A DIFICULDADE DA SOCIALIZAÇÃO DOS PORTADORES DE AUTISMO INFANTIL
 
A DIFICULDADE DA SOCIALIZAÇÃO DOS PORTADORES DE AUTISMO INFANTIL
 


BIANCA ARIANI1
CLÉRIA QUEIROZ
DÉBORA FIGUEIRA SILVA1
DEBORAH MARIELLEN1
SARA RODRIGUES1
EMERSON MÁFIA

RESUMO

Esse artigo examina diferentes abordagens no estudo do autismo: Para compreender melhor esta questão, iniciamos uma pesquisa que tem como proposta o levantamento das dificuldades da socialização dos portadores de autismo infantil. Trata-se de um estudo qualitativo, do tipo bibliográfico e descritivo, cujas fontes têm origem em livros e artigos científicos da área técnica. O objeto constitui-se em compreender a dificuldade da socialização desses portadores de autismo infantil. Como objetivos construíram-se: descrever as dificuldades do atual cuidado ao lidar com este paciente; identificar as causas, os sinais e sintomas e o tratamento dessa patologia. Neste estudo estão sendo desenvolvidos temas em que se avaliem as dificuldades de socialização destes portadores. Considerou-se que com esta pesquisa que os portadores têm uma socialização prejudicada devido a sua capacidade para desenvolver interações sociais recíprocas que são limitadas, pela ausência de iniciações sociais com os seus companheiros e falta de sensibilidade às iniciações dos outros de acordo com a literatura consultada.


Palavras-chave: Autismo Infantil, preconceitos e inserção social.


ABSTRACT
That article examines different approaches in the study of the autism: To understand this subject better, we began a research that has as proposal the rising of the difficulties of the socialization of the bearers of infantile autism. It is a qualitative study, of the bibliographical and descriptive type, whose sources have origin in books and scientific goods of the technical area. The object is constituted in understanding the difficulty of the socialization of those bearers of infantile autism. As objectives were built: to describe the difficulties of the current care when working with this patient one; to identify the causes, the signs and symptoms and the treatment of that pathology. In this study themes are being developed in that the difficulties of socialization of these bearers are evaluated. He/she was considered that with this research that the bearers have a prejudiced socialization due to his/her capacity to develop reciprocal social interactions that are limited, for the absence of social initiations with their companions and sensibility lack to the initiations of the other ones in agreement with the consulted literature.
Word-key: Infantile autism, prejudices and social insert.
INTRODUÇÃO
O autismo é um transtorno definido por alterações presentes antes dos três anos de idade e que se caracteriza por alterações qualitativas na comunicação, na interação social e no uso da imaginação.
Apesar de ser um distúrbio raro, entre 10.000 crianças 2 a 5 apresentam autismo, ocorre freqüentemente no sexo masculino, e por apresentar como uma de suas etiologias a genética, a uma maior probabilidade de irmãos de autistas apresentarem autismo do que crianças sem história familiar (ALMEIDA; DRATCU; LARANJEIRA, 1996).
A portaria Nº 3.211 de 20 de dezembro de 2007, Constitui Grupo de Trabalho sobre Atenção ao Autismo no SUS. O ministério do estado da saúde, no uso de suas atribuições, e considerando as determinações da Lei nº 10.216/01 e da III Conferência Nacional de Saúde Mental, que apontam a necessidade de estender mais eficazmente as iniciativas de atenção psicossocial à população infanto-juvenil; e considerando a necessidade de ampliação da cobertura assistencial destinada aos autistas na rede do Sistema Único de Saúde - SUS, bem como da realização de um diagnóstico aprofundado das condições de atendimento atualmente oferecidas (BRASIL, 2007).

Diante disso, levantou-se a problemática: quais as dificuldades da socialização dos portadores de autismo infantil. Assim sendo, esse artigo tem como objetivo geral compreender a dificuldade da socialização desses portadores de autismo infantil. Além disso, propõe-se investigar o desdobramento dessa questão em objetivos específicos que consistem em, descrever as dificuldades do atual cuidado ao lidar com este paciente; identificar as causas, os sinais e sintomas e o tratamento dessa patologia.
Nessa perspectiva o presente trabalho se justifica, uma vez que esse distúrbio contribui para um alto índice de preconceito, principalmente, entre adolescentes e jovens. Esse trabalho também oportuniza uma ação educativa com o intuito de orientar sobre a necessidade da inserção social destes portadores.
Com base nos dados adquiridos conclui-se a dimensão do transtorno, observada no decorrer das pesquisas realizadas, atentando-se às dificuldades das crianças portadoras de autismo se inserirem na sociedade, devido uma comunicação limitada.

REFERÊNCIAL TEÓRICO

Morris e Maisto (p. 425, 2004), afirma que "O distúrbio autista é extremamente sério e muito diferente que em geral se torna evidente nos primeiros anos de vida".
Em 1943 Kanner escreveu pela 1ª vez sobre o autismo infantil. O autismo pode aparecer desde o nascimento ou algum tempo depois. A criança autista apresenta-se inquieta e insensível aos acontecimentos, chegando a hipótese de que a criança pode ser cega ou surda pelas pessoas ao seu redor. Por vezes apresentam-se agitadas e gritam por várias horas sem motivo algum. O bebê autista não mostra apego algum por sua mãe, não estende os braços para um abraço, é emocionalmente distante e pouco afetiva com seus pais e pessoas que se encontram ao seu redor, quando crescidas não possuem desejo algum de brincar ou relacionar-se com outras crianças. Ela se apega aos objetos e não as pessoas, ou seja, faz das pessoas objetos e dos objetos seus semelhantes (DALLY; HARRINGTON, 2006).
Crianças autistas não conseguem formar os vínculos normais com os pais: permanecem distantes e retraídas em seu próprio mundo. Quando bebes, podem até demonstrar angustia quando estão no colo ou nos braços de alguém. À medida que crescem, não falam, ou desenvolvem um padrão de fala peculiar chamado ecolalia, em que repetem as palavras que lhe dizem. Não se sabe o que provoca o autismo, embora acredite que este resulte de condições biológicas ou genéticas. A síndrome do X frágil entre outras patologias aumenta o risco de distúrbio autista (MORRIS; MAISTO, p. 425, 2004).
O retardo cognitivo é característica marcante do Transtorno Autista (TA), estando este enquadrado como um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID). O autor afirma que esse retardo acomete 80% dos casos autísticos, ressalva ainda, que a epilepsia pode vir associada ao transtorno, de modo a representar 35% dos autistas (GILLBERG, 2006 apud ALBUQUERQUE; CRUZ; RUTHES, 2009).

"A etiologia permanece obscura: têm sido sugeridas causas psicogênicas e bioquímicas, lesão cerebral ou algum distúrbio inerente que resulte em dificuldades perspectivas de aprendizado, mas não há provas concludentes nesse sentido" (DALLY; HARRINGTON, 2006).
O autismo apresenta ainda, causa desconhecida. Embora, pesquisas tentam desvendar fatores genéticos associados à doença, proporcionando descobertas quanto às causas neurobiológicas, estas, interligadas ao autismo. Como convulsões; deficiência mental; redução de neurônios e sinapses na amígdala, hipocampo e cerebelo; encéfalo aumentado e serotonina circulante concentrada, todas sugerem forte influência genética. Ao mesmo tempo, estudos com gêmeos monozigóticos (MZ) demonstram concordância para o autismo em 36 a 92%, em contrapartida com gêmeos dizigóticos (DZ), esta concordância é nula ou diminuída. No entanto, ao se considerar anormalidades cognitivas e sociais, o nível de aceitação sobe para 92% entre os MZ e 10% entre os DZ (CARVALHEIRA; VERGANI; BRUNONI, 2004).
De maneira a enfatizar o citado acima, outros autores afirmam que a hereditariedade também é um fator predisponente ao autismo, na qual evidencia recorrências do transtorno em famílias afetadas, podendo ser notado um maior índice em relação à população geral (SOUZA; GUIMARÃES; BALLONE, 2004).
A fim de reforçar o parágrafo abaixo Gillberg (2006) apud Albuquerque; Cruz; Ruthes (2009) assevera que:
"A incidência do transtorno é de 2 a 4 homens para cada mulher, sendo afetada 0,2% da população mundial. O risco de irmãos de autistas apresentarem o transtorno é de 4 a 5% e essa incidência aumenta em gêmeos idênticos para 60 a 90%".

O autismo infantil é uma das principais divisões do autismo, que envolve fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais, embora haja necessidade, de maiores esclarecimentos quanto a estes fatores causadores. Há estudos neurobiológicos que denotam níveis elevados de serotonina e dopamina, fenilcetonúria, epilepsia, aumento de ventrículo, entre outras anormalidades cerebrais. Em contrapartida, apenas minoria dos casos apresenta alterações neurobiológicas, cuja relação aos comportamentos não se encontra evidenciada (ALMEIDA; DRACTU; LARANJEIRA, 1996).
Há afirmativa de outro autor, que o autismo é realmente patologia neurológica, sendo geneticamente adquirida. No entanto, esta visão deixa de lado o psiquismo humano. Contradizendo tal questão, é afirmada ausência do aparelho psíquico, de modo a citar que seria um âmbito da subjetividade, manifestado puro e simplesmente pelo desejo. Logo, o autismo seria um paradigma do aparelho psíquico, o qual é uma organização narcisista do vazio. Podendo ser esclarecida por libidinal, em que a energia é extraída do objeto e voltada ao corpo, onde foi originada (BERLINCK, 2000).
A situação clinica dos pacientes com transtornos geralmente são complexas e variáveis, considerando que os sinais clínicos das síndromes dependem da seriedade da patologia, da idade da criança, e se a mesma apresenta ou não diferentes patologias mentais integradas (SOUZA, GUIMARÃES, BALLONE, 2004).
A maioria dos pesquisadores e clínicos concorda que os sintomas do autismo infantil, geralmente, iniciam-se antes dos trinta meses de idade (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 1980; ORGANIZAÇÀO MUNDIAL DE SAÚDE, 1993 apud MORAES, 2004).
Inicia-se antes dos 3 anos de idade, não cursa com anormalidades físicas marcantes, gera um comprometimento qualitativo nas áreas de interação social, linguagem e comunicação( sempre há pelo menos um atrazo na aquizição da linguagem verbal) e capacidade criativa. A proporção entre meninos e meninas afetadas é de 4:1. geralmente, apresentam desenvolvimento neuropissicomotor normal, com exceção do desenvolvimento da linguagem (SOUZA, GUIMARAES, BALLONE, p. 184 2004).

O início precoce é um dos principais sintomas que diferenciam o autismo infantil do transtorno desintegrativo na infância. Na síndrome de Heller, o quadro clínico se inicia após um período de desenvolvimento normal da criança e, geralmente, ocorre até os três primeiros anos de vida (MORAES, 2004)

Indicadores que o processo de desenvolvimento da criança não vai bem podem ocorrer antes dos seis meses de idade. Crianças que choram demais ou são vistas como muito quietas pelos pais, crianças que têm pouco contato visual, não mantêm posição antecipatória ou não prestam atenção aos eventos familiares principais podem estar apresentando sintomas iniciais da síndrome autista. As alterações no ritmo do desenvolvimento da criança também costumam ocorrer precocemente (MORAES, 2004).

"Os distúrbios na interação social dos autistas podem ser observados desde o início da vida. Com autistas típicos, o contato ?olho a olho? já se apresenta anormal antes do final do primeiro ano de vida" (MIRENDA, DONNELLAN, YODER, 1983 apud MORAES, 2004). Com freqüência as crianças olham de canto de olho ou bem rapidamente. Um número crescente de crianças não evidencia atitude antecipatória ao manter contato ou serem tocados pelos seus pais, apresentando muitas vezes oposição ao contato.
Há sempre comprometimentos qualitativos na interação social recíproca. Estes tomam a forma de uma apreciação inadequada de indicadores sócio-emocionais, como demonstrada por uma falta de respostas para as emoções de outras pessoas e/ou falta de modulação do comportamento, de acordo com o contexto social (CID-10, 1993).
As crianças autistas não compreendem como se estabelecem as relações de amizade. Algumas não têm amigos e outras acreditam que todas as crianças de sua sala de aula são seus amigos (MORAES, 2004).
Comprometimento em brincadeiras de faz-de-conta e jogos de imitação, pouca sincronia, falta de reciprocidade em conversações, pouca flexibilidade na expressão da linguagem e uma relativa ausência de criatividade e fantasia nos processos de pensamento (CID-10, 1993).
Existe uma apatia em compartilhar atividades e interesses com o próximo ou grupos, além disso, um sinal importante é a disposição em expor objetos de importância para pessoas do convívio que acontece no primeiro ano de vida, e a carência desse sinal caracteriza um sintoma precoce do autismo infantil. Os autistas demonstram dificuldades em cultivar e conservar uma relação, contato social inicial, evidenciando dificuldades em sustentar esse contato (MORAES, 2004).
A condição é também caracterizada por padrões de comportamento, interesses e atividades restritos repetitivos e estereotipados. A criança pode insistir na realização de rotinas particulares e em rituais de caráter não-funcional (CID-10, 1993).
Sinais de dificuldades na capacidade de comunicação das crianças autistas são evidentes mesmo antes do período de aquisição da linguagem verbal, mas passam despercebidos pelos pais. Vale ressaltar que usualmente, crianças autistas demonstram sérios problemas na compreensão e utilização da mímica, gestualidade e fala (MORAES, 2004).
Apresentam déficit nas interações sociais, como: problemas na conversação não-verbal, dificuldade em compreender o que os outros pensam problemas em partilhar prazeres, jogos, interesses, ausência de reciprocidade emocional. Deparam-se também com dificuldades comunicacionais, apresentam retardamento lingüístico e prejuízos na mímica para a comunicação, impedimentos para iniciar uma conversação, ausência de atividade lúdica, brincadeiras participativas e de imitação (CAIXETA, 2005).
Crianças com autismo mostram, em geral, um padrão cognitivo desigual e, freqüentemente, têm um melhor desempenho nas tarefas não verbais e visuoespaciais do que nas tarefas verbais. Sintomas comportamentais associados à síndrome incluem hiperatividade, curto tempo de atenção, impulsividade, comportamento agressivo, acessos de auto-agressividade e agitação psicomotora. Algumas pessoas com autismo têm respostas extremas aos estímulos sensoriais, tais como hipersensibilidade a luz, som, toque, e fascinação por certos estímulos auditivos ou visuais. Distúrbios do sono e da alimentação também são comuns nessas pessoas, além de medo excessivo em situações corriqueiras ou perda do medo em situações de risco (MORAES, 2004).
A maioria dos pesquisadores e clínicos concorda que os sintomas do autismo infantil, geralmente, iniciam-se antes dos trinta meses de idade (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 1980; ORGANIZAÇÀO MUNDIAL DE SAÚDE, 1993 apud Moraes, 2004).
Segundo a Organização mundial de saúde os critérios para diagnostico de autismo infantil são os seguintes: A criança até os três anos de idade é bem notável o quadro de autismo, pois sua língua é comprometida assim como sua expressão corporal e comunicativa não se sociabilizando com os demais. Portanto vale ressaltar algumas as dificuldades mais expressivas que estes portadores apresentam como: olhar olho no olho; a postura corporal e a expressão facial (SOUZA, GUIMARÃES, BALLONE, 2004).
Conforme os autores supracitados asseveram ainda que o portador de autismo tem dificuldades em se relacionar e interagir, não acompanhando apropriadamente o ciclo mental. Assim como seu desenvolvimento afetivo apresenta quadros de desviantes quanto às emoções, o mesmo não procura compartilhar momentos de diversão ou mostrar interesse em se relacionar com outros indivíduos.
Para tanto Moraes (2004), assevera que:
Crianças que choram demais ou são vistas como muito quietas pelos pais, que têm pouco contato visual, não mantêm posição antecipatória ou não prestam atenção aos eventos familiares principais podem estar apresentando sintomas iniciais da síndrome autista. As alterações no ritmo do desenvolvimento da criança também costumam ocorrer precocemente.
Algumas anormalidades qualitativas na comunicação podem ser apresentadas da seguinte forma: a linguagem falada e afetada sendo substituída por formas de expressões gestuais; não há reciprocidade na conversação ou qualquer tipo de linguagem onde haja intercambio com outra pessoa; uso repetitivo da linguagem ou uso idiossincrático de palavras ou frases e falta de atenção ao receber comunicação, em vezes fazendo jogos de imitação social (SOUZA, GUIMARÃES, BALLONE, 2004).
Diagnóstico diferencial. Á parte outras variedades do transtorno invasivo do desenvolvimento, e importante considerar: transtorno específico do desenvolvimento da linguagem receptiva com problemas sócio-emocionais secundários; transtorno reativo de vinculação ou transtorno de vinculação com desinibição; retardo mental com algum transtorno emocional/de comportamento associado; esquizofrenia de inicio inusualmente precoce e síndrome de Rett (CID-10, 1993, p.249).
O tratamento do Autismo Infantil, não está bem definido, pois tem como objetivo atender ás necessidade da criança e a família, portanto os tratamentos variam de acordo com o nível intelectual. Vale salientar que durante o tratamento, utiliza-se a inserção de atividades diárias, relacionamento interpessoal e diminuir os comportamentos auto-agressivos, visto que tem como objetivo alcançar a autonomia e a inserção na sociedade (ALMEIDA, DRATCU E LARANJEIRA, 1996).
Conforme os autores supracitados:
Nos primeiros anos de vida, o tratamento deve ser indicado de forma intensiva para aproveitar a maior plasticidade dos processos neurológicos desta faixa etária. Os tratamentos individuais incluem a terapia fonoaudiológica, terapia ocupacional, terapia comportamental e fisioterapia, ficando a psicoterapia mais indicada para autistas adolescentes e adultos com maior capacidade de expressão verbal (...), o tratamento de autistas com QI normal ou retardo mental leve a moderado tem por objetivo estimular o progresso da linguagem, sociabilidade e escolaridade, procurando atingir níveis de desenvolvimento compatíveis com a idade da criança (1996, p.256).
Assim sendo, o planejamento de intervenções precoce, educação especial, apoio familiar os fármacos podem ajudar esse paciente a ter um ritmo de vida normal. Existem programas de intervenções precoces de educação especial que ajudam essas crianças aprendem como se comunicar e se relacionar com outras pessoas, visto que isto reduz a gravidade e a freqüência dos comportamentos agressivos e perturbadores (SPRINGHOUSE CORPORATION, 2006).
Conforme Almeida, Dratcu e Laranjeira (1996) relatam que nenhuma droga foi comprovada como tratamento de transtorno de autismo, visto que os estimulantes como metilfenidato que é podem diminuir a sintomatologia da mesma como, desatenção impulsividade e hiperatividade em algumas crianças.
De acordo com Springhouse Corporation, (2006, p. 85):
Os ISRS podem ser uteis no controle do comportamento compulsivo, da irritabilidade e do retraimento. O lítio foi demonstrado como redutor de certos transtornos afetivos associados ao autismo. Outras drogas, incluindo risperidona (Risperdal) e buspirona (BuSpar), estão sendo estudadas no alivio de episódios explosivos.

A inserção na sociedade de crianças autistas é de grande importância para a sua evolução, o acesso a serviços educacionais como escolas é o principal meio, porém deve-se ter o acompanhamento adequado, as famílias com crianças autistas devem ser treinadas para utilizar técnicas comportamentais, além de orientações e apoio para lidar com situações de estresse, que acomete freqüentemente pessoas que estão ao redor de portadores de autismo (ALMEIDA; DRATCU; LARANJEIRA, 1996).
A técnica comportamental ou terapia comportamental abrange várias formas de tratamento, todas baseadas na "teoria da aprendizagem", isto é, na teoria de que os sintomas neuróticos ou padrões comportamentais são aprendidos, podendo ser "desaprendidos" através de certos métodos (DALLY; HARRINGTON, p. 214, 2006).
Vale ressaltar que é fundamental o acolhimento da família, visto que ele deve conhecer mais sobre o transtorno e ajudar usando estratégicas de enfretamento e terapias de modificações do comportamento. Nesta direção em algumas circunstâncias dispõe-se do cuidado domiciliar para ajudar no controle físico ou comportamental da criança no lar. Se o comportamento agressivo da criança persistir, pose ser necessário uma intervenção médica conforme (ALMEIDA, DRATCU E LARANJEIRA, 1996).

MATERIAL E MÉTODOS

A presente pesquisa apresenta um caráter de relevância social e profissional, já que se busca agregar maiores conhecimentos. Para tanto, entende-se que o processo de construir conhecimento dá a entender que se esse se concretiza por meio de ação partilhada, uma vez que através do outro as relações entre sujeito e objeto do conhecimento se fundam.
Isso remete à reflexão de que o indivíduo não se restringe a si mesmo, nem aos seus interesses, mas na interação com o outro para o processo de construção gradual. Assim, a aprendizagem acontece com a participação ativa em situações interativas.
Momento, no qual se determina como se procederá a investigação científica. Será apresentado o universo da pesquisa junto ao como se proceder e o porquê da metodologia utilizada. Nesta etapa não é suficiente apenas citar tipos de pesquisa, métodos e técnicas. Mas também, justificar as opções escolhidas de modo a estabelecer relações entre elas dentro da pesquisa (BRENNER; JESUS, 2007).
A pesquisa é bibliográfica de caráter qualitativo/descritivo, de maneira a se utilizar livros e monografias da biblioteca Antônio Balbino de Carvalho Filho, situado à Faculdade São Francisco de Barreiras, houve exploração também de artigos científicos, estes extraídos de endereços eletrônicos e site específico sobre o autismo infantil. As idéias aqui apresentadas contam com os pressupostos de estudiosos que abordam a temática que foram extraídas por meio de livros e artigos científicos.
RESULTADOS E DISCURSÕES

A etiologia do autismo ainda é desconhecida, no decorrer desse estudo foi observado que todas as fontes de pesquisa concordam que fatores genéticos e biológicos influenciem no aparecimento dessa síndrome, que atinge em maior probabilidade o sexo masculino.
Todos os autores citam que o aparecimento dos sinais do autismo infantil ocorre até os três anos de idade. Concordam também quanto ao comprometimento qualitativo dessas crianças autistas, as dificuldades de relacionamento, comprometimento na linguagem e comunicação, oposição ao contato, incluindo os pais, faltam respostas a emoções, comprometimento em brincadeiras usando a imaginação, sendo vistos como sintomas do autismo infantil e fatores indispensáveis para o diagnostico.
Os autores relatam que o tratamento vem a se adequar com as necessidades da criança e da família, buscando a interação dessa criança no seu meio social e um melhoramento nos relacionamentos. As terapias ocupacionais visam proporcionar um melhoramento na qualidade de vida dessas crianças, aproximando-as o máximo possível de uma vida normal, atuando na diminuição da agressividade, desatenção e hiperatividade.
Springhouse Corporation (2006, p. 85), cita o lítio, como redutor de alguns sintomas afetivos, irritabilidade e compulsividade, já Almeida, Dratcu e Laranjeira (1996) relatam que nenhuma droga foi comprovada como tratamento de transtorno de autismo, e citam estimulantes como metilfenidato como eficientes na diminuição da desatenção impulsividade e hiperatividade em algumas crianças.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

A saúde mental aborda inúmeras especialidades, por isso é interessante aprofundar-se em assuntos ligados a esse tipo de transtorno de desenvolvimento psicológico. Nesse processo podemos perceber fatores predominantes quanto ao desenvolvimento das crianças portadoras de autismo, assim como fatores constitucionais quanto à relação de interatividade.
Este trabalho facilitou o aprendizado descrevendo as definições que orientam o diagnóstico e enfatizando que o autista possui capacidades que devem ser sempre valorizadas, dificuldade todos tem, mas e preciso se aprofundar em um estudo como este para aprender a tratar o autista como um ser humano normal.
Em suma pode-se dizer que o estudo sobre autismo infantil nos orientou para que sejamos profissionais capacitados ao lhe darmos sobre esse assunto, não desvalorizando a criança, mas sim a tratando para que ela possa fazer parte do mundo que a circunda. Entende-se também que assim como todas as crianças os portadores do autismo possuem particularidades individuais, por isso o tratamento deve ser diferenciado para cada tipo de paciente visto que cada um possui uma gravidade patológica diferente.
È preciso além de tudo ver o autista com um olhar clínico criterioso para que seja identificado seu tipo de comportamento, pois cada um deles dá preferência a momentos e ambientes distintos. A criança que possui um acompanhamento profissional tem melhor oportunidade de evolução, pois mesmo sendo uma doença mental menos abrasiva a compreensão de um especialista é de fundamental importância para a melhoria do desenvolvimento da criança.
Concluí-se que este trabalho nos proporcionou conhecimentos sobre o autismo antes desconhecidos de maneira que abrange os fatores facilitadores da assistência prestada aos portadores de autismo.
REFERÊNCIAS
ALBUQUERQUE, C.A.; CRUZ, M.C.S.; RUTHES, B.L. Panorama Geral sobre o Transtorno Autístico. Curitiba: O Mosaico, 2009, p.1-11. Disponível em: Acesso em: 25 abr. 2010.
ALMEIDA, P. D; DRATCU, L; LARANJEIRA, R. Manual de Psiquiatria. Vol. 01. Rio deJaneiro: Guanabara Koogan, 1996.
CARVALHEIRA, G.; VERGANI, N.; BRUNONI, D. Genética do autismo. São Paulo: Rev. Bras. Psiquiatr. v.26, n. 4, 2004, p. 270-272. Disponível em: Acesso em: 25 abr. 2010.
BRASIL. Ministério da saúde. 2007. Portaria nº 3.211 de 20 de dezembro de 2007. Disponível em: http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port2007/GM/GM-3211.htm. Acesso em 08 de maio de 2010.
BRENNER, E.M.; JESUS, D.M.N. Manual de Planejamento e Apresentação de Trabalhos Acadêmicos: Projeto de Pesquisa, Monografia e artigo. São Paulo: Atlas, 2007.
BERLINCK, M.T. Psicopatologia fundamental. São Paulo: Escuta, 2000.
CAIXETA, Marcelo. Psicologia patológica. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2005.
DALLY, P.; HARRINGTON, H. Psicologia e psiquiatria na enfermagem. São Paulo: EPU: ed. da universidade de São Paulo, 2006.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Internacional de Doenças e problemas relacionados à saúde: 10ª ed. São Paulo: Centro Colaborador da OMS para Classificação de Doenças em Português, 1993.
MORAES, C. Autismo Infantil, in. PsiqWeb, Internet, disponível em http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?sec=30&art=110 , 2004. Acessado em 20/05/2010.
MORRIS, C. G.; MAISTO A. A. Introdução à psicologia. 6ª ed. São Paulo: Prentice hall, 2004.
SPRINGHOUSE CORPORATION. Enfermagem Psiquiátrica - Incrivelmente Fácil. 1ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
SOUZA, J.C.; GUIMARÃES, L.A.M.; BALLONE, G.J. Psicopatologia e Psiquiatria Básicas. São Paulo: UCDB, 2004.
 
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Sobre este autor(a)
Graduada em enfermagem Bacharelado pela Faculdade São Francisco de Barreiras.
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