A afetividade e seu papel motivador no desenvolvimento da aprendizagem
 
A afetividade e seu papel motivador no desenvolvimento da aprendizagem
 


Resumo:

Este artigo tem como intuito demonstrar a grande relevância que a afetividade possui no processo de ensino-aprendizagem, fundamentado teoricamente. Objetiva pautar a estrita relação entre afeto e cognição e afirmar a sua importância no desenvolvimento do educando, especialmente na relação professor-aluno. Observando que a relação entre razão e emoção, ao longo do tempo foi vista como processos indissociáveis, e que um prevalecia em detrimento do outro, buscamos desenvolver argumentos que sustentassem nossa concepção sobre a importante relação que ambas instancias possuem na vida do sujeito. Objetivamos ainda, através deste, oferecer contribuições para que o educador possa desenvolver uma relação de afeto com seus alunos, possibilitando uma maior motivação dos educandos durantes as aulas e conseqüentemente uma aprendizagem significativa. Sendo assim, tomamos como base principal para fundamentação deste artigo o teórico Henri Wallon, que desenvolveu uma teria voltada para a importância da emoção e dos processos afetivos ao longo do desenvolvimento do individuo, autores como Piaget, Vygotsky e Freud, também possibilitaram uma grande contribuição na afirmação das idéias centrais do texto e na fundamentação teórica do mesmo. Deste modo, neste artigo trataremos mais especificamente das relações afetivas no ambiente escolar e sua importância com o desenvolvimento da aprendizagem.
Palavras-chave: Afetividade; Relação professor-aluno; Aprendizagem.





INTRODUÇÃO:

O presente artigo tem o intuito de demonstrar a importância da afetividade no desenvolvimento da aprendizagem, especialmente em sala de aula, na relação que permeia o educador e o educando.
As inquietações sobre a importância do afeto na relação ensino aprendizagem surgiram a partir das aulas de Psicologia da Educação que tivemos durante os 3º e 4º semestre do curso de licenciatura em Pedagogia, onde surgiram duvidas a respeito dos estímulos que motivavam os alunos a aprenderam e como este processo se dá.
Deste modo buscamos um teórico que discorresse a respeito da importância do afeto nas relações de ensino aprendizagem e nos deparamos com o teórico Wallon, que proporcionou uma importante contribuição para educação, a respeito das relações afetivas que permeiam o individuo ao longo de seu desenvolvimento e os níveis maturacionais que este sujeito percorre ao longo de sua vida, fazendo uma ligação entre as relações afetivas que são construídas em seu meio social, ao longo de seu desenvolvimento.
Henri Wallon atribui grande importância às relações afetivas no processo de desenvolvimento do individuo desde o seu nascimento, ou seja, para ele a afetividade é uma das primeiras etapas que a criança percorre, sendo que o nascimento da afetividade é anterior à inteligência, onde esta é o ponto de partida no processo da aquisição dos conteúdos do meio externo.
Almeida (1999), tomando como referencia a teria Walloniana nos conduz a observar a estrita relação entre a afetividade e a inteligência, afirmando que:
A afetividade e a inteligência constituem um par inseparável na evolução psíquica, pois ambas têm funções bem definidas e, quando integradas, permitem à criança atingir níveis de evolução cada vez mais elevadas, sendo que a inteligência tem a função de descobrir explicar e transformar seres e coisas (p 51).
Como vimos, o afeto e a construção da inteligência constituem-se em domínios inseparáveis que devem manter-se em interdependência ao longo da vida dos sujeitos. Deste modo, dando prioridade à construção do conhecimento cientifico que é mediado do educador para o educando, podemos afirmar que a relação de afetividade deve permear as salas de aulas com intuito de proporcionar maior estímulo para aquisição dos conhecimentos transmitidos.



É possível separar razão e emoção? Existe relação entre afetividade e desenvolvimento cognitivo? A afetividade é pressuposto para a construção do conhecimento?

Em busca de uma resposta aos questionamentos a cerca da importância da afetividade na relação professor-aluno, construímos algumas reflexões sobre a temática no desenvolvimento da aprendizagem.
De acordo com Costa (Apud CODO, 1999):
A palavra afeto vem do latim affectu (afetar, tocar) e constitui o elemento básico da afetividade, conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos e paixões acompanhados sempre da impressão de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou tristeza. Costumamos utilizar a forma verbal do termo afetar, no sentido de influenciar: ?o que ele diz sobre mim não me afeta?. Ao dizer que o ser humano age sobre o meio em que vive, estamos considerando também que ele dá significado ao objeto através da sua ação. (p. 51).
Observando que o educador e educando, ao inserirem-se no ambiente escolar não deixam fora da sala de aula os aspectos afetivos que constituem a sua personalidade, podemos afirmar que, no trabalho educativo não existe uma aprendizagem meramente racional, portanto pensar e sentir fazem parte do processo de aprendizagem.
Deste modo é este enlace de emoções e sentimentos que permeia a relação professor- aluno no ambiente escolar que constitui um dos meios primordiais para o desenvolvimento de uma aprendizagem significativa, teoria criada por David Ausubel (1980), desenvolve a idéia de que para que haja uma aprendizagem significativa é necessário que tenha uma integração construtiva do pensamento, dos sentimentos e das ações que levam à capacitação do individuo.
Baseando-se nas idéias pregadas na teoria da aprendizagem significativa, Morais, salienta que (Apud COBE A NOVAK, 1978, 1980, 1983, 1998):
Acrescentar os aspectos que são de domínio afetivo dar um caráter mais humanista para a teoria de Ausubel, considerando que a aprendizagem significativa subjaz à integração construtiva entre pensamento, sentimento e ação, que conduz ao engrandecimento humano (ibidem, 1998, p.15).
Sendo assim, as atitudes e os sentimentos positivos em relação à experiência educativa têm relação com uma aprendizagem significativa, e por sua vez, podem facilitá-la ou dificultá-la.
Morais (Apud NOVAK, 1980), demonstra quatro grandes vantagens que a aprendizagem significativa apresenta sobre a aprendizagem por memorização ou mecânica:
? Os conhecimentos adquiridos significativamente ficam retidos por um período maior de tempo.
? As informações assimiladas resultam num aumento da diferenciação das idéias que serviram de âncoras, aumentando, assim, a capacidade de uma maior facilitação da subseqüente aprendizagem de materiais relacionados.
? As informações que não são recordadas ( são esquecidas), após ter ocorrido a assimilação, ainda deixam um efeito residual no conceito assimilado e, na verdade, em todo o quadro de conceitos relacionados.
? As informações apreendidas significativamente podem ser explicadas numa enorme variedade de novos problemas e contextos. (p. 61).
Deste modo, a aprendizagem significativa tem como principal característica, a interação de informações a um aspecto relevante da estrutura cognitiva do sujeito, ou seja, uma informação é aprendida de forma significativa quando se relaciona com outras idéias ou conceitos que este sujeito já possui, tornando estes relevantes e claros a partir da ligação com os que já estão disponíveis na mente do individuo que passam a servir como âncoras para assimilação de novos conceitos.

[i][b]O papel da afetividade no desenvolvimento da aprendizagem ao longo do tempo:

Ao observar algumas tendências filosóficas discutidas por Aranha (2008) que se expandiram no século XVII, visualizamos que surgiu um interesse por parte de alguns filósofos com a aquisição de conhecimento, porém desconsideravam a influência da emoção. Dentre estes destacamos René Descartes (1596-1650) que defende a teoria cartesiana da concepção de inatismo da mente. Este pensador introduziu uma grande modificação no pensamento moderno e estabelecia a crença na autonomia do pensamento, a idéia de que a razão por si só basta para encontrar a verdade, chegando ao ponto de afirmar seu pensamento em uma frase que se tornou muito conhecida em todo o mundo: penso, logo existo.
Estas orientações filosóficas marcaram de certa forma a maneira de pensar a pedagogia, e inclusive, ainda se encontra presente na contemporaneidade e permeia o mundo ocidental. Sendo o desenvolvimento da capacidade cognitiva, visto como algo à parte da afetividade, talvez pelo fato de se pensar, que razão e emoção não se relacionem ou simplesmente para não abrir mão do papel imposto ao professor de autoridade máxima capaz de controlar, ou até mesmo ignorar as inquietações causadas pelas emoções em sala de aula, tornando conseqüentemente a escola apenas transmissora do conhecimento, considerando os aspectos afetivos como processos distantes da relação do conhecimento.
Damásio (1996), preocupado em articular as emoções com o processo cognitivo contrapõe as idéias de Descartes, tomando como base estudos da neurobiologia. Ele afirma que as emoções são inseparáveis nos processos de raciocínio, diz ainda que emoções direcionadas sejam como apoio principal para a razão desenvolver-se, sendo que a razão não pode operar a contento sem emoções bem direcionadas.
Segundo o autor,
Descartes via o ato de pensar como uma atividade separada do corpo, essa afirmação celebra a separação da mente e da relação entre mente e o corpo, a " coisa pensante" (res cogitans), do corpo não pensante, o qual tem extensão e partes mecanicas (res extensa)( p.279).
Damásio prossegue com as seguintes afirmações:
E para nós, no presente, quando vimos ao mundo e nos desenvolvemos, começamos ainda por existir e só mais tarde pensamos. Existimos e depois pensamos e só pensamos na medida em que existimos, visto o pensamento ser, na verdade, causado por estruturas e operações do ser (p.279).
Deste modo podemos afirmar que, as relações que o sujeito constroi com o meio e as pessoas que estão em seu entrorno, é anterior ao pensamento, sendo que o raciocinio é conduzido pelas relações de afeto deste sujeito ao longo do seu desenvolvimento, portanto, a razão tem estrita relação com a emoção e só se desenvolve a partir desta, sendo assim, a criança só começa a raciocinar a partir do momento que, se encherga como pertencente deste meio social que vive.

Visão de alguns teriocos na relação afeto e desenvolvimento

As emoções têm papel imprescindível para o desenvolvimento psíquico do ser humano, e é o grande estimulante para a aquisição do conhecimento, ou seja, os vínculos emocionais que constituem as relações influenciam na construção da personalidade, da auto estima, proporcionando conseqüentemente a aquisição da aprendizagem.
Tomando como base os teóricos: Wallon, Vygotsky e Piaget, discutidos por Oliveira (1992), pretendemos demonstrar que, afetividade e cognição devem andar juntas, especialmente em sala de aula, na relação entre educador e educando que devem interagir mutuamente.
De acordo com Davis (2008):
Afeto e cognição constituem aspectos inseparáveis, presentes em qualquer atividade, embora em proporções variáveis. A afetividade e a inteligência se estruturam nas ações e pelas ações dos indivíduos. O afeto pode ser assim entendido como a energia necessária para que a estrutura cognitiva passe a operar. E mais: ele influencia a velocidade com que se constrói o conhecimento, pois quando as pessoas se sentem seguras, aprendem com mais facilidade (p.83).
Harlan (2002), afirma que:
Ambientes estressantes em sala de aula podem aumentar o nível de cortisol das pessoas, um elemento bioquímico que inibe os processos de memória. Um clima positivo em sala de aula pode aumentar o nível de endorfinas elemento bioquímico que induz a sensações agradáveis, o que facilita a memória (Apud SYLWESTER, 1994) (p.24).
Podemos afirmar que alunos expostos a situações de estresse, medo, angústia, ansiedade, frustrações dentre outros tipos de sentimentos negativos, não conseguem ter um bom desenvolvimento de aprendizagem, pois nessas ocasiões o cérebro libera uma substância chamada de cortisol que inibe as ramificações neuronais, impedindo que o aluno fixe as informações que estão sendo recebidas pelo cérebro. Efeito contrário acontece quando o mesmo é exposto a situações prazerosas, que proporcione conforto, confiança, alegria dentre outros sentimentos positivos, neste momento a substância liberada pelo cérebro é a endorfina, que estimula as ramificações neuronais, fixando por mais tempo o conhecimento adquirido em sala de aula.
Sendo assim, na medida em que é desenvolvida, no ambiente escolar a afetividade entre educador e educando, o cumprimento das atividades deixa de ser tarefa árdua para o aluno, pois é proporcionado motivação, boa vontade para aprender, amenizando conseqüentemente a ansiedade, ou seja, há uma transmissão de confiança, encorajando- o a investir no processo de execução das tarefas, dando significado ao processo de aquisição do conhecimento.
Oliveira (1992) ao estudar as teorias psicogenéticas, aponta autores como Piaget, Wallon, Vygotsky, afirmando que a interação com seres mais experientes tem grande influência na construção da individualidade da criança ou no desenvolvimento de toda sua personalidade
De acordo com o estudo de Oliveira, para Piaget, a afetividade não modifica a estrutura de funcionamento da inteligência, mas poderá acelerar ou retardar o desenvolvimento dos indivíduos levando possivelmente na interferência do desenvolvimento cognitivo. Vygotsky destaca a importância do outro não só no processo de construção do conhecimento, mas também de constituição do próprio sujeito e de suas formas de agir. Segundo o autor, o processo de internalização envolve uma série de transformações que colocam em relação o social e o individual. Wallon, por sua vez sustenta em sua teoria que afetividade e inteligência estão misturadas, sendo a afetividade o principal meio para a aquisição da inteligência, ou seja, o prazer no processo de aquisição do conhecimento se da a partir do estimulo positivo, que são adquiridos através do surgimento dos elementos simbólicos internalizados pela criança, Wallon afirma que o aparecimento destes símbolos transforma as emoções em sentimentos, que podem ser medo, angustia, frustrações, alegrias, tristezas, dentre outros.
Ao contrario, um ambiente desestimulador, onde não há interação de ambas as partes podem causar medo, repulsão, angustia ansiedade e frustração nos alunos, diminuindo conseqüentemente o estimulo para a aprendizagem.
É possível que, a dificuldade de interação entre professor e aluno seja a principal causa de distúrbios de aprendizagem ou da falta de interesse em aprender, ou seja, a falta de uma visão integral do ser humano por parte do professor, não visualizando o aluno como um ser, que possui sentimentos, mas como se constituíssem apenas de um cérebro, ouvidos, e um par de olhos.
De acordo com Cunha (2008), Sigmund Freud, o criador da psicanálise e do conceito do inconsciente, afirma que o ser humano é regido por forças que estão no seu interior, e que é desconhecida pelo individuo por estar no subconsciente, portanto a vida psíquica não se resume aos fatores conscientes (percepção, atenção, memória), mas está apoiada em manifestações inconscientes. A partir da descoberta desta instância, Freud retira do ser humano a idéia de que este pode controlar totalmente seus atos e pensamentos, afirmando que não somos senhores absolutos de nossos próprios comportamentos, mas que essas ações podem está relacionado a fatos ou atitudes que vivenciamos.
A partir da teoria psicanalítica, podemos perceber que, muitas vezes as atitudes dos alunos podem estar estreitamente relacionadas ao comportamento do professor, visto que este tem um papel fundamental na construção da personalidade da criança, sendo que esta é construída a desenvolvimento.
Segundo Freud, o bebê e a criança pequena têm pouco controle sobre as poderosas forças biológicas e sociais que agem sobre eles, Davis (p.82), e, portanto, cabe ao professor ficar atento ao seu comportamento de seus alunos em sala de aula, agressões verbais, gritos por parte do aluno, podem está relacionados com o comportamento do professor em sala de aula.
O olhar do professor para o seu aluno é indispensável para a construção e o sucesso da sua aprendizagem. Isto inclui dar credibilidade as suas opiniões, valorizar sugestões, observar, acompanhar seu desenvolvimento e demonstrar acessibilidade, disponibilizando mútuas conversas, proporcionando um ambiente agradável a seus alunos que se sentirão capazes e confiantes para defenderem suas próprias posições, Almeida (1999) afirma que:
O professor tem um papel essencial no desenvolvimento afetivo da criança. Para muitos, o afeto da professora pode significar a continuação na escola... Saber lidar com as circunstâncias emocionais na sala de aula é uma garantia para o desenvolvimento das atividades escolares. Ao mesmo tempo, é muito difícil atuar numa situação tipicamente emocional sem se deixar dominar por ela (p.14).
Neste sentido, não estamos afirmando que o professor deva tomar para si o papel de pai/ mãe de seus alunos ou simplesmente não deva censurá-los quando necessário mas, que o mesmo deve ficar atento as emoções extravasada por seus alunos mediante a uma determinada situação e de acordo com Almeida (1999),
A falta de habilidade em administrar as imprevisíveis crises emocionais provoca um desgaste físico e pscológico no professor. Ao não interpretar os efeitos da emoção e, desta forma, deles se aproveitar no desenvolvimento da atividade pedagogica, o professor pode deparar, em face das emoções de sues alunos, com um "presente de grego", na medida em que, ao assistir a seu espetáculo, torna-se vítima do seu contágio. (p.15)
Como havíamos abordado anteriormente, o educador e educando ao se inserirem no ambiente escolar, trazem consigo uma bagagem emocional e, o primeiro na maioria das vezes, adiciona a essa bagagem a concepção de professor formada ao longo do tempo como aquele que deve manter o controle em sala de aula. Ao deparar-se com uma emoção negativa por parte do aluno expressa em forma de birra, gritos ou a negação no ato de fazer atividades, vê sua autoridade, mesmo que inconscientemente, ameaçada e rebate tais manifestações de forma semelhantes a do aluno, com gritos ou ameaças de punições. È necessário ressaltar também que, mesmo que o reflexo de emoções negativas ocorra entre o professor e um determinado aluno, este fato desestabiliza emocionalmente a turma inteira.

Mas o que é emoção? Existe diferença entre emoção e afeto? E qual á sua relação com a inteligência?

De acordo com Harlan (2002),
A palavra emoção vem do latim e significa "evocar", e "mexe com algo". Uma das funções das emoções é despertar o interesse e priorizar aquilo a que damos a nossa atenção e aquilo que nos interessa. Nosso estado emocional, ao recebermos informações, determina se iremos lembrá-las ou não. Se uma informação com significado emocional se associa a informações já armazenadas por nós, ela é codificada na memória a longo prazo, possuindo um poder duradouro.(p.8).
Afirmando deste modo as palavras de Arantes (2007), "O conhecimento dos sentidos e das emoções requer ações cognitivas, da mesma forma que emoções cognitivas pressupõem, a presença de aspectos afetivos" (p.2), sendo assim os aspectos afetivos estão estritamente relacionados com a aquisição do conhecimento sendo este, o combustível principal para um aprendizado significativo e eficaz.
Wallon (1994) por sua vez, estabelece distinção entre emoção, sentimento e afetividade, segundo ele (apud ALMEIDA, 1999):
Emoção e sentimentos são conceitos que não se confundem. A emoção é a manifestação de um estado subjetivo com componentes fortemente orgânicos, mais precisamente tônicos; é a expressão própria da afetividade. O sentimento é psicológico, portanto revela um estado mais permanente, enquanto a emoção, por ser mais orgânica, é efêmera . A afetividade, termo mais abrangente, inclui os sentimentos que são estados subjetivos mais duradouros e menos orgânicos que as emoções das quais se diferem nitidamente. As emoções, uma das formas de afetividade, são verdadeiras síndromes: de cólera, medo, tristeza, alegria, timidez. A afetividade, com este sentido evolui ao longo da psicogênese, uma vez incorpora as conquistas realizadas no plano da inteligência (p.53).
Observamos então através das distinções dos conceitos estabelecidos por Wallon, que a afetividade ao longo da vida, tem papel primordial nas relações entre os sujeitos, sendo a emoção à base do desenvolvimento da inteligência, e ambas dependem dos processos afetivos para intervenção deste individuo no seu meio e progresso do mesmo no processo de desenvolvimento.
Deste modo, uma pessoa tomada por determinado estado emocional como medo, ansiedade, pode ser impedida de exercer determinada atividade cognitiva. Entretanto o contrário também pode ocorrer, as ações emotivas podem possibilitar reações bem sucedidas.
De acordo com Almeida (1999),
Wallon, parte do principio de que os dois grandes domínios da afetividade e do conhecimento são antagônicos, mas também complementares. Completa afirmando que, no individuo, a emoção e a inteligência existem concomitantemente, mesmo que em estados de serenidade absoluta. O fato é que, nos momentos predominantemente cognitivos, a emoção submerge, conservando-se em estado latente. Na sua opinião, as conquistas realizadas no plano emocional são aprendidas também pela inteligência e vice-versa. (p.10).
Sendo assim, deve existir uma relação de estreita complementaridade entre afetividade e inteligência, ou seja, uma desenvolve-se em companhia com a outra, considerando que não devemos deixar-nos atentar nem para o extremismo emotivo, nem para o culto exacerbado à racionalização, mas considerar a relação de equilíbrio entre ambas as partes.

Considerações finais
A afetividade e seu papel motivador no desenvolvimento da aprendizagem
Podemos assim ressaltar que as emoções constituem o meio principal para o estimulo e a busca de novas formas de aprendizagem, ou seja, a busca por conhecer algo se estabelece a partir do momento que o individuo atribui um significado a tal objeto, ou concepção, como afirma Davis (2008):
As emoções estão presentes quando se busca conhecer, quando se estabelece relações com os objetos físicos, concepções ou outros indivíduos. Afeto e cognição constituem aspectos inseparáveis, presentes em qualquer atividade, embora em proporções variáveis. A afetividade e a inteligência se estruturam nas ações e pelas ações dos indivíduos (p.83).
Portanto, o papel do professor vai além da transmissão dos conteúdos, ele deve saber mediar às emoções que permeiam as relações em classe, para que deste modo motive este aluno a aquisição do conhecimento.
Oliveira 2008, afirma que:
Um dos trabalhos mais importantes a serem desenvolvidos pelo professor junto a seus alunos é, portanto, motivá-los. Não se trata, aqui, apenas de incentivá-los com elogios ao desempenho. Ao contrário, o bom professor procura fazer com que o processo de aprendizagem seja motivador em si mesmo: as crianças devem ser levadas a colocar toda a sua energia para enfrentar o desafio intelectual que a escola lhes coloca. O prazer vem, assim, da própria aprendizagem, do sentimento de competência pessoal, da segurança de ser hábil para resolver problemas (p.85).

Cabe então, a escola proporcionar a seus alunos um ambiente motivador, tornando o processo de aprendizagem produtivo e significativo, de modo que este estudante possa sentir-se motivado a freqüentar o meio escolar, e buscar novos conhecimentos ao longo de seu desenvolvimento estimulando sua autonomia. Deste modo, o ato de estudar torna-se não como uma obrigação, mas como algo prazeroso. E a importância da afetividade se revela como papel estimulante no desenvolvimento da aprendizagem.












REFERÊNCIAS:

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ANDERSON, John R. Aprendizagem e memória: uma abordagem integrada. Rio de Janeiro: LTC, 2005.

ARANHA, Maria Lúcia Arruda. Historia da Educação e da pedagogia. São Paulo: Moderna 2008.

ARANTES, Valéria. Afetividade e Cognição: Rompendo a Dicotomia na Educação. São Paulo, 2008.

CARVALHO de, Dieikson. A importância da afetividade na construção do conhecimento através do processo de ensino aprendizagem. Disponível em http://dieiksonprof.files.wordpress.com/2010/01/afetividade-e-conhecimento-dieikson.pdf >acesso em: 02 de setembro. 2010

DAMÁSIO, ANTÓNIO R. O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano. São Paulo companhia das Letras, 1996.

DAVIS, Claudia e OLIVEIRA, Zilma. Psicologia da Educação. ? São Paulo 2008 Editora Cortez.

FURLANI, LÚCIA. Autoridade do professor: meta, mito ou nada disso? - São Paulo: Cortez Ed., 2004.

GUEDES, Ioshua e COSTA, Shara A afetividade na sala de aula do ensino fundamental da Escola Municipal Professor Nelson do Amaral Sobreira, em Teresina ? PI. Disponível em:
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HARLAN, Jean. Ciências na Educação Infantil: Uma abordagem Integrada. 7 ed. Porto Alegre, Artemed, 2002

MACHADO, Adriana Marcondes org.Proença, Marilene. Org. Psicologia escolar: em busca de novos rumos. São Paulo: Casa do Psicólogo, c1997.

MILLOT, Catherine. Freud antipedagogo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1987.

OLIVEIRA, M. K de In: La Talle, Y et alii. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo, Summus, 1992.

SANTOS, Jair. Educação emocional na escola: a emoção na sala de aula. Salvador: Fac. Castro Alves, 2000.

WALLON, HENRI. As Origens do caráter na criança. São Paulo: Nova Alexandria, 1994.



 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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