A Era das Revoluções - Europa 1789 ? 1848 Europa 1789 ? 1848. Resenha Critica
 
A Era das Revoluções - Europa 1789 ? 1848 Europa 1789 ? 1848. Resenha Critica
 


Esta resenha esta baseada no livro de Eric Hobsbawn, "A Era das Revoluções ? Europa 1789 ? 1848", onde será abrangido o capitulo terceiro: "A Revolução Francesa", capitulo este que está contido na primeira parte deste livro, cuja primeira edição inglesa de 1962, estudou as transformações do mundo entre 1789 a 1848, buscando compreender o alcance do que Hobsbawn chamou de "dupla Revolução", a francesa de 1789 e a revolução industrial britânica.
Hobsbawn neste livro responde a perguntas tais como de onde surgiu a idéia de Estado-nação? A Democracia Moderna teve inicio como? E o peso do lema que se tornou uma noção: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Analisa também como se formou o sentido de pátria, que se já existia, toma a partir daqui um novo sentido. As duas Revoluções analisadas, a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, longe de terem sido antagônicas, foram complementares. É claro que em determinado momento os interesses dos franceses e ingleses se conflitaram resultando em guerra. Contudo em um congresso na cidade de Viena, foi consolidado um acordo entre eles, o que abriu caminho para um novo mundo.
Nesta resenha iremos analisar especificamente os aspectos abordados por Hobsbawn referentes à Revolução Francesa com sua potência terrestre, com seus ideários de revolução que foram exportados para o resto do mundo.
Para Hobsbawn as transformações na França se dão a partir de um nível político, causando as mudanças que afetaram profundamente o modo de se governar naquele país e no resto do mundo ocidental. A crise que proliferou entre os franceses provocou a reação do chamado terceiro Estado, que era composto pelas classes baixas, os burgueses, os trabalhadores e os camponeses. A burguesia tinha uma condição social relativamente boa, no entanto, desejava ter uma participação política maior e também aspirava uma ampliação da liberdade econômica em seu trabalho. A vida dos trabalhadores e camponeses era de extrema miséria, por isso, desejavam melhorias na qualidade de vida e de trabalho.
O autor chama atenção para uma característica interessante da Revolução Francesa, que foi na visão dele, o que impulsionou o movimento reformista, ou seja, um movimento anti-feudal, sem partidos políticos ou movimentos sociais. É claro que, houve os que assumiram a liderança, no caso os burgueses, que já se encontravam organizados tanto política quanto socialmente. Houve também inspiradores da revolução tais como Jean-Jacques Rousseau e o ativista político Tom Paine. Os franceses adotaram um projeto de racionalização dos Estados, com a criação de leis pela igualdade dos cidadãos, renovação dos códigos jurídicos, padronização de medidas e de pesos, ensino laico e gratuito para todos, separação do clero e do Estado e formação das Assembléias Nacionais. Estas mudanças provocaram o que Hobsbawn aponta como o maior impacto político e cultural do século XIX.
Hobsbawn nos dá a compreensão de que a Revolução Francesa foi com certeza uma revolução social, e isto é notado na composição do grupo revolucionário envolvido: Em primeiro lugar estão os burgueses que são compostos por dois segmentos: os Girondinos, que são os moderados, têm participação na assembléia constituinte e seguem um ideal liberal. Eles eram contra o terror e a execução do rei, e seguiram uma linha mais ideológica. Por outro lado temos os Jacobinos, que se compunham da burguesia liberal radical a favor do terror.
Um estágio abaixo estava os "Sans-culottes": que são os trabalhadores pobres, pequenos artesãos, lojistas, artífices e pequenos empresários que estavam organizados por seções, sendo os verdadeiros manifestantes, agitadores, construtores de barricadas. Finalmente temos os camponeses: que são os homens que viviam nos campos em áreas rurais que ocasionaram movimentos vastos, disformes, anônimos, mas irreversíveis. Ocorreu como que uma epidemia que acionou a inquietação camponesa e espalhou de forma obscura e eminente levando o país ao grande medo.
O processo revolucionário não fora com certeza indolor. Primeiro houve a grande rebelião que subjugou Paris. Com a tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789, a revolta se espalhou para além da capital francesa. Os revolucionários tiraram os poderes do monarca dando fim a Monarquia Absoluta. Começa a partir daí uma acirrada disputa entre os revolucionários das classes médias radicais e da burguesia moderada, o que ocasiona uma perda de controle, estabelecendo uma situação de caos social. Os Jacobinos desejavam levar avante o processo revolucionário e foram combatidos pelos Girondinos, que tentaram deter a Revolução para dar continuidade a defesa dos interesses burgueses. No primeiro governo revolucionário, os Jacobinos tomaram o poder, porém, foram enfraquecidos pelas brigas internas e pelo governo tirano. Os girondinos aproveitaram-se das divisões dos Jacobinos e assumiram o poder, restabelecendo os poderes da burguesia. Isto até o golpe de Napoleão, Jacobino de origem e, depois, defensor da burguesia.
Hobsbawn dá destaque a partir de então ao papel que Napoleão Bonaparte desempenhou na reconstrução da França. Em pouco tempo, ele conseguiu a reunificação, formando um Império que expandiu os ideais revolucionários. Napoleão promoveu conquistas militares de regiões ricas, de onde o exército retirava recursos.
O período chamado por Hobsbawn de "era das revoluções" deixou uma grande herança para o século XX. O ideário nacionalista passou a predominar, a separação entre o clero e o Estado ganhou força; aumentou a demanda pela criação de regimes democráticos e, por fim, começou a ser delineado um projeto para contrapor o liberalismo e o capitalismo.
Neste livro, Hobsbawn identifica o seu trabalho como parte de uma "alta vulgarização". Conceitua com destaque o papel de Bonaparte na conclusão da Revolução burguesa e começo do regime burguês, dizendo ser este uma "típica mistura Bonapartista".
Hobsbawn se refere a Napoleão como sendo um homem de mil virtudes, faz diversos elogios a sua pessoa só faltando colocá-lo num pedestal para ser adorado. Com essa descrição que pode ter promovido o mito Napoleônico, Hobsbawn parece esquecer-se que a História é uma disciplina que tem história e historicidade e que, na sua constituição, os historiadores muitas vezes com suas narrativas podem legitimar mitos através de uma invenção. No caso de Napoleão, outras visões são possíveis, por exemplo, Marx em seu livro o 18 de Brumário que trata do Bonapartismo, se refere a Napoleão como sendo medíocre e grotesco, pois para ele, este se aproveitou das circunstâncias das lutas de classes existentes na França para desempenhar um papel de herói.
Em síntese as realizações historiográficas de Hobsbawn são recomendadas para acadêmicos em geral, pois nos dá uma excelente perspectiva da história a que este esteve filiado. O seu trabalho em cima do desenvolvimento das tradições nos ajuda a ver a construção destas no contexto do Estado-nação.
Eric John Earnest Hobsbawn foi membro do grupo de historiadores marxistas britânicos, como Christopher Hill, Rodney Hilton e Edward Palmer Thompson que, nos anos 60, diante da desilusão com o estalinismo, buscaram entender a história da organização das classes populares em termos de suas lutas e ideologias, através da chamada "História Social".
Considerado um dos historiadores atuais mais importantes, Hobsbawn, além de velho militante de esquerda, continua utilizando o método marxista para a análise da história, sempre a partir do principio da luta de classes. É membro da Academia Britânica e da Academia Americana de Artes e Ciências. Foi professor de história no Birk Beck College, de Londres, e ainda é professor da New School for Social Reseach de Nova Iorque.

Silvon Alves Guimarães é acadêmico de História pela Universidade Federal de Goiás, Campus Jataí - GO.
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Sigo meu caminho sem ter certeza para onde vou. Comigo só levo a certeza de quem sou, sabendo que nenhuma certeza restou. Atualmente sou Graduando em História, pela Universidade Federal de Goiás.
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