A indústria nos tempos modernos: comparação dos modos de produção ontem e hoje
 
A indústria nos tempos modernos: comparação dos modos de produção ontem e hoje
 


UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ - UNITAU

Departamento de Economia, Contabilidade e Administração - ECA

 

Diego Brito da Cunha

Jéfre Tiago de Toledo

Pedro Moreira Cursino

Régis Luiz de Souza

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A INDÚSTRIA NOS TEMPOS MODERNOS: COMPARAÇÃO DOS MODOS DE PRODUÇÃO ONTEM E HOJE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

UNITAU - SP

2012

A INDÚSTRIA NOS TEMPOS MODERNOS: COMPARAÇÃO DOS MODOS DE PRODUÇÃO ONTEM E HOJE

 

 

Resumo

Esta pesquisa compara, com base no filme "Tempos Modernos", a indústria no inicio do século XX com a realidade atual, mostrando que a evolução produtiva, econômica, sócio-comportamental e tecnológica ocorreu de forma acelerada, mesmo em meio a grandes crises mundiais. Temos como objetivo expor as diferenças dos métodos utilizados antigamente e a tecnologia, que já é fator essencial, na industria atual. O estudo foi feito a partir de pesquisas bibliográficas e analise do filme. Foi constatado que os modelos de produção do século passado eram, principalmente, o Fordismo e o Taylorismo, O Manifesto Comunista de Marx e Engels demonstrava os anseios do proletariado e que a crise de 1929 causou um grande impacto negativo na economia mundial. Ainda podemos citar que o filme de Charles Chaplin é um retrato fiel da sociedade da época. Já na atualidade, observamos que o método de trabalho adotado é, principalmente, o Toyotismo, com ênfase no just-intime, qualidade produtiva e bem-estar social. Concluímos que a evolução das indústrias se deu a partir da melhoria nos aspectos humano e social, e ainda que essa melhora é contínua. O funcionário, antes negligenciado, agora é o foco principal das empresas, que especializam, zelam e investem na capacitação profissional dos mesmos.

 

Palavras-chave: Tempos Modernos; Indústria; Fordismo; Toyotismo.

 

Introdução

É visível que o mercado de trabalho esta sofrendo modificações: desemprego, exigência de mão de obra especializada e serviços terceirizados. Considerando essa pesquisa objetiva, com base no filme "Tempos Modernos" de Charles Chaplin, apresentaremos uma comparação do ambiente de trabalho no início do século XX com a atualidade, do ponto de vista econômico, social e comportamental, produtivo e tecnológico. Nessa pesquisa bibliográfica, primeiramente expomos o funcionamento do ambiente de trabalho no inicio do século XX, focando o modelo fordista. Em seguida, a realidade atual. Finalizaremos apresentando um quadro comparativo a fim de expor os resultados encontrados.

 

1. Fordismo

Foi o método de produção iniciado pela indústria automobilística Ford. O método fordista tinha como principal anseio a produção em série e o trabalho verticalizado por meio de esteiras. Uma peculiaridade do modelo era a ausência de mão de obra qualificada e a falta de visão geral sobre o produto final. Segundo Bauman, a fábrica fordista: “[...] reduzia as atividades humanas e movimentos simples, rotineiros e predeterminados, destinados a serem obediente e mecanicamente seguidos, sem envolver as faculdades mentais e excluindo toda espontaneidade e iniciativa individual.” (BAUMAN, Zygmunt, 2001, p. 33-34). O filme “Tempos Modernos” nos mostra essa alienação que o proletário tinha quanto ao seu próprio trabalho: O tempo todo, Carlitos aperta parafusos na linha de produção, mas não é sabido, e muito menos nos é mostrado, o que de fato se produzia naquela fábrica.

 

2. Taylorismo

No início do Século XX, com base no sistema fordista, Frederick Taylor iniciou uma ideologia de aumentar a produção com ênfase na redução de custos. Para que o aumento fosse possível, as fábricas teriam que, durante o processo de produção, controlar melhor os movimentos de seus empregados e suas máquinas: “O empregado, seguindo o que foi determinado pelos seus superiores, deveria executar uma tarefa no menor tempo possível.” (FRAGA, Alexandre, 2006, p.2). No filme “Tempos Modernos” vemos a constante necessidade de aumento na produtividade: Em várias cenas, o dono da empresa ordena que a velocidade das esteiras seja aumentada, até que a linha chega a uma condição subumana de trabalho.

3. Manifesto Comunista

O Manifesto Comunista faz uma dura crítica ao modo de produção capitalista e a sociedade que se estruturou por meio dele, se embasando historicamente em sociedades passadas, como a de Roma, e em modelos econômicos, como as manufaturas. Os autores, Marx e Engels, pregam a abolição da propriedade privada e lutam por uma melhor organização social, já que, no Capitalismo burguês, existe uma coisificação do trabalhador: "Esses operários [...] são mercadoria, artigo de comércio como qualquer outro; Em consequência, estão sujeitos a todas as vicissitudes da concorrência, a todas as flutuações do mercado." (MARX, Karl; ENGELS, Friedrich, 1848, p.20). De acordo com o Manifesto Comunista: "A nossa época [...] caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classe. A Sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos [...]: a burguesia e o proletariado." (MARX, Karl; ENGELS, Friedrich, 1848, p.8). Podemos observar claramente essa distinção de classes sociais no filme "Tempos Modernos": Em uma das cenas, o dono da fábrica, burguês, se diverte com um quebra-cabeça, enquanto o personagem de Chaplin, o proletário, trabalha apertando parafusos na linha de produção.



4. Crise de 1929

Também conhecida como “Grande depressão”, foi a maior crise econômica que os Estados Unidos já sofreram. Os EUA eram a maior potência do início do século XX, graças a grande quantidade de exportações para os países da Europa, que, em meio a guerras, não conseguiam suprir o mercado interno. Mesmo após o fim da guerra, os Estados Unidos continuaram como enorme credora da economia mundial. Os países Europeus estavam muito ocupados reconstruindo suas cidades e indústrias e, por isso, ainda não estavam preparados para abrir mão da importação de produtos. A situação mudaria no final da década de 1920. Finalmente reconstruídas, as nações européias diminuiriam drasticamente a importação de produtos industrializados e agrícolas dos Estados Unidos. Huberman explica: “[...] A crise de 29 foi o súbito desenvolvimento anterior. A seqüência de mais lucros, mais acumulação [...] O fator básico era que o sistema capitalista depende de expansão permanente se quiser continuar, [...] e quando não pode se expandir começa a se retrair.” (HUBERMAN, Leo, 1966). Com a diminuição das exportações, os estoques das indústrias norte-americanas se entupiram de produtos. As ações de muitas empresas sofreram forte desvalorização, e houve uma correria de investidores que venderiam as suas. Burgueses passariam, da noite para o dia, para a classe pobre, e o fator desemprego iria às alturas. Durante o filme "Tempos Modernos" podemos observar o enorme número de desempregados. Em uma das cenas, Carlitos se esgueira entre uma massa de trabalhadores para ter chance de retomar seu emprego na fábrica. Logo após Carlitos adentrar a fábrica, os portões se fecham, deixando os inúmeros trabalhadores enfurecidos.

 

5. O modelo flexível e o bem-estar social

No novo cenário industrial, deixamos de lado o método Fordista para a introdução de um modelo diferenciado de produção, o Toyotismo. Criado pelo engenheiro japonês Taiichi Ohno, foi o sistema de produção que ganhou destaque durante as décadas de 1970 e 1980. De acordo com Silva, Ohnofoi obrigado a pensar pelo avesso. O estudioso explica: “[...] Partindo do modelo clássico de produção em massa fordista, criticando-o, cria uma ‘nova forma de racionalizar’ o processo de trabalho que terá como princípios básicos: just-intime e a auto-ativação.” (SILVA, 2001, p.136). O just-intime, também conhecido como sistema Kanban, nasceu da ideia de atender as necessidades dos clientes assim que elas surgissem, fazendo com que o sistema de produção funcionasse ao contrário. Novamente, Silva esclarece: “[...] A produção se inicia com a venda do produto; a demanda puxa a produção, o processo é desencadeado do final para o início [...].” (SILVA, 2001, p. XII). Esse tipo de produção favorece as indústrias, pois minimiza o estoque, aumentando o espaço físico, que muito faz falta as fábricas, e diminuindo o número de empregados. Ainda de acordo com Silva: “A minimização dos estoques [...] permitirá a redução das irregularidades das operações e a elevação da produtividade.” (SILVA, 2001, p.138). Prado completa: “enxuga os recursos desnecessários, evita qualquer tipo de trabalho que não agregue valor, tornando a empresa ‘enxuta’.” (PRADO, 2008, p.22).

Ainda nessa nova era da indústria, podemos ver claramente a evolução, e a preocupação das empresas com as necessidades humanas dos funcionários, isso é, o bem-estar, tanto social quanto mental. Segundo Santos, “As necessidades humanas [...] são divididas em cinco categorias: fisiológicas, de segurança, social, estima e auto-realização.” (SANTOS, 2004, p.26). Saciadas essas necessidades, o funcionário desempenhará melhor a sua função e se sentirá motivado para o trabalho. O Proletariado que costumava ser considerado produto, agora desfruta de numerosos benefícios. De acordo com Chiavenato, para controlar as necessidades do ser humano: “Organizações desenvolvem programas de benefícios, tais como: planos de saúde, seguro de vida, plano de aposentadoria e outros.” (CHIAVENATO, 2000). O funcionário também não é mais alienado, e sim mais flexível nas atividades,participando melhor e demonstrando envolvimento na empresa, além de entender melhor sua direção mercadológica e socioeconômica.

 

6. Conclusão

O quadro abaixo foi a maneira encontrada para expor as diferenças observadas nos dois períodos da história, e com ele, concluiremos esta pesquisa.

 

Quadro comparativo: início do século XX à atualidade

Fordismo e Taylorismo

Toyotismo

Descaso com a segurança do trabalhador

Conceito de necessidades humanas

Trabalho verticalizado em esteiras

Trabalho dividido em Células

Produção em massa

Produção de acordo com a demanda

 

7. Referências Bibliográficas

 

BAUMAN, Zygmont. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.

 

CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

 

FRAGA, Alexandre. Da rotina à flexibilidade: análise das características do Fordismo fora da indústria.  In: Revista habitus: revista eletrônica dos alunos de graduação em Ciências Sociais – IFCS/UFRJ, Rio de Janeiro, v. 3, n. 1, p.36-43, 30 mar. 2006. Anual. Disponível em: . Acesso em: 10 mai. 2012.

 

HUBERMAN, Leo. Nós, o povo. São Paulo: Brasiliense, 1966.

 

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifest der Kommunistischen Partei, 1848. Disponível em: . Acesso em: 7 mai. 2012.

 

PRADO, Marcos Lázaro. Flexibilização e novas estratégias de intensificação de trabalho nas usinas de açúcar e álcool a partir dos anos 90. Dissertação de Mestrado em Sociologia – Unesp, Araraquara, 2008. Disponível em: . Acesso em: 15 mai. 2012.

 

SANTOS, Reginaldo de Oliveira. Aplicação da motivação para obtenção de um sistema de trabalho de alto desempenho na Volkswagen do Brasil. Trabalho de Conclusão de Curso para obtenção do Certificado de Especialização em Gestão Industrial – Unitau, Taubaté, 2004. Disponível em: . Acesso em: 22 mai. 2012.

 

SILVA, Felipe Luiz Gomes e. Gestão da Força de Trabalho e Capital: do paradigma taylorista-fordista de produção em massa ao sistema de produção em massa flexível. 2001.251f. Tese de Doutoramento em Sociologia – FCL, Unesp, Araraquara, 2001.

 

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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