A INCORPORAÇÃO DAS NOVAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO NO ENSINO DE HISTÓRIA
 
A INCORPORAÇÃO DAS NOVAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO NO ENSINO DE HISTÓRIA
 


INTRODUÇÃO A tecnologia é uma fonte de aprimoramento de técnicas e métodos utilizados pelo homem para suprir suas necessidades e transpor-se à natureza. Dentro do qual globalizou-se pelo mundo todo, apresentou-se no âmbito escolar como agente de mudanças da metodologia de ensino, assim como uma importante ferramenta de auxilio na didática do ensino de história. O ensino de história tem se mostrado como um ensino tradicional e repetitivo, sendo uma disciplina baseada na reprodução de fatos históricos sem vínculos com o cotidiano do aluno. A tecnologia através do processo de automação vem ao encontro do ensino de história contribuindo para um novo enfoque na dinâmica em sala de aula, além de um excelente complemento na transição do conhecimento histórico ao aluno. Possibilita participar de uma nova visão entre a atualidade e os acontecimentos históricos, melhor assimilação do conteúdo assim como vincula discussões, questionamentos e pesquisas acerca da historia, atribuindo aos alunos postura critica e participação no processo histórico da nação. 1 O AVANÇO DA TECNOLOGIA O homem desde sua existência acredita e cria algo diferente, suporta desafios para crescer e fortalece sua convicção de poder e capacidade, podendo assim transformar o meio em que vive. A condição de vida do homem hoje é resultado da evolução, do esforço humano; em cada época revolucionou métodos sendo motivos de comemoração, conseqüência de muitos estágios atingidos e de novas transformações a conquistar. Assim tem sido desde a época em que o homem conseguiu dominar o fogo, inventar as primeiras armas de pedra, passando por várias fases de aprendizado até chegar às descobertas atuais. O ser humano, dotado da sua inteligência, procurou formas, durante toda a história, de vencer os obstáculos impostos pela natureza. Desta forma, foi desenvolvendo e inventando instrumentos tecnológicos com o objetivo de superar dificuldades (FILIPA, 2008). Desde os tempos dos primórdios o homem interage com o meio ambiente para satisfazer as necessidades de sobrevivência e comunicar-se com os outros através de gestos, símbolos e desenhos para juntos formar comunidades, grupos e explorar o planeta. De acordo com Litwin (1997, p. 40): Ao longo de sua evolução, o ser humano foi desenvolvendo ferramentas que lhe permitiram dominar o meio ambiente físico que o rodeava. Estes instrumentos conceituais e tecnológicos atuam como prolongamento de seus sentidos, ampliando os limites que a natureza lhe impôs. Os instrumentos permitem atuar sobre o ambiente. Ampliam o alcance dos sentidos e da ação. Ao mesmo tempo, o próprio uso das ferramentas que vai desenvolvendo influi nos modos de raciocinar, atuar, perceber e pensar o mundo e a si mesmo. Durante muito tempo o homem solucionou diversos problemas, para isso inovou e diversificou meios e técnicas até adequa-las ao que são hoje, as tecnologias. A tecnologia em seu sentido mais amplo se aplica à aquilo que não existindo na natureza, o homem realiza com sua capacidade de inventar, expande seus poderes, domina a natureza e tornar seu trabalho mais fácil e cômodo. Através dos tempos, o ser humano vem desenvolvendo sua tecnologia para facilitar sua vida. Desde os mais remotos tempos, vê-se que a busca dessa comodidade impulsionou a espécie humana para desvendar a natureza, suas leis, desenvolver mecanismos, criar métodos, equipamentos, leis, convenções, tudo voltado a trazer-lhe o conforto. É evidente que o salto tecnológico foi acompanhado, primeiramente do choque causado na população, seguida pela adaptação à nova invenção, descoberta ou aperfeiçoamento, passando pela acomodação ao novo recurso, culminando na substituição dessa inovação por outra mais elaborada e que veio suprir novas necessidades humanas, reiniciando todo esse processo (D'Abronzo, 2006). A tecnologia surgiu como base de sustentação às necessidades humanas e também como formadora de inovações contínuas, passando a ser elaborada e aperfeiçoada constantemente por substituição de outras técnicas ultrapassadas. De acordo com Litwin (1997, p.31), "a tecnologia faz parte do acervo de um povo. Por isso existe como conhecimento acumulado e por essa razão é contínua produção". É hoje parte inerente da vida do ser humano, de tal modo que o homem não consegue estabelecer ? se na sua falta, criando uma relação de desenvolvimento que absorve as propriedades qualitativas e quantitativas que a tecnologia reproduz. O avanço tecnológico chegou a um estado no qual percebe-se a dinâmica do processo englobada ao acondicionamento rápido e eficaz, a partir do momento em que o homem coloca a tecnologia em sua disposição, mais rápidas são as conquistas e mudanças no meio em que vive. "A tecnologia é uma ferramenta que proporciona ao homem muitas melhorias no seu cotidiano, visto que ela é uma extensão do homem. A invenção e o crescente avanço tecnológico estão modificando a compreensão do mundo, causando dessa forma uma necessidade significativa de uma readaptação do modo de vida do homem" (CAVALCANTE, 2009). Sem dúvida pode-se afirmar que a tecnologia transformou a vida humana, principalmente através da globalização dos meios de comunicação como o computador e a internet que se estenderam por todo o mundo, citando novas técnicas e métodos a serem ultilizados. Contudo a tecnologia foi incorporada aos processos educacionais do homem, onde o ensino e a apreendizagem ganharam novas formas de trabalho e apresentação dentro do contexto escolar. [...] a introdução das novas tecnologias digitais na educação apresentou mudanças para a dinâmica social, cultural e tecnológica. Modelos pedagógicos foram quebrados, tornando-se desatualizados frente aos novos meios de armazenamento e difusão da informação. Neste momento mudam também os conteúdos, os valores, as competências, as performances e as habilidades tidas socialmente como fundamentais para a formação humana. (ANJOS, 2007). O avanço tecnologico é um agente condicionante que abrange todo o processo educacional do homem, por ser um meio de mudança da condição humana contribuiu para a excução de um ensino capaz de formar pessoas com grande desenvolvimento intelectual e profissional, desempenhadas na busca constante pelo aperfeiçoamento tecnologico. Assim, o homem sempre esteve, e sempre estará em busca de diferentes formas, métodos e condições para transformar as maneiras pelas quais vive e se socializa, tentando avançar e evoluir cada vez mais as tecnologias já concebidas, a ponto de conseguir novas conquistas. 2 O ENSINO DE HISTÓRIA Desde os tempos mais remotos, o homem atua como agente receptor dos processos de ensino e aprendizagem dentro de um contexto no meio em que vive; a educação e os conhecimentos adquiridos fazem parte significante na sua socialização com os demais, pode-se afirmar que é através do ensino e aprendizagem que o homem evolui diante do grupo a que pertence, e torna-se capaz de ensinar e reproduzir seu conhecimento para outros. "As capacidades inatas do ser humano transmitidas geneticamente permitem a ação educativa. Esta é produto da evolução cultural construída, compartilhada e acumulada ao longo das gerações" (LITWIN, 1997, p. 39). A educação corresponde a não somente uma forma de conhecimento e aprendizagem, mas também a um processo de esclarecimentos, revisão e assimilação dos fatos ocorridos no mundo, através de décadas passadas, de momentos históricos e da socialização em grupos. Desde os primatas, a humanidade vive relacionada com as várias formas de aprendizagem, em uma constante busca pelo aperfeiçoamento de tecnicas que atraíssem o bem estar social da época, deixando a concepção de vida, aprendizagem e conhecimento marcada através dos anos pela história, e lembrada através do ensino de história. O conhecimento histórico procura ver, as mudanças por que passam ou passaram as diferentes sociedades humanas; eis porque se diz que o tempo é a dimensão da análise da história. Nada permanece igual e é através do tempo que se percebem essas mudanças (CABRINI et al., 1994, p.37). O ensino de história esta relacionado com as mais variadas formas de vida e de aprendizagem do homem ao longo do tempo, vem ao encontro das fases do desenvolvimento do ser humano desde o surgimento até o momento atual de ensejo nos fatos presentes no decorrer da sua existência. A história estuda as ações dos homens, procurando explicar as relações entre seus diferentes grupos. [...] Produzir história, para nós, é procurar captar, recuperar essas relações que se estabelece entre os grupos humanos no desenvolvimento de suas atividades, nos mais diferentes tempos e espaços (CABRINI et al.,1994, p. 33). Atualmente o ensino de história é indispensável na formação do homem sendo constituído como uma disciplina do ensino fundamental e médio, processo, portanto que privilegia a educação e o conhecimento humano. "A história se apresenta, assim, como uma das disciplinas fundamentais no processo de formação de uma identidade comum ? o cidadão nacional ? destinado a continuar a obra de organização da nação brasileira" (PINSKY, 2000, p. 25). O ensino de história é constituído de varias maneiras, porém, enfrenta atualmente grandes barreiras até se concluir como um conhecimento necessário para a formação educacional. Ensinar história para alunos de 1 e 2 graus nos tempos de hoje não é uma tarefa fácil, principalmente por ser uma disciplina que encontra maior resistência entre os alunos do ensino fundamental e médio. Isso porque algumas questões se tornam freqüentes no âmbito escolar, tais como: porque estudar o que já passou? Para que guardar todas estas datas? Qual a relação entre fatos históricos e a sociedade? De acordo com Cabrini et al., (1994, p. 23):Ao se analisar como se trabalha hoje no ensino de história, é preciso aprofundar um problema dos mais importantes, ou seja, qual é o sentido, qual é o verdadeiro papel e os objetivos do conhecimento histórico no 1 e 2 graus. Para que estudar história no 1 e 2 graus? Enquanto para Pinsky (2000, p. 36): [...] a questão de fundo permanece sendo o para que, por que e para quem esse ensino pode ter algum tipo de serventia; e a escola prossegue sendo o espaço privilegiado de conhecimentos inúteis, o que ? para o bem ou para o mal ? não é atributo apenas das aulas de história. Não se pode negar que o ensino de história tem sido rotulado por formas desastradas e visão conturbadora por parte dos estudantes, isso porque, é retratado dentro da sala de aula como um ensino factual, como fonte total verdadeira, assim como um conhecimento pronto e acabado, sendo apresentado aos alunos na espera de que eles reproduzam o conhecimento adquirido, sem imaginar quais são as condições em que esse conhecimento é produzido. Esta visão foi criada sobre o ensino de história desde sua implantação como uma disciplina autônoma do ensino educacional, deste ponto em diante, o ensino de história passou a servir a determinados objetivos políticos e seu método foi baseado na memorização de datas, fatos históricos, heróis e na repetição oral de textos escritos. Os manuais didáticos praticamente não se alteram, os estudantes continuam decorando nomes de faraós egípcios e presidentes brasileiros, batalhas napoleônicas ou vitórias brasileiras na luta contra os "ferozes" paraguaios. Histórias de reis, heróis e batalhas, redutoras dos homens à categoria de objeto ínfimo no universo de monstros grandiosos que decidem o caminho da humanidade e o papel de cada um de nós (PINSKY, 2000, p. 18). A história é ensinada de forma tradicional, valorizando a formação da nação e contemplando os fatos mais importantes realizados em toda a história. História essa, que se transformou em conservadora de tradições e de personagens históricas que participam da concepção da nação, história de classes e de dominações, onde o agente principal é o herói que traz a conquista para a nação. "É aparente a valorização do indivíduo no livro didático, onde se conta a história apenas a partir da ação de grandes e destacados personagens?? (PINSKY, 2000, p.35). Para Pinsky (2000, p.35): Na escola, história vira doutrinação e se destina, antes de tudo, a formar, reforçar e manter os valores (tradicionais) da nacionalidade: é preciso que a pátria dure e permaneça através do tempo, e a história acaba se transformando no espaço cultural mais adequado a essa reprodução. A prática do ensino de história nas escolas tornou-se um alvo fácil da política desde o momento em que buscava-se uma identidade para a nação, atribuindo valores específicos primeiramente aos protagonistas responsáveis pela formação nacional, tradições nacionais, solenidades à bandeira com o interesse em demonstrar esse conteúdo no ensino escolar de modo que fortaleça o espírito nacionalista dos alunos. Segundo Pinsky (2000, p. 53): A história, valendo-se do seu poder de legitimar os agentes históricos merecedores de reconhecimentos por toda a população, não podia furtar-se de ter como conteúdo introdutório, tanto na escola primária, como na secundária, o estudo dos grandes "personagens históricos". O ensino de história foi constituído e mantido conservado tendo como objetivo formar a nação e constituir um sentimento nacionalista diante da sociedade, passando a difundir a história nas escolas através dos manuais didáticos e currículos escolares, contemplando-se na didática e no método de aplicação em sala de aula. Pinsky (2000, p.45), diz que "a escola, sob a ótica do nacionalismo vigente, era a instituição fundamental criada pela "nação" para formar o cidadão, possuindo, portanto, tarefas específicas que permeavam o conjunto das disciplinas com seus conteúdos e métodos". A metodologia usada para o ensino de história é cansativa e maçante, descreve a história apenas como uma reprodução de acontecimentos passados sem vinculo com o atual presente. O aluno desmotiva-se pela instância da disciplina em não acarretar (na visão do aluno) nada ao seu aprendizado e ao conhecimento adquirido por ele, que possa de certa forma ser inserido no seu cotidiano. "Geralmente, o que é apresentado aos alunos são conteúdos já cristalizados no ensino da história e que parecem muito distantes da realidade imediata por eles vivida" (CABRINI et al., 1994, p. 21). O cotidiano da prática do ensino de história compromete o interesse e o aprendizado dos alunos, pois, se tornou chato, desinteressante, confuso e repetitivo, desprovido de pontos motivacionais que possam despertar algum estímulo tanto aos alunos como também aos professores. De acordo com Cabrini et al., (1994, p. 21) "o aluno não se preocupa com as condições de elaboração deste produto acabado que lhe é apresentado e permanece prisioneiro de uma concepção de certa forma mágica ou teleológica do conhecimento do passado: é uma história "revelada"". A história é repassada como a verdadeira arte dos acontecimentos passados, um ensino pronto e acabado sem dar opções para o questionamento, discussão e critica. O problema em discussão também atenta para os professores, que são meros reprodutores do ensino aprendido nas Universidades, ainda que, muitos participam das pesquisas acadêmicas e se tornam historiadores pouco se tem aproveitado das constantes praticas de pesquisa e extensão no ensino fundamental e médio. A história ainda é retrada como fatos passados, sem qualquer relação com o atual presente, como se a cada dia não houve história para ser mencionada nos livros didáticos e o aluno não fizesse parte dela; sem possibilitar que o mesmo possa formular sua própria identidade histórica. Essa história, que exclui a realidade do aluno, que despreza qualquer experiência da história por ele vivida, impossibilita-o de chegar a uma interrogação sobre sua própria historicidade, sobre a dimensão histórica de sua realidade individual, de sua família, de sua classe, de seu país, de seu tempo... Essa história torna "natural?? o fato de o aluno não se ver como um agente histórico, torna-o incapaz de colocar questões ou de perceber os conhecimentos que, a partir de suas experiências individuais, possam ser base de discussão em sala de aula. (CABRINI et al., 1994, p.21-22). A realidade dentro da sala de aula esclarece que os alunos necessitam de um ensino, claro, conciso e aberto, onde possa identificar-se com o presente, que faça parte também de sua história de vida e de suas experiências ao longo desta vida, levantar criticas, soluções, questionamentos e principalmente saber as causas de sua condição de vida relacionadas a acontecimentos passados. "Em outras palavras, os alunos reclamam uma história que, para eles, tenha a ver com o seu presente, com a realidade que conhecem um pouco mais de perto" (CABRINI et al., 1994, p. 21). Há uma necessidade concreta de se repensar e analisar o conteúdo e como ele é transmitido aos alunos, para que o ensino possa realmente chegar ao seu objetivo final, que é fazer com que o aluno participe e seja parte indispensável de sua própria história. Para Cabrini et al., (1994, p. 27), "é a concepção de história que embasa esse tipo de ensino que faz com que ele não responda ao que, para nós, são os verdadeiros objetivos e o verdadeiro significado do ensino de história [...] Queremos ressaltar que a questão não é tão-somente qual conteúdo de história tratar, mas sobretudo como trabalhar esse conteúdo". Alguns campos de estudo privilegiam uma retratação ao ensino de história, principalmente nos meios acadêmicos, com novos estudos, pesquisas, discuções e questionamentos levantados a partir de uma reformulação do ensino de história; mesmo assim é restrito o processo de mudança e transformação da realidade posta afim do ensino de história. É preciso desenvolver métodos e meios pelos quais consigam atingir o objetivo comum em se repensar o ensino de história, relacionando alunos e professores no processo de construção de uma nova concepção de história, mais rica, mais interessante e dinâmica que transforme o ato do ensino e aprendizagem em algo que os alunos necessitem não só para aprimorar seus conhecimentos como também para construir sua raiz histórica dentro da sociedade; criar perspectivas e buscar constantemente aperfeiçoamento na qualidade do mesmo, assim como a mudança de atitude de professores tanto universitários como os de ensino fundamental e médio em meios a novas ações pedagógicas que permitam a abertura de novos caminhos para o ensino de história. 3 A INCORPORAÇÃO DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO ENSINO DE HISTÓRIA A sociedade sofre cada vez mais um ritmo intenso de transformações e mudanças no âmbito social e escolar; atualmente as pessoas vivem sob o impacto da revolução tecnológica, que caracteriza boa parte das relações comerciais, pessoais e educacionais. "A tecnologia é um elemento de controle social, de dominação e de poder, não apenas entre países ? centrais e periféricos ? como no interior das próprias escolas. Está formada por condições sociais, forças coletivas, tradições culturais e opções políticas" (LITWIN, 1997, p.30). As renovações tecnológicas foram introduzidas nos processos educacionais em acompanhamento às constantes modificações da sociedade, intensificando métodos de ensino e revigorando o status da educação, as concepções sobre novas formas de ensinar foram discutidas, pensadas e reformuladas partindo com a intenção de acrescentar métodos diferenciados no ensino da gestão escolar. As tecnologias da informação e comunicação estão ai e ficarão por muito tempo, estão transformando o mundo e deve-se considerá-las no terreno da educação. As tecnologias da informação e comunicação não são neutras. As tecnologias da informação criaram tantas expectativas no terreno da educação porque são vistas como o motor de inovação pedagógica (SANCHO; HERNÁNDEZ, 2006, p. 18). A escola e também o ensino de história em especial tem que estar em alerta, pois, com tantas mudanças ocorridas no sistema educacional não podem sofrer o risco de transmitir conhecimentos ultrapassados, visto que cada vez mais os alunos chegam na sala de aula repletos de informações adquiridas através dos mecanismos da cibercultura, a cultura da tecnologia da informação. No processo educativo, a cibercultura representa uma ferramenta imprescindível porque possibilita a ampliação e melhoramento dos conhecimentos do sujeito. Na medida em que o educando manipula as ferramentas, (o computador e ciberespaço) de forma consciente, estabelece uma outra via para aperfeiçoar-se (ANJOS, 2007). Por isso espera-se a incorporação das inovações tecnológicas no ensino de história através dos professores e da escola, pois a tecnologia esta cada vez mais abrangente no cotidiano do aluno, além de proporcionar maior assimilação do conteúdo transmitido em sala de aula. Contudo grande parte dos professores de história apresenta dificuldades em lidar com os métodos tecnológicos em sala de aula, tornando assim o ato de ensinar algo monótono e sem vida. É esperado por parte dos professores do ensino de história que desfaça o misticismo em torno da tecnologia inserida na educação, para que possa engajá-la dentro da didática em sala de aula, mesmo porque a tecnologia tem sido adquirida como um meio de informação e conhecimentos qualitativos influenciando na formação do aluno mesmo fora da escola, além de ser uma rica fonte de produção histórica através dos meios interativos. A hipótese principal dos que têm defendido a incorporação das NTICs no ensino presencial de história é que este campo de estudo é um dos mais adequados para a incorporação destes recursos no processo pedagógico, uma vez que o mesmo dá conta do acervo das civilizações fundadoras, das manifestações artísticas e literárias, da evolução do pensamento, da construção social da realidade com seu vasto legado de mistérios, símbolos, imagens e sons a ser explorado e que está crescentemente sendo digitalizado (SILVA, 2010, p.08). A tecnologia é um grande agente de comunicação e de informação que atribui qualidades imprescindíveis ao ensino de história, através dos meios tecnológicos, equipamentos sofisticados tais como: televisão, rádio, jornal, vídeo, computador, redes de informação e principalmente a internet. "As tecnologias em geral (como vídeo, televisão ou computador) são apresentadas de forma tão acessível e traente que chegam a ser chamadas de grown-up toys: brinquedos que cresceram" (RAMAL, 2002, p. 146). Os recursos de multimídia, fotografia, vídeo, imagens, sons, filmes e computação gráfica, quando usados corretamente, constituem-se em ferramentas de apoio para a apresentação, construção e transmissão do conhecimento histórico produzido na academia, resultante da investigação científica, possibilitando novas formas de apreensão, uma vez que estes recursos audiovisuais despertam a atenção dos alunos, tornando-os mais interessados e contribuindo para a melhoria da aprendizagem, estabelecendo uma relação de interação com o conteúdo entre professores e alunos do ensino fundamental e médio (FERREIRA, 1999) . Com a inclusão da tecnologia no ensino de história, o professor perceberá grandes mudanças na atuação pedagógica, usando de métodos e tecnicas avançadas poderá conseguir maior resultado e satisfação dos alunos, maior participação no processo de ensino e aprendizagem vinculado ao desenvolvimento de inúmeras atividades, além de estimular o interesse e conseqüentemente capturar a atenção dos mesmos em sala de aula. Para o aluno é muito interessante o uso das tecnologias na aula, porque sempre haverá uma relação entre o discurso do professor e o recurso tecnológico usado, seja ele, filme, vídeo, data show, ou documentário isso o ajudara a entender com maior facilidade o conteúdo, mesmo porque é bem mais fácil ouvir e ver do que ler e interpretar. [...] o vídeo surpreende constantemente com novidades cada vez mais sofisticadas que lhe abrem novas perspectivas como meios de expressão audiovisual. Sob o enfoque didático, apenas se tem começado a explorar e a experimentar suas múltiplas possibilidades de aplicação em aula. (FERRÉS, 1996, p.20). Como Ferrés (1996, p.08), diz "a imagem é hoje a forma superior de comunicação", o método mais apropriado para interagir professor e aluno com o presente e a reconstrução histórica do passado, através da imagem pode-se gerar grande conhecimento, incentivo a informação e a pesquisa, dando suporte para os alunos interagirem com o processo histórico-social da nação, facilitando o interesse por parte dos mesmos a uma versão diversificada e moderna em se aprender história. Através do vídeo o aluno pode ter acesso, por exemplo, aos movimentos históricos de seu próprio povoado, cidade ou de algumas cidades vizinhas; [...] a organização político- administrativa de seu município; as suas principais vias de comunicação (ruas, estradas, ferrovias...); a todas as manifestações culturais e artísticas ; ao folclore típico da região ou da nação; aos museus, as entidades cívicas, ao zoológico... (FERRÉS, 1996, p.47). Através dos recursos tecnológicos a escola em parceria com o professor deve despertar o interesse dos alunos em aprender mais, enriquecer sua formação cultural, estimulá-los a serem críticos dos problemas sociais, a buscarem maiores informações e soluções para estes problemas assim como auxiliá-los na construção de sua própria identidade histórica. No caso do ensino de História, ainda predominantemente factual, as tecnologias, utilizadas adequadamente, podem contribuir para incorporar novas abordagens, no sentido de resgatar a história numa perspectiva crítico-dialética, sempre em construção, colocando professores e alunos como sujeitos do processo, possibilitando uma nova concepção de fazer história. (ROMEIRA, 2010). O professor deverá utilizar-se da tecnologia como um complemento para seu discurso em sala, um auxilio para obter maior entendimento do conteúdo por seus alunos e também um prolongamento audiovisual que produz um contato real entre os alunos e os acontecimentos atuais e fatos históricos. Aliado aos recursos tecnológicos o professor deve ter domínio dos conteúdos a serem transmitidos e dinâmica na metodologia usada na sala de aula, sobretudo traçar mudanças na base e na reconstrução do ensino de historia ao aluno. Devem-se utilizar as novas tecnologias de informação para desenvolver o conhecimento agrupado à pesquisa, ao questionamento e a discussão, formando alunos críticos, hábeis ao desenvolvimento social e agentes de sua própria história. CONSIDERAÇÕES FINAIS No ensino de história tanto a metodologia usada como o conteúdo transmitido em sala de aula devem ser repensados à medida que haja transformações para melhor beneficiar os alunos e para que possam atingir o objetivo de serem participantes ativos como sujeito da sua própria historia e determinante da história da nação. A tecnologia é o suporte que determina parte desta transformação quando utilizada como ferramenta de apoio ao processo pedagógico do ensino de história, dessa forma os recursos tecnológicos contribuíram para o aperfeiçoamento da qualidade do ensino e do conhecimento obtido pelo aluno. REFERENCIAS ANJOS, Juracy dos. Educação e Tecnologia: Uma aliança necessária. Salvador, 2007. Disponível em: : . Acesso em: 18 de Abr. de 2010. CABRINI, Conceição et al. O Ensino de História. 4.ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. CAVALCANTE, Nayara Sá. A Evolução Do Homem Frente Às Novas Tecnologias. 2009. Disponível em: . Acesso em 02 de junho de 2010. D'ABRONZO, Giuliano Pereira. Tecnologia e a Evolução do Ser Humano. 2006. Disponível em . Acesso em: 20 de Maio de 2010. FERREIRA, Carlos Augusto Lima, Ensino de Historia e a Incorporação das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação: Uma reflexão, 1999. Disponível em: . Acesso em 25 de Junho de 2010. FERRÉS, Joan. Vídeo e Educação. Trad. Juan Acuña Llorens. 2.ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. FILIPA, Ana. Evolução Tecnológica. 2008. Disponível em: . Acesso em: 02 de Junho de 2010. LITWIN, Edith (Org.). Tecnologia Educacional: Políticas, Histórias e Propostas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. PINSKY, Jaime (Org.). O Ensino de História e a Criação do Fato. 8. ed. São Paulo: Contexto, 2000. RAMAL, Andrea Cecília. Educação na Cibercultura: Hipertextualidade, Leitura, Escrita e Aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2002. ROMEIRA, Tony Eudes, Tecnologia de Informação e Comunicação e ensino de Historia: Possibilidades de dialogo, 2010. Disponível em: Acesso em: 25 de Junho de 2010. SANCHO, Juana Maria; HERANDEZ, Fernando. Tecnologias para transformar a Educação. Trad. Valéria Campos. Porto Alegre: Artmed, 2006. SILVA, Marcos. Ensino de História e as novas Tecnologias. 2010. Disponível em: Acesso em: 25 de Junho de 2010.
 
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