A Importância da Educação de Jovens e Adultos.
 
A Importância da Educação de Jovens e Adultos.
 


1- INTRODUÇÃO

A educação de jovens e adultos no Brasil sempre foi marcada por movimentos ou iniciativas individuais de grupos, órgãos públicos e privados ou pesquisadores decididos a enfrentar o problema da existência de uma enorme população que não a teve oportunidade de freqüentar a escola regular.
A problemática educacional no Brasil, está marcada pela exclusão de camadas populares da sociedade que vem interditando a inúmeros cidadãos a possibilidade de acesso a língua e a um universo de saberes produzidos nas diferentes áreas do conhecimento.
Para além da necessidade de alfabetização, a perspectiva da totalidade escolarização fundamental como patamar mínimo para a qualificação pessoal e profissional do sujeito, como condição para o acesso aos diferentes espaços culturais e como elemento possibilitador de reflexão e posicionamento político e autônomo.
A alfabetização de jovens e adultos é um desafio, não só para administradores governamentais, universidades, professores, como também como para toda a sociedade e o próprio aluno.
As bases do conhecimento sistematizado deverão estar em seus aspectos sócio-econômico-político-culturais, visando a construção da consciência crítica e reflexiva, onde as capacidades, atitudes e valores sejam necessário para que as pessoas melhorem a qualidade de vida e continuem aprendendo, tendo uma vida justa e digna.
As pesquisas sobre a aprendizagem da leitura e da escrita das duas últimas décadas nos impõem a necessidade de compreender como se dá o processo de aprendizagem dos jovens e adultos e como poderia ser o processo de ensino voltado para uma educação integral, que considere os aspectos sociais, afetivos e cognitivos dos alunos.


2 ? A Alfabetização de Jovens e Adultos no Contexto Escolar.

A alfabetização não se resume a ensinar a ler, ela dá possibilidade para que o aluno se desenvolva como ser humano e assim ficar integrado no mundo.
No Brasil e em outras aréas da América Latina, a Educação de adultos viveu um processo de amadurecimento que veio transformando a compreensão que nós tínhamos a poucos anos atrás. O conceito de Educação de adultos vai se movendo na direção de Educação Popular na medida em que a realidade começa a fazer algumas exigências, á sensibilidade e á competência científica dos educadores. Uma dessas exigências tem que ver com a compreensão crítica dos educadores do que vem ocorrendo no cotidiano do meio popular.
"O ato criador prova natural estado de satisfação ? decorrente do poder de criar..., e essa alegria gera valores mais importantes que mobilizam sentimentos de auto confiança nos alunos e os leva a sentir e descobrir outros valores fundamentais a vida."
(Ministério da Educação; 1997, p. 49).
Através desta citação o autor tenta passar o quanto é importante valorizar o que cada ser humano consegue fazer, ou seja, utilizar o conhecimento e a experiência que trazem de casa ao longo de sua vida, e sempre devemos oferecer condições de ampliar e atualizar seus conhecimentos, pois, cada um de nós compõe a sua história, e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz. Por isso é importante respeitarmos e aproveitar os conhecimentos dos alunos, e que eles são capazes de ler e escrever, apenas não tiveram a oportunidade enquanto jovens, mas nunca é tarde para estudar.
Existe uma coisa que os alunos precisam quando retornam á escola, precisam muito mais do que o conhecimento, eles precisam de motivação. E a melhor motivação vem das palavras de afeto e valorização - "muito bem", "É isso ai", "você conseguiu", e tantas outras que nós educadores devemos dizer, esse tratamento especial desenvolverá no aluno a autoconfiança, ou seja ele será muito mais feliz.
Paulo Freire deixa bem claro que temos de orientar o analfabeto, e aproveitar todos os seus conhecimentos e trazer para atualidade, e esse conhecimento a que se refere esta dentro do próprio educando, só temos que saber como colocá-lo para fora.
"A alfabetização não pode ser reduzida a um aprendizado técnico-lingüísticos, como um fato acabado e neutro, ou simplesmente como uma construção pessoal intelectual. A alfabetização passa por questões de ordem lógico-intelectual, afetivo, sócio-cultural, política e técnico.
Paulo Freire concorda que o papel do educador é mediar a aprendizagem, priorizando, nesse processo, a bagagem de conhecimentos trazidos por seus alunos, ajudando-os a transpor esse conhecimento para o da escrita e da leitura.
"A formação econômica, política e social dos adultos devia ser desenvolvida a partir de suas atividades cotidianas e de suas preocupações fundamentais."
(Barquera, 1982, p.16).
O autor fala que o conceito de educar deve incluir-se aos aspectos básicos da vida, como os acontecimentos diários e com isso reaproveitar seus conhecimentos no trabalho, saúde, vida familiar, e trazer tudo isso estaremos aproveitando o conhecimento trazido de casa.
"Uma forma de educação altamente eficiente, pois não apenas força as pessoas a aprender, mas também lhe permite aplicar na prática o que aprendem. Tem, além disso, a vantagem de conscientizar as pessoas de que seu nível de vida não depende unicamente de sua capacidade para ganhar dinheiro, mas das qualidades dos benefícios que se obtém através dos recursos da comunidade local."
(Lowe, 1975, p. 97).
Esta citação deixa bem claro que se pode alcançar o progresso social e econômico das comunidades pela participação de seus membros em práticas alternativas de alfabetização.
"Os aluno níveis de analfabetismo passa a ser o centro das preocupações revelada nos discursos e nas programações dos governos por configurarem em estágio de extremo subdesenvolvimento para seus Países." (Alair Miranda, 2003, p. 214).
A autora nos tenta passar a idéia que nossos governantes estão preocupados com os altíssimos índices de analfabetos pois, isso poderá atrapalhar o crescimento de nosso País, e isso realmente acontece mas infelizmente só ocorre na teoria, porque na prática ainda não estamos vendo resultados satisfatórios e o que nossos governantes fazem é pouco, a insuficiência de políticas voltadas para á educação, tem sido poucas que são planejadas, a maioria não ultrapassa a fase de sua programação, e por isso precisa colocar em prática e realmente ajudar, precisam tirar todos esses projetos das gavetas de seus gabinetes, mas somos brasileiros e temos esperanças de reverter este quadro tão alarmante de analfabetos.

3. ? O papel do educador na EJA.

"Suprir a escolarização regular para os adolescentes e adultos que não a tenham seguido o concluído na idade própria e proporcionar mediante repetida volta a escola, estudo de aperfeiçoamento ou atualização para os que tenham seguido o ensino regular no todo ou em parte."
(Alair Miranda, 2003, p.135).
Isso quer dizer que devemos contribuir para que os adolescentes e adultos desenvolvam suas habilidades e participem, da vida coletiva orientada para melhoria de sua formação, tendo como objetivo a comunicação interpessoal, tornando-se agente do auto desenvolvimento e de mudança social, desenvolvendo suas habilidades intelectuais para que os mesmos sejam críticos e não aceitem tudo daí então, terão desenvolvido sua capacidade de integração nos grupo sociais, de desempenho consciente dos direitos e deveres do cidadão e da participação da evolução e cultural.
"Ter a noção dos conhecimentos transmitidos e adquiridos é fator importante por permitir vizualizar o que a sociedade considera como necessário de ser preservado para instrução básica e útil aos fins a que pensavam destinar".
(Elvira Mari, 1986, p. 256)
O educador precisa saber aproveitar e trabalhar com o concreto, ou seja, com o conhecimento que o aluno já adquiriu e tentar atualizar esses conhecimentos de acordo com a nossa realidade do dia-a-dia, e de acordo com o que a sociedade exige desses educandos.
"A importância do papel do educador, o mérito da paz com com certeza de que faz de sua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos mas também ensinar a pensar certo."
(FREIRE, 1996, p. 27)
O verdadeiro papel do professor é auxiliar o aluno a pensar e a ser crítico e não torná-lo uma máquina, o professor tem que ensinar o aluno a lutar pelo que deseja, pelo que acha certo, ou seja, o aluno tem que saber o que ele quer e que caminhos quer percorrer.
"As vezes, mal se imagina o que pode passar a representar na vida de um aluno um simples gesto do professor."(FREIRE, 2001, p.9).
Quando o professor transmite ao seu aluno respeito, auto confiança, com certeza esse aluno será um ser humano esplêndido, crítico e sempre lutará pelos seus objetivos, mas quando o professor é rude, não se importa com o que o aluno pensa e nem tão pouco importa se ele esta aprendendo ou se tem algum tipo de problema emocionais, dificuldade no aprendizado ou se tem qualquer outro tipo de problemas, com certeza o aluno será um adulto mal humorado, desmotivado, e não se importará com nada, ou seja para ele tanto faz como tanto fez. Tudo isso nos diz como é importante que o professor esteja realmente preparado para receber qualquer tipo de aluno e com qualquer tipo de problema, ou seja, tem que ser um professor que se preocupa com seu aluno e o vê como um ser humano que precisa ser orientado para uma aprendizagem significativa e como cidadão reflexivo e atuante na sociedade.
"Os professores sabem bem que muitos alunos quase não tem projeto e que é difícil propor-lhes um. A nostalgia da classe homogêneas e prontas para trabalhar não desapareceu. Porém, é preciso trabalhar da realidade da escolarização em massa". (PERRENOUD, pg. 38)
Os alunos estão sem um ponto para ingressar nessa escola pois estavam acostumados a trabalhar para ajudar suas famílias, agora é preciso que o professor se encarregue de com entrosamento e muita diálogo traga esse aluno para o convivio da sala de aula.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

O ensinar e a aprender envolvem um processo coletivo de troca de experiências e ideias. A educação de Jovens e Adultos é um programa que demonstra não só na teoria mas também na prática que é possível mudar os rumos sociais do nosso país através da educação, alfabetização; proporcionando aos jovens e adultos a alfabetização consciente, sendo esta, a formação para transformação do cidadão em seu exercício social.
A necessidade da alfabetização torna-se cada dia mais urgente em um país onde as diferenças culturais e sociais demonstram ser o impedimento para o sucesso e a estabilidade econômica de todo um povo. O baixo nível cultural nas camadas sociais desprovidas de condições para cultivar o estimulo a educação e cultura torna a participação crítica em sociedade quase nula, sem que o indivíduo use a sua capacidade crítica de cidadão para construir uma nova visão política, econômica e social.
Fazer possível que os indivíduos se tornem aptos a ler e entender as diferentes mensagens que o mundo os possibilita conhecer é tarefa precípua de todos os brasileiros e não apenas, de alguns poucos educadores.
Sugere-se garantir a participação ativa dos estudantes na EJA em processos educativos para as práticas sociais nas quais estejam envolvidas, desde a mais imediatas até as mais difusas, próprias das demandas da atual sociedade.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários á prática educativa: São Paulo, Ed. Paz e Terra: 1996.
MIRANDA, Alair dos Anjos Silva de. Educação de Jovens e Adultos no Estado do Amazonas-Manaus: EDUA, 2003.
KUBO, Elvira Mari. A Legislação e a Instrução Pública de Primeiras Letras. São Paulo-SP, 5ª ed. Ed. Paz e Terra: 1986.
MOACIR, Gadotti. Educação de jovens e Adultos: Teoria, Prática e Proposta. São Paulo: Ed. Cortez. 4ª Ed, Instituto Paulo Freire, 2001.
FREIRE, Paulo. Educação como Prática da Liberdade. Rio de Janeiro, Ed. Paz e Terra. 27ª ed. 2003.
FRANCHI, Eglê Pontes. Pedagogia da Alfabetização da oralidade á escrita. 6ª ed.. São Paulo: Cortez, 1999.
FEIL, Iselda Terezinha Sausem. Alfabetização: um desafio novo para um novo tempo, 14 ed., Petrópolis: Vozes, 1993.
GROSSI, Esther Pillar. Didática da Alfabetização: didática do nível pré-silábico. 7 ed., Rio de Janeiro: Paz na Terra, 1990.
SILVA, ADEMAR. Alfabetização: a escrita espontânea. 2 ed., São Paulo: Contexto, 1994.
SCHETTERT, Lenir Santos. Alfabetização: vivendo e construindo a vida. 2 ed. Ijuí: Liv. Unijuí, 1987.
FERRERO, Emília. Alfabetização em Processo. 12 ed., São Paulo: Cortez, 1998.
CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização & Linguistica. São Paulo: E
 
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Sobre este autor(a)
Professora Esp. Iracilda Gabriel da Silva. Professora Graduada em Pedagogia pela FITS - Faculdades Integradas de Tangará da Serra, Especialista em Psicopedagogia, Educação Infantil e Séries Iniciais pela FAC - Faculdade Católica de Cuiabá, Pós Graduando em Filosofia e Sociologia. Acadêmcia do Curso ...
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