A IMPORTÂNCIA DO ATENDIMENTO DOMICILIAR AO IDOSO PORTADOR DE DOENÇA CRÔNICA
 
A IMPORTÂNCIA DO ATENDIMENTO DOMICILIAR AO IDOSO PORTADOR DE DOENÇA CRÔNICA
 



A IMPORTÂNCIA DO ATENDIMENTO DOMICILIAR AO IDOSO PORTADOR DE DOENÇA CRÔNICA

Daniela Jacobina
Sandra Falcão Xavier
Eliani Dombrowski Cavalcante



RESUMO

Atendimento domiciliar é um programa de internação domiciliar no qual o paciente requer cuidados em sua residência e como a preocupação com o envelhecimento da população brasileira é crescente, principalmente, no que se diz respeito à saúde, adaptou-se o AD para atender aos idosos portadores de doenças crônicas com uma estratégia de saúde cuja finalidade é reverter à atenção centrada em hospitais e proporcionar a promoção, prevenção e reabilitação à saúde em sua residência e ao lado dos familiares. O Presente artigo é um estudo realizado através de levantamento bibliográfico com o objetivo de mostrar a importância da assistência de enfermagem na internação domiciliar ao idoso portador de doença crônica. Conclui-se que as leituras realizadas na elaboração deste artigo permitiram compreender a importância em oferecer ao idoso o cuidado no lar, ao lado da família, preservando sua autonomia e confirmando a importância do enfermeiro, este, capaz e competente para identificar as necessidades específicas de cada idoso internado no programa de internação domiciliar e a partir daí desenvolver planos de cuidados específicos.


PALAVRAS-CHAVE: Atendimento Domiciliar- Idoso- Assistência de Enfermagem.



1. INTRODUÇÃO
Pelo final do século XVIII, na Europa, antes do surgimento dos grandes hospitais e da modalidade de assistência ambulatorial, os cuidados domiciliares já eram empregados. Hoje, a utilização do domicílio como espaço de atenção à saúde busca aumentar a rotatividade na utilização dos leitos hospitalares e diminuir os custos da atenção, além de construir um novo modelo de atenção centrado na vigilância à saúde e na humanização do paciente.
O modelo de saúde voltado para o atendimento assistencial, priorizando o atendimento médico e o tratamento sobre uma provável cura do paciente doente ainda é encontrado em supremacia em nossa sociedade. Em virtude deste contexto implantou-se, em meados da década de 90, estratégias para a substituição deste modelo assistencial resultando no novo modelo Assistencial Sanitarista, como o faz as Estratégias de Saúde da Família preconizando a prevenção das doenças (SILVA, 2005, p. 392). CITAÇÃO INDIRETA NÃO PRECISA DE PÁGINA
Em abril de 2002, foi sancionada, pelo Ministério da Saúde, a Lei nº. 10.424 que estabelece, no âmbito do SUS, o atendimento e o Programa de Internação Domiciliar ? PID, encontrando-se inclusos nessa lei, os procedimentos médicos, de enfermagem, fisioterapêuticos, psicológicos e de assistência social, necessários e indispensáveis ao cuidado integral dos usuários em seu domicílio, para tanto o M. S. define a internação domiciliar como uma diretriz para a equipe básica de saúde, destacando que a mesma não substitui a internação hospitalar e que deve ser sempre utilizada no intuito de humanizar e garantir maior conforto à população (BRASIL, 2006, não paginado).
Atualmente entende - se que o PID, destaca - se como uma estratégia de saúde cuja finalidade é reverter à atenção centrada em hospitais e proporcionar a construção de um novo modelo de saúde com enfoque na promoção, prevenção e reabilitação à saúde e na humanização da atenção.
A internação domiciliar do SUS foi instituída pelo Ministério da Saúde, sob a portaria de GM/MS 2529/2006 e implantada na rede de hospitais da Secretaria de Saúde da Bahia, a SESAB, sob a base legal de resolução CIB nº. 115/2007 de 26 de setembro de 2007.
A preocupação com o envelhecimento da população brasileira é crescente, principalmente, no que se diz respeito à saúde. Com a saúde pública sucateada e com a grande espera por leitos em hospitais, faz com que a Internação Domiciliar do SUS, dentro das suas competências, possa ser vista como um novo modelo de atenção à saúde voltada para a geriatria.
Segundo o Instituto de Geografia e Estatística, o IBGE: "o número de idosos (60 anos e mais de idade) chega a 14,5 milhões passando a representar 9,1% da população brasileira, enquanto no inicio da década somavam 11,4 milhões, isto é, 7,9% do total. Daqui a 25 anos esta população de idosos no Brasil poderá ser superior a 30 milhões. Cerca de 65% dos idosos eram, em 1999, os responsáveis pela família e mais de um terço ainda se encontrava no mercado de trabalho. Quase 12% viviam sozinhos e 27% deles declararam possuir um plano de saúde" (BAHIA, 2008).
O enfoque deste trabalho é enfatizar a assistência de enfermagem ao idoso portador de doença crônica na internação domiciliar, mediante este entendimento, a pesquisa é importante para mostrar que o modelo de Internação Domiciliar é uma ferramenta fundamental para a desospitalização dos hospitais gerando uma rotatividade de leitos e principalmente para atender a população idosa, além de diminuir os índices de infecções hospitalares devido aos longos períodos de internação e por proporcionar ao paciente idoso um tratamento acolhedor ao lado de sua família e no seu lar.
Como ponto de partida para este artigo buscou-se mostrar a importância da assistência de enfermagem na internação domiciliar ao idoso portador de doença crônica, descrevendo as possíveis formas de assistência de enfermagem ao idoso portador de doença crônica na internação domiciliar e sua interação familiar enfatizando a assistência de enfermagem.

2. METODOLOGIA

A fim de atender aos objetivos propostos, foi elaborado um estudo bibliográfico realizado através de levantamento bibliográfico em livros de literatura corrente, teses, artigos científicos e manuais do Ministério da Saúde, utilizando-se das palavras chaves: atendimento domiciliar, idosos e assistência de enfermagem ao idoso.
A principal vantagem deste tipo de estudo é a investigação ampla de fenômenos por meio de pesquisa em materiais já elaborados, possibilitando o aperfeiçoamento de idéias previamente estabelecidas, tendo como objetivo encontrar respostas aos problemas formulados e o recurso é a consulta dos documentos bibliográficos (CERVO; PERVIAN 2002, p. 88).

3. HISTÓRIA DO ATENDIMENTO DOMICILIAR

O atendimento domiciliar surgiu na Inglaterra do sec. XIX com a criação de empresas particulares de assistência domiciliar que buscou profissionais de saúde, como enfermeiros, para compor a sua equipe, entre elas a enfermeira Florence Nightingale (CARLETTI; REJANI, 1996, p. 47; DUARTE; DIOGO, 2005. p. 5).
Ainda segundo os autores, os médicos, enfermeiras e mulheres cuidadoras estadunidenses, do pós-guerra, sofrendo influencia do modelo inglês passou a realizar consultas particulares a pacientes que pagavam seus honorários diretamente a eles, ou seja, desenvolvendo a pratica do Home Care americano.
O século XIX também foi marco do caráter preventivo da assistência domiciliar, através do trabalho realizado pelas enfermeiras da área de saúde pública, criada em decorrência do alto índice de indivíduos acometidos por doenças infecto-contagiosas. Percebeu-se que as ações domiciliares eram mais efetivas para o controle das epidemias do que métodos tradicionais à época, como a quarentena. (MENDES JUNIOR, 2001)
Conforme advoga Mendes Junior (2001), provavelmente a primeira atividade planejada de assistência domiciliar em nosso país, foi o Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência (SAMDU), criado em 1949, no Rio de Janeiro, por exigência dos Sindicatos dos Trabalhadores de Transportes Marítimos, insatisfeitos com o atendimento de urgência vigente. Importante ressaltar que o SAMDU contemplava visitas domiciliares regulares por médicos, à pacientes com doenças crônicas, dentre elas insuficiência cardíaca, diabetes, obstrução das vias urinárias e outras afecções.
Já no Brasil encontra-se o primeiro hospital com registros dessa assistência domiciliar no Rio de Janeiro no ano de 1949 com o serviço denominado SAMDU (Serviço de Assistência Medica Domiciliar e de Urgência), ligado ao Ministério do Trabalho corroborando a idéia da previdência social que tinha o intuito de atender aos trabalhadores com registro social de carteira assinada, ocorrendo visitas domiciliar a pacientes previdenciários que apresentavam doenças crônicas. Neste contexto, em 1967, foi criado o AD (assistência domiciliar) pelo extinto IAMPSE, com o objetivo de diminuir a sobrecarga dos leitos hospitalares. Somente chegando este serviço a Salvador em 1996.
Este serviço atende tanto as doenças crônicas degenerativas como algumas doenças de curta duração ou agudizadas, bem como, de um modo geral, é o processo de envelhecimento populacional que levou o atendimento domiciliar a desenvolver-se mais.

4. DEFININDO O ATENDIMENTO DOMICILIAR

O termo internação domiciliar, atendimento domiciliar, assistência domiciliar ou home care é empregado com sentido amplo de um serviço de assistência domiciliar compreendendo uma gama de cuidados à saúde prestada na residência do paciente e destinada ao suporte terapêutico do paciente. (FLORIANI; SCHRAMM, 2004, p. 987).
Segundo Marreli (1997, apud FERNADES; FRAGOSO, 2005, p. 175), atendimento domiciliar compreende um componente continuum do cuidado à saúde por meio do qual os serviços de saúde são oferecidos ao individuo e à sua família em seus locais de residência, como objetivo de promover, manter ou restaurar a saúde ou maximizar o nível de independência, minimizando os efeitos das incapacidades ou doenças.
Consubstanciando com o exposto, entende-se por atendimento domiciliar ser um programa de internação domiciliar no qual o paciente requer cuidados em sua residência. È uma modalidade de atenção à saúde que consiste em encaminhar para tratamento, o paciente clinicamente estável que não mais necessita de inúmeros serviços oferecidos pelo hospital. Uma opção segura e eficaz oferecida aos pacientes com problemas de saúde, evitando assim expor os pacientes aos riscos do ambiente hospitalar bem como melhorar a sua qualidade de vida e de seus familiares.

Esses serviços tem a finalidade de promover, manter, reestabilizar a saúde ou minimizar os efeitos de diversas enfermidades, indo desde cuidados da vida diária (alimentação, higiene, locomoção e vestuário), cuidados com a medicação e curativos à cuidados de alta tecnologia hospitalar como a nutrição enteral/parenteral, diálise, transfusão de sangue, quimioterapia, antibioticoterapia, entre outros, estabelecendo assim, serviços medico e de enfermagem de 6 a até 24 horas ao dia, contando com rede de apoio a diagnósticos e outras terapias e também incluindo o suporte comunitário como transportes e tarefas externas como ida ao banco ou farmácia para o paciente. (FLORIANI; SCHRAMM, 2004, p. 987)

Os profissionais integrantes deste serviço são: médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, terapia ocupacional, massoterapeuta, farmacêutico, assistente social, psicólogos, fonoaudiólogo, técnico de laboratório, odontólogo, protético, técnico de higiene dental, nutricionista e voluntários (familiares e amigos).
De acordo com Floriani; Schramm (2004, p. 987) os objetivos do Atendimento Domiciliar são:

[..] contribuir para a otimização dos leitos hospitalares e do atendimento ambulatorial, visando a redução de custos; reintegrar o paciente em seu núcleo familiar e de apoio; proporcionar assistência humanizada e integral, por meio de uma maior aproximação da equipe de saúde com a família,estimular uma maior participação do paciente e de sua família no tratamento proposto; promover educação em saúde; ser um campo de ensino e pesquisa.


Ao lado desses benefícios destacam-se também os benefícios econômicos através da diminuição de custos de hotelaria no hospital, diminuição nos atendimentos hospitalares e postos de saúde, aumento na quantidade de leito disponível e melhora do estado clinico populacional (DUARTE; DIOGO, 2005, p. 584).
A aceitação do programa pela empresa domiciliar para o paciente depende da estabilidade clinica do paciente, do suporte social e características do cuidador, família, ou voluntário, de um ambiente apropriado para instalar o paciente com segurança e saneamento básico, a avaliação profissional das demandas e suporte financeiro adequado.


5 O PROGRAMA DE INTERNAÇÃO DOMICILIAR DO SUS

O PID representa uma estratégia na reversão da atenção centrada em hospitais e propicia a construção de nova lógica de atenção, com enfoque na promoção e prevenção à saúde e na humanização da atenção (SILVA, 2005, p. 392).
Contemporaneamente, o PID se constitui numa modalidade de assistência vinculada à proposta do Sistema Único de Saúde que está em construção no cenário brasileiro. Como política de atenção a saúde está direcionada para expandir a assistência pública, tencionando práticas de cuidado que buscam uma aproximação mais efetiva dos princípios da integralidade, equidade e universalidade com as necessidades da população. (DE SOSA, et al, 2009, p. 2).
O PID do SUS é composto pela equipe básica onde estão presentes um médico, um enfermeiro, dois técnicos / auxiliares de enfermagem e um motorista e, formada pela equipe matricial constituída de um assistente social, um fisioterapeuta, um nutricionista, um técnico administrativo. Para cada serviço haverá 01 equipe Matricial e um Coordenador.
Conforme afirma o Ministério da Saúde (BRASIL, 2003), as ações de saúde realizadas no domicilio no contexto de atenção básica, incorporam as seguintes características: compreendem ações sistematizadas, articuladas e regulares; pautam-se na integralidade das ações de promoção, recuperação e reabilitação em saúde; destina-se a atender as necessidades de saúde de um determinado seguimento da população com perdas funcionais e dependência para a realização das atividades da vida diária; desenvolvem-se por meio de trabalho em equipe; utiliza-se de tecnologia de alta complexidade e baixa densidade; devem ser desenvolvidas pelas equipes de Saúde da Família ou pelos profissionais que atuam na Atenção Básica no Modelo Tradicional
Ressalta-se que o programa de Internação Domiciliar do SUS não acontece de forma tão simples e para que haja o seu funcionamento foram instituídos alguns critérios de inclusão e exclusão. O primeiro critério de inclusão é voltado para priorizar o atendimento de idosos com mais de 60 anos e que sejam portadores de: doenças crônicas degenerativas agudizadas, de patologias que necessitem de cuidados paliativos, de incapacidade funcional provisória ou permanente; possuir cuidador habilitados para prestar os cuidados orientados pela equipe de Internação Hospitalar; residir em município que possua água potável, energia elétrica. Esgotamento sanitário, que possua ambiente físico adequado para ser instalado um leito hospitalar e equipamentos necessários e que proporcione acesso para que a equipe do PID possa fazer suas visitas. Como exclusão citou pessoas com necessidade de ventilação mecânica, com uso de monitorização contínua, necessidade de enfermagem intensiva, necessidade de propedêutica complementar com demanda potencial de realização de vários procedimentos diagnósticos em seqüência com urgência; necessidade de tratamento cirúrgico em caráter de urgência; que não tenham cuidador contínuo identificado; pacientes em uso de medicação complexa com efeitos colaterais potencialmente graves, ou de difícil administração (BRASIL, 2003).

6. ENVELHECIMENTO

Segundo a Enciclopédia Barsa Universal (2007, p. 2.171), "envelhecer significa tornar velho, dar aspecto de velho, amadurecer e ganhar experiência". Isso nada mais é que um processo irreversível no qual as pessoas passam pelas várias etapas da vida: infância, adolescência, vida adulta e velhice.
O envelhecimento para muitos significa o término da vida e para outros a luta pela vida do conhecimento, da sabedoria, da vivência, no entanto, é na verdade uma etapa normal e fundamental da vida do homem pela a qual todos poderão passar enquanto vivos. A senescência deve ser vista como um processo natural e não como um medo que a maioria possui. Envelhecer é colocar em prática uma bagagem adquirida no percurso da vida, é substituir as habilidades físicas pelo conhecimento.
Atualmente já há muitos estudos sobre o envelhecimento, se fala também que hoje os idosos preparam-se mais para poder acompanhar essa nova caminhada buscando novos desafios, à volta ao trabalhar, viajar, fazer exercício físico, ser atleta, buscando sempre a vitalidade através da força de vontade de envelhecer com jovialidade. Muitos idosos buscam realizar sonhos que durante toda a sua vida não conseguiram devido serem os sustentadores da família. Quando começamos a falar do envelhecimento não podemos esquecer que os jovens de hoje serão os idosos de amanha. Contudo é necessário e a sociedade saiba respeitar o idoso e as suas necessidades e conhecimento da vida como é exemplo os países do Oriente Médio, o idoso é visto como um ser intocável que devem ser muito respeitado.
Nessa etapa da vida ocorrem alterações funcionais que são encontradas em todos os idosos e são próprias do envelhecimento natural, acarretando em maior predisposição do indivíduo ao surgimento de condições crônicas de saúde e suas possíveis seqüelas debilitantes Isso se deve as alterações celulares e extracelulares que o envelhecimento provoca, evidenciando, desta forma, uma mudança na aparência física, diminuição da vitalidade e um declínio na função do organismo como um todo. (SILVA, 2007, não paginado; SMELTZER; BARE, 2005, p. varias)
O envelhecimento da população é considerado um fenômeno mundial e no Brasil assume características peculiares conforme a rapidez em que vem se instalando, sendo um país antes denominado "país jovem", hoje sendo, de acordo com os padrões estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), considerado um país de estrutura envelhecida, lembrando que o Estatuto do Idoso, elaborado na lei nº 10.741 de 1/10/03, descreve que idoso é todo aquele individuo maior de 60 anos e tendo em vista que 7% da população brasileira está com idade superior a 60 anos. Ressaltando que os princípios determinantes do processo de envelhecimento da população brasileira se dão pela baixa na taxa de natalidade e na mortalidade infantil, melhoria nas condições de vida, de saneamento e infra-estrutura básico e os avanços da medicina. (PAIXÃO, 2009, p. 425; BRASIL, 2003, p. 7).
Com base nestes dados, nos últimos anos, tem ocorrido um aumento significativo do número e da variedade de iniciativas voltadas para pessoas idosas e criaram-se alguns programas ensinando o "envelhecer saudável", que além de ser um bom estado de saúde mostra que as pessoas idosas necessitam de um reconhecimento, respeito e segurança, pois os idosos que não conseguem chegar ao envelhecimento saudável precisarão de uma atenção especial, necessitando de cuidados contínuos e especializados, esperando, portanto que aumente o número de idosos dependentes inseridos no meio social e familiar.

No final da década de 90 a OMS deixou de lado a expressão ´envelhecimento saudável´ e passou a adotar ´envelhecimento ativo´ que pode ser compreendido como processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, como objetivo de melhorar a qualidade de vida, à medida que as pessoas ficam mais velhas. Envolvendo políticas públicas que promovam modos de viver mais saudáveis em todas as etapas da vida. Deve ser baseado nos direitos, necessidades, preferências e habilidades das pessoas idosas e ainda incluir uma perspectiva de curso de vida que reconheça a importância das experiências pregressas na maneira como as pessoas envelhecem. (DUARTE, 2007, p. 164, grifo do autor).

Nesta conjuntura a OMS em 2005 afirma que "o envelhecimento ativo ocorre dentro de um contexto que envolve várias pessoas sendo a interdependência e a solidariedade entre as gerações os seus princípios mais relevantes."

7. RELAÇÃO ENTRE O ATENDIMENTO DOMICILIAR E O IDOSO

O Ministério da Saúde aponta, em seus estudos com base populacional, que no Brasil, mais de 85% dos idosos apresentam pelo menos uma enfermidade crônica, e cerca de 15% dessas enfermidades perduram por vários anos e demandam ações constantes por parte dos serviços de saúde.
Tendo em vista que o envelhecimento não é uniforme em todos os indivíduos, de maneira que alguns podem atingir idades avançadas, com excelente estado de saúde, as implicações do envelhecimento populacional para as praticas de saúde dizem respeito ao enfoque das doenças crônicas, em lugar das agudas; da qualidade de vida quando do adoecimento cuja cura não é possível.
Referindo ao idoso, o Atendimento Domiciliar - AD insere-se dentro de um modelo gerontológico que visa, na medida do possível, reinserir o idoso na comunidade, preservando ao máximo sua autonomia, buscando a recuperação de sua independência funcional e procurando mantê-lo um cidadão ativo, participativo, produtivo e afetivo (GORDILHO, 2000; SAYE, 1998, p. 97).
Confirmando o disposto da Portaria nº 73, de 10 de Maio de 2001, sobre as normas de funcionamento de serviços de atenção ao idoso no Brasil, o qual diz que Assistência ou Atendimento Domiciliar é aquele prestado ao idoso com algum nível de dependência, como objetivo de aumentar a autonomia do idoso para que o mesmo possa permanecer em sua residência por maior tempo possível; prevenir situações carenciais que aumentem o risco de independência; criar hábitos saudáveis relacionados, à higiene, alimentação e prevenção de acidentes domésticos; acompanhar o idoso com doença crônica sem caráter emergencial (BRASIL, 2001).
O fato do paciente do programa de atendimento domiciliar se encontrar em seu domicilio e ambiente familiar, ele passa a sentir-se melhor amparado, fato que ajudará em seu restabelecimento, além de ser uma assistência mais humanizada e haver o envolvimento da família.
De acordo com Silva (2007, não paginado):

A redução dos custos com a assistência hospitalar e institucional é um dos motivos que faz com que, tanto no Brasil quanto em muitos dos países, a permanência dos idos incapacitados em suas próprias casas, sob os cuidados de sua família, seja indicada. Além disso, a visão atual da assistência em saúde propõe que o idoso acometido por uma condição crônica e com incapacidades deve ser cuidado no ambiente onde sempre viveu e adoeceu" (SILVA 2007, não paginado).

Assim, os benéficos com o AD para idosos são a diminuição dos custos hospitalares, a diminuição do risco de infecção hospitalar, em casa raramente desenvolve úlceras de decúbitos ou infecção urinária, prover a manutenção dos idosos no núcleo familiar e conseqüentemente o aumento da qualidade de vida dos idosos e dos familiares, ressaltando que a sua própria residência oferece segurança e proteção ao meio, diminuindo ou mesmo evitando sua reinternação a nível hospitalar ou asilar.
Na implementação da AD no campo da gerontologia, os profissionais devem focar criteriosamente o idoso, a família, o contexto domiciliar e o cuidador familiar principal, compreendendo que o idoso é pessoa única, inserida no seu contexto familiar e social interagindo com ele continuamente, levando em conta que o pleno conhecimento de sua real situação domiciliar orienta uma avaliação completa e eficaz da demanda de cuidados requerida pelo idoso, a qual deverá focalizar os aspectos biopsicossociais e espirituais (DUARTE; DIOGO, 2005, p.10-11).
A família é o cenário de importante estrutura para os idosos, significando proteção e cuidado, no entanto para alguns pode significar opressão e maus tratos, por isso a avaliação ao idoso, pelos profissionais de saúde, deve acrescentar a identificação de pessoas que venham a desempenhar um papel familiar, mesmo sem parentesco, que possam ser incluídas no seu cuidado (FERNANDES, FRAGOSO, 2005, 178).

8. DOENÇAS QUE ACOMETEM O IDOSO EM INTERNAÇÃO DOMICILIAR
A média de permanência de idosos em hospitais está relacionada a cincos diagnósticos mais comuns: a insuficiência cardíaca congestiva, Infarto agudo do miocárdio, pneumonia, acidente vascular cerebral e fraturas causadas por quedas. Doenças, essas, que são causadas pelo envelhecimento do corpo, pela diminuição do metabolismo celular, pelos anos de vida vividos, pela perda da cognição e do controle do seu próprio corpo.
O Brasil tem experimentado uma transição epidemiológica com alterações relevantes no quadro de morbimortalidade. As doenças infecto-contagiosas, que em 1950 representavam 40% das mortes registradas no país, hoje são responsáveis por menos de 10% (RADIS: "Mortalidade nas Capitais Brasileiras, 1930-1980"). O oposto ocorreu em relação às doenças cardiovasculares: em 1950 eram responsáveis por 12% das mortes e, atualmente, representam mais de 40% (IBGE, 2003).
Pesquisa realizada por Karsch (1998) apontou que o Brasil apresenta a segunda maior taxa de mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) no mundo, que constitui a maior causa de morte para homens e mulheres brasileiros acima de 65 anos. As alterações do sistema nervoso central (SNC) e periférico (SNP) que ocorrem no envelhecimento normal foram comparadas com os distúrbios neurológicos mais freqüentes relacionados com a idade, ressaltando-se que, em se tratando de neurologia geriátrica, a infinidade de sintomas apresentados pela população de idosos não deve ser explicada por uma única doença.
A abordagem dos critérios específicos de elegibilidade dessas patologias para tratamento em assistência domiciliar reforça o seu objetivo de desospitalização dos hospitais e principalmente para atender a população idosa, diminuição dos índices de infecções hospitalares e, proporciona ao paciente idoso um tratamento acolhedor ao lado de sua família e no seu lar preservando sua autonomia e desenvolvendo atividades que avaliem a segurança emocional, a higiene, a integridade cutânea, a comunicação, as necessidades de eliminação, a necessidade de sono e repouso, a sexualidade, a dor.

9. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO IDOSO NO ATENDIMENTO DOMICILIAR

O enfermeiro é mais que um mero coadjuvante na equipe de saúde. Ele é um membro ativo, compromissado e indispensável no processo da cura. A profissão de enfermagem, hoje crescente, deixou de ser vista como apenas responsável pelo cuidar do paciente, apesar de ser sua função básica, passando a exercer função de coordenação dentro de sua equipe já que encontram - se preparados para discussões de temas relacionados à saúde. O enfermeiro atual não só lida com a doença, mas também, promove a saúde dentro dos programas de Atenção Básica e de Saúde da Família em funcionamento no Brasil.

Como o envelhecimento é uma ocorrência normal que engloba todas as experiências de vida, o cuidado e as preocupações com os idosos não pode ser limitado a uma disciplina, porém sãos mais bem fornecidos através de um esforço de cooperação. Uma equipe interdisciplinar, através de um histórico geriátrico abrangente, pode combinar a experiência e o recurso para fornecer as definições em todos os aspectos do processo de envelhecimento. As enfermeiras colaboram com a equipe interdisciplinar para obter serviços extensos à enfermagem e fornecer uma conduta holística para o cuidado. (SMELTZER; BARE, 2005, p. 202).

A assistência de enfermagem domiciliar consiste em sua abordagem de cuidar e reabilitar o doente em seu contexto familiar, empenhando-se em apresentar aspectos legais e necessários para a motivação de toda família diariamente.
Para que o cuidador desempenhe de forma eficiente seu papel, se faz necessário, além de treinamento qualificado, uma monitoração ativa da relação entre cuidador e paciente. Ao enfermeiro como participante da equipe de saúde cabe um papel de destaque na assistência domiciliar, uma vez que diversos autores afirmam que o cuidado é foco de trabalho do enfermeiro. (DE SOSA, et al, 2009, p. 2).
Ainda conforme os autores o enfermeiro é o eixo de toda internação domiciliar, fazendo o vínculo entre os profissionais, gerenciando os cuidados de enfermagem em conjunto com o auxiliar de enfermagem e a família/cliente. Esta participação ativa do enfermeiro junto com o médico do Programa de Internação Domiciliar se dá desde a triagem do cliente que será internado em cuidado domiciliar. O enfermeiro como integrante da equipe de saúde, deve realizar ações em todos os níveis de atenção, zelando pelo bom atendimento, diversificando, aprimorando e promovendo cuidados, englobando dentro deste contexto a realização de procedimentos. (DE SOSA, et al, 2009, p. 5).
Neste contexto a assistência de enfermagem destina-se a priore à manutenção da segurança física, à redução da ansiedade e agitação e à melhoria da comunicação, seguida da promoção da independência nas atividades de auto cuidado, a provisão para as necessidades de socialização; manutenção da nutrição e controle do padrão de sono.
A enfermagem juntamente com o cuidador objetiva a fornecer a assistência domiciliar da seguinte maneira:

? Segurança física: proporcionar um ambiente seguro restringindo os riscos de queda ou lesões para livre movimentação;
? Função Cognitiva: estimular a comunicação tranqüila, simples e clara, realizar exercícios de memória e fornecer um ambiente calmo com atividades diária rotineira regular;
? Diminuir a ansiedade e agitação: dar apoio emocional favorecendo a auto-imagem positiva e manter o ambiente familiar e calmo sem ruídos;
? Melhoria da comunicação: promover a comunicação de forma efetiva empregando frases simples de fácil compreensão e o uso de linguagem escrita como a exemplo uma lista ou instruções escritas;
? Independência no auto cuidado: estimular ao paciente a realizar atividades de auto cuidado organizando-as de formas simples e seguras promovendo uma sensação de auto realização;
? Socialização: estimular contatos com familiares e amigos antigos, recreação, passeios; atividades físicas, contato com animal de estimação, no entanto tais atividades devem ser curtas e calmas e expressões de amor e carinho, até mesmo a expressão da necessidade sexual ou não ao cônjuge;
? Nutrição adequada: podendo haver falta de coordenação para o paciente se alimentar sozinho, o enfermeiro deverá: manter um ambiente simples e tranqüilo nas refeições; oferecer alimentos familiares; corta os alimentos em pedaços pequenos evitando a sufocação; verificar a temperatura dos alimentos e líquidos; oferecer alimentos líquidos em forma de gelatina para fácil deglutição evitando desidratação; servi-lo quando necessário evitando desnutrição.
? Repouso: estimular o sono noturno com realização de ativadas físicas somente durante o dia e diminuir o sono diurno ISTO É UMA CITAÇÃO INDIRETA?

Diante do exposto, a enfermagem deverá oferecer o apoio emocional aos familiares e cuidadores para enfrentar as questões confrontadas e situação vivida e, por vez, a não expectativa de recuperação, a partir de uma relação de ajuda e de comunicação.

10. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ficou exposta neste artigo a preocupação em demonstrar o valor da Assistência Domiciliar para o paciente idoso e a importância da assistência de enfermagem dentro deste programa. Apesar de existirem muitas fontes literárias que abordam com competência e clareza o assunto, tornam-se de valioso os trabalhos ligados ao idoso onde podem ser percebidas as diferentes dimensões dessas incapacidades, através da vivência e da prática profissional mediante o contato pessoal.
É válido lembrar que ainda que existam artigos e materiais sobre este tema, cada autor tem sua abordagem pessoal levando em consideração o que mais lhe chame atenção.
As leituras realizadas na elaboração deste artigo permitiram compreender a importância em oferecer ao idoso o cuidado no lar, ao lado da família preservando sua autonomia e confirmando a importância do enfermeiro, este, capaz e competente para identificar as necessidades específicas de cada idoso internado no programa de internação domiciliar e a partir daí desenvolver planos de cuidados específicos.
A Internação Domiciliar do SUS surge como alternativa de um novo modelo de saúde. Modelo, que em conjunto com outros modelos em uso é capaz de atender a demanda crescente de idosos brasileiros e proporcionar bom atendimento e manutenção deste por parte da equipe de saúde. Em destaque, aponta ? se, a enfermagem que cada dia mais está voltada para o aprimoramento de seus conhecimentos não só na área da prevenção das doenças, mas também na promoção da saúde.



REFERÊNCIAS


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Sobre este autor(a)
Enfermeira graduada em 2010.2 pela Universidade Estácio de Sá / FIB, pós graduada em urgência e emergência e integrante do NESPI - UFBa - Núcleo de Pesquisa ao idoso
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