A importância dos jogos pedagógicos na escola
 
A importância dos jogos pedagógicos na escola
 


 A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS PEDAGÓGICOS NA ESCOLA

 

“Fica claro então, que o jogo é o melhor caminho de iniciação à aprendizagem porque, leva à descoberta da individualidade e à meditação individual”, Antunes (2003:37).

 

            É muita antiga a importância de a criança aprender divertindo-se. Ela surge com os gregos e romanos, mas é com FROEBEL citado por HAIDIT (1994) que os jogos passam a fazer parte central da educação, constituindo o ponto mais importante de sua teoria.

            Com o surgimento da escola nova e as novas propostas de ensino trazidas por ela, o jogo é cada vez mais utilizado com a finalidade de facilitar as tarefas escolares. Os jogos pedagógicos são excelentes recursos de que o professor poderá lançar mão no processo ensino-aprendizagem, porque contribuem e enriquecem para o desenvolvimento intelectual e social na criança e também porque propicia a relação entre parceiros e grupos, e, nestas relações, podemos observar a diversidade de comportamento das crianças para construir estratégias para a vitória, como também as relações diante da derrota.

            O professor poderá utilizar jogos e brincadeiras como recursos pedagógicos na construção da leitura e da escrita, para ensinar todos os conteúdos, bastando saber usá-lo na hora certa. 

            E, para que o jogo devolva ao professor resultados satisfatórios é necessário que:

  • Seja interessante e desafiador para as crianças resolverem;
  • O professor verifique se o jogo é propício às crianças de acordo com o seu desenvolvimento e prontidão;
  • O professor dê oportunidade para que todos possam participar ativamente do princípio ao fim do jogo;
  • Permita que as crianças possam se auto-avaliar no final do jogo.

Já para que ele seja produtivo, deve-se fazer com os alunos o levantamento das atividades básicas de comportamento dos mesmos, ou seja, estabelecer regras únicas e gerais para todos que são:

  • Não tomar iniciativas sem consultar o grupo;
  • Dar a todos os mesmos direitos de participarem e vencerem;
  • Saber o momento de falar e ouvir;
  • Não interromper o companheiro, quando este estiver expondo seu ponto de vista;
  • Saber perder;
  • Não colocar a culpa dos fracassos nos outros;
    • Não desvalorizar os vencidos;
    • Deixar tudo em ordem no final, da mesma forma que estava inicialmente.      

Como já vimos, o jogo é considerado há muito tempo como uma atividade educacional muito importante para as crianças. E é por isso que Piaget e Antunes o indicam e vêem como um poderoso meio nas atividades escolares e também em situações pedagógicas ou de reeducação, os jogos são também de grande importância, visto que, permitem investigar, diagnosticar e remediar as dificuldades, sejam elas de ordem sócio-afetiva, cognitiva ou psicomotora.

A seguir, descreverei o que cada área dessa vem contribuir para o desenvolvimento da criança, segundo Araújo (1992).

Na área cognitiva, os jogos:

  • Desenvolvem na criança a capacidade de observação do meio à sua volta, através de comparações de semelhanças e diferenças;
  • Permitem a elaboração de certas estruturas: classificação, ordenação, estruturação do tempo e espaço, primeiros elementos de lógica, através de resolução de problemas simples;
  • Facilitam a comunicação e expressão.

Na área motora, os jogos:

  • Permitem às crianças ocasiões para criarem e construírem seus próprios brinquedos aperfeiçoando as suas habilidades;
  • Permitem que as crianças possam avaliar suas competências motoras sendo motivadas a se ultrapassarem pelo auto-desafio.

 

Na área sócio-afetiva os jogos:

  • Permitem às crianças se livrem do seu egocentrismo;
  • Permitem às crianças a viverem situações de colaboração, competição e também de oposição;
  • Permitem às crianças a conhecerem regras respeitando o parceiro, aumentando seus contatos sociais.

Essa importância dos jogos na facilitação do ensino-aprendizagem aparece até mesmo porque o homem tem necessidade de conhecer e transformar o meio que cerca de uma forma prazerosa. E, essa transformação aparece porque somos dotados do poder de aprender, de escolher uma entre várias hipóteses possíveis.

Podemos comparar várias formas para alcançar um fim, conseguimos elaborar planos, executá-los e avaliar os resultados obtidos. A este conhecer dá o nome de aprendizagem. Esta tem, um papel fundamental na constituição do ser humano.   

            Ensinar as crianças a ler, a escrever e a se expressar de maneira competente na língua portuguesa é o grande desafio dos professores das quatro primeiras séries do Ensino Fundamental. Existem mudanças importantes sendo realizadas: vários Estados estão remodelando seus currículos e investe-se mais na atualização dos professores.

Mas, a verdade é que ainda há muito a fazer. O índice de repetência e abandono no Brasil, um dos mais altos do mundo, é resultado, principalmente, da dificuldade que a escola tem em ensinar a ler e a escrever.

            Nesse sentido, Telma Weisz (1999:53) IN Abreu (2001:39), nos leva a questionar sobre o que se quer ensinar para as quatro séries iniciais e afirma que os alunos devem terminar a 4ª série do Ensino Fundamental dominando a linguagem de maneira eficaz.

            Em outras palavras, devem ser capazes de produzir e interpretar textos, tanto para as necessidades do dia-a-dia – escrever um recado, ler as instruções de uso de um eletrodoméstico – como para ter acesso aos bens culturais e à participação plena no mundo letrado, entender o que é dito num telejornal e ler um livro de poesias.

            É preciso ler, mesmo antes de dominar o alfabeto. A tradição ensina: alfabetizar é tratar da linguagem escrita e lecionar Português é treinar os alunos a representar graficamente a fala pela combinação de letras do alfabeto. Na verdade, é muito mais do que isso. Falar e escutar, além de ler e escrever, são ações que permitem produzir e compreender textos.

            Cabe à escola desenvolver também a linguagem oral de seus alunos. Aprende-se a falar fora dos bancos da escola, mas na sala de aula é possível mostrar as falas mais adequadas e eficientes nas diferentes situações cotidianas.

            Isso implica dizer que, os aspectos que estamos abordando neste trabalho, foram selecionados tendo em vista, contribuir com a prática metodológica do professor, onde defendemos o jogo, como uma técnica que há muito tempo está presente na prática da alfabetização, como um recurso didático que foi incorporado ao processo de ensino da leitura e da escrita como algo natural, pois de acordo com os referenciais teóricos levantado, o jogo é um instrumento que desde muito cedo faz parte do aprendizado das crianças, como afirma Teresa Lleixá (2004:193) que caracteriza-os desde a Educação Infantil, como: os jogos de linguagem e os jogos espontâneos.

            Começam no balbucio, pois os pais, acertadamente, estimulam seus filhos nessas experiências por meio de um diálogo afetuoso, paciente e repetitivo, fundamento da verdadeira linguagem. Isso ocorre quando a mãe embala o filho para dormir com as cantigas de ninar, que para autora citada, são jogos poéticos, que prosseguem pela infância, para brincar de roda, para “bater” ou para “fechar” no jogo de esconde-esconde, para pular corda, para jogar amarelinha, entre outras, mediante versinhos rimados, infelizmente cada vez menos no decorrer da infância.

            Tudo isso é um patrimônio cultural que a criança leva à escola e da qual freqüentemente é excluído, por ser considerado marginal ou pouco “acadêmico”. Porém, temos no folclore uma fonte muita rica a que recorrer para continuar brincando, para não perder a memória como povo e para fazer um trabalho  metalingüístico atrativo.

             Nesse sentido, o educador tem um trabalho múltiplo, onde deve criar meios que levem as crianças a continuar aprendendo a falar e a utilizar a linguagem nos diferentes registros e níveis para os quais tem uma função. Para isso, é imprescindível o desenvolvimento de um trabalho interativo do professor com as crianças e a autora afirma ainda que, o professor deve através do diálogo, saber em que situação estão seus alunos em cada momento, mas também deve dispor de recursos para que, mediante o jogo, possa conseguir os objetivos pretendidos.

            Para que a escola seja efetiva no objetivo de ensinar a ler, a escrever e a se expressar de maneira competente seu alunado, ela deve favorecer o desenvolvimento da linguagem nos diversos usos e funções que pode realizar, tanto em situações informais de jogo, diálogo espontâneo com os colegas, como em outras mais formais, nas quais pretenda utilizar uma linguagem com maior precisão a nível expositivo, argumentativo, ou outro.

             Este é um trabalho que o professor deve assegurar a utilização de um vocabulário básico já conhecido e introduzi-lo em termo que pertençam ao de ampliação de caráter mais cientifico ou literário. Isso sempre adaptado à idade e às características das crianças.

            Teresa Lleixá (2004) faz uma classificação das atividades lingüísticas que a escola desde a Educação Infantil deve fazer, visando desenvolver a linguagem em diferentes situações.

            Inicia pela linguagem ritual e as circunstâncias mais freqüentes, que caracteriza as expressões lingüísticas utilizadas nas fórmulas de cortesias e em situações habituais, como: um olá! Até logo! Bom dia! Boa tarde! Boa noite! Posso brincar? Feliz páscoa! Estou com fome! , etc. Essas situações são muitas no cotidiano da criança e a escola deve fomentá-las, trazendo para seu interior através de espaços criado pelo professor no interior da sala de aula, como exemplo os cantos da sala(4), de forma que permitem formular jogos de simbolização.

            Os jogos de simbolização são simulações de acontecimentos reais do dia-a-dia da criança, nas quais devem observar as formas de relações próprias dos adultos, apresentado as situações mais diversas. São as mais comuns: o canto das fantasias, onde se vivenciam através das historias várias personalidade, como: um príncipe, uma fada, uma bruxa, etc.; o canto da loja, onde a simulação deve começar desde o cumprimento da chegada, o pedido do produto, a pergunta do preço, situação de compras, etc.

            Há tantas possibilidades de criar “cantos” quanto à imaginação e os caminhos que as crianças sigam, nos sugiram. O professor deve começar com alguns dele, pois serão ótimos recursos para favorecer o jogo simbólico.

            Será na verbalização dessa experiência manipuladora que se favorecerá a construção do pensamento, como se sabe, até os 5 ou 6 anos a criança

baseia seu conhecimento da realidade no jogo simbólico. Por meio do jogo explora seu ambiente, imita-o e domina-o.

            Dessa forma, o professor deverá desenvolver atividades que envolvam situações de jogos simbólicos, iniciando pelos diferentes tipos de linguagem vivenciadas pelas crianças, tais como:

            A linguagem espontânea fundamenta-se na conversa livre, entre duas ou mais pessoas sobre um tema que surge da formulação de uma pergunta inicial por parte de um dos interlocutores. Na sala de aula as situações de conversas, ocorrem entre as crianças ou entre o educador e a criança.

            Nesse sentido, o professor deve criar situações que possibilitem esse diálogo espontâneo entre as crianças ou ele mesmo.

            A linguagem semi-espontânea são as falas provocadas por uma indicação. A resposta, embora condicionada, pode ser interpretada de várias formas, são os jogos de linguagem. Para a criança, tem caráter educativo do ponto de vista fonético, morfossintático e semântico, dado que as permitem: exercer o controle de seu aparelho fonador; ouvir atentamente para escolher o som ou a palavra adequada em uma frase intrigante; pronunciar bem para ser compreendida, etc.

            São exemplos da linguagem semi-espontânea os jogos lingüísticos, tais como: Jogos miméticos – é a reprodução dos ruídos que ocorre ao redor da sala de aula, na escola, na rua, etc. em forma de mímicas; jogos de agilidade articulatória, palavras que comecem com um determinado som, palavras com poucas variações formais e significados diferentes, etc.; jogos tonais com variação de volume ou de intensidade – imitar um rebanho ou um carro se afastando, ou chegando, adivinhar mímicas falando rápido, imitar situações de visitas à um doente, recém nascido, etc. jogos para encadear palavras – Sucessão de palavras que comecem com o som que terminou a anterior, jogos de associação – é busca de palavras como : a profissão ou lugar onde se pode encontrar, ex: Pão – Padeiro – Padaria, etc.; jogo de relação entre animais ou plantas e os produtos que dão; jogo dos sete erros ( no desenho ); jogo de inventar histórias em grupo; jogo de adivinhações, simples no início; telefone sem fio, etc.

            A linguagem dirigida, já é o momento em que a criança já está indo para um nível onde as atividades propostas serão mais formais e complexas, pois pretende-se  introduzi-las em uma linguagem culta e literária, aumentando-se o nível de exigência no uso do código lingüístico, já necessitam de um novo vocabulário e de orientações de organização do pensamento na exposição.

            Algumas atividades que podem ser desenvolvidas nesses momentos são: leituras de ilustrações; leituras de tiras desenhadas ordenadas seqüencialmente; narração de contos, jogos fonéticos – como os trava-línguas; jogos morfossintáticos – são aqueles que permitem conhecer, memorizar e sistematizar estruturas sintáticas, como os versinhos, músicas, histórias cumulativas ou seriadas, etc. jogos semânticos – são desenvolvidos em atividades como, as adivinhações ou charadas com estruturas rimadas e que escondem o nome de algo e é preciso averiguar do que se trata às vezes trazem pistas na própria charada bem como as piadas simples, etc.      

            Ao realizar este tipo de trabalho, o professor estará desenvolvendo a aprendizagem lingüística em seus alunos que serão pré-requisitos para o desenvolvimento das capacidades leitoras e escritoras.

           REFERENCIAS

 

ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. 12ª ed. Petrópolis. RJ: Vozes.1998.

_____Como desenvolver as competências em sala de aula. 3ª ed. Petrópolis. RJ: Vozes.2001.

_____Novas maneiras de ensinar, novas maneiras de aprender. Porto Alegre: Artmed.2002.

LLEIXÁ, Arribas Teresa. Educação Infantil: desenvolvimento, currículo e Organização escolar/trd. Fátima Murad – 5ª ed. Porto Alegre: Artmed. 2004.

MALUF, Angela Munhoz. Brincar: prazer e aprendizado. 3ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes. 2003.

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Valquíria Gonçalves dos Santos Gradução: Licenciatura Plena em Pedagogia,com pós graduação em Psicopedagogia Clinica e Institucional atuação na Educação Infantil e na EJA.
Membro desde novembro de 2011
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