A Arte De Filosofar
 
A Arte De Filosofar
 


I. INTRODUÇÃO

Muitas vezes que ouve-se ou lê-se a palavra filosofia, pensamos para tentar entender o alcance desta. Muitas pessoas acham que a filosofia se restringe nas teorias, métodos, mitos, religião, arte e outros. O que temos que ter em mente, é que a filosofia nos abre um leque de maneiras de filosofar e que o homem é o principal objeto da filosofia.

Considerando que o homem é o objeto da filosofia, este, desde que nasce, está cercado de paradigmas, conceitos e valores tradicionais, que muitas vezes não tem a capacidade de decifrar ou explicar costumes ou maneiras de agir.

Podemos considerar a filosofia não como um saber, mas sim como uma reflexão sobre o saber. Refletir é uma maneira de se por em questão os conhecimentos que possuímos. Filosofar é refletir sobre nosso saber, interrogarmos-nos sobre nosso conhecimento. Para cada um a filosofia faz um sentido.

A filosofia tem a intenção de estimular a consciência, o pensamento e alimentar sempre uma posição questionadora ao homem, que normalmente não é do interesse da classe dominante da sociedade, posteriormente poderá ter perigo pela verdade dita.

Como sabe-se, existe e existiram seres humanos que tem e tiveram a ousadia de ir além, de quebrar conceitos pré-estabelecidos, paradigmas, quebrar as correntes e sair da caverna e muitas vezes tinham que pagar pelo preço de pensar, duvidar, questionar com sua própria vida.

O objetivo deste trabalho é fazer com que o leitor se questione, busque conhecimento de si próprio, reflita sobre o que ele faz neste mundo, qual sua posição no universo, se luta por uma verdade ou uma utopia.

II. IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA PARA O HOMEM

Vivemos sob constante influência das telecomunicações, informática, fazendo com que crianças e adultos não se interessem por filosofia e até mesmo não se importando em buscar um sentido para sua vida, almejando apenas interesses cotidianos. Visto que a dificuldade para se filosofar é devida também à omissão da Educação, de não estimular o senso crítico das crianças. Este fato contribui para que futuramente estas crianças, já adultas, se mantenham inertes na vida, sem buscar o sentido do viver.

Todo modelo de vida do brasileiro contribui para que ele não se interesse absolutamente por nada. Não é estimulado seu senso crítico, muitas vezes se mantém quieto com situações desastrosas, fica inerte na chamada zona de conforto.

A omissão do Estado em várias áreas da administração pública contribui com que o brasileiro perca cada vez mais gosto pela sua vida. Há momentos que o objetivo do Estado é deixar o povo cada vez mais "ignorante". E quando algum indivíduo dentro de uma superpopulação tem ousadia de quebrar os costumes, paradigmas, ele é normalmente excluído do meio em que vive. Daí nos perguntamos por quê? A filosofia incomoda porque questiona o modo de ser das pessoas, do mundo, da atual política, do governo. Ela aspira à verdade total que o mundo não quer. A filosofia é perturbadora da paz.

Ao longo da história, há registro de muitas tentativas de destruir a filosofia, simplesmente desqualificá-la, negá-la. Os dominadores e todos com o intuito de alienação e mediocridade do povo, necessitam de consciências de fácil manipulação, obedientes, ao invés de indivíduos que questionem profundamente a realidade.[1]

A arte da dúvida, do pensar, questionar, não tem que ficar limitada apenas no papel, mas sim ser extravasada por todos os meios possíveis. A filosofia tem o desejo que o homem busque seus ideais através da arte de questionar.

A filosofia é tão importante quanto o ar que respiramos. Se não questionarmos nossa existência, não conheceremos nós mesmos, pelas coisas mais simples que existem na vida.

A busca pelo conhecimento próprio é fundamental, apesar de serem poucas as pessoas que o fazem. Porque antes de podermos construir, transformar, condenar ou destruir, é preciso saber o que somos ou pelo mesmo tentar nos compreender.

Se não compreendemos a nós mesmos, não temos estrutura para o pensamento, e tudo que é almejado é em vão. Enquanto desconhecer a si mesmo, não se tem base para o pensar, ter afeto, ação. É essencial começarmos a compreender a nós mesmos, pois estamos cheios de problemas, compromissos, stress, depressão, que raramente encontramos tempo para uma reflexão sobre nós mesmos. A filosofia nos proporciona entender o mundo, nós mesmos, a nos descobrir.

Tal importância dada à filosofia, pois grandes homens no mundo tiveram a ousadia de duvidar, questionar, ir além do normal, tiveram que pagar com suas vidas por terem o privilégio de filosofarem por algum bem comum.

Sócrates, Jesus Cristo, Che Guevara entre outras personalidades históricas obtiveram grande ênfase devido aos princípios filosóficos inseridos em suas vidas.

Sócrates fez com que o povo grego repensasse, enxergasse a realidade discutida, onde o acusavam de corromper a mocidade e negar os deuses da pátria introduzindo outros. E por ele oferecer o instrumento do questionamento, da dúvida, assim o eliminaram.

Jesus Cristo não foi diferente, por oferecer ao povo judeu conhecimento, sabedoria, isso incomodou a muitos e fez com que Pilatos não tivesse outra escolha, senão crucificá-lo.

Ernesto "Che" Guevara de La Serna não teve outro destino senão também a morte; pelo fato de lutar não apenas por Cuba, mas sim por uma América Latina livre e países Africanos. Foi assassinado por ter um ideal que cativava uma minoria. Tantas outras personalidades do mundo morreram por querer ir além, viver, e não apenas existir.

A partir de princípios filosóficos, tem-se a noção que a filosofia preserva seu senso crítico, sua revolta, o desejo de uma razão e uma lógica, o sentido da universalidade, multiplicidade de culturas, da aposta e do risco, das decisões indecidíveis.

A. Necessidade da Filosofia do Direito

Muitos cursos de pós-graduação têm o privilégio que a filosofia faz parte da grade curricular. Acadêmicos de direito, por exemplo, muitos esnobam a filosofia. Dizem que a filosofia não é importante, é um saber inútil, é apenas "perfumaria". Tal desprezo e contradição que comentem a filosofia, pois no momento em que um acadêmico de direito está sentado assistindo qualquer aula de sua grade, querendo ou não, está fazendo uma análise hermenêutica de algum conceito, teoria, lei. Mas a filosofia proposta, não é uma filosofia espontânea que em regra todos nós realizamos, mas uma profunda reflexão sobre nossos valores. É questionar muitos porquês.

Sendo a filosofia um instrumento para se questionar, duvidar, ampliar nossos conhecimentos, tanto juristas como acadêmicos de direito devem ter a capacidade de entender a sociedade e seus problemas, sendo uma necessidade profissional filosofar.

Percebesse que o acadêmico de direito quer ficar preso no texto legal, não querendo ir além do simples conceito de determinada norma jurídica. Tal análise hermenêutica aprofundada é necessária para entender o que o legislador quis dizer em tal lei; qual o sentido para se criar esta lei. Porque se criou esta lei.

E realizando a análise hermenêutica, entendemos qual a razão de determinada norma jurídica. Deve-se levar em consideração os costumes, comportamentos, preconceitos, cultura de determinado local para o legislador fundamentar o porque a criação de determinada lei.

O acadêmico de direito deve buscar a essência de fatos que contribuem para sua carreira profissional. A busca pelo comportamento do homem no meio em que vive, paradigmas, crenças, costumes, culturas. Temos que valorizar a arte do saber, pois a base do direito é a filosofia.

B. O Poder da Filosofia

É perceptível que a filosofia muitas vezes não recebe a importância, a amplitude que se deve receber pela sua necessidade acadêmica e em nossas vidas.

Cada vez mais neste mundo globalizado, podemos ver que a filosofia está presente em tudo que nos cerca. Em uma música, filme, uma história em quadrinho até mesmo em uma receita de bolo se pode filosofar. Desta maneira todo homem é filósofo, de seu modo, definindo limites e características desta " filosofia espontânea", peculiar a todos.

Platão considerava que poucos homens são aptos para filosofar e adquirem tal qualidade após longa introdução.

Espinoza esperava filosofia apenas do homem excepcional.

Kant acreditava que a filosofia é para todos.

Todos podem filosofar com sua própria linguagem, com senso comum e bom senso, na religião popular, crenças, superstições, opiniões. Mas se o homem começar a filosofar criticamente , irá mudar toda sua forma de viver. Acontecerá uma mudança radical em sua vida. Seus conceitos mudariam, sua forma de agir, de pensar, de se manifestar.

Como já dito e partindo do princípio que todo homem é filósofo, a cada momento na vida, todos nós correspondemos a um tipo de filosofia. As crianças realizam seus atos de forma espontânea e sincera. O adolescente vive para ele mesmo, é o tempo de formar conceitos, ideais. O adulto por vivência relações humanas, percepção maior, entendimento, conceitos definidos sobre determinado assunto, tem ou deveria ter a tendência de duvidar de tudo. Mas sabemos que nem sempre é desta forma. Nem todos os homens duvidam de tudo ou nem sequer questionam absolutamente nada.

A cada momento de nossas vidas, trocamos de máscaras, de papéis, nos obrigando, em regra, a dar opiniões ou agir de acordo com o costume moral. E quando alguém quebrar algum costume, é visto como anormal, anti- ético e imoral. A atitude filosófica é o ponto de partida para se filosofar.

A atitude filosófica nasce no momento em que alguém começa a indagar crenças, sentimentos que fazem parte de nossa existência. A partir deste momento, ele está se auto questionando e desejando conhecer o que o cerca.

A atitude filosófica é negativa e positiva. Negativa quando questiona pré-conceitos, pré-juizos, costumes afim de saber o por quê da causa e qual é o seu sentido. Positiva quando se questiona sobre as idéias, fatos, situações, comportamento, nós mesmos. Por que é? Como é?

A crítica esta presente na atitude filosófica. Normalmente acolhemos a palavra crítica como algo errado, do contra, que gosta de contra dizer tudo. Mas a crítica possui alguns sentidos, como: julgar, percepção das coisas, decidir, ser racional sem influência de conceitos pré-estabelecido, fazer avaliação de idéias, valores, teorias, costumes, comportamentos.

Se analisarmos nossas vidas, em algum instante tivemos alguma atitude filosófica. A idéia é fazer com que o leitor tenha atitude filosófica inclusa na sua, vida sempre.

Entretanto, muitas pessoas no mundo têm medo do novo, do desconhecido. O comodismo e conformismo da vida já é ritmado durante o cotidiano e não buscam por algo a mais em suas vidas. A filosofia é um uso pessoal e autônomo da própria razão, e só se sabe o que é filosofia, no exercício da própria filosofia, uma experiência intensa e própria do pensamento.

Como já dito, a filosofia está ao nosso redor. Filmes como A Vila, O Nome da Rosa e Doze Homens e Uma Sentença, entre outros, adotam a filosofia como fator importante para a análise hermenêutica desses.

A Vila aborda muitas questões filosóficas, como verdades transmitidas, a coragem de olhar além e ousadia de ir além, o que é verdade, o que vale a pena, ousar ou calar, como se quebrar paradigmas, alienação, zona de conforto. Em apenas um filme, podemos ter várias janelas abertas para nossa mente filosofar.

O Nome da Rosa se passa na Idade Média, onde o conhecimento é restringido. E cada pessoa que busca este conhecimento, este saber, paga com sua própria vida, por querer ir além das fronteiras. E não foi diferente com muitos que tiveram o intuito de ir além.

Doze Homens e Uma Sentença retrata que as diferenças sociais e profissionais de cada um dos jurados, é essencial para absolvição do réu. Cada um dos jurados tem seus preconceitos já definidos, tem suas verdade, seus conceitos pré-estabelecidos. Percebemos que há uma diversidade de personalidades e que com o passar do filme eles filosofam entre si para chegarem em um consenso.

Geralmente vivemos uma filosofia espontânea. No trabalho, no supermercado, nas discussões amorosas. Sempre que houver a dúvida, surgirá a arte de filosofar.

III. A BUSCA HUMANA

O homem, certamente, jamais irá conhecer tudo. Cada vez que adquirimos mais conhecimento, mais dúvidas iremos ter. Por maiores que sejam os avanços tecnológicos que ocorram com o passar de décadas, o homem, com suas teorias, teses, opiniões, jamais irá descobrir a verdade absoluta sobre questões como: quem somos nós? para onde vamos? de onde viemos? o que é a vida?

Séculos se foram e séculos virão e talvez algum dia o homem saiba qual a verdade que todos nós queremos saber. Cada ser humano vive por algum objetivo, cada um busca uma razão para viver. O ser humano se limita ao tratar questões que continua sem saber exatamente o porquê.

Outras questões que o homem sempre vai se perguntar: quem sou eu? O que faço no mundo? É evidentemente uma tarefa difícil de se concluir. Cada vez que pensamos que resolvemos uma questão, novos questionamentos nascem.

O homem incansavelmente quer respostas concretas, quer satisfazer sua mente. Mas há questões que não passam de teorias. Filosofar cabe ao homem saber o que cada um de nós é para si mesmo.

Sabemos que na sociedade em que vivemos é difícil as pessoas se interessarem pela busca da verdade.

Muitas vezes não se interessamos pela busca da verdade, do saber. Com a influência das informações que recebemos diariamente, seja pelos jornais, rádios, televisões, livros, redes eletrônicas, vídeos, não sentimos a necessidade do conhecimento, pois a facilidade das telecomunicações satisfaz facilmente o homem. As pessoas normalmente acreditam nas notícias que recebem, sem questionar o conhecimento recebido. Porque há uma enorme quantidade de informações, limitando o homem avaliar o que recebe.

A propaganda é outro fator que desilude o homem a buscar a verdade.

O mundo da propaganda é algo irreal, um mundo "de faz de conta". Desde uma propaganda de um automóvel, que passa ao homem a impressão de confiança, inteligência, beleza, sucesso, até mesmo uma propaganda de margarina que faz a família bonita, alegre e unida, vende apenas uma imagem de felicidade, sucesso, saúde, riqueza, sendo um mundo fictício e tornando o homem alienado, não tendo capacidade de ir além, vivendo em um mundo ilusório.

Outra dificuldade para se buscar a verdade, vem da atitude dos políticos, onde muitos destes iludem pessoas com suas promessas não cumpridas. A corrupção, o mau uso do dinheiro público, as desigualdades, injustiças, violência, miséria fazem que o povo venda seu voto por vantagens pessoais e desacreditam em uma vida melhor.

Mas estas dificuldades podem ter efeito contrário, nascendo muitas dúvidas, desconfianças e desilusões, fazendo com que o homem sinta o desejo de buscar a verdade, conhecer a realidade, a sociedade e a política.

Assim nasce a necessidade e buscar a verdade, de quebrar pré-conceitos, paradigmas, não acreditar nas opiniões estabelecidas, conceitos definidos, crenças que paralisam a capacidade de pensar e de agir.

Desta forma, visualizamos dois tipos de busca da verdade. A primeira surge da incerteza e decepção e, por si mesmo, tentamos readquirir as certezas que nos iludem. A segunda nasce espontaneamente, não aceitando certezas e crenças, paradigmas pré-estabelecidos, desejando buscar significados para a realidade que nos cerca.

A partir do momento que o ser humano busca o conhecimento, questões que estruturem sua vida, ele estará em sintonia com mundo e com os demais seres vivos. Pois a filosofia nos dá sentido para nossas vidas. Queremos saber o que é a vida e a morte tão inesperada por todo homem.

A morte é muito questionada por todo homem. Alguns estão convictos que a morte é a única certeza absoluta que o homem tem, outros não.Talvez, após a morte, iremos descobrir todos os porquês pelos quais questionamos durante a vida toda, cada dúvida, cada insatisfação. Mas se não for neste momento, não vamos saber o porquê de tudo, a razão verdadeira e absoluta de nossa existência.

Não devemos temer a morte, pois nem sabemos se ela é temível, mas o que nos incomoda, que é temível esperá-la.

Epicuro, em uma passagem de seu livro A Conduta na Vidadiz " o mais espantoso de todos os males, a morte, não

é nada para nós, pois enquanto vivemos, ela não existe, e quando chega, não existimos mais".[2]

Enquanto muitas pessoas ficam se remoendo em pensar na morte, não faça o mesmo, viva ousando na vida da melhor maneira possível, pois nossa mente nos limita em saber se a morte é fim ou um novo começo.

Com a filosofia presente em nossas vidas, podemos buscar a verdade de múltiplas significações do ser - verdadeiro. A busca depende de cada um. Não significando que existirá uma verdade única. A verdade sempre será relativa e eternamente estará em conflito perpétuo.

Sabemos que muitos filósofos ajudaram a humanidade com seus livros, pensamentos e teorias.

Quando filosofamos, não é necessário fazer um serviço a humanidade. Se filosofarmos e mudarmos nosso pensamento sobre determinada coisa, é um serviço positivo para si mesmo.

Se todas as pessoas filosofassem para busca a sua verdade, haveria mudanças em sua mente, uma mudança coletiva no mundo.

O homem possui a essência da mutação. O homem não permanece como é para sempre, ele está em constante evolução. E o homem evoluindo deve buscar a verdade. Somente a verdade o liberta e só a liberdade o prepara para a verdade.

Sempre nos indagamos: somos livres? E sempre há um choque. Pois refletindo profundamente, muitas vezes ou sempre, somos meros escravos. Seja das pessoas, das leis, sociedade, costumes e tudo que nós não temos coragem de um simples questionamento. Argumentando e ousando, encontramos a liberdade.

Georg Hegel, escreveu "só arriscando a nossa vida conservamos a liberdade"[3]. É necessário sermos ousados em nossas condutas, para tentar manter a liberdade que adquirimos. Muitas vezes ficamos inertes pelo comodismo, sem nos preocuparmos com nossa liberdade, sem notar o quanto a liberdade é necessário para o ser humano.

A partir do momento que a filosofia esta presente em sua vida, ele encontra um caminho para a liberdade. A liberdade nos proporciona nossa independência, a não submissão, determinação.

A filosofia tem a capacidade de nos conceber nossa independência interior. Percebemos lúcidos as várias formas de dependência, permanecendo quietos por nossa impotência de reação, que a partir do momento que encontramos nossa independência, existe um meio de nos recuperarmos. A filosofia tem o poder de alterar nossa maneira de pensar e de ver o mundo.

O mundo, o ser humano, vive com o desejo de ser feliz, de ter alguma espécie de paz. Nossa realidade é vivida com guerras, competições e lutas. E a filosofia nos dá a percepção da realidade, aguçando nosso senso crítico.

A principal busca do homem é o bem comum. Além da incessante busca pela felicidade, alguns homens querem ultrapassar barreiras limitadas, visto que, onde há possibilidade de se pensar, questionar, tudo é possível para a filosofia.

A cada minuto que passa, temos que refletir sobre nossa existência neste mundo. Nos questionamos sobre os porquês de nossas condutas, pelo que vivemos, por que buscamos isso e não aquilo. Somente buscando a filosofia é que teremos janelas abertas em nossa mente para tentarmos entender a vida, o mundo, as pessoas, a sociedade, nossos atos, costumes.

Se todas as pessoas filosofassem, para compreender os fatos que lhe envolvem a realidade em que vivem, iriam se questionar mais e, automaticamente, haveria uma grande evolução mental nas pessoas. Primeiro, o homem, posteriormente a sociedade, o mundo.

IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS

"Na juventude, não devemos hesitar em filosofar; na velhice, não devemos deixar de filosofar. Nunca é cedo nem tarde demais para cuidar da própria alma. Quem diz que não é ainda, ou já não é mais, tempo de filosofar, parece-se ao que diz que não é ainda, ou já não é mais, tempo de ser feliz. Jovens ou velhos, devemos sempre filosofar; no último caso, para rejuvenescermos ao contato do bem, pela lembrança dos dias passados, e no primeiro, para sermos, embora jovens, tão firmes quanto um ancião diante do futuro. É mister, pois, estudar os meios de adquirir a felicidade; quando a temos, temos tudo; quando a não temos, fazemos tudo por adquiri-la."Epicuro, in 'A Conduta na Vida'.[4]

Maravilhosa citação de Epicuro. Vemos que é essencial incluir a filosofia em nossas vidas, não apenas por causa da citação de Epicuro, mas sim pela necessidade de entrar em contato com outras pessoas e o mundo.

Daí vem à nossa mente: Para que filosofar? Muitas pessoas devem pensar o porquê. Muitas vezes a filosofia nos transmite a sensação, que filosofar é um ato de poucos. Mas deve ser um ato para todos. Filosofar é preciso. Todos nós temos a capacidade de pensar, pois somos seres racionais e inteligentes. A filosofia vem para lhe dar uma nova vida. A filosofia é uma necessidade humana, sem distinção de idade, cor, raça, religião.

O homem filosofa no momento em que se vê cercado de problemas e mistérios. O homem não se satisfaz com as respostas, enquanto não atinge a essência e a razão do questionamento.

A investigação pelo conhecimento de algo, é supra-racional, inconcebível, que esta além de nossa inteligência ou em seus limites extremos.

A filosofia não existiria se todos os filósofos e as pessoas pensassem igual. Pois a filosofia tem o desejo de renovar conceitos de certos problemas, mostrar caminhos pela busca de respostas que o homem não sabe. A filosofia se diferencia do lugar, do tempo, da situação em que vivemos.

A convivência com a filosofia nos torna ricos na arte de pensar. Se a grande maioria dos homens estivessem abertos a descobrir o novo, o mundo estaria um pouco melhor. A filosofia é um pretexto agradável e frutífero. Não devemos negar convites para filosofar sobre qualquer assunto.

Vivemos sem nos perguntarmos o porquê das coisas nas relações entre nós mesmos. Pois hoje o homem cria o que quer, tem todos os recursos financeiros necessários para inventar, construir carros, aviões, navios e tudo mais. Mas não se sabe o porquê de nada. Não questionamos sua utilidade, sua necessidade, o porquê disso e daquilo. É necessário se preocupar com o ser humano, para que ele tenha uma racionalidade de questionar o porquê de tudo.

A filosofia facilita para o ser humano nas suas opiniões, preceitos, raciocínios, fazendo com que o homem seja capaz em tudo que faz. Podemos notar que no próprio ofício de cada homem, quando este adquire traços filosóficos, se conduz mais perto da perfeição e se torna útil aos interesses da sociedade.

A filosofia é a arte de perguntar a si mesmo e ter uma resposta pela visão e opinião dos outros, a sua utilidade esta em ver e mostrar que por outro tipo de ciência não saberíamos e nem veríamos. A partir que cada pessoa começar a observar, a ver, ela automaticamente muda. O homem ganha uma liberdade entre tantas que ele almeja. Assim ele se transforma, filosofando.

A filosofia compromete desde as raízes a essência da vida, da nossa existência. Refletindo sobre nossa existência, somos filósofos para causar uma evolução dentro de nós mesmo. Fazemos de nossa própria existência um problema, não a negando, mas para entendê-la, explicá-la, aprofunda-la e reconquista-la.

Filosofar é preciso para crescer interiormente, entender os porquês da vida, perceber que a vida é muito mais do que se espera, cismar, questionar a coisa mais simples que possa imaginar. Nada somos sem filosofar.

Thomas Hobbes em seu livro O Leviatã (1651 ) registrou a frase Primum vivere, deinde philosophare  primeiro viver, depois filosofar[5]. A idéia desta frase é que devemos primeiramente viver e se preocupar com nossas vidas, e depois conseguir recursos para então filosofar, pensar nas coisas que não possam ser concretas, algo abstrato.

É necessário viver e filosofar ao mesmo instante, pois quando realizamos alguma conduta, ação ou omissão, existe uma filosofia espontânea sem o desejo de realizar consciente a palavra filosofia em seu sentido literal. Mesmo para se iniciar uma filosofia com maior evolução, crítica, questionamento, viver e filosofar é preciso, pois um complementa o outro. Acredito que uma vida sem ser questionada, não merece ser vivida.

Se inicia a filosofia em uma vida, questionando as crenças, preconceitos do cotidiano para serem avaliados, tendo a idéia de entender o que não sabemos. Sócrates dizia que a busca pelo conhecimento se dá quando somos capazes de dizer: " Só sei que nada sei ".

Outro ponto fundamental para se iniciar a busca pelo conhecimento, temos que ter a consciência e admitir que reconhecemos nossa ignorância sobre determinado assunto. Apenas desta forma podemos deixar de lado todas nossas opiniões influenciadas pela sociedade. E quando deixamos tudo de lado, há um espanto, uma surpresa com nosso pensamento, pois aquele mundinho que vivíamos começa a ter uma nova dimensão; nossa visão é outra; tudo que nos rodeia parece de outro mundo, é como se estivesse acabado de nascer novamente.

"A filosofia inicia sua investigação num momento muito preciso: naquele instante em que abandonamos nossas certezas cotidianas e não dispomos de nada para substituí-las ou para preencher a lacuna deixada por elas. Em outras palavras, a Filosofia se interessa por aquele instante que a realidade natural ( o mundo das coisas ) e a realidade histórico-social ( o mundo dos homens ) tornam-se estranhas, espantosas, incompreensíveis e enigmáticas, quando as opiniões estabelecidas disponíveis já não nos podem satisfazer "[6].Esta citação de Marilena Chauí, diz com clareza o que a filosofia nos proporciona e que ela é capaz.

Quando sentir o desejo do saber, de obter conhecimento, tenha atitude filosófica para adquirir conhecimento de algo que você não aceita como é ou como está. A filosofia é uma ferramenta para desvendar, descobrir novas verdades escondidas. Somente assim podemos ser livres, nos libertar de muitos costumes, paradigmas, mentiras impostas ao longo dos anos.

É visível que pessoas alienadas, por qualquer fim, tem sua capacidade de raciocinar limitada. Como se um véu encobrisse sua inteligência.

E proponho que todos aqueles que perceberem a razão de sua alienação, filosofem. Tente entender o porquê de tudo, pois logo haverá uma solução. Assim pode-se sair do escuro e ver o mundo que nos cerca, a realidade, as coisas da vida que passam despercebidas.

Filosofar é preciso para nos entender; entender o que estamos fazendo neste mundo, "o que buscamos ?", "Para quê ou porque buscamos a felicidade?", " qual minha razão de viver?". Duvide de tudo. Porque bola é bola? Ou ela está bola? Não existe pergunta imbecil. Deixar de questionar a essência das coisas é um problema.

A partir de uma reflexão filosófica, vamos ao alicerce do pensamento, a raiz ; é um pensar sobre si mesmo, conhecer o próprio pensamento ou conhecimento.

O homem não é apenas um ser pensante, mas sim um ser que age no mundo, que tem contato com seus semelhantes, com as coisas e situações que lhe cercam, se expressando através de ações, comportamentos e condutas.

Reflexão filosófica é entrar em contato com relações cotidianas e compreender porque realizamos tais condutas.

A reflexão filosófica gira em torno de perguntas ou questões como: Por que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos e fazemos o que fazemos? As razões e as causas. O que queremos pensar quando pensamos, o que queremos dizer quando falamos, o que queremos fazer quando agimos? Conteúdo ou sentido. Para que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos, fazemos o que fazemos? Intenção ou finalidade.[7]

Estas questões tem a finalidade de estimular o pensamento, a linguagem e a ação. É uma busca por um conhecimento sobre nós mesmos, o homem como ser pensante, que se comunica e age. A busca da realidade interior dos seres humanos

Uma das maneiras do ser humano se conhecer, ver o mundo com outros olhos é através da arte de filosofar. A filosofia tem o privilégio de estruturar, sistematizar, inter-relacionar o saber, a ciência, a arte, a cultura. Para bem viver, filosofar é preciso.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOCHENSKI, J. M. Diretrizes do Pensamento Filosófico. 4º ed. Hender: São Paulo, 1971.

CARDOSO, Clodoaldo M. Filosofar ou Viver. Disponível em .Acesso em:10 jun.2006, 09:25:42.

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COBRA, Rubem Q. Giordano Bruno.Geocities,1997. Disponível em: Acesso em: : 31 de jul. 2006, 19:42:25.

HEGEL, Georg. Só arriscando em nossa vida conservamos a liberdade. Copyright citador, 2003. Disponível em: Acesso em: 05 agost. 2006, 19:42:54.

 

HUISMAN, Denis; VERGES, André. A composição Filosófica. 1º ed. São Paulo:Freitas Bastos, 1970.

JASPERS, Karl. Introdução ao Pensamento Filosófico. 1º ed. São Paulo: Cultrix, 1971.

KRISHNAMURTI, Jiddu. A Primeira e Última Liberdade. 3º ed. São Paulo: Cultrix, 1972.

MARINS, Luiz. Primeiro viver, depois filosofar. - AnthroposConsulting, 2004. Disponível em: http://www.anthropos.com.br/conteudo.php?id=236&cat=1 Acesso em: 14 agost. 2006, 10:23:10.

OLIVEIRA, Cristina G. M. Filosofia? Disponível em . Acesso em: 12 jun. 2006, 15:03:52.

REALE, Miguel. Introdução à Filosofia. 1º ed.Saraiva: São Paulo, 1988.

RUSSELL, Bertrand. Dúvidas filosóficas. Disponível em

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SAMOS, Epicuro de. A morte não é nada para nós. Copyright citador, 2003. Disponível em: Acesso em: 07 agost. 2006, 14:20:23.

SAMOS, Epicuro de. Filosofar é Preciso. Copyright citador, 2003.Disponível em: Acesso em: 07 agost. 2006, 18:23:41.

SCIACCA, Michele Federico. História da Filosofia. 3º ed. Mestre Jou: São Paulo, 1967.

VASCONCELLOS, Rafael. A Importância das Ciências Sociais e da Filosofia para a formação do jurista. Disponível em Acesso em: 04 agosto 2006, 17:20:26.


[1]COBRA, Rubem Q. Giordano Bruno.Geocities,1997. Disponível em:

Acesso em: : 31 de jul. 2006, 19:42:25.

[2] SAMOS, Epicuro de . A morte não é nada para nós. Copyright citador, 2003. Disponível em: Acesso em: 07 agost. 2006, 14:20:23.

[3] HEGEL, Georg. Só arriscando em nossa vida conservamos a liberdade. Copyright citador, 2003.

Disponível em: Acesso em: 05 agost. 2006, 19:42:54.

[4] SAMOS, Epicuro de. Filosofar é Preciso. . Copyright citador, 2003. Disponível em: Acesso em: 07 agost. 2006, 18:23:41.

[5] MARINS, Luiz. Primeiro viver, depois filosofar. - AnthroposConsulting, 2004. Disponível em: http://www.anthropos.com.br/conteudo.php?id=236&cat=1 Acesso em: 14 agost. 2006, 10:23:10.

[6] CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 13º ed. São Paulo: Ática, 2005. Pág. 18

[7] CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 13º ed. São Paulo:Ática, 2005. Pág. 20

 
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Sobre este autor(a)
Advogado em Itararé e no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sengés. Advogando nas comarcas de Itararé-SP, Sengés-PR e Jaguariaiva-PR. Membro do Conselho Municipal Antidrogas de Itararé. Pós graduando em Ciências Penais.
Membro desde abril de 2008
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