A INFLUÊNCIA DA ORALIDADE NA ESCRITA
 
A INFLUÊNCIA DA ORALIDADE NA ESCRITA
 


A INFLUÊNCIA DA ORALIDADE NA ESCRITA


BARBALHO, Aparecida Mendes. A influência da oralidade na escrita. Licenciada em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT 2009/1. Mês/Ano: Novembro/2010.


Resumo

Esta pesquisa intitulada "A influência da oralidade na escrita", tem como objetivo principal verificar como as marcas da oralidade está presente no cotidiano de nossos alunos. Para embasar esta pesquisa, utilizo-me de alguns teóricos, com a finalidade de mostrar a presença que este fator ocupa nas escritas, e também reflexões e procedimento que o professor deve ter diante das distintas formas de expressão da linguagem. Desse modo este trabalho, vem mostrar que mesmo havendo variantes regionais, culturais e sociais, distintas, a oralidade, ocupa lugar próprio na escrita.

Introdução

A escrita foi um processo inventado pelo homem desde o início da vida na terra. Os antigos sabiam falar, mas para deixarem suas práticas comunicativas de maneira que depois pudessem identificar, gravavam nas rochas das cavernas e em outras pedras, suas escritas hierografadas.
Atualmente, esse tipo de escrita pode ser verificado por muitos, em museus, e, sobretudo, ainda em rochas e/ou cavernas em que o homem pode ter acesso. Assim como a escrita teve muitas mudanças com o surgimento do papel, a fala apresentou inúmeras distinções devido a muitos fatores que contribuíram e contribuí para as diversidades existentes.
Dentre esses fatores, podemos destacar as influências regionais, culturais e sociais. Essa influencia, ocasionam diferenças e semelhanças lingüísticas pautadas na fala e na escrita.
Sabemos que muitas pessoas não escrevem do mesmo modo com que falam. Essas diferenças entre a oralidade e a escrita são perceptíveis, e essas influências espontâneas, são marcas que aparecem para preencher lacunas próprias do uso da escrita.
As variações da língua produzem diferenças no uso da linguagem. No ensino da língua materna, a fala e a escrita, devem ser fundamentadas em uma concepção, em que os sujeitos possam produzir as capacidades interativas, textuais e gramaticais. O contato com pessoas, com falares e usos diferentes da língua, torna-se um aspecto essencial no processo de ensino-aprendizagem.
Essas distinções no uso da linguagem, isto é, nos fatores que influenciam direta e indiretamente nas formas de produção de cada modalidade da língua, que levou-me a verificar a influência de uma modalidade sobre a outra.
Em suma, é importante destacar que mais importante que determinar essas influências, é percebê-las como um modo de práticas sociais da língua. E que ao mostrar a influência que a oralidade exerce sobre a escrita, esse identificador, seja um modo de entendermos as dificuldades que os alunos encontram em sua convivência com o uso da oralidade e da escrita, sobretudo, na sala de aula. Para isso, nosso corpus de pesquisa será através de textos de alunos e também por uma poesia de Oswald Andrade.
A linguagem permite ao homem, enquanto ser social, e, sobretudo, comunicativo, a produção do conhecimento, a construção de histórias e identidades, e, a partir daí, a elaboração de diferentes formas de expressão. A escrita, esta representação de palavras ou idéias por sinais, permite que o ser humano, produza e amplie sua competência discursiva. Essa modalidade da língua, em uma sociedade com a nossa ?e marcada por uma imensa miscigenação cultural, social e regional.
Estas variedades linguísticas, estão associadas a diferentes valores sociais. Esse fenômeno intenso de miscigenação faz com que em um mesmo espaço, exista e convivem modos de linguagem: a formal e não formal.
Na linguagem oral o falante conta com os gestos, a entonação, a expressão facial e também com a reação do ouvinte para dar uma carga afetiva à sua comunicação. Enquanto a escrita, é adquirida através de contextos mais formais, como por exemplo, a escola. A escrita traz uma maior proximidade com a fala, dando ao texto uma carga emocional importante para o prazer da leitura.
Dessa forma, a escola deve possibilitar o ensino da língua oral, através de seu meio mais formal e informal, haja vista que a aprendizagem e o domínio desse gênero possibilitam o aluno ao exercício de sua cidadania.
Cabe, portanto, à escola o papel de planejar e organizar atividades que permitam a esse aluno usar a língua, tanto na modalidade oral quanto na escrita, em diferentes situações, isto é, tomando-se a linguagem como uma atividade discursiva e promovendo situações em que o aluno possa, efetivamente, compreender e produzir textos.
Diante disso, percebemos e sabemos que a oralidade influencia na escrita e que ambas são indispensáveis, pois cada uma desempenha suas funções, porém, o que não podemos, é confundir os diferentes papéis que cada qual desempenha para o uso da linguagem.

Referencial Teórico

O ser humano sempre procurou formas de gravar e disseminar seus conhecimentos seja por meio de gravuras, tábuas, pergaminho, papel, através da escrita impressa, a qual tornou a leitura um instrumento de difusão das informações. Ao adentrar para vida estudantil, a maioria dos alunos não tem acesso à leitura e a escrita. O hábito de ler deve começar cedo, pois, é um processo de identificação onde o leitor determinará o interesse e o gosto pela leitura e sua compreensão de mundo.
Esse processo permite ao aluno identificar os recursos lingüísticos, de modo que possa articular as praticas da oralidade, de leitura e escrita.
Segundo Marcuschi,

A oralidade seria uma pratica social interativa para fins comunicativos que se apresenta sob variadas formas ou espécies textuais fundados na realidade sonora; ela vai desde uma realização mais informal a mais formal nos mais variados contextos de uso.

(...)

A escrita seria um modo de produção textual discursiva para fins comunicativos com certas especificidades materiais e se caracteriza por sua constituição gráfica, embora envolva também recursos de ordem pict?ooria e outros (...) Trata-se de uma modalidade de uso da língua complementar ?a fala. ( MAECUSCHI, 2001, p. 25, 26)


Percebemos então que a prática da oralidade tem sua característica própria, para a produção da interação, pois nessa modalidade o individuo já sabe uma língua, então não trata de aprende-la, mas em saber usá-la. Enquanto que a escrita, esse complemento da fala, para seu uso, é importante que sejam trabalhados diferentes textos, com formas de expressão, para que o individuo perceba as suas diferentes situações de uso.
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, no que se refere à oralidade, propõe,
...cabe à escola ensinar o aluno a utilizar a linguagem oral no planejamento e realização de apresentações públicas: realização de entrevistas, debates, seminários, apresentações teatrais etc. Trata-se de propor situações didáticas nas quais essas atividades façam sentido de fato, pois é descabido treinar um nível mais formal da fala, tomado como mais apropriado para todas as situações. (PCN?s) (1998, p. 25),

O que se observa, é que cabe a escola uma preparação da modalidade oral, em que o aluno saiba falar em publico, isto é, especificamente em situações em que de fato o aluno saiba enunciar oralmente.
O trabalho com a oralidade nos textos coloca uma série de desafios, tanto para a escola quanto ao professor. É necessário, portanto, que o professor conhece bem a distinções da língua oral, e sobretudo, que domine as regras da gramática normativa.
Para evidenciar os diferentes usos não-padrão da língua na sua modalidade escrita, é preciso que o professor elabore diversas atividades textuais, que evidenciam as situações de fala. Dessa forma, espera-se que o aluno, produza textos adequados, pois, tendo conhecimento das variações da língua, o aluno terá menos dificuldades na escrita e, posteriormente, de posse dessas informações, apresentará um processo de construção, além de servir para avaliar e revisar seus textos escritos.
Nesse sentido, é necessário que se trabalhe,

a combinação de textos (como conversação simétrica / textos teatrais; conversação assimétrica / cartas, crônicas, noticiários de jornais e revistas; aulas e conferências / narrativas e descrições contidas em romances e contos) para que se faça o "emparelhamento da língua falada e da língua escrita". (CASTILHO, 1998, p. 24),

De acordo com o autor, entende-se que com o ensino da língua, por meio da combinação de textos, não seja simplesmente um ensino de regras gramaticais, de avaliação de erros. O ensino da língua, seja na sua modalidade falada, seja na escrita, deve servir para representar e organizar uma sociedade.
O que sabemos é que tanto a oralidade, quanto a escrita, mesmo com suas diferenças e semelhanças, será sempre um grande veículo essencial de comunicação para o ser humano. Desse modo, tanto uma como a outra será sempre a porta de entrada para fenômenos de identidade social, regional e cultural dos indivíduos.

As influências da oralidade na escrita

Este trabalho tem por objetivo, verificar como a oralidade exerce influencia na oralidade, através das pronúncias simplificadas de palavras ou expressões que tanto crianças, como adultos utilizam em seu cotidiano.
Sabemos que são muitos os fatores que influenciam no modo como a linguagem deve ser ajustada às circunstâncias do ato da comunicação e da escrita. Por exemplo, não se fala do mesmo modo com um adulto e com uma criança, não se fala do mesmo jeito em um templo religioso como falamos em uma conversa entre amigos.
Mas o que se verifica é que essa influência é mais perceptível na relação entre falante/escritor, pois é, comum em textos, sobretudo, de alunos em fase de adequação com a oralidade e a escrita, a redução de palavras e/ou expressões, que fogem gradativamente da forma normativa da língua, isto é, da regra do "bem falar" e do "bem escrever", ocorrendo para as mais diversas variações da língua.
As variações lingüísticas constituem-se fenômeno universal e pressupõe a existência de formas lingüísticas denominadas variantes. Entendemos então por variantes as diversas formas de se dizer a mesma coisa em um mesmo contexto, e, com o mesmo valor de verdade.

Análise

As marcas significativas de oralidade na escrita que os alfabetizandos em sua fase de letramento, em que sua maioria existem, são decorrentes das variações sociais. Os fatores sociais determinam o trabalho com a leitura e produção escrita veiculados em sala de aula pelo professor.
O que se percebe é que em textos que são objetivados somente com "tarefas de casa", as ocorrências das marcas de oralidade, quase são imperceptíveis, porém quando o texto é produzido espontaneamente, essas ocorrências são perceptíveis.
Vejamos abaixo os textos:















Nos textos acima produzidos por alunas do 6 ano do Ensino Fundamental, no percebemos que os mesmas utilizam uma linguagem mais próxima de sua cotidianidade. A utilização das palavras "feis) ao invés de "fez" e de "fiúme" quando a intenção é dizer "filme", são construções mais típicas de fala informal e de textos produzidos espontaneamente.
De acordo com Cagliari,
(...) É preciso deixar os alunos escreverem textos livres, espontâneos, contarem suas histórias como quiserem. É nesse tipo de material que vamos poder encontrar os elementos que mostram as reais dificuldades e facilidades dos alunos no aprendizado da escrita". (CAGLIARI, 1997:146)

Dessa forma, cabe a escola possibilitar à criança, em sua fase de intimidade com a leitura e a escrita, no qual ainda são possuem uma linguagem formal, identificar as variações dos dialetos não-padrão e do dialeto padrão, para saber usá-lo nas situações em que eles forem solicitados, pois desta forma, os alunos podem conhecer melhor a língua que falam.
No texto acima, denota uma falta de vocabulário adequado, isto é, os erros ortográficos. Com isso, é perceptível o grau de complexidade de desvincular-se do não-padrão. Tais "erros", ocorrem pelo fato do aluno manter um elevada proximidade da forma como se fala. O grau de complexidade refere-se, fundamentalmente à dificuldade que a aluna teve em não conseguir relacionar-se com os diversos aspectos do conhecimento discursivo e lingüístico nas práticas de recepção e produção de linguagem.
Frente a esses fenômenos de variações, quando deparar com esses tipos de expressões, é importante que o professor atente-se para que esse tipo de variações, não seja um espaço aberto para preconceitos.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais da Língua Portuguesa propõem que a escola deve eleger em seu conteúdo escolar a Língua Oral e a Língua Escrita. O estudo da Língua Oral deve garantir que as atividades em sala de aula envolvam fala, escuta e reflexão sobre a língua, tais como:

É importante que o aluno, ao aprender novas formas lingüísticas, particularmente a escrita e o padrão de oralidade mais formal orientado pela tradição gramatical, entenda que todas as variedades lingüísticas são legítimas e próprias da história e da cultura humana. (PCN?s (1998, p. 82).

Como vimos, cabe a escola apresentar e trabalhar as diversas expressões da língua, oferecendo valiosa contribuição no sentido de destruir preconceitos lingüísticos e de relativizar a noção de erro, como por exemplo, o modo de comunicação das pessoas desprovidas de prestigio econômico e social.
E bem como escreveu Oswald Andrade,

Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados. (ANDRADE, 2003, p. 119)


Percebemos que quando o escritor afirma "vão fazendo telhados", o mesmo revela um grande respeito pelos falantes, valorizando-os pela importância de sua função social que construir casas. É possível perceber que o problema não está na escolha de "teiado", mas na diferença que existe entre os que enunciam as duas formas da mesma palavra. São diferentes, já a partir da língua utilizada por eles, e tem prestígio social o que enuncia a forma "telhado", em detrimento dos que usam "teiado". Fica claro que a maneira que eles têm de falar ?e irrelevante, o importante é a função indispensável que exercem na sociedade.
Percebemos no poema em analise um vicio de fala que rebela-se contra uma espécie de racismo lingüístico que não está representado pela diferença de línguas estrangeiras, como já se pode perceber, mas pela diferença de línguas dentro de uma mesma língua, diferença que, por muitas vezes, segrega.
Nesse viés, o papel do educador não é propriamente falar ao educando sobre sua visão de mundo ou lhe impor esta visão, mas dialogar com ele sobre a sua visão e a dele. Sua tarefa não é falar, dissertar, mas problematizar a realidade concreta do educando, problematizando-se ao mesmo tempo.
Nesse sentido, educador/educando estão sempre a fazer e a construir num processo de inacabamento de incompletude em que o diálogo é mediador dessa reconstrução. Para melhor compreender a linguagem e a língua, sua constituição sócio-histórica e relação com alfabetização e letramento há inúmeras contribuições dadas principalmente por Paulo Freire, que segundo ele:

[...] A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. (FREIRE, 1989, p.9)

É por isso que a escola deve introduzir atividades que despertem, que impulsionem e proporcionem um melhor desenvolvimento de habilidades de leitura dentro do processo ensino-aprendizagem, pois por meio dela que constituem-se diferentes manifestações artísticas, não somente pela busca do verdadeiro, do interpretável, mas, sobretudo pelos diferentes sentidos que os textos produzem.
Nesta direção, espera-se desenvolver consciência crítica sobre questões que buscam o letramento crítico, realizado pelas leituras nas escolas. Ou seja, trabalhando a compreensão geral, dos pontos principais e as informações detalhadas do texto, assim como os elementos lingüístico-textuais oferecidos pelos textos selecionados, os mesmos contribuem para a compreensão e o exercício de interpretação (construção de sentidos).
Desse modo, há, pois, de se reconhecer que a crescente cogitação sobre a importância e necessidade de se construir e despertar no aluno um maior empenho e habilidade diante do ato de ler é de vital importância, visto que a leitura constante e produtiva pode permitir um maior sucesso na aprendizagem e na formação do cidadão crítico-reflexivo, alem de verificar diversas formas de linguagem.
Nesta perspectiva que deve ser trabalho o processo de oralidade e de escrita, este deve ser o papel da escola, do professor, da sociedade. Respeitar a cultura oral e escrita faz parte de todos. Manter essas diferenças, enxergar no outro os aspectos espontâneos da "língua do povo". Cabe a todos o respeito pelas formas populares de expressão.

Considerações finais

Este trabalho teve como objetivo evidenciar a influencia que as marcas de oralidade exercem sobre a escrita. Nos textos dos alunos, verificou-se a ocorrência de marcas orais, dessa forma observa-se que os alunos optaram por utilizar elementos próprios da fala, isto é mais próximos deles. E nos textos escritos, apresentam uma influência muito grande com a sua oralidade.
E, ainda, podemos notar que os "erros" de ortografia, a repetição e a ausência de pontuação, se devem ao fato de aluno escrever de uma maneira muito próxima daquela como fala. Diante disso, cabe ao professor atentar-se e realizar atividades em que o aluno perceba que existem textos que são tipicamente escritos, outros que são tipicamente falados e mais outros que se configuram por meio da utilização de características de escrita e de fala.
Por fim, se considerarmos a escrita como uma manifestação visual simbólica da linguagem deve-se considerar que no processo de aquisição e criação da linguagem, as relações entre as duas modalidades se fundem.
Há que se perceber que trabalhando juntos, ou seja, valorizando a interdependência entre todos os participantes desse processo, todos só tem a ganhar, e que esse processo deve ser cada vez mais discutido e amplamente difundido para que o desenvolvimento do conhecimento aconteça com mais qualidade. Para finalizar, verifica-se que nesse contexto, uma estimulação desse processo, é indispensável para o desenvolvimento da prática do conhecimento e das competências dos alunos.

Referências Bibliográficas

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e Lingüística. São Paulo, Scipione, 1997.

CASTILHO, Ataliba de. A língua falada no ensino de português. São Paulo: Contexto, 1998.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: Em três artigos que se completam. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2001.
ORLANDI, Eni Pulcinelli. O inteligível, o interpretável e o compreensível. In: ZIBERMAN, Regina; SILVA, Ezequiel T. da Silva (Org). Leitura: perspectivas interdisciplinares. 3.ed. São Paulo: Ática, 1995. p.58-77
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS - TERCEIRO E QUARTO CICLOS DO ENSINO FUNDAMENTAL: LÍNGUA PORTUGUESA. Brasília, Secretaria de educação Fundamental / MEC, 1998.


 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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