A ESCOLA COMO AMBIENTE PRIVILEGIADO PARA O DESENVOLVIMENTO DA ÉTICA E DA MORAL:
 
A ESCOLA COMO AMBIENTE PRIVILEGIADO PARA O DESENVOLVIMENTO DA ÉTICA E DA MORAL:
 


1 INTRODUÇÃO


A teoria apresentada neste trabalho, sobre o desenvolvimento ético e moral se dá a partir da teoria de Jean Piaget e Lawrence Kohlberg. A ética e a moral são pilares para a sociedade e para a educação, estas propõe valores para uma vida em sociedade de melhor qualidade, propondo uma educação para a consciência. A escolha do tema se dá a partir de que os estudos de Piaget e Kohlberg são um marco para o estudo de desenvolvimento da moral, fundamentada na justiça e no cuidado, características essenciais para o ser humano além do que, Kohlberg consolida suas teorias em pesquisas empíricas realizadas em diferentes locais e dentre eles temos a escola, o qual ele percebe como um local privilegiado para o desenvolvimento da ética e da moral, por isso são teorias que se encaixam com a realidade, não é algo vago que ao se ler é uma coisa e na hora de se praticar é outra, se dá em uma práxis. A teoria também defende a interdisciplinaridade, como uma característica essencial para a educação ser de qualidade e realizar o seu papel, o qual é levar o educando a autonomia, a consciência, e o professor é o mediador desse processo, por isso, este deve entender sobre o desenvolvimento humano para que assim, o processo seja eficaz.

O professor deve entender o desenvolvimento humano, para que possa ter certa segurança do ponto de partida e para onde se encaminha o ser em desenvolvimento, bem como dos diferentes estágios pelos quais passa para chegar à autonomia. (NETO, 2009, p. 79.)

O professor deve conhecer quem são seus alunos, em que nível de desenvolvimento se encontram, precisa ter uma base científica para embasar sua prática e assim mediar de forma correta. O educador precisa compreender a diversidade de seus alunos para conduzi-los, mediá-los de modo significativo, por isso, ressalta-se nesse trabalho a importância do educador compreender o desenvolvimento de seu aluno e o desenvolvimento da moral.
A ética e a moral são referências essenciais para a construção de uma sociedade justa e democrática e os educadores defendem e buscam essa sociedade, educa-se para isso, mas antes de se querer educar uma criança, lhe mostrar valores, primeiramente precisa-se conhecê-las, para que as tarefas de aprendizagem, os valores correspondam ao seu nível de desenvolvimento, é preciso conhecer mais do que o conteúdo a ser aplicado ou o modo para se ensinar, é preciso saber quando a criança está pronta para aprender, ou seja, o mais útil para ensinar é conhecer o desenvolvimento de quem aprende.
Mas o que se vê em muitas escolas são valores verbalizados, mas não praticados, os educadores pregando algo, mas vivendo um outro padrão, educadores estacionados em níveis baixos de moralidade e assim sem poder contribuir para o desenvolvimento moral de seus alunos. A palavra ética está presente nos discursos e também em projetos e propostas, já a moral não recebe a mesma atenção, sendo que ambas estão ligadas e não podemos falar de uma sem considerar a outra. "Não se pode falar em ética sem considerar os princípios morais, que são seu conteúdo e seu continente". (NETO, 2009, p. 9)
Poderia-se dizer, que encontra-se esse quadro porque os educadores não conhecem seus alunos, sobre o desenvolvimento desse aluno, como sujeito, como pessoa. Um outro fator, também ligado a questão seria o fato da escola não ter conhecimento sobre o que é ética e moral.
Por isso a apresentação desse trabalho enfatiza a relevância de se inserir ética e moral no ambiente educacional compreendendo significativamente seus significados e compreender os alunos como sujeitos em desenvolvimento.
Compreender que como seres humanos, dependemos tanto da hereditariedade, como também da interação com o meio ambiente.

De uma semente de laranjeira ninguém espera que venha nascer um pessegueiro ou um pé de milho. E sem ar, sem alimentos, sem defesa contra as forças que poderão destruí-lo, nenhum ser vivo poderá sobreviver. (BARROS, 1988, p. 27)

O comportamento não é resultado de uma única causa, é o resultado da hereditariedade interagindo com o tempo e com o meio ambiente, é preciso considerar esses fatores simultaneamente ao considerar o desenvolvimento moral. O desenvolvimento moral resulta dos fatores fisiológicos e sociais. E para educar precisa-se compreender esse processo.
O desenvolvimento do ser humano é o resultado da hereditariedade interagindo com o meio ambiente. Há hoje normas e estudos sobre os vários tipos de desenvolvimento, os quais descrevem as fases do e no desenvolvimento.
Em cada fase a criança apresenta características diferentes, a medida em que ela vai crescendo vai amadurecendo, não só fisicamente, mas também cognitivamente, socialmente e emocionalmente, os quais influenciam no comportamento moral, por isso o modo de ser e de intermediar do adulto precisa ser diferente em cada fase, para que assim este ajude, medie a criança a se tornar um adulto feliz, autônomo e independente. Quando o educador tem conhecimento do que está fazendo e para quem está fazendo, o processo de educar torna-se agradável para ambos os envolvidos, ou seja, para quem aprende e para quem ensina.
A estrutura cognitivo-evolutiva supõe a existência de uma estrutura mental (estrutura cognitiva) desde que se é criança, que se desenvolve da interação entre organismo e meio, em direção a formas superiores de equilíbrio e reciprocidade entre a ação do organismo sobre o meio e vice versa em uma sequência invariável, que não depende de fatores culturais, embora a cultura possa acelerar, retardar ou bloquear o processo, mas não mudar a sequência.
A escola deve propor temas que relacionem o que se sabe e o que se diz com o que se faz, ou seja, é preciso a união entre os valores proclamados pela escola e seus conhecimentos com a ética e a moral, é preciso viver esses valores e não só pregá-los.
Diariamente as crianças, os alunos apesar da pouca idade e da pouca experiência enfrentam dilemas morais, e os professores têm que lidar com esses alunos em seus dilemas, têm que fazer um julgamento moral, ou seja, determinar a culpa ou inocência e assim julgar a situação, por isso este precisa conhecer seu aluno, conhecer o que ética e moral, e acima de tudo viver dentro de princípios éticos e estar desenvolvido moralmente, para que assim solucione de uma maneira justa o problema e ajude seu aluno a se desenvolver moralmente.
Há diversas teorias e teóricos que tratam de definir moral e ética e o seu uso no meio acadêmico varia bastante, mas não podemos e é difícil falar em ética sem falar dos deveres morais, ambas são complemento uma da outra e Piaget e Kohlberg tratam de defini-las como complementares.

De modo simples, pode-se dizer que os dois planos são inseparáveis e complementares, porque é difícil falar de vida boa sem falar dos deveres em relação a isso. Moral e ética são complementares no sentido de que somente merece o nome de ética um projeto de vida que inclua a dimensão moral; portanto, o respeito pela dignidade alheia e pela justiça, da mesma forma que só faz sentido seguir deveres e obrigações se estes estão implicados em um projeto de vida, que a ele deem sentido e que permitam a pessoa a superação de seus limites. ( NETO, 2009, p. 35 e 36)

O plano moral está ligado ao ético. Não posso ter uma vida boa se passo por cima dos outros e não posso seguir regras se não tiver um plano de vida que permita a superação de meus limites. Uma definição que as trate de maneira separada pode extinguir a moral e se corre esse risco hoje, tanto nas discussões filosóficas, tanto nas discussões do senso comum. Não dá para se extinguir a moral em vista do sucesso da ética, sendo que esta sem vínculos com a moral, tornar-se sem valor; já a moral sem a ética leva a um intelectualismo moral, sem relação com o que o homem faz, ou seja, suas atitudes e comportamentos. Muitas vezes usa-se o termo ética, para na verdade falar de conteúdos morais, uma situação, um erro presente até nas normatizações da educação.
Mas afinal, o que é ética e o que é moral?
A palavra Ética tem origem grega "ethos", que significa o modo de ser, o caráter da pessoa. Em Filosofia, a Ética trata sobre o que é bom para o indivíduo e para a sociedade em que ele está inserido, e seu estudo contribui para estabelecer os deveres no relacionamento entre indivíduo e sociedade. A Ética é a teoria, a disciplina ou o campo do conhecimento que busca explicar e justificar os costumes, as normas das sociedades, fornecer auxílio e informações para a solução dos seus problemas mais comuns, ou seja, trata da definição e avaliação do comportamento das pessoas. Ética não pode ser confundida com lei, embora frequentemente a lei tenha em sua base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhuma pessoa pode ser obrigada, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer pena por desobediência; já por um outro lado, a lei pode omitir questões contidas no plano da ética. Pode-se definir ética como uma teoria que estuda sobre a prática moral, uma vida boa, a busca da felicidade, vida a ser levada onde a pessoa encontre sentido, prazer; como isso é subjetivo, a ética deve estar relacionada com a moral, ou seja, a busca da felicidade marcada pela virtude, a justiça e não por interesses egoístas. Ética diz respeito a um tipo específico de vida que se quer levar, um comportamento no qual a pessoa encontre sentido.
Já a palavra moral deriva do latim, "Mos" ou no plural "Mores". Moral é definida como um conjunto de normas, princípios, preceitos, costumes, valores que norteiam o comportamento do indivíduo no seu grupo social.
"Toda moral consiste num sistema de regras, e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por essas regras." (PIAGET, 1994, p. 23)
Antigamente a moral era vista como algo imposto de fora para dentro, ou seja, os adultos impunham seus valores às crianças, no decorrer deste, se perceberá uma nova visão. Segundo KOHLBERG o centro da moral é a noção de respeito pelas pessoas, tratando cada pessoa como um fim e não como um meio, ou seja, não devemos tratar as pessoas como um meio de alcançarmos algo em nosso próprio benefício, mas como um fim intrínseco e último que é a felicidade, ou seja, os meios devem ser para alcançarmos a nossa felicidade e a felicidade dos outros. Um dos princípios morais é tratar a todos com respeito e dignidade envolvendo a participação ativa de todos, onde cada pessoa abandona suas particularidades, seu ego e considera as necessidades do outro. Moralidade é reconhecer os direitos dos outros indivíduos, é agir justamente com esses, como você espera que eles os tratem. Moralmente correto é preservar o direito de existência do ser humano, é fazer o que gosta mas sem interferir no direito do outro. Moral são os deveres, as regras em relação a ética. A moral diz respeito aos deveres e regras de dignidade, justiça e generosidade, ela age sempre corretamente, em prol desses ideais, independente das consequências.
Ética e Moral não devem ser confundidas, gramaticalmente falando, "ética" e "moral" são expressões sinônimas, ou seja, quase com o mesmo sentido, sendo a primeira de origem grega, enquanto a segunda é sua tradução para o latim. Ética é um plano de vida, uma teoria que busca justificar a moral, e a moral é o comportamento de respeito humano.
Para não se cair no erro de separação ou extinção de uma ou da outra, a moral deve se perguntar: "Como devo agir?" e a ética: "Que vida eu quero viver?, Como viver?, Para que viver?"
A moral não é e nem deve ser teórica, a teoria é a ética.
Ética e moral são inseparáveis e complementares, estão interligadas, pois o comportamento moral depende do projeto ético, mas infelizmente vivemos em uma sociedade onde os valores de poder e materiais são mais valorizados que a justiça e dignidade humana, as quais não recebem a atenção e consideração necessária, demonstrando assim o relativismo da ética e a necessidade da moral, pois quando há essa confusão de e entre ética e moral, onde a ética se sobressai a desvalorização da vida se agrava. Por isso a escola deve ser um meio para se viver e se ensinar ética e moral, pois um dos objetivos da educação é fazer com que haja valorização para vida, onde todos devem ser tratados como iguais, mas ao mesmo tempo como únicos.


2 A MORAL NA CRIANÇA SEGUNDO PIAGET


Jean Piaget nasceu na Suíça, em 1896. Graduou-se em Ciências naturais, mas lia também sobre: Sociologia, Religião e Filosofia. Durante suas leituras filosóficas se interessou pela Epistemologia, e então se decidiu por entrar para o mundo da Psicologia. Mudou-se para a Europa, onde iniciou suas pesquisas diretas com crianças, as quais realizou por mais de quarenta anos, dentre essas crianças observadas incluem-se os seus três filhos. O objetivo de Piaget era compreender como as crianças em suas várias idades são capazes de obter conhecimento do mundo, aperfeiçoar os métodos educacionais e compreender o homem. Quanto ao tema moralidade, Piaget é um pioneiro no estudo, ele abordou o tema fazendo pesquisas de campo em diversas culturas e entrevistando crianças. O estudo dele sobre o pensamento das crianças é importantíssimo para se entender o pensamento do adulto, ou seja, através do estudo da moral infantil pode-se entender a moralidade humana como um todo. Em 1980 Piaget faleceu em Genebra, Suíça.
PIAGET via a criança como um filósofo, ou seja como um ser capaz de construir significados de questões universais, sendo que a prática e a consciência das regras, ou seja, o que a criança faz, realiza e pensa sobre determinadas situações e sobre determinadas regras permitem definir sua realidade moral.
Sua teoria, conhecida como Psicologia Genética, defende que a inteligência não é inata, entretanto a gênese, o início da razão, da afetividade e da moral é feita progressivamente através de estágios sucessivos, onde a criança organiza o pensamento e o julgamento. O saber é construído e não imposto de fora. O desenvolvimento moral ocorre simultaneamente com o desenvolvimento lógico.
Ao estudar o desenvolvimento moral, Piaget preocupou-se com o aspecto específico do julgamento moral e com os processos cognitivos subjacentes a ele. Os estudos sobre o desenvolvimento moral e a definição dos estágios foram baseados em entrevistas e observação de crianças em jogos de regras. As pesquisas realizadas lhe permitiu concluir que existem diferenças quanto o respeito às regras em crianças de idades diferentes, distinguindo as fases em anomia, heteronomia e autonomia moral. Uma criança pequena tem dificuldades em considerar as circunstâncias atenuantes enquanto um adolescente já faz julgamentos morais com base na justiça e igualdade.
Os valores, os princípios, as normas morais são construídos a partir da interação do sujeito com os diversos ambientes sociais durante a convivência diária, principalmente com o adulto, seja ele os pais ou os professores e também a partir de processos de organização interna e adaptação denominados de assimilação e acomodação. Desenvolvendo-se do individual para o social. Por isso, esse processo requer tempo e não pende nem para um lado nem para outro, mas concilia ambiente e hereditariedade.
O esquema citado a cima de assimilação se modifica de acordo com os estágios de desenvolvimento do indivíduo e consiste na tentativa deste em solucionar situações a partir de suas estruturas cognitivas e conhecimentos anteriores. Ao entrar em contato com o que é novo, retiram se desse informações consideradas relevantes e, a partir daí, ocorre uma modificação na estrutura mental antiga para dominar o novo objeto de conhecimento, gerando uma acomodação.
"Do ponto de vista moral, o egocentrismo acarreta, uma espécie de anomia." (PIAGET, 1994, p. 297)
Para PIAGET, o ser humano vai da anomia, (A = negação e NOMIA = regra ou lei). Encaixa-se nessa fase os bebês ao nascerem, passando então para uma fase da autonomia, mas antes de chegar na autonomia a pessoa passa pela heteronomia, que é o seguir regras que vêm de outros, de uma autoridade. Por fim quando o ser humano chega a autonomia, ele é capaz de seguir as regras por uma vontade interna, considerando o espírito da regra e não obedecendo literalmente.
Para PIAGET há dois tipos de moral: uma moral de coação, de obrigação ou da heteronomia e uma moral de cooperação ou da autonomia. A primeira se dá por regras e a segunda pela tomada de consciência e pelas atividades sociais.
PIAGET, propõe que o desenvolvimento se realiza em estágios, ou seja, que mudam com o passar do tempo, com o crescimento da criança. Seu estudo mostra que os estágios eram identificáveis em todas as culturas, independente da variação cultural. Os estágios, não são globais, mas sim fases sucessivas, a cada novo plano da tomada de consciência.
Encontra-se adultos em plena fase de anomia e muitos ainda na fase de heteronomia. Poucos conseguem pensar e agir pela sua própria cabeça, seguindo sua consciência interior.
Os estágios propostos por PIAGET são esquematizados da seguinte forma: Sensório motor (0 a 2 anos), pré operacional (2 a 6 anos), operações concretas (7 a 11 anos), operações formais (12 anos em diante), o desenvolvimento cognitivo se realiza segundo esses estágios, significando que as características e a natureza da inteligência mudam significativamente com o passar do tempo e a partir desses estágios, estuda-se e entende-se a moral.
No primeiro estágio, o sensório motor, que se dá desde o nascimento até os dois anos de idade, a atividade intelectual da criança é de natureza sensório motora, ou seja, a criança percebe o ambiente e age sobre ele, por isso é muito importante estimular a criança, seja visualmente, auditivamente e tátil. Esta deve ter vários objetos os quais possa olhar e tocar. As atividades realizadas nesse estágio são motivadas pelo desejo e pelos hábitos motores.
O segundo estágio, o pré operacional ou inteligência intuitiva, que se dá no período de dois a seis anos, onde a criança começa a usar os símbolos mentais, ou seja, esta começa a representar por imagens ou palavras e objetos que não estão presentes. Nesse período, o egocentrismo, a centralização, o animismo, o realismo nominal e a classificação, são algumas das características do pensamento infantil. O presente trabalho irá se deter apenas no egocentrismo, o qual delimita a pesquisa sobre moral. O egocentrismo é o não saber se colocar no lugar do outro, nesse período as crianças são incapazes de aceitar o ponto de vista do outro se for diferente do dela. O egocentrismo surge como uma conduta intermediária entre as condutas socializadas e as individuais. O prazer das brincadeiras nesta fase ainda estão no motor, e não no prazer social. Nessa fase considera-se apenas os fatos materiais e não as intenções. Tais atitudes são erradas ou não, não porque saiba se o porque do certo ou errado, mas porque é proibido, porque há uma punição. É justo para a criança que o adulto mande, para elas a justiça está baseada em ordens recebidas por superiores. O justo é o que está de acordo com as regras impostas pelos adultos, ainda não se tem noção do que é justo ou injusto verdadeiramente. É uma fase de heteronomia moral, onde a criança percebe as regras como absolutas, imutáveis, intangíveis. Nessa fase a criança julga a ação como boa ou má baseada nas consequências dos atos, sem uma análise mais ampla e sem considerar as intenções do autor da ação. Considera que se um indivíduo foi punido por uma determinada ação, é porque a ação estava errada. A criança considera que sempre que alguém é punido é porque deve ter feito algo de errado, assumindo uma conexão absoluta entre a punição e o erro. "É natural que, no domínio moral, (a criança) insista mais sobre o elemento exterior e palpável que sobre a intenção oculta." (PIAGET, 1994, p. 133).
A criança como um ser moral nesta fase olha apenas o exterior, as atitudes, as regras o que lhe está sendo imposto e isso que é o importante. Saber o que está por trás da intenção, o porque daquela regra ou imposição não lhe interessa.
O terceiro estágio, operações concretas, é o estágio da cooperação, que se dá por volta dos sete ou oito anos aos onze anos, é caracterizado pelo início do fazer pelo prazer social e da cooperação, a principio a intenção de cooperar nesta fase é uma moral provisória, pois neste estágio até fazem juntos, mas cada um com um pensamento, faltando o essencial que é a tomada de consciência. As brincadeiras são realizadas em grupo, mas cada um tem a sua intenção. Desprezam a intenção e se preocupam com o resultado dos atos. O errado é errado em si, se tirassem as punições continuaria erro. O igualitarismo é que prevalece neste estágio.
O quarto estágio conhecido por operações formais, por volta dos onze e doze anos é caracterizado pelo início do interesse pelas regras e pelas discussões. Neste estágio compreendem o caráter das atitudes, ou seja, certas atitudes são erradas, porque são contrárias ao respeito mútuo e a reciprocidade. O erro é erro porque se opõe a confiança a as afeições mútuas. Define a igualdade considerando a situação particular de cada um. Mostra-se uma diminuição de preocupação com as autoridades e um aumento de preocupação pelo igualitarismo. Pode se considerar esse estágio como o auge da moralidade dentro da teoria de Piaget.
Nesta fase de autonomia moral a criança passa a perceber as regras como um resultado de livre decisão, a qual pode ser modificada, e como digna de respeito, desde que mutuamente consentida.
"As noções de justiça e de solidariedade se desenvolvem, correlativamente, em função da idade mental da criança." (PIAGET, 1994, p. 234). A medida em que se vai crescendo o ser humano vai se desenvolvendo moralmente. Na medida em que a criança vai crescendo, ela vai percebendo que o mundo tem suas regras. Ela descobre isso também nas brincadeiras com as criança maiores, que são úteis para ajudá-la a entrar na fase de heteronomia.
A moralidade heterônoma, como já citado, os deveres são vistos como externos, impostos e não como obrigações elaboradas pela consciência. O Bem é visto como o cumprimento da ordem, o certo é a observância da regra que não pode ser transgredida nem relativizada por interpretações flexíveis. A responsabilidade pelos atos é avaliada de acordo com as consequências objetivas das ações e não pelas intenções. O indivíduo obedece as normas por medo da punição. Na ausência da autoridade ocorre a desordem, a indisciplina.
Na moralidade autônoma, o indivíduo já adquiriu a consciência moral. Os deveres são cumpridos com consciência, ele entende o significado do que está fazendo. Possui princípios éticos e morais. Na ausência de uma autoridade, ele continua o mesmo. É responsável, auto-disciplinado e justo. A responsabilidade pelos atos é proporcional à intenção e não apenas pelas consequências do ato.

O respeito mútuo aparece, portanto, como condição necessária da autonomia, sob seu duplo aspecto intelectual e moral. Do ponto de visa intelectual, liberta as crianças das opiniões impostas, em proveito da coerência interna e do controle recíproco. Do ponto de vista moral, substitui as normas da autoridade pela norma imanente à própria ação e à própria consciência, que é a reciprocidade na simpatia. (PIAGET, 1994, p. 91)

Um dos fatores que levará a criança a passar de um estágio para o outro, da heteronomia para a autonomia será descobrir a insuficiência do adulto, ou seja, as imperfeições do adulto.
A criança chega a um estágio avançado de moralidade em função de sua idade, mas o adulto na medida em que ele não apenas verbaliza, mas pratica as regras que ele impõe, ele exerce enorme influência. Deve ele não só dar ordens a criança, mas viver aquilo que fala, pois seu exemplo fala mais alto. A noção de igualdade, justiça e solidariedade, têm raízes individuais ou biológicas, mas não suficientes. O social, as interações com o meio exercem grande influência.
A consciência moral se interioriza aos poucos, em um círculo entre inteligência e instrumentos sociais. A princípio obedece-se como um dever, mas aos poucos vai se assumindo uma consciência autônoma. As regras são a princípio exteriores e sagradas, depois aos poucos vão se interiorizando, passando assim, a serem obedecidas livremente por uma consciência autônoma, sendo o individual a estrutura necessária ao desenvolvimento das regras, mas não a condição suficiente.
É o aliamento do biológico, com o social. Na medida em que a criança vai crescendo, vai deixando de se submeter e começa a discutir de igual para igual, passando assim a compreender seu próprio eu, não o eu egoísta, mas ao eu que se submete ao respeito e que sabe compreender o outro, a passagem da heteronomia para a autonomia.
De uma forma geral, no primeiro estágio a moral é individual, no segundo estágio a moral é baseada na imitação e é egocêntrica, no terceiro a moralidade é baseada na cooperação e por fim, no quarto estágio há uma moral baseada nos interesses coletivos, um interesse pela regra em si própria.

Piaget: as relações de cooperação ? baseadas no respeito mútuo, na troca de pontos de vistas, no reconhecimento e respeito das diferenças ? são aquelas que promovem o desenvolvimento moral. (PIAGET, 1994, p. 76)

Há a necessidade como cita Piaget de interações, relações baseadas na justiça, mas como as relações sociais atuais raramente são baseadas na cooperação, um grande número de cidadãos passam toda a vida na fase da heteronomia, no egocentrismo.
Certos traços da moral infantil, podem ser encontrados no adulto, como por exemplo o egocentrismo. O egocentrismo caracteriza as formas iniciais do pensamento infantil, por volta do segundo e terceiro estágios os pensamentos das crianças estão ligados a uma moral egocêntrica. Enquanto a criança permanece egocêntrica, não vê mal em tomar certas atitudes, mesmo que erradas em função de seus desejos, por enquanto a ética não está baseada em princípios morais.

A autonomia só aparece com a reciprocidade, quando o respeito mútuo é bastante forte, para que o individuo experimente interiormente a necessidade de tratar os outros como gostaria de ser tratado. (PIAGET, 1994, p. 155)

A criança chegará a autonomia moral quando a consciência considerar um ideal como necessidade, ideais que visem um bem comum. Quando este trata aos outros como gostaria que o tratassem. Consciência alcançada independente da pressão social, mas considerando que sem a relação com o outro, não há a necessidade de moral. Por isso, esta tomada de consciência não é fácil, pois encontra-se ligada a uma série de condições psicológicas e sociais, o indivíduo por si só não consegue, é algo coletivo.

É somente por um esforço contínuo de simpatia e de generosidade que resistimos a tal tendência e procuramos compreender as reações de outrem em função da intenção. (PIAGET, 1994, p.145)

Durante o período egocêntrico a pessoa é levada a desculpar seus próprios atos e mesmo que os atos do seu semelhante seja igual, a pessoa é levada a julgar por um outro olhar, considerando que o ato do outro seja de maior gravidade.
PIAGET defende que as atividades apropriadas produz o desenvolvimento cognitivo, por isso Piaget clama por uma escola ativa.

A heteronomia dá lugar a uma consciência do bem, cuja autonomia resulta da aceitação das normas de reciprocidade. A obediência cede passo a passo a noção de justiça e ao serviço mútuo." (PIAGET, 1994, p. 300)


3 A TEORIA DE DESENVOLVIMENTO MORAL DE KOHLBERG


Lawrence Kohlberg, psicólogo e judeu, nasceu em Nova Iorque em 25 de outubro de 1927 e começou a estudar sobre moralidade em 1955, ao iniciar sua tese de doutoramento em Chicago. Em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial, kohlberg entrou para a Marinha Mercante onde ajudava refugiados judeus a escaparem para a Palestina. Ele iludiu muitos fiscais, dizendo que as camas dos passageiros nos navios eram contai-neres de bananas. Foi em 1949, que kohlberg interessou-se em Psicologia Clínica e em Jean Piaget. Em 1958, já em sua tese de doutorado, Kohlberg identificou estágios de desenvolvimento moral. Por meio de pesquisas longitudinais, acompanhou a evolução de diversos meninos até a fase adulta. Seu primeiro trabalho em relação ao tema foi estudar e ampliar os estudos de Piaget sobre a moral das crianças, partindo deste ponto, para estudar sobre a moralidade também nos adolescentes e adultos. Somente os conceitos de anomia, autonomia e heteronomia de Piaget não lhe foram suficientes. Os principais pressupostos de Piaget usados por Kohlberg foram: conceber a justiça como principal elemento da moral e assumir os significados dos estágios de estrutura mental e de desenvolvimento, próprios da teoria cognitiva-evolutiva.
Em 1971, Kohlberg contraiu um parasita tropical em Belize enquanto fazia um trabalho transcultural. Como resultado da doença, ele lutou contra a dor física e a depressão pelo resto de sua vida. Em19 de janeiro de 1987 ele pediu um dia de alta do hospital de Massachusetts onde fazia tratamento, dirigiu até o Habor de Boston, estacionou seu carro em uma rua sem saída, e mergulhou no mar. Tendo aparentemente cometido suicídio, falecendo aos 59 anos de idade.
Lawrence Kohlberg dominou os estudos sobre desenvolvimento moral nos últimos tempos. Estudou a moralidade do ponto de vista cognitivista, assim como Piaget. Criou a teoria dos estágios morais, pois acreditava que o nível mais alto da moralidade exige estruturas lógicas novas e mais complexas do que as apresentadas por Piaget.
Em seus estudos longitudinais, utilizou pesquisas, entrevistas. No conjunto das pesquisas realizadas foram entrevistados sujeitos em diferentes países, sujeitos da zona urbana e da zona rural, católicos, judeus, protestantes, budistas e ateus. Os estudos tiveram duração de aproximadamente 30 anos, observando os julgamentos morais em intervalos de três anos. Como procedimento metodológico de sua pesquisa, Kohlberg utilizou entrevistas feitas a partir dos dilemas hipotéticos seguida de uma série de questões, entre os mais conhecidos tem-se dilema de Heinz: "Uma mulher, moradora da Europa estava quase morta, devido a um tipo especial de câncer. Havia um remédio que os médicos acreditavam que poderia salvá-la. Era um remédio que um farmacêutico da cidade havia descoberto. A fabricação do remédio envolvia muitos gastos, e além disso o farmacêutico estava cobrando dez vezes mais do preço de custo.
O marido, da mulher doente, pediu dinheiro emprestado a todos os seus conhecidos, mas só conseguiu a metade do valor que o farmacêutico cobrava. O marido explicou então a situação ao farmacêutico, lhe disse, que lhe vendesse o remédio mais barato ou que lhe deixasse pagar depois, mas o farmacêutico lhe respondeu que não, pois ele havia descoberto a fórmula e que iria ganhar dinheiro com ela. Heinz que é o marido ficou desesperado e assaltou a farmácia a fim de pegar o remédio para sua esposa."
Kohlberg durante as entrevistas tinha o cuidado de procurar deixar o sujeito à vontade para responder livremente e de fazer perguntas, procurando sempre respostas adicionais, para maior esclarecimento quanto às justificativas, tentando, assim, esquadrinhar todos os raciocínios subjacentes à resposta.
Dentre as perguntas do dilema de Hainz estavam, se o homem deveria roubar para salvar a esposa, este dilema se baseia quanto ao valor da Vida Humana.
Após as respostas ele analisava e categorizava as informações que havia conseguido considerando as justificativas, o valor moral intrínseco e os argumentos apresentados pelo sujeito participante da entrevista. Independente se as respostas fossem sim ou não o que determinaria o estágio seria o raciocínio utilizado para justificar a resposta. Em sua pesquisa prático teórica, KOHLBERG afirma que os estágios de raciocínio moral estão vinculados ao desenvolvimento cognitivo, sua posição básica é que cada novo nível de funcionamento cognitivo é uma condição necessária, mas não suficiente, para o novo nível de raciocínio moral, considerando que os fatores culturais e a interação social podem variar a velocidade destas passagens, mas não modificar a sequência dos estágios. Destaca-se aqui o pressuposto que o desenvolvimento moral resulta de relações interpessoais e estágios psicológicos.

Conforme a teoria de Kohlberg, o nível mais elevado de desenvolvimento moral consiste em fazer julgamentos morais baseados em princípios de justiça e amor aceitos conscientemente. Atingir esse nível depende do desenvolvimento intelectual e da experiência adquirida em interações sociais. (BARROS, 1988 p. 23)
KOHLBERG, baseia sua teoria na ideia de que há a existência de princípios éticos universais, presentes em todas as culturas e que os estágios são invariáveis, ou seja, o desenvolvimento da moral se processa em estágios que se processam em sequência, independente de quem seja, ou de onde more. Ele percebe um paralelo entre os estágios do desenvolvimento intelectual e do desenvolvimento da moral, como por exemplo, alguém que está no estágio das operações concretas está na moralidade pré convencional, os quais serão explicados mais adiante.
KOHLBERG, assim como Piaget acreditava que o desenvolvimento intelectual é necessário, mas não é suficiente para o desenvolvimento moral, necessitando assim do desenvolvimento social. A medida em que alguém se desenvolve intelectualmente e socialmente, ela se desenvolve moralmente. Porém nem todos conseguem chegar a um nível elevado de moral, permanecendo presos em uma moralidade de conformismo.
Na teoria o desenvolvimento moral é resultado da interação do organismo e sociedade, sendo que um dos mais importantes elementos dessa interação é a oportunidade de se colocar no lugar do outro. E o estímulo do cognitivo pela interação favorece o desenvolvimento moral.
Para KOHLBERG, a influência da cultura não pode ser desconsiderada, mas "todo indivíduo é potencialmente capaz de transcender os valores da cultura em que ele foi socializado, ao invés de incorporá-los passivamente." (BIAGGIO, 1997, p 47)
Passar de um estágio para outro se dá pela reorganização reflexiva, a qual surge quando a pessoa percebe contradições do estágio em que se encontra.
KOHLBERG divide o desenvolvimento moral em três níveis e seis estágios.
Os estágios foram definidos baseados no modo em que eram respondidas às questões sobre os dilemas, em relação aos aspectos de julgamento moral. De acordo com as afirmações apresentadas, cada sujeito era analisado e enquadrado em um estágio de desenvolvimento moral. Para KOHLBERG, a evolução dos estágios se dá por uma estrutura de pensamento, não por conteúdo, sendo que esta estrutura é que é utilizada para raciocinar moralmente, a qual se encontra nos sujeitos de todas as sociedades pesquisadas. Por meio das respostas, principalmente das justificativas, observa-se a estrutura de pensamento utilizada para respondê-las. Analisa-se, por exemplo, se a pessoa escolhe ações que a beneficiem, se está preocupada com a lei estrita ou se pensa em salvar a vida como princípio, independente de quem seja.
Os seis estágios apresentam a possibilidade de ver como o ser humano se apresenta diante do mundo, seja por obediência ou se regido por princípios éticos universais, como por exemplo a liberdade e o respeito. Para KOHLBERG os seis estágios explicam melhor a passagem da anomia para a autonomia, passando antes pela heteronomia, citada por Piaget.
A maioria das pessoas não atinge os estágios mais altos e considerar a autonomia é considerar a liberdade como condição essencial à moral.
Os níveis e estágios morais segundo KOHLBERG se sub dividem da seguinte forma:
? Nível I - Pré-convencional (2 a 6 anos)
Corresponde à moralidade heterônoma (obediência a outrem). Neste nível, as questões de certo e errado, bom e mau, são interpretadas em termos das consequências. A ação punida é vista como má, e toda ação premiada é vista como correta. Neste nível a moralidade reduz-se a um conjunto de normas externas, que se obedece para evitar castigo, ou para satisfazer desejos individualistas, ou seja, os valores morais resultam de uma obediência a uma autoridade externa. Nesse nível o indivíduo ainda não entende e nem assumiu as regras da sociedade e as considera como algo externo e pensa por seus próprios interesses, para evitar o perigo ou ser recompensado. Onde encontram-se a maioria das crianças com menos de nove anos
Estágio 1 - Orientação para punição e obediência ou moralidade heterônoma
Crianças bem pequenas. A Orientação Moral neste estágio é baseada na punição e obediência inquestionável à uma autoridade. A justificativa dos julgamentos levará em consideração, evitar o castigo, evitar as consequências. Para uma pessoa neste nível de moralidade, um ato é bom, se a pessoa recebe um prêmio e um ato é mau se a pessoa recebe um castigo. Independente se a resposta ao dilema for sim ou não, mas se baseará em consequências, em possibilidades de castigo. No sentido piagetiano heterônoma, isto é, o que define o que é bom ou mau é a autoridade
Estágio 2 - Hedonismo Instrumental Relativista
Crianças de aproximadamente dez anos. A justificativa dos julgamentos se baseará em servir as necessidades e interesses próprios. Para uma pessoa neste estágio, moralmente correto são os atos que lhe dão prazer ou que lhe satisfazem sua necessidade. Neste estágio a pessoa não considera a necessidade dos outros, a não ser que ela seja também beneficiada. A justificativa dos julgamentos levará em consideração o proveito que ela tirará da situação. A resposta ao dilema se baseará em tirar proveito da situação. A pessoa deve buscar o prazer, mas tentar diminuir as consequências negativas
? Nível II - Convencional (Idade escolar)
No nível convencional, o justo e o injusto, o bom e o mau, se define por viver conforme às normas sociais e morais. A pessoa que está neste nível procura viver conforme as regras estabelecidas, com o que é socialmente aceito e compartilhado pela maioria, respeitando a ordem estabelecida. Há uma tendência em agir de modo a ser bem visto aos olhos dos outros, para merecer estima, respeito e consideração. Os valores morais consiste em cumprir leis, manter a ordem social e em fazer o que os outros esperam de nós. Dos nove aos quinze anos, mas é onde Kohlberg situa a maioria dos adolescentes e adultos.
Estágio 3: Moralidade da aprovação social e das relações interpessoais
Orientação para o bom menino e para uma moralidade de aprovação social e interpessoal, ou seja, neste período já se leva em consideração as outras pessoas. A preocupação neste estágio é ser aprovado pelos outros. A justificativa dos argumentos, corresponde às expectativas dos outros. São consideradas as relações de confiança entre os indivíduos, expressas pelas regras morais partilhadas pelo grupo, diferente do estágio um, obedecer por não sofrer certas consequências, neste estágio, obedece-se para receber a aprovação social, considera-se nesse estágio a boa intenção, ou seja, o comportamento de alguém pode ser julgado por suas intenções.
Estágio 4: Orientação para a lei e a ordem constituída
A orientação moral neste estágio é para a manutenção da lei, da ordem e do progresso social. A justificativa dos argumentos tem relação em manter o funcionamento das instituições como um todo. O moralmente correto é cumprir deveres e obedecer as autoridades, a honra e o dever está em cumprir as leis de nossa sociedade. Muitos jovens estão neste estágio. Busca-se os interesses pessoais assim como no estágio dois, mas agora considerando a manutenção e ordem social. Neste estágio admite-se a existência de conflitos, por isso é importante um bom sistema de leis que resolva com imparcialidade os conflitos. Considera-se as instituições sociais e religiosas com suas crenças, devido que a justiça é considerada como uma relação entre indivíduo e sistema
Em ambos estágios, do nível dois se vê a preocupação com o dever, a lealdade a um grupo ou ordem social vigente.
? Nível III- Pós-convencional (Adolescência)
Neste nível o valor moral das ações não é conforme às normas e padrões morais e sociais vigentes, está ligado aos princípios éticos universais, tais como o direito à vida, à liberdade e a justiça, garantindo que estes princípios sejam respeitados, a sociedade deve estar a serviço, para que esses direitos se efetivem. Se isso não ocorrer, as leis devem ser transformadas e até desobedecidas. Neste nível, os valores morais são aceitos com consciência, chega-se ao nível da autonomia. Grande número das pessoas não conseguem atingir este nível. Não é possível alcançar antes dos vinte anos, mas nem todos conseguem, geralmente permanecem nos níveis mais baixos.
Estágio 5: A orientação para o contrato social democrático ou moralidade dos direitos humanos e do bem estar social
A orientação moral neste estágio se baseia na obrigação de cumprir a lei em função de proteger seus direitos e os direitos dos outros, há uma preocupação com o respeito da sociedade como um todo. Leis e deveres são baseados em fazer o bem para o maior número de pessoas, e em casos em que a lei é omissa quanto ao certo ou errado decide-se em um acordo. O certo e o errado depende das leis e padrões aprovados pela sociedade, a pessoa nesse estágio sente obrigação em cumprir as leis, mas a seu ver essas não são absolutas e podem ser mudadas, se a sociedade concordar. Não é visto como algo imposto, mas que pode ser criado e transformado pelo contrato social e vias democráticas. Há uma preocupação com o bem estar da minoria.
Estágio 6: Princípios universais de consciência
Neste estágio a pessoa percebe a validade dos princípios e compromete-se com eles. Aqui o que é certo ou errado, depende da consciência de cada um, mas baseado em princípios éticos universais, ou seja, referentes a justiça, dignidade e igualdade para todos. O fundamento desse estágio é fazer aos outros o que você gostaria que fizessem com você. As respostas são baseadas em princípios morais autônomos e a sua violação. Este foi o estágio que mais exigiu elaboração teórica de Kohlberg, refere-se a este como ponto de chegada do desenvolvimento moral, estágio o qual ele chega a falar em um determinado momento como desaparecido. No estágio seis a noção de respeito inclui justiça, benevolência, diálogo. Jesus modelo perfeito de um ser moral: honesto, não se importando com a opinião dos outros, mestre que ensinava a verdade sobre a maneira correta de viver. O qual amava o próximo como a si mesmo.
Estágio 7: Unidade com um ser ou pensamento ético e religioso
Em seus últimos anos, Kohlberg admitiu a existência de um sétimo estágio, relacionado as orientações ético religiosas, que envolve a construção de um senso de identidade ou unidade com o ser, com a vida ou com Deus. Estágio que está muito além do nível convencional e transcende sua concepção de justiça, mas Kohlberg preferiu não desenvolver em sua teoria.
O estágio da espiritualidade, é o da superação de si mesmo, de descentralizar-se e buscar algo que está alem de si. O teocentrismo, tendo Deus como finalidade, busca a união com Deus em diferentes religiões. A discussão de espiritualidade é baseada nos conceitos de cuidado, proteção e hospitalidade. Favorecendo ao homem a satisfação do existir, não pelo que tem, mas pelo que é e significa. A espiritualidade permite as pessoas se perceberem como não separadas do outro, mas em conexão uma com as outras e com o universo.

Os primeiros níveis de consciência seriam os mais densos, estreitos, imaturos, físicos, rígidos, enquanto os níveis mais amplos seriam marcados pela sutileza, pela transcendência, com modos de ser mais intuitivos, nos quais se perceberiam com maior facilidade as conexões e o sentido da própria vida. (NETO, 2009, p. 107.)

Para KOHLBERG a sequência de passagem de um estágio para outro é invariante, ou seja, ocorrem em ordem, se desenvolvendo do estágio mais baixo para o mais alto sendo que nenhum estágio é pulado.
Os resultados de suas pesquisas lhe permitiu concluir que, apesar de possíveis diferenças quanto à idade em que as crianças alcançam cada estágio, há uma sequência universal, invariável e constante de estágios. Quanto ao caso de raciocínio moral, não há diferenças de cultura para cultura ou entre católicos, protestantes, judeus, budistas e ateus. Isto não quer dizer que todo indivíduo alcança determinado estágio com a mesma idade. A ordem não implica em cronologia constante ou que todos alcancem cada estágio na mesma idade, mas não ocorrem saltos, ou seja, um indivíduo não chega ao estágio três sem antes passar pelo estágio dois. Os estágios têm um caráter de integração hierárquica, formando ordem de estruturas crescentemente diferenciadas e integradas. Isto quer dizer que as estruturas de um estágio determinado tornam-se parte integrante de estruturas dos estágios seguintes.
Os indivíduos compreendem os raciocínios de estágios anteriores àqueles em que estão mas preferem os do estágio mais elevado.
Ao apresentar seus estágios Kohlberg assume a posição de que o núcleo de cada estágio é uma ideia subjacente de justiça e que os estágios mais altos resolvem melhor os problemas relacionados a justiça. Ele entende justiça como algo ontológico, ou seja, centrado no correto, nos direitos e deveres. Vê como o centro de cada estágio de desenvolvimento e como centro da ideia de justiça os conceitos de reciprocidade, igualdade e equidade.
KOHLBERG e PIAGET entendem a moral humana a partir da racionalidade, a qual possibilita a autonomia. Sujeitos em graus mais elevados de moral se vêm como membros da humanidade e não só de uma sociedade, isso implica que este leva em consideração os direitos humanos.

A moral humana é gerada por um senso moral ou instinto moral do qual os seres humanos nascem dotados. É este senso moral inato que faz com que alguns princípios éticos sejam universais: a empatia, a ajuda gratuita e, até mesmo com dano próprio o senso de justiça. (NETO, 2009, p. 89.)

Compara-se esse pensamento a linguagem, pois todos nascem com a capacidade de aprender a falar, mas ninguém nasce sabendo falar o idioma específico, assim é o comportamento moral, todos nascem dotados, por isso deve ser desenvolvido. A estrutura mental é responsável pela moralidade, mas não dispensa a responsabilidade da sociedade.
Quanto maior, mais adiantado o estágio em que a pessoa se encontra maior consistência existe entre o juízo e a ação moral. KOHLBERG identifica três passos que conduzem do juízo a ação moral: Raciocínio próprio de justiça sobre qualquer situação, juízo de responsabilidade, onde a pessoa raciocina sobre sua responsabilidade na execução e por fim a execução do juízo deontológico. O juízo moral deve condizer com a ação moral.
4 MORAL E ÉTICA INSERIDAS NO ESPAÇO ESCOLAR


KOHLBERG percebeu a escola como um ambiente privilegiado para o desenvolvimento moral das crianças e jovens. Por isso apontou pontos a serem considerados pelos educadores. A questão da moralidade deve ser considerada de uma forma interdisciplinar, a qual envolve a Filosofia, Psicologia e a Pedagogia, enfatizando a escola e o processo educativo como fundamentais ao desenvolvimento da moral, mas para isso a escola deve adotar algumas estratégias, como por exemplos: ser democrática, adotar a participação de todos, ter senso de pertença, ter empatia ativa. Kohlberg possibilita afirmar cientificamente que educação também tem a ver com empatia, justiça, cuidado pelo outro e exercício da democracia, em suma, com a formação ética e moral das pessoas, não para o futuro, mas para já, pois assim a aprendizagem será significativa.
É possível estimular o desenvolvimento moral nas escolas. Propõe se como alvo para a Educação Moral, a estimulação do movimento para os estágios mais elevados da sequência, ou seja, mediar os alunos à níveis mais altos de estágios morais.
O professor deve propiciar a reorganização reflexiva, que são os conflitos e a reflexão que a pessoa vai tendo em seu estágio e isso se dá por meio de situações de decisão que provoquem contradições internas na estrutura do raciocínio moral e também em um confronto de opiniões, os quais geram um conflito cognitivo sobre a moral. O professor deve propor situações de decisão que provoquem contradições internas na estrutura do raciocínio moral, pois o avanço de um estágio para outro só se dá pela reorganização reflexiva.
Compreendendo que a finalidade da educação é o desenvolvimento do educando, deve se elaborar estratégias que facilitem o desenvolvimento da moral, pois a passagem de um estágio para outro não é automática, antes necessita da intervenção educativa. A sociedade é um dos fatores para o processo de desenvolvimento da moral e a escola não deixa de ser uma instituição social.
Como estratégias para o desenvolvimento da moral, os professores podem debater com seus alunos os dilemas hipotéticos de Kohlberg ou dilemas presentes no dia a dia pedindo a opinião dos alunos, apresentação de filmes, estórias ou documentários históricos, bem como jogos estimulantes ou dramatização sobre dilemas. Os professores devem realizar debates sobre questões relacionadas a moral em que o nível das questões, do debate corresponda ao nível de desenvolvimento dos alunos, mas ao mesmo tempo encorajar seus alunos a um próximo estágio.
Reuniões comunitárias em que os estudantes discutem e buscam soluções para problemas morais do seu cotidiano, os estimulam a pensarem por si sós, sem relação de dependência com alguma autoridade. Dessa maneira as regras e a escola deixariam de ser vistas como uma propriedade do professor e todos as assumiriam sentindo-se responsáveis, isso geraria uma pressão, e uma responsabilidade de viver em coerência com aquilo que assumiram, ou seja, cumpririam as regras sabendo e entendendo o porque. Esse sentido de democracia não está ligado ao sentido de libertinagem, irresponsabilidade, mas ao sentido de que todos têm direitos e deveres, no desenvolvimento da moralidade, o que implica uma análise dos próprios interesses e necessidades. O professor deve ter como finalidade o desenvolvimento da autonomia do aluno, por isso deve estar atento para perceber se todos os alunos estão participando efetivamente, isso não significa ser permissivo onde os alunos podem tudo, mas também não é ser autoritário, o professor deve ser um líder mediador, o qual defende os princípios éticos a cada aula.

Kohlberg tinha clareza de que o melhor modo de ensinar valores democráticos era dar aos estudantes a oportunidade de praticá-los e refletir sobre eles. Á medida que praticassem a democracia, teriam a oportunidade de corrigir comportamentos e atitudes incongruentes com a vivência em comunidade e o respeito mútuo. Enquanto desenvolvessem o senso de pertença comunitária e o de respeito mútuo, sentiriam-se mais responsáveis pela escola. (NETO, 2009, p. 72.)

Os professores devem ajudar os alunos a irem alem, a crescerem moralmente, pois para que os estudantes entendam e pratiquem justiça é preciso que se sintam tratados com justiça, pois como praticarão algo que não sabem?
Uma escola que favoreça o desenvolvimento da moral deve levar em conta discussões centradas em temas de justiça e moral, conflitos cognitivos, os quais são estabelecidos pelos diferentes pontos de vista e pelos juízos do estágio superior e a participação de todos na criação de regras e na prática responsável. As regras e violação de regras deve ser pensada por toda a comunidade escolar, e todos devem sentir-se pertencentes a essa comunidade essa teoria é conhecida como comunidade justa, democrática, onde todos são membros iguais com os mesmos direitos e privilégios.

Quando o adulto se deixa levar a avaliar os atos, em função do resultado material, não há dúvida, que ele é injusto. Porém aqueles que procuram educar de acordo com uma moral da intenção, conseguem seu objetivo bastante depressa. (PIAGET, 1994, p. 110)

Os professores devem ser cuidadosos com as regras, ordens e punições, essas devem basear-se na cooperação e simpatia mútua, e não em material, pois a primeira é que criará na criança a moral da reciprocidade e não da obediência.
KOHLBERG propõe que o professor não deve ser doutrinário e que deve definir objetivos para sua atuação, baseado num enfoque cognitivo evolutivo do julgamento moral, deve preocupar-se com o nível de desenvolvimento de seu aluno, em lugar de preocupar-se em impor regras segundo as conveniências administrativas ou valores definidos pelo estado, os quais na maioria das vezes não passam de ideologias.
A ênfase maior de Kohlberg é que o educador tenha consciência de que sua atuação sempre implica em questões de valor e que se preocupe em não transmitir aos alunos apenas valores competitivos da sociedade e o comportamento conformista a padrões administrativos. A atuação do educador deve ser considerada não apenas em relação a aulas de educação moral mas a outros aspectos do currículo. Nesse conjunto o professor deve estimular o desenvolvimento do julgamento moral da criança e não a conformidade.

Uma educação moral que objetiva desenvolver a autonomia da criança não deve acreditar nos plenos poderes dos belos discursos, mas sim levar a criança a viver situações onde sua autonomia será fatalmente exigida. (PIAGET, 1994, p. 19)

O processo educativo deve conduzir a criança a sair de seu egocentrismo, natural nos primeiros anos, caracterizado pela anomia, para entrar gradualmente na heteronomia, encaminhando-se naturalmente para a sua própria autonomia moral e intelectual que é o objetivo final da educação moral.
Atividades de cooperação, num ambiente de respeito mútuo, embasado na afetividade, auxiliam a criança no longo processo de descentração, conduzindo-a gradativamente da heteronomia para a autonomia moral. Um ambiente de medo, autoritarismo, respeito unilateral tende a perpetuar a heteronomia.
Do egocentrismo inicial, a criança gradualmente vai "saindo" de si mesma, ampliando sua visão de mundo e percebendo que faz parte de um todo maior. Assim sendo, esta aprende a cooperar, a respeitar e a amar ao próximo, estágio elevado da moral, onde poucas pessoas conseguem chegar.
A educação é um meio facilitador para o desenvolvimento humano e o educador é um facilitador desse processo, por isso, mais do que um diploma este precisa ter chegado a um nível razoável de maturidade humana, de integração pessoal, de moralidade, para que assim possa preocupar-se genuinamente com seus educandos. Ser um educador é ser um facilitador e possibilitador das intervenções educativas é acreditar nas múltiplas possibilidades do desenvolvimento humano.

Os professores deverão proporcionar coerência entre os valores proclamados pela escola e o modo como conduzem o processo educativo em sala de aula, no sentido de que os alunos possam perceber que valores como justiça e respeito não são meras teorias, ou simples valores proclamados, mas de fato são parâmetros para as relações estabelecidas dentro e fora da sala de aula. (NETO, 2009, p. 77)

A incoerência entre o que os professores e a escola pregam e o que fazem, causam conflitos no desenvolvimento moral do aluno. O professor deve conscientizar-se do importante papel que ele tem na vida de seu aluno, por isso o professor deve ter em mente uma educação total, não só transmissão de conhecimentos, mas como um auxiliador dos alunos, ajudando-os a vencerem suas dificuldades.
Um outro aspecto a ser pensado, é que é preciso, que o professor conheça o desenvolvimento de seu aluno, para que assim possa propor atividades que interessem seus alunos, atividades que desenvolvam seus alunos moralmente. Para resolver os problemas morais em sala de aula é preciso estudar e conhecer a criança.
O professor deve entender o desenvolvimento humano, para que possa ter certa segurança do ponto de partida e para onde se encaminha o ser em desenvolvimento, bem como dos diferentes estágios pelos quais passa até chegar a autonomia. (NETO, 2009, p. 79.)

O professor alem de conhecer o conteúdo a ser trabalhado com seus alunos, deve conhecer o processo do desenvolvimento humano e deve saber lidar com o mesmo. Deve conhecer, pois se forçar o aluno muito cedo para aprender ou se esperar demais, nenhuma aprendizagem ocorrerá, o professor deve apanhar a criança no tempo correto, onde os encontros ambientais e sociais permitam a aprendizagem.

Se os educadores puderem prover experiências significativas nas idades apropriadas, promoverão o crescimento e evitarão a estabilização dos julgamentos morais em estágios menos maduros. (BARROS, 1988, p. 109.)

A estimulação adequada leva a criança a progredir, mas há períodos, chamados de períodos sensíveis, os quais devem ser aproveitados. As tarefas de aprendizagem devem corresponder ao nível de desenvolvimento. Três pontos são essenciais: o que ensinar, como ensinar e quando ensinar. Os professores precisam conhecer a criança, seu aluno para que assim possa intermediar e compreender o comportamento do aluno e se preciso ajudar a modificar o mesmo.

Educar uma criança, ensiná-la, evitando perturbações em seu comportamento, exige do adulto, além de amor e dedicação, o conhecimento das características infantis em cada fase de seu desenvolvimento. (BARROS, 1988, p. 10)

O professor deve ter maturidade para suportar certas situações, pois um professor imaturo não conseguirá entrar em um processo democrático, este também não pode ser arbitrário em relação às regras, falar, mas não cumprir, ante de tudo deve ser aquele que transmite confiança e que lança mão de várias estratégias, sendo o por quê? E o como? Uma das mais importantes, para que assim seus alunos possam expor suas opiniões.
Um professor facilitador do desenvolvimento da moral deve favorecer o conflito cognitivo e estimular a tomada de consciência de se colocar no lugar do outro. Pois esses fatores estão na base da passagem de um estágio para outro.
O professor deve tomar muito cuidado com seus comportamentos, pois um comportamento hostil do professor provocará o mesmo nos alunos.
A educação tem um papel no desenvolvimento total da pessoa. As escolas, os professores influenciam o crescimento intelectual, emocional e social.
Os professores têm a difícil tarefa de enfrentar os problemas de personalidade e de conduta dos alunos, tarefa para a qual, infelizmente, a maioria não está preparada.

O educador que considerar mais forte a influência da hereditariedade poderá abandonar as crianças atrasadas, olhando-as com pessimismo; o educador muito entusiasmado pela influência do meio ambiente sentir-se a inclinado a exigir que todos os alunos sigam o mesmo padrão de desempenho. (BARROS, 1988, p. 28)

O professor deve considerar o cognitivo de seus alunos, mas também sua bagagem e influência social, não pendendo nem para um lado e nem para outro.
Cada educador tem uma responsabilidade dupla: primeiro como membros da comunidade e segundo uma responsabilidade pedagógica, mas sua responsabilidade, experiência e conhecimento não precisam criar uma diferenciação rígida entre seu papel e o do aluno, o professor deve estar disponível para o aluno, para que assim esse se torne seu companheiro na luta da verdade e justiça. O professor tem a responsabilidade da construção de uma comunidade que é contrastada com o arranjo social conhecido como associação pragmática, onde os indivíduos se relacionam por finalidades extrínsecas e instrumentais. Que é o modelo mais próximo de nossas escolas hoje, que preparam os indivíduos para desenvolver habilidades que os farão "funcionar" no mercado de trabalho, na sociedade. Nesse tipo de associação considerar o bem estar dos outros é somente para atingir objetivos próprio. Como já citado a associação pragmática se contrasta com o modelo de comunidade, onde as pessoas se inter-relacionam altruisticamente. A técnica de discussão de dilemas em grupo é uma alternativa promissora para desenvolver a questão de moral nos juvenis, adolescentes e jovens, deixando de lado essa concepção instrumental.
Há a necessidade de uma formação moral, e o papel da escola nessa educação moral é amplo. A ética presente no currículo escolar permeando todas as disciplinas é um ponto de partida para a educação moral em nossas escolas, sendo assim, todos os professores passam a se responsabilizar pela educação moral, não é algo de uma disciplina, mas da comunidade escolar.











5 CONSIDERAÇÕES FINAIS


A moral tem por base a dimensão heteronomia-autonomia. A criança passa de uma moral imposta de fora por outra pessoa, para uma moral autônoma, de sua consciência.
As teorias de Piaget e de Kohlberg são estruturalista e universalista onde propõe uma sequência invariante de estágios de desenvolvimento moral. Partindo do estudo de Piaget, Kohlberg ampliou as ideias de justiça anteriormente estudadas.
Para Kohlberg e Piaget todas pessoas passam pela mesma sequência de estágios, mas nem todas atingem um estágio elevado. Kohlberg propõe seis estágios de desenvolvimento, inclusos em três níveis: estágios um e dois (pré convencional, estágios três e quatro (convencional) e estágios cinco e seis (pós convencional). Em seus últimos anos Kohlberg admitiu a existência de um sétimo estágio, relacionado com as orientações éticas e religiosas, que envolve a construção de um senso de identidade ou unidade com o ser, com a vida ou com Deus.
Seguindo as exigências construcionistas de Piaget de um modelo de estágios, como exposto em sua teoria do desenvolvimento cognitivo, é raro regredir em estágios e não se pode pular estágios, cada um fornece uma nova e necessária perspectiva, mais abrangente e diferenciada de seu predecessores, mas integradas com eles. Potencialmente, todo indivíduo é capaz de transcender os valores da cultura em que foi socializado, não apenas incorporando-os passivamente.
No centro da moralidade está a noção de respeito pelas pessoas, tratando cada pessoa como um fim e não como um meio. Segundo a teoria de KOHLBERG, o nível mais elevado de desenvolvimento moral consiste em fazer julgamentos morais baseados em princípios de justiça e amor aceitos conscientemente, ou seja, aceitos por vontade própria e não porque alguém mandou. Levando em consideração para cada avanço o desenvolvimento intelectual e a interação social.
Só a dimensão cognitiva não é suficiente para a tomada de decisões morais, é preciso a interação social, por isso, o papel do adulto como um educador é importantíssimo.
É importante nomear corretamente os processos e conteúdos educativos para evitar a substituição errônea do termo moral pelo termo ética, pois apesar de caminharem juntos, são diferentes e complementos um do outro. Essa substituição tem implicado a extinção da palavra moral e o empobrecimento da palavra ética. Não há porque temer a moralidade ou ignorá-la, pois não resolve os problemas relacionados ao controle e regras, apenas se disfarça sob um discurso agradável.
A extinção do termo moral implica o mau uso da palavra ética, um vez que ao substituir ou extinguir, os projetos educativos perdem de vista a dimensão da busca de uma vida feliz, que sustenta e dá sentido ao trabalho docente. Apenas em um ambiente em que se possa exercitar a autonomia e autoria é que haverá amadurecimento moral.
A educação moral, para Piaget, não constitui uma matéria especial de ensino, mas um aspecto particular da totalidade do sistema, dessa maneira, as crianças e os jovens não devem ter "aulas" de educação moral, mas vivenciar a moralidade em todos os aspectos e ambientes presentes na escola. Nesse sentido, os trabalhos em grupo são uma atividade facilitadora para a construção da autonomia, pois as crianças, ao trabalharem juntas, podem trocar pontos de vista, discutir, ganhar em algumas ideias e perder em outras, enfim, podem exercer a democracia. Proporcionando as crianças situações onde elas possa vivenciar a cooperação, a reciprocidade e o respeito mútuo e assim, construir a sua moralidade.
Uma educação moral, para a autonomia estabelece uma relação dialógica permanente. Educadores não devem esquecer-se que os educandos também são sujeitos. A moralidade de professores, alunos e demais membros da escola é importante demais para acontecer de modo implícito e irrefletido. Por todas essas questões, acredita-se que a Moral e a Ética devem ser pensadas como um dos componentes mais importantes da Educação sendo, portanto, alvo de debates, de reflexão e de formação de educadores tanto quanto o são os aspectos pedagógicos.
Dessa forma, Kohlberg, ao ampliar as ideias de Piaget, trouxe para o âmbito educacional uma nova forma de pensar o desenvolvimento moral e algumas ações educativas que propiciam esse fim.
Tendo conhecimento que as crianças e adolescentes seguem fases mais ou menos parecidas quanto ao desenvolvimento moral, cabe ao educador compreender que há determinadas formas de lidar com diferentes situações e diferentes faixas etárias.
Educar moralmente não é apenas um ato de implantar valores na criança, mas também, e principalmente, um ato de ajudar a compreender esses valores, tomando consciência deles. Para tanto, é necessário perceber como se dá o respeito às regras e aos valores que norteiam a vida da criança.
A retórica pedagógica atual frequentemente inclui referência à chamada "formação integral" da criança, sugerindo que a educação não pode se focar apenas na transmissão de informações e conhecimentos e no desenvolvimento das competências e habilidades cognitivas do ser humano, sendo assim o desenvolvimento da moral deve ser considerado e praticado.
O desafio que se apresenta à escola, é trabalhar com crianças e adolescentes de maneira responsável e comprometida, proporcionando as aprendizagens de conteúdos e desenvolvendo capacidades que possam transformar a comunidade de que fazem parte, fazendo valer o princípio da dignidade e criando espaços de possibilidade para a construção de uma sociedade na qual a questão da moralidade deva ser uma questão de todos e de cada um, sendo que um dos princípios da moral é tratar a todos com respeito e dignidade envolvendo a participação ativa de todos, onde cada pessoa abandona suas particularidades, seu ego e considera as necessidades do outro. É reconhecer os direitos dos outros indivíduos, é agir justamente com esses, como você espera que eles os tratem. Preservando o direito de existência do ser humano, é fazer o que gosta mas sem interferir no direito do outro. O fundamental para uma sociedade moral é todas pessoas serem iguais diante da lei.
A discussão sobre a moralidade é complexa e seu caráter não é apenas teórico, pois envolve de forma direta ou indireta quase todas as ações humanas cotidianas. Seu estudo é um dos aspectos mais importantes na compreensão do processo de socialização humano. Portanto, a vida exige uma orientação moral, uma postura em que as ações passem por uma reflexão, uma decisão e um julgamento .
O desenvolvimento moral do homem é condição essencial no processo de socialização. Assim, a educação moral deve acontecer em todos os espaços em que as pessoas se encontrem, e em decorrência dessa convivência, possam experimentar as vantagens da cooperação, da solidariedade, da igualdade e da justiça.


REFERÊNCIAS


1 LIVROS

1.1 BARROS, Célia Silva Guimarães, Pontos de Psicologia do desenvolvimento. São Paulo: Editora Ática, 1988. 199 p.
1.2 BIAGGIO, Angela Maria Brasil, Lawrence Kohlberg ética e educação moral. São Paulo: Editora Moderna, 2002. 143 p.
1.3 NETO, Roque do Carmo Amorim; ROSITO, Margaréte May Barkenbrock, Ética e moral na educação. Rio de Janeiro: Editora Wak, 2009. 126 p.
1.4 PIAGET, Jean, O juízo Moral na criança. São Paulo: Editora Summus, 1994. 302 p.
1.5 TREVISAN, Nilce Aparecida, Manual de normas técnicas para a elaboração do trabalho de conclusão de curso ? TCC. Paranaguá, 2006. 51 p.

2 DOCUMENTOS ELETRÔNICOS

2.1 ESPÍNDOLA, Maria Zoê Bellani Lyra; LYRA, Vanessa Bellani
Disponível em:
www.marsol.ufba.br/twiki/pub/LEG/WebArtigos/moralidade_em_Laurence_Kholbeg.pdf Acesso em 20 abril. 2010.
2.2 www.wikipedia.org/wiki/Ética Acesso em 20 abril.2010.
2.3 www.pedagogiaespirita.org/.../piaget/moral.htm Acesso em 20 de abril. 2010.
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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