A Educação Ambiental Como Parceira no Tratamento de Resíduos Sólidos
 
A Educação Ambiental Como Parceira no Tratamento de Resíduos Sólidos
 


1.INTRODUÇÃO

Atualmente, em nosso país, enfrentamos sérios desafios relacionados a nossa vida no planeta Terra, um deles é a complexidade e diversidade existente na problemática ambiental. Dentre as fontes de degradação ambiental os resíduos sólidos domésticos, quando gerenciados inadequadamente, oferecem risco ao meio ambiente.

Cabe ressaltar, que a integração de conhecimentos, valores e capacidades de consentir a geração de atitudes comunitárias coerentes com os pressupostos da educação ambiental. É tarefa de um educador ambiental desenvolver uma associação, difundindo seu conhecimento e sugerir técnicas e instrumentos que inspirem o engajamento da comunidade, em prol da manutenção de sistemas ambientais sustentáveis e que gerenciem eco-eficientemente seus resíduos.

Entende-se, por educação ambiental a dimensão dada ao conteúdo e a prática da educação, orientada para a resolução dos problemas concretos do meio ambiente através de enfoques interdisciplinares e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade.

Uma definição de educação ambiental é postulada por AB'SABER (1996, p. 47), segundo o autor, a Educação Ambiental é o conhecimento da estrutura, da composição e da funcionalidade da natureza, das interferências que o homem produziu sobre esta estrutura, esta composição e esta funcionalidade.

GUIMARÃES (2000, p. 31) define Educação Ambiental como um significado de que esta aponta para as transformações da sociedade em direção a novos paradigmas de justiça social e qualidade ambiental.

Possibilitar ao cidadão pensar de forma consciente o ambiente de forma total, preocupado com os problemas associados a esse ambiente e que tenha o conhecimento, as atitudes, motivações, envolvimento e habilidades para trabalhar individual e coletivamente em busca de soluções para resolver os problemas atuais e prevenir os futuros.

Informar e orientar são condições básicas para que haja sustentabilidade.

A Educação Ambiental, segundo a lei n° 9.795, de 27 de abril de 1999, é um elemento essencial e permanente da educação Nacional, devendo estar presente em todos os níveis e modalidades do processo educativo formal e não-formal.

Por seu caráter humanista, holístico, interdisciplinar e participativo a Educação Ambiental pode contribuir muito para renovar o a concepção de tratamento e destinação final do resíduo sólido ou lixo, propiciando uma permanente avaliação crítica, a adequação dos lixões à realidade local e o envolvimento da população local em ações concretas de transformação desta realidade.

"A EA fomenta sensibilidades afetivas e capacidades cognitivas para uma leitura do mundo do ponto de vista ambiental. Dessa forma, estabelece-se como mediação para múltiplas compreensões da experiência do indivíduo e dos coletivos sociais em suas relações com o ambiente. Esse processo de aprendizagem, por via dessa perspectiva de leitura, dá-se particularmente pela ação do educador como intérprete dos nexos entre sociedade e ambiente e da EA como mediadora na construção social de novas sensibilidades e posturas éticas diante do mundo".(Carvalho, 2004).

A Educação Ambiental deve buscar valores que conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente e as demais espécies que habitam o planeta, auxiliando as pessoas a analisar criticamente o princípio antropocêntrico, que tem levado à destruição inconseqüente dos recursos naturais e de várias espécies. É preciso considerar que:

A natureza não é fonte inesgotável de recursos, suas reservas são finitas e devem ser utilizadas de maneira racional, evitando o desperdício e considerando a reciclagem como processo vital;

As demais espécies que existem no planeta merecem nosso respeito. Além disso, a manutenção da biodiversidade é fundamental para a nossa sobrevivência;

É necessário planejar o uso e ocupação do solo nas áreas urbanas e rurais, considerando que é necessário ter condições dignas de moradia, trabalho, transporte e lazer, áreas destinadas à produção de alimentos, proteção dos recursos naturais e destinação final de resíduos sólidos.

Considerando a Educação Ambiental um processo contínuo e cíclico, o método utilizado para desenvolver este projeto conjuga os princípios gerais básicos da Educação Ambiental (Smith, apud Sato, 1995).

2. PROBLEMATIZAÇÃO

O presente projeto tem como objetivo, apresentar uma proposta de ações de educação ambiental no processo de gerenciamento dos resíduos sólidos à prefeitura e a comunidade da cidade de Goiás-Go.

Essa está situada a 135 Km a noroeste de Goiânia, no cruzamento das rodovias Br-070 e Go-164 e sua área do Município é de 3.118,8 Km (0,91% da área total do Estado). Além de contribuir na busca de um crescimento sócio-econômico em bases sustentáveis, conciliando desenvolvimento e conservação.

O município de Goiás possui um Lixão para disposição final dos seus resíduos sólidos, poluindo cursos d`água e mananciais, degradando o meio ambiente, ameaçando a saúde pública e servindo como um sério degradante ambiental.

Através da Educação Ambiental é possível reverter à disposição inadequada do lixo no Município, o governo municipal em conjunto com a comunidade pode implantar um Aterro Sanitário, solução apontada como a mais adequada para disposição final dos Resíduos Sólidos, por se tratar de uma tecnologia que conjuga baixos custos, eficiência e facilidade operacional, contemplando aspecto da preservação ambiental.

Foi observado no local o lixo jogado no local sem nenhum cuidado, a falta de supervisão por pessoas capacitadas de modo a garantir manutenção das mínimas condições ambientais e de salubridade.

Antigo curso d'água, provavelmente destruído pelo constante trânsito de veículo deixando cair de sua caçamba o lixo antes do despejo.

Poluição localizada, o chorume é um líquido de cor preta com odor desagradável e elevado potencial poluidor, está formado nesse lixão em decorrência da fermentação e da exposição dos refugos orgânicos às intempéries.

Também é constatado que o lixo ali depositado de forma inadequada e sem medidas de proteção está provocando a degradação ambiental indiscriminada da natureza com sério impacto ambiental.

É visível o desconforto causado pelo odor no local, o desenvolvimento de insetos causadores de patogenias, a falta de controle e a deposição do lixo, não havendo esclarecimentos aos moradores a fim de promover em sua própria residência uma prévia separação do lixo e de como evitar o consumo desordenado.

3. OBJETIVO GERAL

Os objetivos serão direcionados à compreensão e a eliminação de resíduos sólidos e sua deposição final que geralmente são feitas de forma errônea e sem os devidos cuidados, sua classificação e formas de tratamento, acarretando a degradação da natureza, poluição do solo, da rede hidrográfica, de danos à saúde, dentre outros.

3.1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Este trabalho tem por objetivo, propor as seguintes diretrizes:

  • Orientar a sociedade sobre os diferentes meios de tratamento de resíduos sólidos, sintetizando cada um deles;
  • Sensibilizar e mobilizar a comunidade sobre a importância da destinação final adequada do lixo através seminários, reuniões e cursos;
  • Formar multiplicadores capacitando professores, agentes de saúde, de limpeza e gestores municipais;
  • Estimular a coleta seletiva para aumentar a sobrevida do Aterro;
  • Incentivar a formação do Núcleo de Educação Ambiental para planejar e acompanhar ações significativas nas questões ambientais locais.
  • Solicitar das autoridades a criação de um aterro sanitário para a região, o que melhoraria em grande parte o desconforto e insalubridade no local.

No Município será criada uma nova visão sobre a limpeza urbana e disposição final dos resíduos sólidos, como fatores que exigem planejamento, investimento, monitoramento e participação social, melhorando inclusive pontos turísticos da cidade.

Propiciar a comunidade literatura específica e fácil relativa aos meios existentes para tratamento de resíduos sólidos, diferenciando-os e seus meios próprios de aplicação e implantação.

4. JUSTIFICATIVA

No que diz respeito a problemas ambientais pode-se caracterizar Impacto Ambiental como a alteração no meio ou em algum de seus componentes por determinada ação ou atividade. Estas alterações precisam ser quantificadas, pois apresentam variações relativas, podendo ser positivas ou negativas, grandes ou pequenas. (Moreira, 1984).

O conceito oficial de impacto ambiental, segundo a Resolução CONAMA 1/86, é "... qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente..." Mas, esse conceito é muito amplo e segundo Moreira (1984), pode abranger desde uma simples brisa até a explosão de uma bomba atômica, pois ambas alteram as propriedades do ar. É preciso graduar ou qualificar o impacto ambiental. Alguns autores, como Murguel Branco, (1984), conceituam impacto ambiental como "... uma poderosa influência exercida sobre o meio ambiente, provocando o desequilíbrio do ecossistema natural".O que caracteriza o impacto ambiental, não é qualquer alteração nas propriedades do ambiente, mas as alterações que provoquem o desequilíbrio das relações constitutivas do ambiente, tais como as alterações que excedam a capacidade de absorção do ambiente considerado.

Em países menos desenvolvidos, após a coleta o resíduo urbano depois, de descartado, é geralmente enviado a um aterro sanitário, ou vazadouro, de forma inadequada e sem medidas de proteção ao ambiente e à saúde. Devido esse fato ocorrer principalmente em cidades interioranas, surgem então, preocupações relativas a este problema gerando impactos ambientais que tratarei aqui e tentando esclarecê-los, pois através da educação ambiental é possível levar informações sobre cada tipo de tratamento utilizado para os resíduos sólidos.

Cada um de nós é responsável por cerca de 3,6 quilogramas de lixo por dia! O que fazer com esse lixo, constituído por diversos materiais, como vidros, plásticos, metais, papel, papelão, restos de comida e outros? A população humana vem crescendo muito, aumentando a quantidade de lixo graças aos inúmeros itens descartáveis que procuram "facilitar" a vida das pessoas no dia-a-dia.

Uma das soluções mais antigas, e que ainda se utiliza, consiste simplesmente em remover o lixo de um local e transferí-lo para outro, na periferia das cidades, formando os imensos lixões a céu aberto. Esses lixões, além do mau cheiro, são responsáveis por intensa proliferação de insetos, como moscas e baratas, e de outros animais, como os ratos, causando um sério problema de saúde pública. Além disso, as populações de baixa renda passaram a explorar esses lixões, recolhendo restos de comida, objetos e outros itens, colocando em risco a própria saúde.

Apesar de ainda existirem muitos lixões, eles não são mais aceitáveis. Atualmente, outras formas vêm sendo utilizadas: os aterros sanitários, a incineração e a compostagem.

O projeto proposto tratará de duas variáveis sendo a Educação Ambiental como proposta de fonte transformadora resultando em mudanças de atitudes, consolidação de valores, conhecimentos, competências, e habilidades que viabilize a implantação de propostas que diminua os impactos ambientais causados por má disposição dos resíduos sólidos. Em segundo lugar o conhecimento necessário para a implantação correta de depósitos de resíduos sólidos, sendo devidamente esclarecidos através de modelos utilizados para tal, como aterro sanitário, lixão, depósito de lixo,etc., individualmente cada um com seu modo correto de implantação.

A interlocução entre Educação Ambiental, valorização ao ambiente e melhor condição de vida para todos os seres devem estar contidas no mesmo intuito, sendo observados os princípios fundamentais para a vida, envolvendo a comunidade e os governantes municipais.

O recorte espacial da pesquisa corresponde a cidade de Goiás-Go, cuja população estimada em 2005 era de 26.705 habitantes de acordo com o IBGE, por ser uma cidade onde ainda não há um tratamento correto aos resíduos o que acarreta impactos ambientais e sociais na região. Neste sentido, o recorte temporal está compreendido ao ano de 2008 no qual se constata a falta de implantação de aterro sanitário local.

A correta implantação de tratamento de resíduos sólidos permite a valorização ambiental do lugar propiciando o respeito à natureza e a consciência social e ambiental. A legislação ambiental brasileira está cada vez mais rígida, as novas exigências requerem grandes investimentos por parte das prefeituras na destinação e tratamento dos resíduos sólidos, principalmente do chamado lixo domiciliar. Tal fato pode ser exemplificado com a edição da Lei 11445/078 que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico; altera as Leis nos 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.036, de 11 de maio de 1990, 8.666, de 21 de junho de 1993, 8.987, de 13 de fevereiro de 1995; revoga a Lei no 6.528, de 11 de maio de 1978 exigindo a implantação de aterro sanitário em todos os municípios brasileiros.

O aumento da demanda, em especial o consumo dos produtos industrializados, ampliou de forma direta os problemas ambientais, especialmente com a coleta e destinação do lixo. Muitas cidades, em caso específico as que são regiões de manancial ou as de base agrícola, nem sempre têm recursos e áreas livres suficientes para a construção de um aterro sanitário, conforme determina a legislação. Com isso a necessidade de discutir os diferentes tipos de tratamento dos resíduos, através de trabalhos científicos que possibilite o entendimento de maneira fácil e direta a população e aos demais interessados pelo assunto.

Os problemas decorrentes da geração de resíduos em qualquer atividade, não serão solucionados, apenas sob a ótica da física, química ou bioquímica, serão também resolvidos sob a ótica comportamental. Reavaliar conceitos, eliminar preconceitos e mudar comportamentos, são condições importantes e necessárias para planejar, implantar, operar e monitorar qualquer tecnologia a ser adotada para o gerenciamento de resíduos sólidos.

As mudanças precisam ocorrer, por isso a importância de se estabelecer relações entre os sistemas administrativos, urbanos, sociais, sanitários, educacionais e políticos.

Os resíduos sólidos urbanos continuam sendo um desafio para quase todos os municípios brasileiros, e principalmente os mais populosos. Dessa forma, temos de um lado a necessidade de um aprimoramento técnico e a implementação de infra-estrutura; e de outro, na capacitação e conscientização da população, co-responsável pela gestão da cidade que desejamos. Por isso, o lixo é um problema que deve ser resolvido, sob o ponto de vista sanitário, educativo, social, estético, ambiental e econômico.

Sob essa ótica, a educação ambiental surge como importante instrumento de formação formal e informal, promovendo a construção de valores sociais, conhecimentos, habilidades e atitudes no sentido de sensibilizar o cidadão e torná-lo responsável pela conservação do meio ambiente. Sabendo disso, é possível a criação de ações e literaturas capazes de oferecer de forma simples e detalhada a diferenciação dos meios hoje, utilizados para o tratamento dos resíduos sólidos, sua implantação e sua utilização correta. A educação ambiental se faz imprescindível por ser:

Um processo de reconhecimento de valores e elucidação dos conceitos que levam a desenvolver as habilidades e as atitudes necessárias para entender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios físicos. A educação ambiental também desenvolve a prática da tomada de decisões e para as autoformulações de comportamentos sobre os temas relacionados com qualidade do meio ambiente.(UNESCO, 1983).

A educação ambiental se constitui numa forma abrangente de educação, que se propõe atingir todos os cidadãos, através de um processo pedagógico participativo permanente que procura incutir no educando uma consciência crítica sobre a problemática ambiental, compreendendo-se como crítica a capacidade de captar a gênese e a evolução de problemas ambientais.

A educação ambiental realça as regularidades, e busca manter o respeito pelos diferentes ecossistemas e culturas humanas da Terra. O dever de reconhecer as similaridades globais, enquanto se interagem efetivamente com as especificidades locais, é resumido no seguinte lema: Pensar no global, agir no local.

Segundo Mano (2005), a educação ambiental passa a ser mola propulsora para uma solução ambiental do planeta, sendo possível apenas ter um meio ambiente saudável para gerações futuras se nossa sociedade atual educar-se ambientalmente.

A educação ambiental também é vista como herdeira direta do debate ecológico e está entre as alternativas que visam construir novas maneiras de os grupos sociais relacionarem com o meio ambiente, produzindo uma sustentabilidade eqüitativa em um processo de aprendizagem permanente baseado no respeito a todas as formas de vida (Carvalho, 2004).

É imprescindível que a educação ambiental interaja com a comunidade na envergadura de ações onde se aprenda fazendo e se faça aprendendo, desenvolvendo ações no local com consciência global.

A destinação dos resíduos sólidos em países menos desenvolvidos após a coleta várias formas de destinação podem ser escolhidas. O resíduo sólido urbano depois de descartado é geralmente enviado a um vazadouro ou aterro controlado ou um aterro sanitário, na Cidade de Goiás o resíduo sólido coletado diariamente é levado a um lixão a céu aberto sem nenhum controle para evitar contaminação do solo, do lençol freático, da vegetação ou mesmo das pessoas que trabalham no local.

O lixão é uma forma inadequada de deposição final dos resíduos, consiste em seu despejo a céu aberto, sem medidas de proteção ao meio ambiente e à saúde, provocando a degradação indiscriminada da natureza. A proliferação de vetores de doenças, geração de maus odores e principalmente poluição do solo e das águas superficiais e subterrâneas pelo chorume.

O colapso do saneamento ambiental no Brasil chega a níveis insuportáveis. Além disso, a falta de conhecimento técnico que possibilite o tratamento e a disposição de resíduos sólidos urbanos de forma correta juntamente com as devidas explicações sobre cada tipo de tratamento e sua implantação.

Os resíduos sólidos são chamados lixo, sendo considerados pelos geradores como algo inútil, indesejável ou descartável, compõe os restos das atividades humanas. Geralmente são classificadas quanto à origem, composição química, presença de umidade e toxidade. (Mano, 2005). Na classificação quanto à origem, o lixo pode ser domiciliares, públicos, comerciais, hospitalares, industriais, agrícolas ou ser um entulho de responsabilidade do gerador.

5. REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO

A primeira Conferência das Nações Unidas para o meio ambiente, realizada em Estocolmo, Suécia, em 1972, tratou da Educação Ambiental e das relações entre desenvolvimento e meio ambiente.

A Educação Ambiental foi definida na Conferência de Tibilise, na Geórgia, em 1977, como um processo permanente, no qual o individuo e as comunidades passam a ter conhecimento do meio ambiente, de forma a torná-lo apto a agir, individual ou coletivamente e resolver problemas ambientais.

Alguns anos mais tarde, em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Rio-92 (ONU, 2000), revisitou o documento de Tbilisi para a educação ambiental, retomando, recontextualizando e ampliando princípios e recomendações. Na Agenda 21, em especial no Cap. 36, encontramos três eixos de organização da educação ambiental em nível internacional: reorientação do ensino para o desenvolvimento sustentável, aumento da consciência pública e promoção do treinamento. A educação ambiental deve estar voltada para o desenvolvimento sustentável; a integração desenvolvimento e ambiente é o princípio básico e diretor da educação, e da educação ambiental. Com essa preocupação a proposta é reorientar o ensino formal e informal, modificando atitudes e comportamentos pela aquisição de conhecimentos e valores.

A educação ambiental trata de uma mudança de paradigma que implica tanto uma revolução científica quanto política. As revoluções paradigmáticas sejam científicas, sejam políticas, são episódios de desenvolvimento não cumulativo nos quais um paradigma antigo é substituído por um novo, incompatível com o anterior. Já as revoluções políticas decorrem do sentimento que se desenvolve em relação à necessidade de mudança. Tais revoluções não mudam apenas a ciência, mas o próprio mundo, na medida em que incidem na concepção que temos dele e de seu caminho (Kuhn, 1969). A educação ambiental, em específico, ao educar para a cidadania, pode construir a possibilidade da ação política, no sentido de contribuir para formar uma coletividade que é responsável pelo mundo que habita. Nesse sentido, podemos resgatar o pensamento de Edgar Morin, que vislumbra para o terceiro milênio a esperança da criação da cidadania terrestre. A política de educação ambiental desenvolvida no Brasil apresenta-se, assim como aliada dos processos que promovem uma "sociologia das emergências" (Santos, 2002), como estratégia para superar o paradigma da racionalidade instrumental que operou, no Brasil e no mundo, silenciamentos opostos à participação, à emancipação, à diversidade e à solidariedade.

Através da Educação Ambiental será possível aprender a aprender, aprender a conhecer, a fazer e a ser. Esse aprendizado preparará as pessoas para aprender sobre o meio em que vive e como cuidar dele, acompanhar inovações transformadoras que melhorará sem dúvida alguma a qualidade de vida da coletividade.

No Seminário de Belgrado discutiu-se a necessidade de desenvolver programas de educação ambiental em todos os países membros da ONU. A principal preocupação, naquele momento foi divulgar a necessidade de uma política de educação ambiental de abrangência regional e internacional; a partir de diretrizes gerais enfatizava-se a importância das ações regionais. A Carta de Belgrado (São Paulo, 1994) define a estrutura e os princípios básicos da educação ambiental, identificando o crescimento econômico com controle ambiental como o conteúdo da nova ética global. A educação ambiental é colocada ali como um dos elementos fundamentais para a investida geral contra a crise ambiental alardeada pelo Clube de Roma (Meadows et al, 1978). No entanto, a construção dessa nova ética como meta educativa tem, nesse documento, caráter individual e pessoal. Os objetivos da educação ambiental ali expressos são conscientização, conhecimentos, atitudes, habilidades, capacidade de avaliação e participação. É interessante observar que o documento propõe que a educação ambiental seja organizada como educação formal e não formal, como um processo contínuo e permanente dirigido prioritariamente às crianças e aos jovens, e que tenha caráter interdisciplinar.

6. METODOLOGIA

O objetivo principal quanto à diferenciação na eliminação de resíduos sólidos é evitar que o meio ambiente sofra com os efeitos da degradação causada pela deposição de tais resíduos em local errôneo e sem os devidos cuidados. Como a maioria dos efeitos ao meio ambiente vem da ação direta do ser humano, a metodologia estará diretamente ligada às suas ações, conhecendo os meios corretos para a deposição final do resíduo e seu tratamento, além dos produtos eliminados serem novamente reaproveitados (reciclagem).

Para Paulo Freire, "Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre".

Assim sendo, esse projeto propõe a informação como práticas educacionais que venham não só conscientizar, mas também gerar produção de ganhos à comunidade no que diz respeito ao cuidado que se deve ter com os resíduos sólidos e sua deposição no meio ambiente.

O projeto está voltado ao seguinte propósito "Formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os problemas que lhe dizem respeito, uma população que tenha conhecimentos, as competências, o estado de espírito, as motivações e o sentido de participação e engajamento que lhe permitam trabalhar individualmente para resolver problemas atuais e impedir que se repitam" (UNESCO, 1971).

Será proposta a formação de um informativo ambiental, que trarão informações do meio ambiente local, quais são os meios de tratamento para os resíduos sólidos e o que pode ser reaproveitado desses resíduos, evitando assim a degradação ambiental.

Em um segundo momentos, serão capacitados na comunidade, pessoas para atuarem de forma conjunta ao informativo.

a) Definir uma temática geral que dê significado e motive a comunidade em torno do tema específico do meio ambiente (ex: informação sobre os 5 Rs; cidade limpa e preservada, reciclando o que é possível...).

b) Sensibilização da Comunidade  Reuniões, audiências, eventos, campanhas, ações com as escolas, igrejas, nos bairros, no comércio, e nos mais diversos seguimentos da sociedade, para sensibilização e mobilização da comunidade. A decisão precisa ser permanentemente legitimada e clareada com a comunidade e este tipo de compromisso somente existirá se as pessoas forem chamadas para participar diretamente das decisões e compreenderem a importância dessas mudanças de comportamento e atitudes para como o meio ambiente.

Estabelecer uma relação de compromissos com uma nova relação com o meio ambiente. Superar as avaliações catastrofistas significa ser propositivo nos mais diferentes campos dos conflitos sócio-ambientais de Goiás-Go, como, lixo, esgoto sanitário, matas ciliares, APAs  Áreas de Preservação Ambiental, ...

c) Vincular esta temática local com ações da sociedade Brasileira e Mundial (Agenda 21, Responsabilidade sócio-ambiental, Educação Ambiental, Sociedade & natureza, Cidade sustentável...) É importante que as ações sejam parte de um todo, e este todo precisa apontar respostas para "Qual a cidade que queremos?"

d) Sensibilização interna  definição de que esta é uma Política Municipal e por isso perpassa todas as secretarias, sendo algumas com ação direta. Como atividade interna propõe-se realizar um seminário de gestão para que seja consolidada e assumida por toda a Administração Municipal como política pública para o Município de Goiás-Go;e) Dar visibilidade - Elaborar Materiais Educativos, cartaz, folder, adesivos, distribuindo nas escolas, jornais, rádios, casas, carros...

A construção de um Aterro Sanitário na cidade de Goiás-Go contribuirá para a melhoria dos indicadores de saúde e qualidade de vida da população. A mobilização e sensibilização da comunidade para apropriação do Aterro Sanitário como o principal investimento para a melhoria do meio ambiente local, proporcionará a formação e organizações sociais de seus moradores e visitantes.

7.REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

AB'SÁBER, Aziz. N. Amazônia: do discurso à práxis. São Paulo: EDUSP, 1996.

BRANCO, Samuel Murguel. 1984. O fenômeno Cubatão na visão do ecólogo. São Paulo: CETESB / ASCETESB.

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FELLENBERG, Gunter. Introdução aos problemas da poluição ambiental. São Paulo: EPU, 1980.

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MEADOWS, D.H.; MEADOWS, D.L.; RANDERS, J.; & BEHRENS, I.W.W. Limites do Crescimento: um relatório para o projeto do Clube de Roma sobre o dilema da humanidade. São Paulo: Perspectiva, 1978.

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SÃO PAULO (Estado) Secretaria do meio ambiente. Educação ambiental e desenvolvimento: documentos oficiais. São Paulo, 1994.

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SANTOS, B. de S. Para uma reinvenção solidária e participativa do Estado. In: PEREIRA, L. C. B.; WILHEIM, J.; SOLA, L. (Orgs.) Sociedade e Estado em transformação. São Paulo: Unesp, 1999.

TOZONI-REIS, M.F.C. Formação dos educadores ambientais e paradigmas em transição. Revista Ciências e Educação. v 8, n 1, 2002

 
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Sobre este autor(a)
Graduada em Bacharel e Licenciatura em Geografia pela UFG- Universidade Federal de Goiás em 2006 e 2007. Especialização em Educação Ambiental.
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