional, Ensino, Sujeito Gramatical, Falhas.


1. INTRODUÇÃO
O ensino de gramática nas escolas tornou-se alvo de discussões, pois sente-se que a doutrina gramatical apresenta falhas, e isto vem deixando professores e alunos perdidos. Os professores conhecem suas falhas, mas na maioria das vezes não sabe como lidar com as mesmas, e pior, sabem que não há um outro material a ser utilizado como cita Perini: "Enquanto a crítica da Gramática Tradicional vai pouco a pouco conquistando um lugar nos cursos de letras, sente-se agudamente as falta de alternativas viáveis: se a Gramática Tradicional é inadequada, o que colocar em seu lugar?" (PERINI, 2000, p.5).
Os alunos por sua vez devido à forma que o ensino lhe é passado acaba por acreditar no velho mito de que gramática é muito difícil, mito este que surge em meio a tantas regras impostas pela Gramática Normativa.
A língua nada mais é que um fator social, na qual sofre mudanças a todo o momento, por isso não deve ter o mesmo tratamento que tinha anos atrás. Um passo importante a ser dado quando se trata de questões da língua, em especial da Língua Portuguesa é ter plena consciência de que a gramática normativa não pode ser tomada como verdade absoluta. Uma gramática que privilegia apenas uma variante, focada apenas na linguagem padrão (escrita), considerando a escrita como espelho da fala e tratando as demais como ''um problema'' precisa ser revista. Essa revisão se torna prioridade para que aconteçam as tão sonhadas mudanças na concepção de ensino de língua portuguesa nas escolas brasileiras.


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*Texto elaborado para a disciplina de Língua Portuguesa II, com o objetivo de repensar a questão das gramáticas tradicionais e a questão do "sujeito".
**Estudante do curso de Letras/ Português da Universidade Federal do Rio Grande.
Parece, portanto, que uma atitude correta em relação aos estudos gramaticais é, fazer uma análise dessa gramática, e assim, considerar os pontos positivos; aqueles em que há uma deficiência devem ser revistos.
Baseado nisto, este artigo tem por finalidade fazer alguns questionamentos gerais à Gramática Tradicional, e mostrar os problemas encontrados à questão do "sujeito" apresentado nas escolas.
Primeiramente serão abordadas neste artigo as falhas da gramática tradicional, criticadas por ROCHA (1988) e PERINI (2000). Em seguida faz-se uma retomada das falhas da gramática apontando especificadamente, sua inconsistência teórica em relação ao "Sujeito Gramatical", fazendo-se o fechamento do texto com as Considerações Finais.

2. AS FALHAS DA GRAMÁTICA TRADICIONAL
Atualmente pode-se perceber a doutrina gramatical como "um conjunto de afirmações aparentemente gratuitas e sem grande relação com fatos observáveis" (PERINI, 2000, p.5), sendo considerada ultrapassada. Assim, segundo PERINI, isso é justificado por algumas falhas principais: inconsistência teórica; falta de coerência interna; caráter predominantemente normativo; enfoque centrado no dialeto padrão (escrito), com exclusão de todas as outras variantes. Quando estes três pontos tiverem a atenção necessária, para serem devidamente repensados, se terá então um estudo gramatical satisfatória, na qual contribuirá para a formação intelectual dos estudantes.

2.1 QUESTIONAMENTOS GERAIS À GRAMÁTICA TRADICIONAL
As aulas de português têm representado grande problema por falhas no ensino de gramática, tanto nas escolas de ensino médio quanto no fundamental, por isso se julga necessário um estudo para descobrir o porquê desses problemas.
A resposta para tal indagação pode ser encontrada nas origens e tradições da gramática tradicional. Como lembra ROCHA (1988, p.49):

Os compêndios gramaticais vigentes são cópias de gramáticas antigas, que, por sua vez, são cópias da gramática latina, que, por sua vez, é cópia da gramática grega. O peso da tradição dificulta bastante a revisão e a adoção de novas posições.

Outra falha é o de apresentar a língua como um sistema estático, por desconsiderar as transformações por ela sofridas com o decorrer do tempo. "Muitas vezes estranhamos nas gramáticas não o que elas dizem, mas a maneira como os dados são colocadas". (ROCHA, 1988, p.50).
Por exemplo, é apresentada uma definição do "sujeito", em que nem sempre esta definição na prática é utilizada, mesmo assim, sem maiores explicações, a gramática tradicional estabelece desta maneira, como se dissesse: é isto e não há o que discutir. Isso faz com que haja uma lacuna entre teoria gramatical e pratica da análise.
A Gramática Tradicional parece dar ênfase ao compromisso com o ensino, em suma, o que ROCHA (1988, p.50) quer frisar é:

A pesquisa de um modo geral não pode estar preocupada ou comprometida com qualquer fator que não seja a própria pesquisa. A pesquisa lingüística não pode ser restringida ou controlada por questões relacionadas com o ensino da língua. Essa parece ser uma preocupação constante dos compêndios gramaticais.

Para encerrar, a Gramática Tradicional ainda impõe uma única modalidade lingüística aos estudantes gramaticais, ignorando a diversidade, o que ROCHA (1988, p.50) define como "Camisa de Força":

O imobilismo do ensino de português, aliado a interesses comerciais ? uma gramática muito diferente das que existem, certamente não seria indicada pelo professor de português ? operam sobre os compêndios gramaticais como verdadeiras "Camisas de Força". Veja-se, por exemplo, a NGB, que praticamente obriga as gramáticas a usarem determinada nomenclatura, o que, sob ponto de vista cientifico, é uma aberração.


2.2 QUESTIONAMENTOS ESPECÍFICOS À GRAMÁTICA TRADICIONAL
As bases teóricas da Gramática Tradicional apresentam, na maioria das vezes, noções vagas sobre a definição de sujeito gramatical, sendo que a partir do momento em que se esclarece um conceito, é necessário conhecer as regras, os limites, os defeitos, para que se tenha critérios coerentes o bastante para dar conta da descrição dos fatos a que se obriga explicitar.
Nas gramáticas, a oração é dividida em sujeito e predicado. Esses compêndios apresentam esses dois termos como sendo essenciais à oração. Sob essa perspectiva, têm-se contradições e incoerência internas, pois se ambos os termos são essenciais, como explicar a existência de orações em que não há a presença do sujeito.
Para ser pontual ao tema, precisa-se, antes, comentar sobre o conceito do que é sujeito. Para a maioria das gramáticas, sujeito "é o ser sobre o qual se faz uma declaração". (CUNHA, 1975, p.137)
A partir dessa definição fica clara a pouca consistência da Gramática Tradicional. Assim sendo esta a definição de sujeito, lembra PERINI (2000, p.12) o seguinte:

No momento em que apresentamos esta definição de sujeito, assumimos o compromisso de mantê-la como a definição de sujeito em toda a gramática. Em outras palavras, o termo "sujeito" corresponde a uma noção unificada e consistente, à qual as regras gramaticais podem fazer referencia.

Mas ao contrário do que lembra Perini, adiante na mesma gramática, é encontrada a afirmação seguinte: "Algumas vezes o verbo não se refere a uma pessoa determinada, ou por se desconhecer quem executa a ação, ou por não haver interesse no seu conhecimento. Dizemos, então, que o sujeito é indeterminado". (CUNHA, 1975, p.141)
Com esta segunda definição desrespeitou-se tudo o que já se tinha dito anteriormente, pois está formulando como se o sujeito tivesse sido definido em termos de quem pratica a ação, esta aqui o mal das generalizações gramaticais, um conceito¹ prejudica o outro. Ao se enunciar uma afirmação gramatical, é preciso estar consciente de certas crenças que subjazem á afirmação. O que falta à Gramática Tradicional é a revisão destas falhas, para que todas essas teorias façam parte apenas de um corpo doutrinário logicamente consistente.
"Se tivesse de apontar a grande falha fundamental da nossa tradição gramatical, eu escolheria a ausência de conscientização adequada do importe teórico das afirmações que constituem a gramática" (PERINI, 2000, p.13). Portanto, conceitos como os de sujeito devem ser repensados para que de fato, saibam como estruturalmente sua língua funciona. Não se pode abordar como sujeito, apenas o que ele é em alguns momentos, mas sim, o que ele realmente é em sua essência.

3. CONSIDERAÇÔES FINAIS
Pretendeu-se, com esta pesquisa, apresentar as falhas da Gramática Tradicional, bem como mostrar, aos acadêmicos, aos estudantes e aos professores que a gramática não pode ser tomada como uma verdade absoluta, pronta, acabada e imutável. Para satisfazer este objetivo optou-se por uma descrição de um dos vários problemas teóricos encontrados na Gramática Tradicional, a definição de "sujeito gramatical". O resultado obtido satisfaz o compromisso que se pretendia atingir. Fazendo-se notar que é preciso de uma nova gramática portuguesa, que possa servir de apoio à renovação do ensino. Mais do que a substituição de uma doutrina gramatical por outra, mas sim almejar a criação de novas atitudes, caracterizadas por maior responsabilidade teórica, maior rigor de raciocínio e libertação do argumento da autoridade. Só assim poderá o ensino da gramática proporcionar um campo para o exercício da argumentação e do raciocínio, contribuindo para o processo de aprendizagem nas escolas.


4. REFERÊNCIAS
PERINI, Mário. Para uma nova Gramática do português. São Paulo: Ed., Ática, 2000.
ROCHA, Luiz. Estruturas morfológicas do português. Belo Horizonte: UFMG, 1988.
CUNHA, Celso. Gramática da língua portuguesa. Rio de Janeiro, MEC-Fename, 1975.
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Pós-Graduanda do curso de linguística e Ensino de Lingua Portuguesa, da Universidade federal do Rio Grande. Participa do grupo de estudos Laboratório de Ensino de Língua Portuguesa , vinculado ao Núcleo de Estudos em Língua Portuguesa (NELP), onde desenvolve projetos na área de Linguística Aplicada ...
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