A Influencia da variação linguistica no ensino fundamental II
 
A Influencia da variação linguistica no ensino fundamental II
 


A INFLUÊNCIA DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NO ENSINO DE LÍNGUA MATERNA DO ENSINO FUNDAMENTAL II 

                           Autora: SILVA, Mikaele Correia da[1]

                      Orientadora: ARAÚJO, Maria das Dóris Moreira de[2]

RESUMO: Este artigo tem como objetivo verificar quão influente tem sido a variação linguística no ensino de língua materna, seu uso, tratamento e abordagens quando em contato direto com os alunos do ensino fundamental II. O presente estudo deu-se mediante uma pesquisa bibliográfica, através da qual recorremos a diversos autores como Bagno (2002), Camacho (1988, 2001), Halliday (1974), Luft (2006), PCN (1997, 1998) e Travaglia (1996); bem como de uma pesquisa de campo em que utilizamos cinco (05) questões aplicadas a professores de Sobral-CE, onde procuramos realizar uma análise minuciosa com o intuito de obtermos resultados pertinentes para o estudo pretendido. Para tanto, o que se pode concluir com tal pesquisa foi o despreparo e negativismo da maioria dos entrevistados em lidar de forma construtiva para com o ensino e contextualização do tema abordado.

PALAVRAS - CHAVE: Variação Linguística. Língua Materna. Ensino Fundamental.

1 INTRODUÇÃO

 

Sabemos quão grande e minucioso torna-se todo e qualquer estudo ligado diretamente à linguística, porém, numa tentativa de compreendermos melhor suas limitações é que, inicialmente, trataremos daquilo que julgamos fundamental para a realização desse estudo sobre variação linguística, seu conceito, definição e origem.

Este trabalho focará principalmente o âmbito da variação linguística na escola, subárea da linguística que aborda, principalmente, a língua em seu processo de mudanças e variações. Os linguístas, em sua maioria, concordam com o princípio de que nenhuma língua natural humana é um sistema em si mesmo homogêneo e invariável; e que o fenômeno da variação será perceptível em todos os níveis de análise, desde o nível fonológico até mesmo o semântico.

Ressaltaremos ainda, ao longo desta pesquisa, que a variedade padrão não constitui um modelo universal e que não cabe unicamente à escola mostrar como tarefa principal a substituição da variedade não padrão por esta, mas todos têm

papel importante em despertar nos alunos uma consciência crítica de que é necessário adequar o uso da linguagem à situação de comunicação daquele momento a medida que isso o exija e lhe seja favorável, pois é importante, acima de tudo que nosso aluno esteja a vontade para se expressar, pois dependendo das “cobranças” lhes atribuída em decorrência da linguagem, é provável que ele se intimide ou “trave” em outras situações.

O estudo está organizado em três seções. A primeira intitulada A LÍNGUA E SEU PROCESSO TRANSFORMACIONAL DE VARIAÇÃO LINGUÍSTICA, que trata da definição, origens e abordagens da variação em si; a segunda seção TIPOS DE VARIAÇÃO LINGUÍSTICA, que discute os tipos de variação existentes; e a última que enfoca os RESULTADOS E DISCUSSÕES obtidas a partir da aplicação da entrevista realizada com os professores.

Para tanto, ao constarmos quão falho ainda é o ensino neste segmento, seja por parte do sistema ou dos profissionais educadores que dele fazem parte, é necessário perceber a importância disso, termos consciência de que a variação linguística é uma forte influência no cotidiano de nossos alunos e que é preciso valorizar dando a devida atenção que realmente lhe cabe.

2 A LÍNGUA E SEU PROCESSO TRANSFORMACIONAL DE VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

 

2.1 CONCEITO DE VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

 

Pelo fato de ter se estabelecido em sua forma atual apenas há algumas décadas, e pensarmos em linguística como uma ciência ainda jovem, vale ressaltar que desde a invenção da escrita, ou até mesmo antes disso, vem se estudando a linguagem, que segundo os manuais de linguística a consideram como sendo o objeto de estudo da linguística, portanto, ligadas diretamente uma a outra.

As línguas se transformam em todos os aspectos e se dão de tempos em tempos a enorme variação no seu comportamento. Algumas de maneiras mais rápida outras já mais lentamente e isso ocorre porque as línguas não são estáticas, fixas, imutáveis. Com o passar do tempo e com o uso, muda-se o modo de falar as palavras (seus sentidos, e até mesmo a grafia dessas); variação linguística ou diversidade linguística constituíram-se em objeto de estudo da sociolinguística, desde as primeiras empreitadas em torno dessa nova área de estudos linguísticos.

O termo variação, introduzido principalmente a partir da década de 60 do século passado veio com o intuito de ampliar a dimensão dos aspectos linguísticos integrando-o ainda aos aspectos sociais e culturais de forma a acreditarmos que tal ação linguística só terá realidade, se formulada numa perspectiva mais ampliada em que permitirá uma nova visão da dimensão linguística em todos os seus níveis de estudo. E, como decorrência, possibilitar o vislumbre de possíveis respostas para investigações e atuações dos aspectos linguísticos cujo alcance estaria mais na ordem do social do que do linguístico propriamente.

Assim sendo, podemos dizer que, enquanto conceito científico, a variação linguística só tem sentido se voltado para aspectos linguísticos e sociais do falante, seja enquanto um processo ou um resultado da sua atividade linguística, nas diversas manifestações em que ocorrem.

Para Camacho (1988), não existe um padrão de linguagem mais bonito ou mais feio, correto ou errado. O que existe é a variação da língua portuguesa que muda de região para região, de classe social para classe social e também de situação para situação. No entanto, vale observar que a variação linguística ocorre devido ao falante e à situação e que em cada comunidade falante, haverá o uso de formas linguísticas variadas, assim, Tarallo (l997, p. 8) enfatiza que variantes linguísticas são, "[...] diversas maneiras de dizer a mesma coisa em um mesmo contexto, e com o mesmo valor de verdade". A esse conjunto de variantes citado pelo autor dá-se o nome de "variável linguística". Segundo o mesmo autor, todas as línguas variam, isto é, não existe nenhuma sociedade, ou comunidade na quais todos falem da mesma forma.

Já para Soares (1980) por variedades linguísticas deve se entender as modalidades da língua, caracterizadas por peculiaridades fonológicas, sintáticas e semânticas, determinadas de um modo geral por três fatores: o geográfico, o sociocultural e no nível da fala.

Ao longo do processo e evolução da linguística, mudanças frequentes ocorreram devido aos diversos pensamentos linguísticos apresentados, que com o passar dos tempos, foram se aprimorando a fim de provar de fato a função e real intenção da linguística como ciência da linguagem nos mais diversos segmentos (social, econômico, político e cultural).

Para Cordeiro (2005) mesmo ocorrendo significativas mudanças no pensamento linguístico, a questão da variação linguística, dentro do ensino de língua materna, tornou-se, um ponto fundamental de discussão e estudo.

Conforme a perspectiva sociolinguística, já seria válido dizer que a variação ou diversidade linguística, trata-se de um fenômeno constitutivo das línguas. Assim, poderíamos afirmar que, em se tratando da língua portuguesa que abordaremos ao longo deste trabalho, por exemplo, em decorrência da variação, que para os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (1997, p. 81 - 82) afirmam que a “Língua Portuguesa” é composta por diversas variedades linguísticas. Essas variedades são, frequentemente, estigmatizadas por se levar em conta o relativo valor social que se atribui aos diversos modos de falar: as variantes linguísticas de menor prestígio social são logo catalogadas de “inferiores” ou até mesmo, de “erradas”.

Os modelos teóricos que fazem abstração da variação entendem que ela é apenas um acidente e não uma característica essencial das línguas. Foi essa a premissa que serviu de base para as concepções linguísticas divergentes entre si, como o mecanicismo de Bloomfield, a teoria glossemática de Hjelmslev e o gerativismo de Chomsky. Diante disso, surgiu a sociolinguística para tentar provar o paradoxo, ou seja, a de que a variação é essencial à própria natureza da linguagem humana.

Diante de inúmeras abrangências acerca da definição de variação, vale frisar ainda quão importante foi também a teoria da variação linguística que trouxe uma importante contribuição ao apresentar a noção de língua em mudança e em variação, desfazendo a velha noção de homogeneidade da língua preconizada pelo ensino gramatical. Assim, como umas das coisas fundamentais advindas junto a essa teoria, que é importante destacarmos é a concepção de língua, amplamente ligada ao contexto social em que ocorre, que conforme Labov (1994, p. 12):

 

 

Os procedimentos de linguística descritiva se baseiam no entendimento de que a língua é um conjunto estruturado de normas sociais. No passado, foi útil considerar que tais normas eram invariantes e compartilhadas por todos os membros da comunidade linguística. Todavia, as análises do contexto social em que a língua é utilizada vieram demonstrar que muitos elementos da estrutura linguística estão implicados na variação sistemática que reflete tanto a mudança no tempo quanto os processos sociais extralinguísticos.

No que trata da etimologia do termo “variação”, é importante destacarmos que vem do latim “variatione”, significando “variedade, ato ou efeito de variar (se)”. “Variar”,  por sua vez significa “tornar vário ou diverso, alterar, mudar”. No dicionário de Câmara Jr., (1981, p. 239) variação é “Consequência da propriedade da linguagem de nunca ser idêntica em suas formas através da multiplicidade do discurso.” Nesse sentido é que se define variação linguística como o fenômeno que envolve múltiplos e concomitantes usos de formas com o mesmo significado linguístico, marcado por diferentes significados social, segundo o contexto em que ocorrem. 

3 TIPOS DE VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

 

 Tomando como ponto de partida para análise o falante ou usuário da língua, podemos dizer, conforme Halliday (1974), que as variedades linguísticas são devidas tanto a fatores inerentes ao próprio usuário como aos dados devidos à situação de comunicação em que ele se encontrar.

Assim, toda língua viva no mundo apresenta o fenômeno da variação, ou seja, a língua admite inúmeras formas de expressão de variabilidade conforme alguns fatores sociais como: a faixa etária (cada idade possui uma especificidade em sua fala); gênero (homens e mulheres falam de maneiras distintas), status socioeconômico (pessoas de status econômico mais baixo possuem uma linguagem mais coloquial que aquelas com status mais elevado); grau de escolaridade (tempo de escolarização e qualidade da escola frequentada) dentre outros como também rede social (convivência e interação com pessoas diversificadas em nosso cotidiano).

Para Camacho (2001, p.58),

É fácil detectar a variação motivada por diferenças na origem geográfica. Basta percorrermos o país para percebermos, por exemplo, que os falantes da região nordestina se caracterizam pela abertura sistemática da vogal pretônica de dezembro e colina, pronunciadas dézembro e cólina, sistematicamente fechada em outras regiões, em que é pronunciada como dêzembro e côlina. Em certas regiões do sul do país, pronunciam-se como e as vogais em posição átona final, como no SN leite quente, que, em outras regiões, aparecem como i como leiti quenti. Neste último caso, observa-se ainda que a pronúncia da vogal i, em certas regiões de São Paulo, acarreta a palatalização da consoante t, que passa a soar como leitchi quentchi, um som que os linguistas chamam de “africado”.

Segundo o mesmo autor (1988), existem, muitos fatores originando as variações, as quais recebem diferentes denominações como dialetos, socioletos, etnoletos e ecoletos.

Travaglia (1996, p.42) discutindo questões relativas ao ensino de gramática no primeiro e segundo grau apresenta com base em Halliday, Melntosh e Strevens (1974), apresenta um quadro bastante claro sobre as possibilidades de variação linguística, chamando a atenção para o fato de que, apesar de reconhecer a existência dessas variedades, a escola continua a privilegiar apenas a norma culta em detrimento das outras, inclusive daquela que o educando já conhece anteriormente.

Entretanto, antes de nos determos sobre os verdadeiros tipos de variação, vale ressaltar que o fenômeno da variação dar-se com mais facilidade quanto aos aspectos da pronúncia e vocabulário. Contudo, pode ser constatada em todos os níveis de funcionamento da linguagem. No plano fônico, por exemplo, é bastante perceptível a diferença de pronúncia do ‘s’ ao final de sílaba comparando diferentes regiões do país, no caso dos cariocas, por exemplo, o ‘s’ é reproduzido como uma chiante, já os paulistas o utilizam como silibante.

Além do plano fônico, existem ainda as variações no campo morfológico, lexical e, inclusive, no plano sintático (em que podemos citar o uso do pronome de tratamento ‘tu’ que em certas regiões do Brasil, conjuga-se com o verbo na 3ª pessoa).

Enfim, inúmeros são os tipos/exemplos de variações linguísticas, porém, para manter um parâmetro organizacional e sistemático das possibilidades existentes, os estudiosos as caracterizam basicamente, a partir de três conceitos: Diastrática, diafásica e diacrônica.

3.1 VARIAÇÃO DIASTRÁTICA

 

 Na variação social ou diastrática a língua se apresenta ligada às questões sociais em que questões relacionadas a sexo, faixa etária, religião, condição socioeconômica dentre outros fatores, condicionarão mudanças efetivas no uso da língua.

A variação diastrática está intimamente ligada ao abismo social que existe em nosso país, ou seja, uma pequena parcela da sociedade com acesso ao português padrão, enquanto uma grande maioria de pessoas, ou excluídos, ficam a mercê e distante do acesso a esse português padrão. Para Bagno (2002, p. 105) “Não é difícil perceber que a norma culta, por diversas razões de ordem política, econômica, social e cultural, é algo reservado a poucas pessoas no Brasil”.

No fragmento acima, acreditamos que o autor faz uma denúncia ao caráter social da variação diastrática em que torna perceptível que a educação ainda é privilégio de poucos, pois muitos ainda têm seus direitos privados daquilo que julgamos basicamente essencial ao desenvolvimento social, político e cultural do cidadão ao qual lhe é impossibilitado o acesso da norma culta aprendida na escola. Conforme o mesmo autor:

São essas graves diferenças de status social que explicam a existência, em nosso país, de um verdadeiro abismo linguístico entre os falantes das variedades não-padrão do português brasileiro - que são maioria de nossa população – e os falantes da (suposta) variedade culta, em geral mal definida, que é a língua ensinada na escola. (BAGNO, 2002, p.16).

As variações diastráticas compreendem ainda, por exemplo, a diferença no uso de gírias, jargões, termos técnicos e inclusive, a diferença existente entre a chamada norma culta e a dita popular.

3.2 VARIAÇÃO DIAFÁSICA

 

Outro exemplo de variação é a diafásica que incide sobre a situação de comunicação e está diretamente ligada aos fatores psicoemocionais; é aquela que tem como parâmetro a adequação de produção discursiva, nela ainda se incluem as mudanças relacionadas ao grau de formalidade e informalidade em que o falante exercerá ou não aquela que se adeque melhor às exigências situacionais e circunstanciais em que esteja inserido. Sendo assim, Fiorin (2002, p.76) fala que:

Na variação diafásica, pode-se estabelecer a hipótese de que o mesmo falante use as formas “andar” ou “andá”, “fazer” ou “fazê”, apagando parte de palavras quando está numa situação de bastante informalidade (por exemplo, numa conversa familiar), diferentemente do que muito provavelmente faria numa situação de maior formalidade (como numa conferência).

Outro exemplo, se utilizarmos a palavra ‘gatinho’, no diminutivo, a) animal pequeno, que mia (sentido denotativo), b) elogio a um homem bonito (sentido conotativo). Desta forma, podemos dizer que, em função da circunstância, ao realizarmos o ato de fala, procuramos adaptá-la mediante a situação de comunicação estabelecida entre os interlocutores, o assunto ou até mesmo o local onde tal interação se dá, caracterizando então ao que chamamos de variação diafásica.

3.3 VARIAÇÃO DIACRÔNICA

 

Aquela determinada através do fator temporal, denominamos de variação diacrônica. Nela, as pessoas de determinado grupo social ou pertencente à mesma região, ao longo dos anos, expressarão seus modos de fala de formas diversificadas daquelas utilizadas em anos anteriores. Todavia podemos dizer que já não falamos hoje como falávamos há alguns anos atrás, ou seja, de geração para geração o vocabulário utilizado adquire aperfeiçoamentos; assim tomamos como exemplo a maneira de expressar dos jovens de atualmente para a forma como se expressam as pessoas mais idosas, inúmeras serão as diferenças percebidas tanto na preferência vocabular, na construção frasal como até mesmo na pronúncia de determinadas palavras.

Os arcaísmos são, por exemplo, vocábulos que deixaram de ser utilizados; palavras como “supimpa”. “alpendre” são termos utilizados que, se ainda ouvimos, advém da boca dos idosos.

Até metade do século XX, era grande a presença de palavras francesa (galicismos) em nosso meio, pois, na época, a França tinha forte influência cultural sobre nosso país e foi palavras como abajur, butique, champanhe que começaram a integrar nosso vocabulário. Já a partir da Segunda Guerra Mundial, com a influência crescente advinda dos Estados unidos, até os dias atuais, é perceptível notarmos o uso frequentemente de palavras inglesas e, mais visível ainda, como exemplo, podemos destacar a área da informática onde utilizamos palavras como windows, e-mail, mouse quer em sua maioria utilizadas e apenas raramente adaptadas para uso em nossa língua.

Em suma, podemos perceber que, a variação, em seus três aspectos mencionados acima, dá-se a em qualquer um dos planos linguísticos existentes (fonético, morfológico, sintático, dentre outros). No entanto o que torna a variação um tanto complexa, às vezes, é fato de que fatores como os trabalhados ao longo desse capítulo não se dão de formas independentes, mas se entrecruzam e se determinam.

4 A INFLUÊNCIA DA VARIAÇÃO NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

 

Está muito claro sobre quão importância e valorização tem se dado ao ensino de gramatica nos últimos tempos, seja nas modalidades pedagógicas ou preparatórias de conteúdos programáticos. Além disso, a compreensão de importância à mesma tem sido tão elevada que tem ocupado um lugar de destaque perante o ensino de língua, onde muitos acreditam e atribuem-na como sinônimo uma da outra.

Atualmente, as escolas visam ensinar o aluno a dominar a língua culta a qualquer custo, porém, para isso, não se mostram interessadas nem tampouco valorizam ou respeitam a variedade linguística que este traz de sua cultura e experiência atrelada a seu cotidiano fora da escola, talvez pelo fato do despreparo técnico para lidar com tamanha heterogeneidade vivenciada em sala de aula pelos profissionais educadores, que, em determinados casos, acabam por vezes bloqueando não só a expressividade oral, mas também a escrita deste aluno, deixando inferiorizado pelo tratamento que lhe é dado. Assim, Luft (2006, p.68) diz:

Na verdade, o profissional do ensino deveria estar tecnicamente capacitado a detectar os contrastes entre as regras da língua culta – a qual a escola pretende, e deve fazer o aluno ascender – e as regras dos outros níveis gramaticais. Em termos técnicos, deveria ter bons conhecimentos de Gramática Contrastiva. Esta o instrumentaria muito melhor para o seu ofício do que mil detalhes preconceituosos da Gramática Normativa.

Para Luft (2006), todas as variedades da língua são valores positivos.

Não será negando-as, perseguindo-as, humilhando quem as usa, que se fará um trabalho produtivo no ensino. Para ele, o professor de língua materna deve ser um profissional especializado e competente e, além disso, precisa estar bem preparado tecnicamente com sólida fundamentação linguística.

A noção de ‘certo’ e/ou ‘errado’, infelizmente, ainda é muito presente em nosso vocabulário usual, tanto no que diz respeito ao professor, como também no que se refere ao aluno. São conceitos como esses que, via de regra, muitos alunos sentem tédio e têm medo das aulas de português, denominando-as de monótonas e cansativas até. Isso ocorre pela falta de credibilidade e pela não valorização da variação, sua aplicabilidade e adaptação para com o ensino de língua materna.

Segundo Silva (2002), a grande rejeição que ainda se tem ao falar de variação linguística ocorre em função da visão imposta pela gramática normativa que repudia qualquer fenômeno ocorrido em torno da língua. Para ela, a escola não apresenta outro manual que dispõe e reflita a variação linguística na sociedade, mantendo-se assim presa à gramática.

O ensino de língua materna insiste no tratamento da fala simplesmente como um conteúdo em si, não como um espaço de valorizar a variação, existente, perceptível, porém tão ignorada por aqueles que ainda a consideram de forma preconceituosa e negativa.

Para Castilho (2001), ver considerado na escola o seu modo de falar, de ser sensibilizado para a aceitação da variedade linguística que flui da boca do outro, saber escolher a variedade adequada a cada situação, permitiria o conhecimento maior por parte dos alunos e dos professores sobre o processo de variação.

Contudo, não é bem assim que funciona, pois o que constatamos quando nos deparamos com turmas, por exemplo, de 7º ano, são ainda alunos se expressando de maneiras como: ‘Entra pra dentro’, ‘saiu pra fora’, ‘eu se lerrantei’, ‘andano’, ‘poblema’, e o professor, perante situações do tipo, de imediato já fala ‘Não é assim que se fala’ ou ‘Isso é errado’, fatores esses que, só atrapalharão bastante o desenvolvimento desses alunos em suas manifestações futuras do uso e prática da língua.

“O objetivo da escola é ensinar o português padrão”, afirma Possenti (1998, p.17) e, no momento que a língua é ensinada para o aluno, não leva em consideração os dialetos que esta sofre, contribuindo para o preconceito. Por isso, o ensino da gramática está mal colocado e deve ser revisto, a metodologia adotada é inadequada e a matéria necessita de uma organização lógica.

Os PCN (1997) acreditam que os conteúdos de Língua Portuguesa nas escolas devem ser relacionados em função das habilidades dos alunos. Por isso, o uso da língua oral deve ser levado em consideração, assim como a análise e reflexão. Considerar o conhecimento prévio do aluno é um princípio didático para todo o professor que pretende realmente ensinar ao docente a sua língua já que a sociedade se faz cada vez mais exigente em relação ao nível intelectual e linguístico de seus falantes.

5 METODOLOGIA

 

Com o intuito de adquirirmos subsídios práticos para adequarmos à teoria já vista, ao estudo e abrangência sobre a influência da variação linguística no ensino de língua materna, além de leituras e pesquisas bibliográficas, seguiu como segundo eixo metodológico uma análise qualitativa descritiva, por meio das quais se utilizou de uma documentação direta, a fim de verificarmos minuciosamente o uso, tratamento e abordagens das variações quando em contato direto com os alunos do ensino fundamental II, sendo esses de redes pública e particular da cidade de Sobral, Ceará.

A busca dos dados de interesse para análise deu-se a partir da visita a quatro instituições (duas públicas e duas particulares) dentre as quais: Escola Carlos Jereissati, Colégio Paulo Aragão, Escolinha da Paz e o Colégio Martins; todas pertencentes ao bairro Sinhá Sabóia, Sobral-CE, nas quais, em comum acordo com a professora orientadora, resolvemos aplicar um pequeno questionário (cinco questões) direcionado exclusivamente aos professores de Língua Portuguesa do ensino fundamental II, turmas essas, que, pelo que se tem visto ao longo da experiência docente e das leituras realizadas no decorrer de todo o trabalho, apresentam um teor linguístico bem mais amplo, variado e capaz de realizar de forma inigualável o objetivo e resultado a que se pretende alcançar ao final desta pesquisa.

Seguindo a perspectiva e linha de análise qualitativa e não quantitativa, a preferência em entrevistar professor e não alunos, teve como intuito investigar o nível de preocupação e conscientização daqueles, com relação à variação linguística, sua aceitabilidade e aplicabilidade para com o ensino de língua materna.

A pretensão investigativa foi de oito entrevistados dentre os quais constavam professores de nível superior completo e incompleto, com faixa etária igual e/ou superior a 23 anos. A perspectiva pretendida foi verificar o valor atribuído à diversidade cultural e social que caracteriza a realidade dos alunos, independentemente de frequentarem intuições públicas ou não. Assim, sabendo que a comunidade é formada pela diversidade de raças e povos, é impossível ignorarmos esta realidade em que tentamos unir o possível ao que julgamos ideal.

Não podemos nos omitir diante da realidade a ser estudada, pois é fato dizermos que na fala dos falantes da rede privada e na fala dos alunos falantes da rede de ensino público, podem ocorrer variações bastante pertinentes para análise desse estudo, pois tudo dependerá do grupo pertencente a cada um, bem como a situação de comunicação na qual estarão inseridos.

Assim, diante dessas posições teóricas mencionadas é que, a partir das questões aplicadas, discutiremos e analisaremos de forma detalhada, as respostas dadas, levando em consideração os índices mais relevantes mediante os quais focaremos tanto os aspectos semelhantes como os diferentes obtidos ao longo da análise individual de cada uma das entrevistas realizadas. Para designação de cada professor, utilizamos a nomenclatura (P1) para esta o primeiro professor entrevistado, (P2) para o segundo e assim até o (P8), sendo o oitavo professor entrevistado.

 

6 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Nesta seção, discutiremos, com base nas cinco (5) questões, a partir das respostas dadas pelos entrevistados, a importância, valorização e abordagem relacionada ao ensino de língua materna, mas de modo especial, focalizaremos o trabalho da variação linguística, quanto às turmas do ensino fundamental II.

Entendemos que se exige cuidado atrelado à variação no contexto escolar, pois mediante conversações com alguns docentes entrevistados, pode-se constatar que a falta de preparo técnico ainda permite que professores de língua portuguesa ainda pensem que a variação torna o ensino mais “lento” e, até mesmo, “dificultoso”, palavras essas advindas de uma professora de português do sexto ano da rede de ensino particular.

Infelizmente, alguns professores ainda levam consigo o ‘mito’ de que ensinar língua, nada mais é que ensinar gramática normativa. Na realidade, não podemos, nem tampouco nos é permitido, negar o ensino da norma padrão, pois sabemos que é função da escola ensiná-la, entretanto também não nos cabe depreciar a língua trazida pelos alunos.

Para os PCN (1998, p. 82), [...] “a escola precisa cuidar para que não se reproduza em seu espaço a discriminação linguística”. Desse modo, não pode tratar as variedades linguísticas que mais se afastam dos padrões estabelecidos pela gramática tradicional e das formas diferentes daquelas que se fixaram na escrita como se fossem desvios ou incorreções.

Inicialmente, no que se referia ao questionamento de número um (01), que tínhamos como objetivo observar a percepção dos professores acerca do conceito da variação linguística. Dentre os oito (08) professores entrevistados (sendo quatro de rede pública e quatro de rede particular), obtivemos respostas um tanto semelhantes, dentre as quais, podemos destacar as seguintes: “Variações da língua; utilização das mais diversas expressões na forma de falar/escrever” (P1), (P5) diz que [...] “o que às vezes é compreensível para um, nem sempre o é para outros”, dentre os demais entrevistados obtivemos respostas quase idênticas como a seguinte “[...] a forma de falar de cada pessoa conforme a região que pertence” (P2, P3, P6); “é a manifestação que os falantes de uma língua utilizam fazendo mudanças, ajustes, alterações de acordo com a cultura“ (P7); “É a língua em uso que, no seu percurso histórico sofre mudanças linguísticas significativas de países para países, região para região. A variação não é um erro na/da língua. “É, portanto, um desvio da norma culta padrão” (P4). Já de forma resumida, como coloca (P8), [...] falar sobre variação linguística é, procurar discernir os diversos fatores que contribuem para a formação de tantos dialetos e idioletos”.

Analisando as acepções atribuídas a primeira questão, percebemos que, apesar de encontrarmos semelhanças entre si, é possível admitir que ainda exista uma visão muito fechada a respeito do tema. Constatamos ainda certa insegurança por parte de alguns. Entretanto, o que se pode observar logo no início deste questionário é que independentemente dos docentes terem ou não nível superior completo, atuando ou não em rede de ensino público ou particular, apresentam um domínio mínimo, porém relevante para a pesquisa pretendida.

Em relação à segunda questão, que tinha como intuito constar a percepção a cerca da variação expressa pelos alunos no âmbito escolar, podemos conferir; dentre as respostas mais pertinentes expressões do tipo: “Através de observações e diagnósticos orais e escritos, pois o que se nota na fala, também é percebido na escrita” [...] (P1, P2, P3, P5 e P6); “mediante as conversas e informações que se dão nos grupos de amigos. Os alunos, fazendo uso de expressões cotidianas acabam utilizando uma linguagem informal e emitindo expressões que fogem dos registros cultos” (P4). Os dois outros professores, (P7) e (P8), demonstraram pensamentos meio obscuros e incoerentes ao que se pretendia com a questão proposta.

 Apesar disso, a partir dessa questão, foi possível verificar de fato quão importante e vantajoso tornou-se a realização dessa pesquisa, pois a partir daí percebemos um interesse a mais por parte do docente em querer colaborar tanto para o sucesso dessa, como também por compartilhamento da experiência vivenciada que, muitas vezes, se encontram sem oportunidades para uma possível abrangência de conhecimento sobre assuntos como estes que não dizem respeito apenas ao professor, mas a comunidade escolar no geral que se preocupa em formar cidadãos capazes e preparados para a realidade que os esperam.

Na sequência, questionamos aos professores qual seria o ponto de vista deles a respeito da variação com relação à interferência desta no ensino de língua portuguesa e obtivemos para análise o seguinte: “É difícil se posicionar, pois o Brasil, sendo um país mestiço, portanto convive um sistema plural de cultura, e sabemos que o ensino da língua portuguesa está relacionado a questões de ascensão social, no entanto inserir nas salas de aula este princípio é essencial para o amadurecimento de língua nacional” (P8).. “A variação torna o aprendizado um pouco mais ‘lento’ ou dificultoso, pois os alunos acabam apresentando certa resistência para com a variedade padrão da língua” (P3). Já o (P6) diz que “Por mais que se tente ensiná-los a língua padrão, é muito difícil lidar com estas variações, pois os alunos a tem como um “vício” advindo do berço, de sua cultura e do social”; para o (P1) “é importante perceber e não esquecer que a nossa língua já sofreu e continua sofrendo constantes transformações...” Obtivemos ainda respostas incompletas e meio vagas como conferimos na fala de (P7); “É muito salutar, pois a partir das diferenças linguísticas o trabalho no ensino a norma culta flui de maneira agradável e sem descartar as experiências pessoais”; em (P2) “Os alunos sempre tem duvidas quanto à relação de uma matéria nova e que se tem que esclarecer mais para que obtenham mais êxito” e em (P5) constamos “Às vezes até eu mesma tenho dificuldade em lidar com as variações, porque antes não éramos preparados para isso, então estigmatizava o aluno, em achar que o falar diferente era errado”.

Obtivemos respostas bastante favoráveis como é possível constarmos em (P4) que “Conhecer, apontar e direcionar os alunos para as “diferentes/manifestações” da língua é uma necessidade primordial para a maior compreensão da língua portuguesa. Conforme os PCN (1998), o uso da variação na língua portuguesa é uma forma de desenvolver novas competências e habilidades linguísticas nos discentes”.

Mediante as respostas mencionadas acima, o que se nota em relação ao docente é que quanto mais atualizado estiver para expressão de suas ideias mais conhecimentos da realidade e melhor domínio em lidar com as mais diversas situações terá; pois o que se pode constatar na fala de um determinado professor foi “no meu tempo não fomos preparados para lidarmos com situações comunicativas atreladas aos registros informais da língua, porém cabia a nós buscar recursos favoráveis para resolvermos”.

Para os professores entrevistados, ao que pode perceber até então, é que se torna difícil trabalhar a língua padrão de forma a adequá-la às variações trazidas pelos alunos fora da escola, pois os mesmos ainda não são capazes de praticar a língua adaptando às situações de comunicação e/ou ambiente em que se encontram inseridos.

Para Luft (2006, p. 69), “[...] o professor deveria saber diagnosticar com precisão a natureza linguística das interferências, bem como as técnicas adequadas para prevenir e corrigir”.

No que diz respeito à questão quatro, que objetivava saber os tipos de variações mais frequentes, percebidas em seu cotidiano, questionamos ainda as estratégias utilizadas para lidarem com elas; para tanto foram obtidas as seguintes acepções: “A utilização de palavras no singular, quando deveriam estar no plural, bem como a supressão de letras a ex. de pegano em vez de pegando” (P3).

“As estratégias utilizadas consistem em mostrar aos alunos as diferentes possibilidades de construção e, dependendo do contexto, ver qual a melhor forma de emitir expressões” (P4).

“O uso de expressões da internet. A estratégia seria transformar estes termos em palavras ‘costumeiras’, já usadas no dia a dia com o mesmo significado (ou parecido)” como consta a acepção de (P1). Para (P8), “O professor precisa conhecer sua ‘linguagem’ e acompanhar, mais do que qualquer outro, o processo dinâmico e natural da língua, investindo sempre em pesquisa”. Dentre os demais informantes foi notável a insegurança do posicionamento apresentado, bem como o não manifestar-se diante do questionamento proferido ou mesmo respostas obscuras e contraditórias ao que se pretendia como notamos nas falas de (P2) [...] “a forma mais determinada é ler com mais êxito e explorar cada vez mais” e em (P6) “os alunos ainda escrevem conforme seu modo de falar; ‘eu termini meu dever’, logo o respondo corrigindo: terminou meu amor?”.

No entanto, embora a questão acima tenha obtido um número mínimo de respostas pertinentes, é válido admitir quão favoráveis e objetivas foram às percepções atribuídas por parte dos docentes à questão quatro (04) da entrevista enfocada. Através delas, constatamos que os referidos possuem um vasto conhecimento acerca da variação linguística independentemente de já serem ou não graduados na respectiva área de atuação.

Entretanto, vale ressaltar que não basta apenas conceituar e expor a seu modo um determinado ponto de vista sobre o assunto é necessário enfatizar a preocupação que se tem tido à variação linguística quando no ensino de língua materna perante a escolha do material didático a ser trabalhado ao longo das seriações do ensino fundamental II (6º ao 8º ano).

Para isso, com o intuito de identificarmos tal valor, realizou-se, no entanto o questionamento cinco (05), que objetivou saber a preocupação dada à variação quando na escolha dos livros didáticos para com o ensino de língua portuguesa. Assim, obtivemos como objeto de análise os seguintes posicionamentos: “Alguns livros paradidáticos (por conhecerem essa variação) já trazem várias expressões “novas” em seu contexto”. Mas é relevante destacar que a língua não deve perder sua real origem, sendo necessário por este motivo, instigar a utilização de livros que valorizem a língua-mãe, “padronizada” (P1); “Infelizmente a escola estipula e a gente escolhe, pensando na adequação da cultura e contexto social no qual o aluno está inserido” (P6) e (P7); “Por serem recentes, os estudos a cerca da variação linguística tem, nos últimos anos alcançado destaque nos livros didáticos, isso a partir dos PCN que muito corroborou para tal afirmação destes diferentes registros variacionistas no ensino de língua materna” (P4).

Para (P3 e P5) “Toda a escola se preocupa em olhar o conteúdo para ver se é realmente o que o aluno necessita, se está de acordo com a realidade e o contexto social do qual o aluno advém”. Nesta fala é possível compreender que os entrevistados defendem que o trabalho com os livros didáticos sejam escolhidos e preteridos conforme a contextualização da vida social, estudantil e pessoal dos discentes. (P2) fez relação ao plano pedagógico, até então esquecido por todos, em sua fala dizia que “Os planos pedagógicos adotados pelo colégio, de acordo com a faixa etária dos alunos”. O que se percebe, muito embora não tanto expressiva tenha sido é o fato de que muitos nem ao menos sabem e valorizam a existência de tal material, que mesmo sendo considerando inútil para alguns, se utilizado e valorizado de forma correta, ajudaria bastante no âmbito dos estudos linguísticos, mas de modo específico no da variação linguística.

Diferentemente dos demais entrevistados, (P8) mostrou-se mais dinâmico para a questão e apenas contou um fato engraçado acerca do livro didático: “O livro didático, às vezes não quer se preocupar com isso, mas o docente pesquisador consegue a partir dos textos, mais horrendos, retirar o que é de fundamental para aprendizagem do aluno, inclusive provocar um estudo acerca das variações na língua”.

Muito embora algumas dessas acepções tenham se mostrado um tanto contraditórias em certos aspectos umas das outras, vale ressaltar que o posicionamento dos professores em relação a todas as questões abordadas ao longo da pesquisa, mostrou-se bastante favorável em relação aos mais diversos objetivos almejados bem como às teorias realizadas nas seções e subseções anteriores. As considerações quanto à percepção e ensino da variação foram de suma importância e bastante favorável, no entanto, foi possível perceber, que alguns, cerca da metade dos entrevistados consideram difícil e inviável adequar alguns momentos ao ensino de língua portuguesa, porém ressaltam a importância de sua aplicabilidade e lamentam não terem um aparato linguístico bem preparado para solucionar o uso “inadequado” dela quando em certos momentos a adequada ainda o é a norma padrão.

Em resumo, o que se pode constatar mediante o levantamento dessa pesquisa é que, muito embora alguns professores ainda estejam bastante atrelados em pensarem que estão pondo em prática o reconhecimento acerca do que seja a variação linguística e sua abordagem seja a mais adequada no que diz respeito a seu uso em sala de aula, cabe admitir que ainda há mais a ser feito, falta lapidar o conhecimento já existente para lidar com algumas situações nem sempre esperadas as quais alguns professores ainda se precipitam em tentar resolvê-las, porém seu

aparato linguístico a respeito da variação ainda encontra-se um tanto falho, pois ensinar a língua não é de fato simples como alguns imaginam ser, mesmo em se tratando da nossa língua materna.

 

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Através da realização desse estudo, percebemos que, muito embora o ensino de língua materna tenha dado maior enfoque ao ensino de gramática normativa; a variação linguística que, conforme constamos ao longo desse estudo, muito o tem influenciado seja de forma positiva (para alguns) e negativamente (para outros) no desenvolvimento da linguagem do aluno.

Percebemos que, ainda há professores que pouco sabem lidar para com o assunto, o que o impossibilita desempenhar um papel positivo na realização e trabalho com a linguagem de forma adequada. Por outro lado, é plausível acrescentar que, apesar do grau mínimo acerca do assunto percebido em alguns, é notório o quanto tenham se mostrados aptos às mudanças e possibilidades de inovações, muito embora a escola ainda se prive diante de tal realidade e dificuldades apresentadas.

A partir desse estudo, concluímos que a variação linguística para alguns nada mais é que “um erro” trazido pelos alunos, enquanto que outros ainda acreditam em possibilidades mais pertinentes, mostrando-se aptos a adequarem-na a realidade vivenciada.

É importante frisarmos que ainda há muito a se fazer para que tal assunto seja levado e trabalhado de forma mais comprometedora, assim, vimos a necessidade de sugerir: maior valorização ao assunto, conscientização e importância de seu papel no processo ensino aprendizagem do ensino de língua portuguesa; realização de ciclos e conferências com docentes dos mais diversos segmentos que ainda a desconhecem e/ou não sabem lidar com a mesma;

Em suma, através dessas considerações, esperamos que o estudo seja favorável e possa contribuir àqueles que seguem como linha de pesquisa o tema aqui enfocado.

THE INFLUENCE OF LINGUISTIC VARIATION IN THE TEACHING OF MOTHER LANGUAGE IN BASIC EDUCATION II

 

ABSTRACT: The objective of this article is to verify how linguistic variation has influenced the teaching of mother language, its use, treatment and approach when in direct contact with students in basic education II. This study was created through a biographical research, through which we have drawn upon various authors such as Bagno (2002), Camacho (1988, 2001), Halliday (1974), Luft (2006), NCP (1997, 1998) e Travaglia (1996); as well as fieldwork in which we utilized five (05) questions that were asked to teachers in Sobral-CE, where we aimed to conduct a detailed analysis with the objective of obtaining results significant to the study. Through this research, it is possible to conclude that the majority of the subjects interviewed lack preparation and exude negativity when it comes to dealing with the teaching and contextualization of the topic discussed in the teaching of the mother language.

KEYWORDS: Linguistic Variation. Mother Language. Basic Education.

REFERÊNCIAS

 

BAGNO, M.; STUBBS, M.; GAGNÉ, G. Língua Materna - Letramento, variação & ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2002.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa. Brasília, 1997, 144p.

CAMACHO, R. G. A variação linguística. In: SÃO PAULO (Estado). Subsídios à proposta curricular para o ensino de língua portuguesa no 1º e 2º graus. São Paulo: SE-CENP, 1988, p.29-41.

 

 

CAMACHO, R. G. Sociolinguística (Parte II). In: MUSSALIM, F., BENTES, A. C. Introdução à linguística. Domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, 2001, p. 49-76.

CÂMARA JR. J. MATTOSO. Dicionário de Linguística e Gramática: referente à língua Portuguesa. Petrópolis. Vozes, 1981.

CASTILLHO, A. T de. A língua falada no ensino de português. 3º ed. São Paulo:

Contexto, 2001, 158p.

CORDEIRO, Dilian da Rocha. Variação Linguística: o que pensam e fazem os professores. (Dissertação de Mestrado em Linguística), 175f. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2005.

FIORIN, José Luiz. Introdução à linguística II: elementos de análise. São Paulo: Contexto, 2002.

HALLIDAY, Michael. As ciências linguísticas e o ensino de línguas. Petrópolis, Vozes, 1974.

HALLIDAY, M. A. K.; Melntosh, Angus & STREVENS, Peterc (1974). As ciências linguísticas e o ensino de línguas. Petrópolis, Vozes.

LABOV, William. Modelos sociolinguísticos. Madrid: Cátedra, 1994.

LUFT, P. C. Língua & Liberdade: por uma nova concepção da língua materna. 8. ed. São Paulo: Ática, 2006.

MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais: Terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1998.

POSSENTI, S. Não existem línguas uniformes. In: ——————. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado de Letras: ABL, 1998.p.33-37.

SILVA, M.B. da. A escola, a gramática e a norma. In: BAGNO, M.(org.). Linguística da Norma. São Paulo: Loyola, 2002, p. 253-265.

SOARES, Magda. Linguagem e escola: uma perspectiva social. São Paulo,

Ática, 1980.

TARALLO, Fernando. A pesquisa sociolinguística. São Paulo: Ática, 1997.

TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no primeiro e segundo graus. S.P. Cortez, 1996.


[1] -Graduanda em Letras - Língua Portuguesa e suas respectivas Literaturas pela Universidade Estadual Vale do Acaraú - (UVA). E-mail: mikaelyangel@hotmail.com

[2] -Professora Orientadora, integrante do quadro docente do curso acima aludido.

 
Avalie este artigo:
 
Revisado por Editor do Webartigos.com


Leia outros artigos de Mikaele Correia Da Silva
Talvez você goste destes artigos também