A Miséria Humana
 
A Miséria Humana
 


I - Uma pessoa miserável

Tão comum de se encontrar pelas ruas de tantas cidades, outras como esta pobre criatura, largada ao tempo e as intempéries. Respirando graças à Providência, mendigando em conseqüência dos erros em cascata de uma vida desvirtuada em uma família desestruturada e marginalizada.

Quando infante, conhecera a felicidade. Esta felicidade própria de criança, que a tudo perdoa e esquece logo: a fome, a violência doméstica, a ignorância paterna, os maus tratos por quem deveria protegê-la...

Imerso no lamaçal dos problemas acumulados por causa do corruptor desinteresse pelas coisas verdadeiramente úteis para o bom desenvolvimento da vida. Acostumado a justificar mais do que resolver. Conservando a mente tosca no comodismo vicioso. Conduzindo as atitudes e os rudimentos de opinião, com morosidade de raciocínio, típico das pessoas que desprezam as benfeitorias imprescindíveis que a escola oferece, assim pensa:

"Oh! amigo desinteresse, pra que fazer hoje o que posso deixar para amanhã?

Oh! parceira ignorância, pelo menos raiva de quem sabe, isto eu não tenho.

Oh! amiga preguiça, não permita que meu pobre cérebro se esgote com as utilidades duvidosas da matemática".

Na noite gelada, quando a cachaça se faz cobertor e um policial bravateiro resolve quebrar a monotonia, exercitando seus músculos ao uso do cacetete, estica o couro de um outro pobre, exposto ao vento e que mal sabe se está acordado ou tendo mais um daqueles pesadelos costumeiros.

- Por favor, soldado, quebra-me o sono mal dormido, mas não quebre a minha garrafa...

Conseqüências da inconseqüência, da insustentável insuficiência de saber. Saber um pouco de cada coisa:

Saber que a própria vida oferece tudo o que é verdadeiramente preciso paradar certo.

Saber reconhecer e utilizar pelo menos uma parte desses recursos.

Saber que o conhecimento da matemática valoriza o tempo e o trabalho realizado.

Saber que conhecer um pouco de ciência, é bastante útil para melhorar a qualidade de vida de todos.

Saber que estudar e compreender a história é criar em si o senso de cidadania que leva a pessoa a conhecer e buscar seus direitos, que apesar de existirem, dependem de um tanto de saber para ficarem ao alcance das mãos.

 Saber que as disciplinas da educação, o respeito e a vontade firme,são capazes de conduzir as pessoas, as famílias e as sociedades a condições melhores e duradouras de dignidade humana.

II - O grupo

Entre os indigentes do grupo, todas as trajetórias convergiram a um lugar comum. Histórias de toda sorte, mas os comportamentos e atitudes nivelados: desperdício do instrumental proporcionado pela escola;incapacidade de cultivar a honestidade; habilidades de inventar justificativas para todos os erros; capacidade de dilapidar fortunas até o último centavo; abuso de autoridade até as últimas conseqüências; o abandono conquistado diariamente por quem só consegue ser agradável quando está ausente.

Tem muito o que chorar quem tarda a descobrir o valor dos bons relacionamentos. Quando a solidão se petrifica dentro do coração, faz dolorido cada pulso.

Nos momentos solitários dos questionamentos pessoais, nenhuma resposta satisfaz as interrogativas reincidentes, alimentadas pelo desábito do convívio.

Dos tipos de pobreza, este é o pior, por que os outros, em sua maioria, remediam-se bem mais fácil, muitas vezes apenas com as coisas rejeitadas por quem enjoa rápido daquilo que acreditava serem motivos de felicidade.

Sábios são os homens que já compreenderam que pobreza ou riqueza vão além da origem sócio-econômica das pessoas. Inumeráveis são as histórias depessoas atualmente bem sucedidas, que saíram, através de muito esforço, das camadas mais humildes da sociedade.

É notório que qualquer um que negligencia persistentemente a boa conduta de vida, resgata progressivamente as conseqüências desgastantes que levam àquele lugar bastante comum a algum período, curto ou prolongado da vida de quase todas as pessoas.

Bem sabemos que, movido pela fé, mesmo que instintiva da natureza humana, o coração sofredor vez por outra, roga ao Céu e quando a súplica toma o caráter da sinceridade, ganha força e alcança a Providência, que responde sabiamente, oferecendo lenitivo acompanhado sempre da oportunidade maior, que invariavelmente se apresenta como possibilidade de retomada ao caminho do saber. A pessoa, querendo ingressar, inicia um amplo tratamento de saúde, mental e  física, intelectual e moral. Podendo adquirir, conforme seus esforços, uma poderosa alavanca capaz de torná-la apta o suficiente para remover as enormes pedras do caminho e aproveitá-las ainda na construção dos alicerces de seu futuro e da grande obra de viver em plenitude irradiando o exemplo a tantos queiram seguir-lhe os passos.

Talvezum dia todos aprendam que a sociedade é formada por todos, ou seja, cada indivíduo sem exceção e ajudar a oferecer condições para que cada pessoa possa tentar resolver adequadamente seus próprios problemas é caminho certeiro para livrar o mundo da aberração da miséria humana.

Manoel Brandão Nobilli

 
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Sobre este autor(a)
Graduado em Artes Visuais com ênfase em Design pela PUC Campinas. Premiações:Honra ao mérito do Museu Anchieta/Páteo do Colégio/Liga do Professorado Católico(2003); Concurso Leitura na Escola da Sec.Educ.SP(2003). 7 Notas100 nas Redações do ENEM. Citado por Universidade Federal de Uberlândia/2009; S...
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