A LEITURA E A PRODUÇÃO DE TEXTO EM SALA DE AULA: Uma reflexão

                                                                                                                   Altina Costa Magalhães

A criança quando nasce se comunica pelo choro, grito, riso e até pelo silêncio, gradativamente ela passa a comunicar-se de forma gestual, imagética, oral e não apresenta dificuldades de comunicação porque ela possui de forma implícita a gramática dos falantes que se desenvolve no seio familiar em que ela convive. Entretanto ela cresce e vai para a escola para ampliar a sua oralidade e ao mesmo tempo aprender a comunicar-se de forma escrita, ao deparar-se com esta nova modalidade de comunicação a maioria sente dificuldade em escrever, às vezes chega ao final do Ensino Médio, mas não consegue escrever um bilhete, uma carta, uma descrição, uma narração, uma argumentação e pior ainda não consegue ampliar a oralidade trazida de casa. Esta é uma lacuna deixada pela alfabetização e se não for corrigida a tempo, o indivíduo vai carregar esta deficiência pelo resto de sua vida.

 O professor da Educação Básica, de Língua portuguesa ou de outras áreas do conhecimento deve realizar atividades de leitura e produção de texto levando em conta alguns fatores, a série/idade, mas, sobretudo os conhecimentos prévios dos alunos, os recursos semióticos dos textos trabalhados, o contexto em que os textos são produzidos e as intenções de comunicação apresentadas nos mesmos, isto para que os alunos possam desenvolver a capacidade de escrever com fluência, sem preocupar-se com os aspectos formais principalmente nos anos escolares iniciais, pois com o avançar do processo e sem medo de escrever, vão aprendendo as normas da linguagem e vão familiarizando-se com elas naturalmente, sem atropelos, e com certa flexibilidade por parte do professor que deverá orientá-los a escrever diferentes tipos e gêneros de textos, para que ao chegar ao final do Ensino Médio eles consigam comunicar-se de todas as formas com coerência e coesão. É importante começar observando-se a bagagem lingüística de cada um, e que eles socializem esta bagagem com o grupo, de forma gestual oral, imagética, e escrita, que as atividades de escrita sejam fáceis e partam sempre de suas vivências diárias para que eles percam o medo de escrever e compreendam que a escrita assim como a fala, são resultantes do pensamento e que eles podem falar e escrever sobre as coisas que eles lêem pensam, sentem, observam sobre os acontecimentos. “O ensino deve ir aumentando a capacidade comunicativa dos aprendizes de forma que esse trabalho ajude os mesmos irem melhorando o uso que fazem da língua através da fala e da escrita...” (LUFT, 2008)

Na minha prática de leitura e produção de texto em sala de aula, desde as séries iniciais, uma vez que já trabalhei desde o Pré-escolar até o 3º Ano do Ensino Médio procuro sempre observar os conhecimentos prévios, a realidade vocabular para oferecer a eles atividades compatíveis com suas realidades, levando em conta os recursos semióticos que vão ajudá-los na leitura, compreensão e interpretação dos textos sejam eles lidos por mim para eles ouvirem nas séries iniciais ou os lidos por eles nas séries mais adiantadas. Outro ponto importante é o contexto de produção dos textos escritos por eles. Um professor não pode pedir aos alunos que escrevam sobre um assunto que eles não têm conhecimento. É necessário antes conversar com eles sobre o assunto, orientá-los para que leiam, pesquisem na mídia impressa ou virtual, em programas de rádio, de TV, em filmes, documentários. O professor tem a responsabilidade de oferecer todas as condições, os recursos/fontes para que eles possam apoiar-se e sentir-se preparados para escrever sobre o assunto. O aluno deve aprender desde cedo que o ato de ler e escrever são indissociáveis e ligados a percepção e emoção porque descontraem, criando aberturas para o texto a ser construído. O ideal na hora de escrever um texto é deixar fluir as leituras, as experiências anteriores, pois isto facilita o ato de escrever, tornando-o prazeroso e eficiente. E por fim o aluno deve saber com que intenção ele vai escrever, porque quem escreve , escreve para comunicar algo a alguém, o aluno que vai redigir um texto ele tem que saber com que intenção comunicativa ele vai realizar aquela atividade, e o educador precisa lembrar que ele está preparando seu aluno para comunicar-se com fluência e isto inclui prepará-lo, inclusive levando-o a reestruturação, ou seja, a reescrita do texto quando necessário.  Assim o professor/educador estará “... utilizando as dificuldades que os alunos possuem em relação à língua para desenvolverem seus trabalhos, pois trabalhar com os erros dos alunos é fundamental.” (LUFT, 2008). Especialmente quando se trata do uso de todas as formas de comunicação especialmente a verbal/escrita sem embaraço em todas as situações comunicacionais em sua vida cidadã.

REFERÊNCIAS

BALTAR, Marcos. Sobre os gêneros textuais. Disponível em: http://hermes.ucs.br/cchc/dele/ucs-produtore/pages/sobregeneros.htm Acesso em 19/12/2011

<http://eproinfo.mec.gov.br/fra_def.php?sid=708943A403EC6924A50A648CBC8382E4> Acesso em 19/12/2011

LUFT, Celso Pedro. Língua e Liberdade. Por uma nova concepção de língua materna. 8ª Ed. Rio Grande do Sul: Editora Àtica. S/A. 2008.

PAOLINELLI, Honoralice de Araújo Mattos, COSTA, Roberto Sérgio. PRÁTICAS DE LEITURA/ESCRITA EM SALA DE AULA. Disponível em:< http://www.filologia.org.br/viiicnlf/anais/caderno09-13.html> Acesso em 19/12/2011.

 

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