(2010) A distribuição espacial do varejo:
 
(2010) A distribuição espacial do varejo:
 


Este artigo aborda a distribuição espacial do varejo ao longo da Regional Centro-Sul de Belo Horizonte , MG. Elabora, para tanto, sua representação cartográfica e uma revisão sobre estratégias localizacionais. Seu desenvolvimento guarda maior justificativa por se dedicar à orientação da localização varejista, especialmente por consolidar um apoio ao mencionado tipo de análise. Considerado o peso do varejo na economia belo horizontina, na qual 51% dos empreendimentos estão voltados para a prestação de serviços e 34% à venda de mercadorias, o que representa 30% de seu PIB e 84% dos empregos, reveste-se o presente trabalho de maior relevância. (PBH, 2008). O presente trabalho é um exemplo de uma Geografia aplicada, funcional por excelência, instrumentalizada por Geoprocessamento, lidando com milhares de dados. Descritivo e analítico, de resultados em relação à orientação da localização, concentra-se na busca de soluções e possibilidades varejistas. Deixa, então, de investigar e se pronunciar contra a reprodução da exploração capitalista e dos problemas sociais, haja vista o grande número de trabalhos geográficos ao respeito dos mesmos. É grande a admiração e o compromisso com a causa, contudo, neste momento, uma maior operacionalização da Geografia foi buscada.
Embora o número de trabalhos e referências sobre a questão localizacional seja incontável; não são percebidas nos mesmos, grandes inovações em relação aos estudos clássicos. De publicação recente, destacam-se mais trabalhos de aplicação e avaliação teóricas como os de Albert, Vieira e Bagolin (2007); Aragão e Medeiros (2005); Botelho (2005); Haddad (2005); Masano (2005), Aragão (2004); Coutinho (2004); Petrola e Monetti (2004); Aranha e Figoli (2001); Lopes (2001); Parente e Kato (2001); e Parente (2000); entre outros. Maiores novidades sobre a localização de equipamentos terciários têm sido publicadas pela Administração de Empresas, que tem tratado a questão de forma mais específica, reunindo e desenvolvendo técnicas de análise de diversas origens acadêmicas, confirmando, assim, a interdisciplinaridade do Geomarketing.
Representa o primeiro estudo clássico sobre a localização, publicado em 1826, antes da institucionalização da ciência geográfica, a Teoria da Renda da Terra de Von Thünen; o qual foi seguido, em 1909, pelo Modelo da Localização Industrial de Alfred Weber; em 1929, pelo Modelo de Competição Espacial de Harold Hotteling; em 1931, pela Lei da Gravitação do Varejo de Wiliam Reilly; em 1932, pelo Método Análogo de William Applebaum; em 1933, pela Teoria do Lugar Central de Walter Christaller; em 1940, pela Teoria do Equilíbrio Espacial Geral de August Lösch; em 1956, pela Teoria da Localização e Economia Espacial de Walter Isard; em 1958, pelos Princípios de Nelson; e em 1962, pelo Modelo de Interação Espacial de David L. Huff. As contribuições de Palander e Moses constituem extensões dos modelos já comentados.
Se para a localização de empreendimentos de produção primária e secundária, os custos de transporte e de mão-de-obra são fundamentais, o mesmo não pode ser afirmado a respeito da localização de empreendimentos terciários, para a qual outros fatores são determinantes. De acordo com Ribeiro, Fernandes e Viseu (2002), na localização de equipamentos terciários, os modelos gravitacionais, deterministas ou probabilistas, desenvolvidos inicialmente por Reilly em 1929, e aperfeiçoados por Converse, em 1949, e por Huff, em 1964, estão baseados na lei da gravitação dos corpos desenvolvida por Isaac Newton no século XVII: "Matéria atrai matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado da distância". No varejo, essa lei pode ser adaptada como: "Complexos varejistas atraem grupos de consumidores na razão direta da atratividade do esforço de marketing dos complexos varejistas e na razão inversa do quadrado da distância ou do tempo de deslocamento entre grupos de consumidores e complexos varejistas". A diferença entre os modelos deterministas e os probabilistas é, segundo o próprio nome indica, o determinismo dos primeiros e o probabilismo dos segundos.
Destacam-se, ainda, os modelos não gravitacionais de Christaller (1933) sobre a definição da centralidade, além dos trabalhos, essencialmente varejistas, de Applebaum (1932) e Nelson (1958) sobre a demanda de mercado, a acessibilidade, a interceptação, a atração cumulativa e a compatibilidade, bem como as analogias demográficas e concorrenciais. Importa repetir que em função de suas especificidades, a localização dos equipamentos terciários apresenta marcada distinção se comparada à localização dos equipamentos agrícolas ou industriais. Tema recorrentemente investigado pelo método neopositivista, ainda que a investigação geográfica mais contemporânea tenda ao uso de diferentes elementos metodológicos em uma só abordagem, não prescindindo do valor proporcionado pela diversidade de métodos já desenvolvidos, mas também indo além, no que pode ser chamado de Paradigma da Complexidade. As referidas iniciativas acabaram por afirmar uma linha dentro da ciência geográfica reconhecida como Geografia Econômica. O termo Geomarketing trata-se de uma nomeação mais comum entre os geógrafos norte-americanos ou analistas de mercado, remetida a uma associação entre o conhecimento localizacional e o conhecimento comportamental do consumidor para orientar questões espaciais econômicas. Depois de considerada boa parte da história através da Geografia, do Geoprocessamento e das Teorias da Localização, foram reunidos os princípios exclusivamente voltados para a localização varejista e, então, percebidas as formas como os mesmos se afirmaram, normalizando e orientando condutas mais acertadas.
Deste modo, deve-se destacar, primeiramente, o trabalho de Reilly por afirmar através da Lei da Gravitação do Varejo que a atratividade e o potencial de vendas de uma loja podem ser ampliados pela aglomeração de outras, por juntas apresentarem maior área. A Applebaum deve-se a afirmação do Princípio da Analogia Demográfica e Concorrencial, segundo o qual, áreas semelhantes em público-alvo e concorrentes apresentam potenciais de venda semelhantes. A Christäller deve-se a enunciação de que a demanda de mercado e os custos e a disponibilidade de deslocamento são essenciais para a implantação de um empreendimento comercial. Com seu trabalho foi estabelecido o Princípio da Conveniência segundo o qual, empreendimentos com mercadorias compradas freqüentemente, de menor valor, devem se posicionar o mais próximo possível de seu público-alvo, ao passo que mercadorias de maior valor, compradas com menor freqüência, ao admitirem maior esforço por preço e qualidade, possam ser estabelecidos à maior distância. Outro aspecto afirmado por Christaller refere-se à maior disposição apresentada pelo consumidor de percorrer maior distância, desde que o centro varejista disponha de maior diversidade de produtos para que possa realizar várias compras em uma única parada. Nelson definiu um conjunto de 8 princípios sobre a localização varejista, entre os quais a Demanda de Mercado, a Acessibilidade, o Potencial de Crescimento, a Menor Concorrência, a Interceptação de Negócios, a Atração Cumulativa, a Compatibilidade e a Análise do Local. Seus princípios foram elaborados a partir de regras sobre o comportamento de compras do consumidor, consideradas em uma micro-escala de análise, apresentando, desse jeito, maior especificidade e eficiência. Para concluir a reunião dos princípios varejistas, deve-se fazer referência ao trabalho de Huff que, ao utilizar a Lei de Reilly, concluiu que a força de atração entre um consumidor e um centro comercial é diretamente proporcional à área do centro e inversamente proporcional ao tempo de deslocamento desse consumidor até o referido local.


O Varejo de Mercadorias e Serviços


O varejo representa um processo de venda de produtos e serviços a um consumidor final realizado tanto em lojas quanto por telefone, Internet ou em casa. As vendas realizadas por fabricantes e atacadistas a consumidores finais também são consideradas a varejo . O que diferencia os varejistas dos atacadistas é o uso pessoal conferido por seus clientes, aos produtos adquiridos, enquanto que os outros revenderão suas aquisições. Os varejistas desempenham um papel intermediário nos sistemas de distribuição entre o produtor e o consumidor, enquanto um elo de ligação entre o nível do consumo e o nível do atacado ou da produção.
Para Parente (2000), um erro na seleção de um ponto varejista pode significar uma enorme desvantagem competitiva, maiores esforços e sacrifícios, senão prejuízos. A importância da localização é menos relevante, apenas, para os tipos de varejo que operam sem lojas, como as empresas de catálogo ou os varejistas virtuais que comercializam através da rede mundial de computadores, a Internet. Esses modelos conseguem alcançar seus consumidores, independentemente, de sua localização física. Entretanto, a facilidade de acesso ainda se mantém como um fator vital para o sucesso de qualquer negócio.
Aspecto fundamental sobre a localização consiste na capacidade de atrair clientes de regiões mais distantes: empreendimentos de grande porte apresentam uma área de influência mais extensa pois conseguem atrair clientes mais afastados. Em geral, são localizados ao longo de vias expressas, para facilitar o acesso a regiões distantes e, assim, atingir um maior volume de vendas. Já empreendimentos de menor porte, como farmácias, padarias e açougues, apresentam uma área de influência pequena, e alcançam sucesso quando estão situadas em regiões residenciais, densamente povoadas, mesmo quando localizadas em vias de menor circulação. (PARENTE, 2000).
Para a caracterização do varejo há que se distinguir as freqüências de compra, por conveniência, comparada, altamente comparada ou inconveniente; bem como as decisões de compra em planejadas, não planejadas ou por impulso. Deve-se, ainda, distinguir a durabilidade e tangibilidade dos produtos; se bens duráveis, não duráveis ou semiduráveis; se mercadoria ou serviço.
Entre as várias situações de compra, as quais os consumidores podem ser submetidos, as Compras de Conveniência se destacam por sua pequena diversidade de preço e qualidade, mas, também, pela necessidade freqüente do consumidor em relação às mesmas, não admitindo, por isso, maior tempo em sua aquisição. Nelas, a escolha do local de compra está mais condicionada à acessibilidade e à conveniência do consumidor. São exemplos os itens de consumo imediato, emergenciais ou de pouca especificidade como os vendidos em padarias, farmácias, papelarias, supermercados e postos de combustíveis, encontrando-se, geralmente, em locais populosos e de fácil acesso. Numa posição intermediária, encontram-se as Compras Comparadas ocorridas de forma descontínua e após a comparação do preço e da qualidade dos produtos. Destacam-se enquanto produtos mais valorizados, comprados ocasionalmente com maior comparação, especialmente, por preço e qualidade como eletrodomésticos, roupas e móveis. Encontram-se, geralmente, próximos à concorrência, a fim de facilitar o processo comparativo. Noutro extremo, estão as Compras de Alta Comparação que exigem um esforço de pesquisa ainda maior. Destacam-se enquanto produtos sofisticados, para os quais não há substitutos, comprados, se necessário, sob grandes esforços e distâncias, como automóveis, roupas de marcas exclusivas, móveis de design especial e objetos de arte. Em relação a sua localização, mais importante que a conveniência do ponto é a clara comunicação da mesma junto ao seu público alvo. Distinguem-se, por último, as Compras Inconvenientes ou Não Procuradas, assim chamadas por representarem situações sem qualquer apelo consumista como alguns tipos de seguros, serviços funerários ou túmulos. (PARENTE, 2000; PETROLA e MONETTI, 2004).
Em relação às diversas decisões de compra, Parente (2000) afirma a influência de três situações, quais sejam, o planejamento, o não planejamento e o impulso. Se planejadas as compras são programadas com antecipação antes da entrada na loja e sob o auxílio de uma lista de compras. As compras não planejadas, embora não programadas com antecipação, apresentam uma decisão de compra avaliada com racionalidade, especialmente em relação a produtos de conveniência abaixo do preço. As compras por impulso representam situações de compras não planejadas, realizadas de forma espontânea e completamente não programadas. São compras não racionais, de certa forma desnecessárias, que consomem muito tempo, sendo motivadas por promoções, ambientes agradáveis e outras técnicas de merchandising .
Partindo do princípio de que para cada produto há determinado comportamento de compra, Parente (2000) destaca três possibilidades em relação à durabilidade dos mesmos, os Duráveis, os Semiduráveis e os Não Duráveis. Os Bens Duráveis se destacam enquanto produtos cujo uso não resulta em seu desaparecimento, mas, talvez, em seu desgaste, apresentando, então, maior durabilidade como os automóveis, os móveis e os eletrodomésticos. Os Bens Semiduráveis, por sua vez, destacam-se enquanto produtos cujo uso não corresponde ao seu desaparecimento imediato, como no caso dos alimentos, nem na durabilidade estendida como a dos automóveis, mas em produtos de durabilidade intermediária como os calçados e papelarias. Os últimos, os Bens Não Duráveis se destacam por desaparecerem ao serem consumidos como os alimentos, devendo, por isso, serem comprados freqüentemente.
Em relação à tangibilidade, duas distinções podem ser feitas, o Varejo de Mercadorias e o Varejo de Serviços. Este último representa um setor onde não se adquire a posse de produtos tangíveis, mas de soluções conferidas por atividades pagas como o aprendizado em escolas, a recuperação da saúde em hospitais, a utilização de aparelhos em uma academia, a locação de DVDs em uma locadora, o entretenimento em clubes e cinemas ou o embelezamento em salões cabeleleiros, e a reparação de um carro em uma oficina. Diferentemente das mercadorias, a natureza intangível dos serviços dificulta o processo de comparação e seleção entre seus prestadores, ao passo que seu forte componente humano implica menor padronização. (PARENTE, 2000).


METODOLOGIA


Para o desenvolvimento deste trabalho dois bancos de dados foram usados: o primeiro, um cartográfico, com mapas digitais urbanos cedido pela Empresa de Informática e Informação de Belo Horizonte (PRODABEL); o segundo, um alfanumérico, sobre a composição comercial foi cedido pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), ambos do ano de 2007.
Na seleção dos segmentos econômicos, três parâmetros foram considerados: o primeiro se enquadrar, exclusivamente, dentro de atividades varejistas; o segundo se referir, apenas, a atividades às quais seja fundamental uma localização adequada e cujos produtos sejam expostos ou serviços realizados no próprio local; e o terceiro, estar localizado dentro do limite oficial da Regional Centro-Sul, excluindo partes de bairros, exteriores à Av. do Contorno, como Floresta e Santa Efigênia.
Para a definição dos intervalos dos mapas foi utilizado o método Quebra Natural disponível no software Mapinfo 7.0, que conferiu à distribuição dos dados comerciais uma representação espacial mais regular, considerada sua extensa amplitude e irregularidade. A representação da distribuição dos vários segmentos econômicos não teve por objetivo a comparação entre os mesmos, dispensando, assim, intervalos iguais.
Para a distinção dos dados econômicos, foi utilizado, além do endereço, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAEs). Daí a necessidade de uma generalização em oito grandes segmentos, através do software Excel 2007, quais sejam, Alimentação, Educação, Entretenimento, Finanças, Habitação, Locomoção, Saúde e Vestuário que levaram, posteriormente, a 27 subsegmentos. Das 1.491 diferentes CNAEs agropecuárias, extrativistas, industriais, atacadistas, varejistas e de serviços presentes na mencionada regional em um total de 102.186 registros, foram selecionadas apenas 233 estritamente varejistas, com forte apelo localizacional e situadas dentro da Av. do Contorno, diminuindo, assim, para 41.883 registros em 9.631 pontos geográficos diferentes. Assinala-se, no entanto, que um só ponto possa remeter a centenas de lojas, como no caso de galerias, prédios comerciais e shoppings; além de uma só empresa apresentar variados CNAEs. Salienta-se, contudo, a possibilidade de que o banco de dados da JUCEMG possa não revelar, seguramente, o número de empreendimentos existentes em função de sua desatualização. Os dados de endereço, descrição CNAE e coordenadas planas das empresas foram, então, exportados para o software MapInfo 7.0 que transformou as coordenadas em pontos referenciados a uma tabela.
Além da difícil representação dos 9.631 pontos, muitos dos quais sobrepostos, enfrentou-se, também, a ocorrência, em um só ponto, de quase cinco centenas de CNAEs, como no caso do Mercado Central de Belo Horizonte, localizado à Av. Augusto de Lima, 744. Destaca-se, todavia, não se tratar de 494 empreendimentos diferentes, uma vez que uma só empresa possa apresentar variados CNAEs. Tal dissonância se deve, particularmente, à qualidade dos dados cedidos pela CDL-BH, que ao fazê-lo eliminou a identificação das empresas. De outro modo, seria identificado o número de empreendimentos e não, apenas, o número de CNAEs. A solução foi encontrada pelo uso dos setores censitários, depois de compreendida sua forma de agregação e apresentação de dados. Acredita-se que, em se tratando de, aproximadamente, quarenta e dois mil (42.000) registros de CNAEs, não haja outra forma mais adequada de representação conjunta. Para a associação dos dados pontuais de varejo aos setores censitários utilizou-se, inicialmente, uma consulta, no software MapInfo, que foi exportada para o software Excel. Neste, por recurso de Tabela Dinâmica, foi possível quantificar a totalidade de empreendimentos varejistas presentes em cada setor censitário e, então, reexportá-la para o MapInfo e proceder à sua representação cartográfica, assim como utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados alcançados através da associação dos pontos aos setores, no MapInfo, e da Tabela Dinâmica, no Excel, possibilitaram, assim, a análise da composição varejista pretendida. Na região estudada, dos 377 setores censitários instituídos pelo IBGE, em 2000, 53 não apresentaram qualquer atividade econômica.


A DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DO VAREJO NA REGIONAL CENTRO-SUL DE BELO HORIZONTE


Considerados o varejo e as teorias da localização, foi definida a Regional Centro-Sul de Belo Horizonte como estudo de caso, uma entre as nove instituídas no município capital do Estado de Minas Gerais. Tida como a referência comercial, financeira e política municipal, a regional Centro-Sul concentra quase 12% de sua população total, o que equivale a 266 mil habitantes sobre uma área de 32,49 Km², com densidade demográfica de 8000 hab./km², dos quais 55% são mulheres e 45%, homens; deste total, 20% residem em áreas de risco. Destaca-se, ainda, por atrair uma expressiva população flutuante. (PBH, 2008). Ao englobar 458 vias em 40 bairros, cobre 10% da extensão de Belo Horizonte. Entre as avenidas de maior tráfego sobressaem a Afonso Pena, a Amazonas, a do Contorno e a Senhora do Carmo, além da Olegário Maciel, Álvares Cabral, Barbacena, Prudente de Morais, Raja Gabáglia e Bandeirantes.
Para a distribuição dos segmentos comerciais ao longo da Regional Centro-Sul, três escalas espaciais foram utilizadas, o bairro, o setor censitário e a rua. O Quadro 01 apresenta o número total de atividades de varejo em cada um dos bairros e nos 40 maiores setores e vias da Centro-Sul. Em relação aos bairros, o Centro aparece com quase 35% dos empreendimentos, o Barro Preto com 9,9%, e o Lourdes com 7,8%. Pela análise da distribuição por setores, infere-se que entre os 224 ditos comerciais destacam-se por sua maior composição varejista, os localizados no Centro, no Barro Preto e no Savassi; tais setores apresentam de 560 a 1920 atividades, estando grande parte das mesmas, dentro de galerias, prédios comerciais e shopping centers. Tais atividades totalizam 233 CNAEs selecionadas na região, por seu caráter essencialmente varejista, forte apelo localizacional e localização dentro da Av. do Contorno. Entre as vias com mais de 1000 atividades destacam-se a Av. Augusto de Lima, ao longo do Centro e do Barro Preto; a Av. do Contorno em quinze bairros ; a Rua São Paulo no Centro e Lourdes; a Av. Afonso Pena ; a Av. Amazonas pelo Centro, Barro Preto e Santo Agostinho; a Rua Rio de Janeiro no Centro e Lourdes; e a Rua da Bahia no Centro, Lourdes e Savassi .
O Mapa 01 (Anexo 01) destaca a distribuição total das atividades varejistas por setores censitários, dos quais 53% apresentam até 60 atividades; 28%, entre 60 e 180 atividades; 14%, entre 180 e 560 atividades; e 5%, entre 560 e 1920 atividades. Destacam-se, também, como já mencionado, 53 setores sem qualquer atividade econômica localizados, especialmente, em vilas e favelas como o Cafezal, o Monte São José, a Vila Bandeirantes, a Vila Santa Rita de Cássia e a Vila Barragem Santa Lúcia, além de bairros como Cruzeiro, Anchieta, Sion e Belvedere, com alguns setores essencialmente residenciais.


Quadro 01: A Distribuição das Atividades Varejistas por Setores, Bairros e vias,
na Regional Centro-Sul de Belo Horizonte em 2007

BAIRROS Nº % SETORES 05.62 Nº % VIAS Nº %
Centro 14577 34,9% 183 Centro 1912 4,6% Av. Augusto Lima 1873 4,5%
Barro Preto 4181 9,9% 219 Centro 1535 3,7% Av. do Contorno 1789 4,3%
Lourdes 3259 7,8% 220 Centro 1387 3,3% Rua São Paulo 1747 4,2%
Savassi 3202 7,7% 186 Centro 1131 2,7% Av. Afonso Pena 1391 3,3%
Funcionários 3097 7,4% 328 B. Preto 1024 2,4% Av. Amazonas 1132 2,7%
Santa Efigênia 1784 4,3% 218 Centro 1010 2,4% Rua Rio de Janeiro 1117 2,7%
Sto Agostinho 1249 3,0% 082 Savassi 1007 2,4% Rua da Bahia 1002 2,4%
Sto Antônio 1210 2,9% 331 Centro 970 2,3% Rua Curitiba 996 2,4%
Serra 1154 2,8% 330 Centro 928 2,2% Rua dos Tupis 995 2,4%
São Pedro 1116 2,7% 282 B. Preto 820 2,0% Rua Olegário Maciel 979 2,3%
Belvedere 883 2,1% 361 Belvede 727 1,7% Rua Alagoas 793 1,9%
Sion 875 2,1% 49 Funcionár. 704 1,7% Rod. BR 356 749 1,8%
Floresta 782 1,9% 081 Savassi 681 1,6% Rua dos Goitacazes 747 1,8%
Anchieta 630 1,5% 080 S. Pedro 597 1,4% Rua dos Guajajaras 733 1,8%
Carmo 604 1,4% 215 Centro 569 1,4% Av. Getulio Vargas 656 1,6%
Santa Lúcia 560 1,3% 272 Lourdes 454 1,1% Rua Mato Grosso 654 1,6%
Boa Viagem 537 1,3% 50 Funcionár. 449 1,1% Rua Espírito Santo 645 1,5%
Cruzeiro 510 1,2% 355 B. Preto 421 1,0% Rua dos Carijós 611 1,5%
Coração Jesus 432 1,0% 326 B. Preto 417 1,0% Av. Prudente Morais 595 1,4%
Cidade Jardim 350 0,8% 250 Centro 410 1,0% Rua dos Caetés 590 1,4%
São Bento 278 0,7% 185 Centro 394 0,9% Rio Grande do Sul 577 1,4%
Luxemburgo 196 0,5% 247 Centro 392 0,9% Av. Brasil 568 1,4%
São Lucas 106 0,3% 179 Centro 387 0,9% Rua Araguari 551 1,3%
Mangabeiras 96 0,2% 15 Funcionár. 373 0,9% Rua dos Tamóios 539 1,3%
Vila Paris 83 0,2% 01 Funcionár. 365 0,9% Rua A. Albuquerque 495 1,2%
Comiteco 28 0,1% 203 Lourdes 359 0,9% Rua dos Timbiras 486 1,2%
Cafezal 28 0,1% 53 S. Efigênia 353 0,8% Rua Sergipe 470 1,1%
N. Conceição 20 0,1% 272 Lourdes 454 1,1% Rua dos Tupinambás 460 1,1%
N. S Fátima 11 0,0% 217 Centro 346 0,8% Rua Paraíba 458 1,1%
V. B St. Lúcia 11 0,0% 14 Funcionár. 344 0,8% R. Fernand.Tourinho 457 1,1%
Marçola 10 0,0% 15 Funcionár. 331 0,8% Av. Santos Dumont 430 1,0%
Estrela 08 0,0% 01 Funcionár. 328 0,8% Rua Grão Mogol 409 1,0%
Conj. St Maria 05 0,0% 181 Centro 323 0,8% Av. Paraná 404 1,0%
S R de Cássia 05 0,0% 083 Savassi 320 0,8% Rua Pernambuco 370 0,9%
Cafezal 03 0,0% 286 B. Preto 315 0,8% Av. Raja Gabáglia 368 0,9%
N S Aparecida 02 0,0% 52 S.Efigênia 313 0,7% Av. Álvares Cabral 357 0,9%
Mte São José 01 0,0% 203 Lourdes 305 0,7% Av. Cristo. Colombo 351 0,8%
Subtotal 41883 100% Subtotal 23155 55,3% Subtotal 27544 65,8%
Total 41883 100% Total 41883 100 % Total 41883 100%
Fonte: CDL-BH, 2007. Organizado pelo Autor.


Conhecida a distribuição total das 233 CNAEs na Centro-Sul, foi a mesma segmentada e mapeada em 8 segmentos, tais quais: Alimentação, Saúde, Educação, Vestuário, Habitação, Locomoção, Finanças e Entretenimento apresentados na mesma ordem. Com maior concentração de atividades destacou-se o Vestuário, com 28%, e a Alimentação com 26%; na faixa de 12% a 18%, as atividades a serviço da Habitação e da Educação; e, finalmente, de 1% a 6%, as atividades de Entretenimento, Saúde, Locomoção e Finanças conforme representado no Quadro 02.


Quadro 02
O Número de Atividades Varejistas por Segmentos na Regional Centro-Sul de Belo Horizonte em 2007

SEGMENTOS
LABORATÓRIOS,
CLÍNICAS
e
HOSPITAIS
NÚMERO DE ATIVIDADES PORCENTAGEM DE ATIVIDADES
(1) Vestuário 11706 28%
(2) Alimentação 11010 26%
(3) Habitação 7712 18%
(4) Educação 4913 12%
(5) Entretenimento 2637 6%
(6) Saúde 2067 5%
(7) Locomoção 1489 4%
(8) Finanças 349 1%
Total 41883 100%
Fonte: CDL-BH, 2007. Organizado pelo Autor.




A distribuição das atividades varejistas relacionadas à Alimentação


Os empreendimentos do segmento Alimentação são de diversidade e distribuição bastante ampliadas: bares, restaurantes e lanchonetes, por exemplo, podem ser encontrados tanto de forma isolada numa rodovia, quanto dispersos por ruas ou aglomerados em praças de alimentação. Seus serviços, por sua vez, podem ser prestados no próprio empreendimento ou entregues na casa do cliente. Entre todos os oito segmentos estudados é o que exige maior freqüência de compra por parte do consumidor, enquadrando-se, como nenhum outro, no Princípio da Conveniência de Christäller, segundo o qual, empreendimentos com mercadorias de menor valor compradas freqüentemente, devem se posicionar o mais próximo possível de seus consumidores. Em relação à sua decisão de compra, considerado seu valor e volume, motivam muitas vezes compras por impulso ou de pequena comparação. No caso em questão, maior comparação é feita, no mesmo empreendimento, entre mercadorias de marcas diferentes do que entre empreendimentos diferentes pela mercadoria da mesma marca.
Neste estudo, foram representados os subsegmentos de venda de mercadorias e serviços alimentícios oferecidos por açougues, padarias, sacolões, mercearias, bares, restaurantes, lanchonetes, supermercados e hipermercados. Alguns empreendimentos caracterizam-se, especialmente, pelo aumento do fluxo de clientes em faixas de horários determinadas como em bares e restaurantes. De outro modo, açougues, padarias, sacolões e mercearias apresentam uma grande compatibilidade entre si, valendo-se todos da atratividade exercida por cada um. Obtêm, assim, melhores resultados se implantados em regiões residenciais, densamente povoadas, mesmo em vias de menor circulação. Assinala-se, ainda, que para além da proximidade, conveniência pressupõe maior diversidade e qualidade dos serviços e mercadorias ofertados.
Na Centro-Sul, o varejo a serviço da Alimentação engloba 11.010 atividades, 26% do total de atividades na região. Para a sua análise foram selecionadas 23 CNAEs. O Centro apresenta a maior disponibilidade em empreendimentos alimentícios (36%), seguido pelo Lourdes com 8%, e pelo Funcionários com 6%. Nas favelas do Cafezal, Conjunto Santa Maria e Monte São José, em julho de 2007, não havia qualquer registro na JUCEMG de atividade proporcional. Em relação à distribuição por setores, destacam-se no Centro e Cruzeiro, os grandes e tradicionais mercados de hortifrutigranjeiros e outros alimentos artesanais. A análise das ruas confirmou os resultados setoriais: quatro vias apresentam os três maiores resultados, a Av. Augusto de Lima, no Centro, com 12%; Av. Olegário Maciel, no Centro, com 5%; Av. do Contorno, em vários bairros, com 3%; e Rua Ouro Fino, no Cruzeiro, com 3%. Não por acaso, com exceção da Av. do Contorno, nas referidas ruas encontram-se o Mercado Municipal, o Mercado Novo e o Mercado Distrital do Cruzeiro.


A distribuição das atividades varejistas relacionadas à Saúde


O segmento Saúde caracteriza-se por serviços prestados por clínicas médicas e odontológicas cujo sucesso depende de referências adequadas propagadas a potenciais clientes. Drogarias e óticas, por seu tempo, constituem empreendimentos pelos quais há grande demanda, especialmente por parte de populações mais idosas, que esperarão por preços mais competitivos e maior conveniência. De outro modo, os serviços funerários se destacam pela inconveniência e pelo transtorno familiar.
Na Centro-Sul, o varejo de serviços e mercadorias a favor da Saúde engloba 2.067 atividades, representando 5% do total de atividades na região. Para a distribuição de seus equipamentos, foram selecionadas 23 CNAEs. Entre os bairros com maior disponibilidade de serviços de saúde sobressaem o Centro com 27%, o Santa Efigênia, em sua tradicional Região Hospitalar, com 23%, e o Funcionários com 9%. Entre as vias destacam-se a Afonso Pena, a maior parte no Centro com 7%, a Av. do Contorno com 6,4%, e a Amazonas com 3,8%.


A distribuição das atividades varejistas relacionadas à Educação


O segmento Educação está representado, em sua maior parte, por empreendimentos isolados, distanciados da concorrência, implantados em vias de fácil acesso e de grande circulação, exigindo boa infra-estrutura. A freqüência com que é procurado por seus clientes está submetida ao poder de sua marca e à disponibilidade de vagas nos cursos oferecidos, o que pode estabelecer intensas disputas e, assim, uma decisão muito planejada por sua contratação. Instituições de ensino caracterizam-se pela prestação de serviços, enquanto papelarias e livrarias, pela venda de bens duráveis e semiduráveis.
A serviço da Educação encontram-se 4.913 atividades na região, o que representa 12% do total de atividades. Para sua análise foram selecionadas 42 CNAEs. Sobre a distribuição das instituições de ensino, em seus mais diversos formatos, destacam-se o Centro com 24% do total, o Funcionários com 11%, e o Lourdes com 9%. Em relação às ruas nas quais se encontram, observa-se uma distribuição bastante equilibrada, liderada pelas avenidas Afonso Pena e Contorno, e Rua dos Guajajaras. A Av. Raja Gabáglia se destaca, embora não esteja situada entre os dez maiores bairros em número de atividades educacionais, mas ao longo dos bairros Luxemburgo, Santa Lúcia e São Bento.


A distribuição das atividades varejistas relacionadas ao Vestuário


O Vestuário representa um segmento cuja freqüência de compra é descontínua e no qual são feitas comparações por preço e qualidade, de forma que seus empreendimentos devem se posicionar junto à concorrência a fim de facilitar o processo comparativo. Caracteriza-se, também, pelo fetiche da marca e, assim, pela ausência de substitutos, o que pode levar o consumidor a buscá-la para além de qualquer conveniência, importando aí, mais que uma boa localização, uma clara comunicação de seu endereço junto ao público alvo.
Dos negócios praticados na Centro-Sul, é o segmento Vestuário o que mais apresenta empreendimentos, de forma que 11.706 atividades constituem 28% do total das atividades na região. Para a análise de sua distribuição foram selecionadas 32 CNAEs. A respeito da localização dos empreendimentos de armarinhos, lojas de tecidos de Cama, Mesa e Banho e lavanderias, sobressae o Centro com 45,5%, o Barro Preto com 15%, e a Savassi com 6%. As maiores vias nesse subsegmento são a Rua São Paulo, a Rua Curitiba e a Av. Augusto de Lima.


A distribuição das atividades varejistas relacionadas à Habitação


O segmento Habitação, ainda que considerada a grande diversidade de seus empreendimentos a serviço da construção, decoração, manutenção e funcionamento de uma moradia, é o que apresenta maior demanda por comparação, encontrando-se, freqüentemente, próximo de seus concorrentes. As decisões de compra em relação aos seus bens duráveis e semiduráveis são, assim, bastante planejadas, uma vez que a demanda pessoal por mobiliadoras ou colchoarias, por exemplo, é bastante esporádica.
Dos negócios praticados na Centro-Sul, o segmento Habitação engloba 7712 atividades, os quais totalizam 18% do que é desenvolvido na região. Para a sua análise foram selecionadas 41 CNAEs. Em se tratando de lojas do mencionado subsegmento na Centro-Sul, a Av. do Contorno com 7,1% do total, especialmente no bairro Floresta, é a via mais importante, seguida pela Rua dos Tamóios, no Centro, com 6,3%. Assinala-se, no entanto, que a extensão da Rua dos Tamóios é muitas vezes menor que a Av. do Contorno.


A distribuição das atividades varejistas relacionadas à Locomoção


O segmento Locomoção engloba os empreendimentos a serviço da aquisição, legalização, utilização, manutenção ou proteção de meios de transporte como os oferecidos por concessionárias, locadoras, despachantes, postos de combustíveis, estacionamentos, lavadoras, oficinas e lojas de autopeças. Em relação à freqüência de compra de seus produtos, caracteriza-se por compras comparadas ou altamente comparadas em se tratando de concessionárias, oficinas e lojas de autopeças. Distingue-se, ainda, por determinada conveniência em se tratando de postos de combustíveis e estacionamentos. Por vezes, em relação a oficinas, o consumidor exigirá referências confiáveis para realizar sua escolha. Considerado o valor e especificidade de seus produtos como automóveis ou autopeças, sua decisão de compra será bastante planejada.
Das atividades desenvolvidas na Centro-Sul, o segmento Locomoção apresenta 1489 atividades, ou seja, 4% dos negócios praticados. Para a análise de sua distribuição foram selecionadas 18 CNAEs. Na localização das concessionárias, locadoras de veículos e despachantes, as principais vias são as avenidas do Contorno no bairro Cruzeiro, e Av. Raja Gabáglia no bairro Santa Lúcia, ao lado da Rua dos Timbiras nos bairros Lourdes e Funcionários, especialmente pela localização do DETRAN-MG. Entre os bairros sobressaem o Centro, o Lourdes e o Barro Preto.






A distribuição das atividades varejistas relacionadas às Finanças


Empreendimentos a serviço do setor financeiro apresentam-se, freqüentemente, implantados em vias de fácil acesso e de grande circulação, por vezes, próximos uns dos outros. A decisão planejada pela contratação dos serviços de um banco comercial é motivada pelas vantagens conferidas pela instituição em atenção ao consumidor como juros menores e melhor atendimento. De outro modo, casas lotéricas, com a ampliação de seus serviços e distribuição espacial são escolhidas mais em função de sua proximidade, por uma questão de conveniência. Casas de Jogos e Bingos, por seu tempo, embora também apresentem marcante fator entretenimento, implicam substantivas perdas monetárias por parte do consumidor; e, se legalizadas, apresentam maiores resultados em vias de maior fluxo de pedestres.
Das atividades desenvolvidas na Centro-Sul, o segmento Finanças engloba 389 atividades ou 1% dos negócios praticados. Para a análise de sua distribuição foram selecionadas 16 CNAEs. Na distribuição do mencionado subsegmento, as principais vias são a Rua Rio de Janeiro, a Av. Amazonas e a Rua Espírito Santo, no Centro, e a Getúlio Vargas no bairro Savassi. Entre os bairros, os de maior concentração são o Centro, o Funcionários e o Santo Agostinho.


A distribuição das atividades varejistas relacionadas ao Entretenimento


Finalmente, será apresentado o segmento Entretenimento, percebido neste estudo como o de maior diversidade entre os seus próprios formatos, mas o de menor freqüência de compra. Tal segmento caracteriza-se, especialmente, por sua raridade, o que determina a disponibilidade do público por sua procura. Para a sua análise foram utilizadas 2.637 atividades, 6% do volume total dos negócios na região, e selecionadas 35 CNAEs. Em se tratando do citado tipo de atividade, o Centro, o Savassi e o Funcionários são os bairros com maior concentração de empreendimentos, enquanto que as vias são a Av. do Contorno no bairro Carmo, a Rua Major Lopes no bairro São Pedro e a Rua Tomé de Sousa no bairro Savassi, todas bastante próximas umas das outras.


As vias de maior especialização varejista na Regional Centro-Sul de Belo Horizonte


Apresentada a distribuição dos 26 subsegmentos, foram selecionadas as vias com maior especialização varejista na Centro-Sul. Entre as quais, onze apresentaram maior destaque: a Av. do Contorno, a Rua São Paulo, a Av. Augusto de Lima; a Av. Afonso Pena; a Av. Amazonas; a Rua Dos Tupinambás, a Av. Olegário Maciel, a Av. Santos Dumont, a Rua Rio de Janeiro, a Rua da Bahia, e a Rua dos Guaicurus, relacionadas na quadro a seguir.


Quadro 03
As vias de maior especialização varejista na Regional Centro-Sul de Belo Horizonte em 2007

SUBSEGMENTOS PRINCIPAIS VIAS Nº* %*
Bares, Lanchonetes e Restaurantes Av. do Contorno 406 4,4%
Serviços Funerários Av. do Contorno 5 17,2%
Lojas de Material de Construção e Elétrico, Madeireiras e Vidraçarias Av. do Contorno 74 7,1%
Mobiliadoras, Lojas de Decoração, Colchoarias e Floriculturas Av. do Contorno 137 6,2%
Lojas e Reparadoras de Eletrodomésticos e Informática Av. do Contorno 153 4,8%
Concessionárias, Locadoras de Veículos e Despachantes Av. do Contorno 29 6,1%
Lojas de Autopeças, Oficinas e Postos de Combustíveis Av. do Contorno 53 8,6%
Estacionamentos e Lavadoras de Carros Av. do Contorno 19 4,8%
Boates, Casas de Shows e de Festas Av. do Contorno 17 9,0%
Agências de Turismo, Lojas de Caça, Pesca e Camping, e Artigos Esportivos Av. do Contorno 51 7,3%
Drogarias e Óticas Rua São Paulo 68 6,5%
Papelarias, Livrarias, Bancas, Copiadoras e Lojas de Brinquedos Rua São Paulo 192 4,6%
Armarinhos, Lojas de Tecidos, Cama, Mesa e Banho e Lavanderias Rua São Paulo 156 7,2%
Joalherias, Relojoarias e Bijuterias Rua São Paulo 252 11,3%
Perfumarias e Salões de Beleza Rua São Paulo 64 4,7%
Distribuição Total Av. Augusto de Lima 1873 4,5%
Açougues, Padarias, Sacolões e Mercearias Av. Augusto de Lima 203 11,9%
Clínicas e Lojas Veterinárias e de Animais de Estimação Av. Augusto de Lima 21 7,9%
Lojas e Reparadoras de Roupas, Calçados e Acessórios Av. Augusto de Lima 444 6,0%
Consultórios, Laboratórios, Clínicas e Hospitais Av. Afonso Pena 24 7,0%
Escolas Fundamentais, Médias, Superiores, Bibliotecas e Outros Cursos Av. Afonso Pena 48 3,7%
Lojas de DVDs, de Produção Áudio-Visual, Telefones e Internet Av. Amazonas 63 6,4%
Hotéis, Motéis, Clubes e Parques Diversos Av. Amazonas 20 5,6%
Supermercados e Hipermercados Rua Dos Tupinambás,
Av. Olegário Maciel,
Av. Santos Dumont 7 5,1%
Bancos Comerciais e Cooperativas de Crédito Rua Rio de Janeiro 11 8,9%
Casas Lotéricas, de Jogos e Bingos Rua da Bahia 13 5,7%
Cinemas, Teatros e Museus Rua dos Guaicurus 6 16,2%
Nº*: Número de atividades do subsegmento em relação a todas as outras vias.
%*: Porcentagem do subsegmento em relação a todas as outras vias.
Fonte: CDL-BH. Organizado pelo Autor.


A primeira, a Av. do Contorno apresenta, com excelência, a maior concentração de atividades em todos os subsegmentos relacionados à Habitação e à Locomoção, destacando-se, também, por concentrar a maior parte dos empreendimentos alimentícios, funerários e de entretenimento tais quais boates e agências de turismo. Dos 26 subsegmentos analisados, a Av. do Contorno é a primeira em 10 deles.
A segunda, a Rua São Paulo detém a maior parte das atividades de 5 subsegmentos, especialmente, os de maior apelo estético relacionados ao Vestuário, como os armarinhos e lojas de tecidos, joalherias, perfumarias e materiais de beleza. Destaca-se, ainda, por concentrar mais drogarias e óticas, bem como papelarias.
A terceira, a Av. Augusto de Lima é a que apresenta o maior número total de atividades varejistas, assim como açougues, padarias, sacolões e mercearias, e lojas de animais, especialmente em função do Mercado Central, além de lojas de roupas devido ao pólo de moda do Barro Preto. Desse modo, destaca-se a Av. Augusto de Lima como o centro de abastecimento alimentício e de vestuário na Centro-Sul.
A quarta, a Av. Afonso Pena, é por sua vez o centro educacional e de saúde por apresentar a maior parte dos consultórios e centros de ensino. A quinta, a Av. Amazonas concentra as lojas de telefones bem como os hotéis e motéis, destacando-se como o centro de hospedagem. Em relação aos supermercados, três vias apresentam maior concentração, a Rua dos Tupinambás, a Av. Olegário Maciel e a Rua Santos Dumont, outro centro de abastecimento. Distanciado, o centro financeiro se encontra nas ruas Rio de Janeiro e da Bahia, enquanto o cinematográfico, a princípio, pode ser remetido à Rua dos Guaicurus, uma região de sombra, de marcada vulnerabilidade social, rica em pequenas salas de exibição.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Da possibilidade de lidar com problemas das mais variadas esferas na qual um geógrafo é colocado, este artigo representa um exemplo, especialmente, por tratar de questões mercadológicas e computacionais para além de sua formação formal. Do mesmo modo, na trajetória de Mestrado, da qual esta é o maior resultado, foi buscada a ampliação do conhecimento através da transdiciplinaridade.
Antes de dar como encerrado o presente artigo, mais uma consideração a respeito da distribuição comercial ao longo da regional Centro-Sul precisa ser feita. Na seleção das vias com concentração acima de 10% de um só subsegmento, a primeira é a Av. do Contorno com 17,2% dos serviços funerários; a segunda é a Rua dos Guaicurus com 16,2% dos cinemas; a terceira é a Av. Augusto de Lima com 11,9% dos açougues, padarias, sacolões e mercearias; e a quarta é a Rua São Paulo com 11,3% das joalherias, relojoarias e bijuterias. Entretanto, há ressalvas: é mais provável que tais empreendimentos estejam concentrados em galerias que efetivamente distribuídos ao longo de vias. E em relação aos cinemas, mais salas existem nos grandes shoppings que na própria Rua dos Guaicurus, registradas, contudo, como um só empreendimento. Ampliado o conhecimento sobre a questão varejista, especialmente em relação à Regional Centro-Sul de Belo Horizonte, pode-se dar como concluído este trabalho. Base para discussões sobre localização estratégica, o conhecimento da composição varejista de uma região constitui um apoio imprescindível à decisão para a implantação de novos empreendimentos.


REFERÊNCIAS


BELO HORIZONTE, Prefeitura Municipal. Anuário Estatístico de Belo Horizonte. Belo Horizonte: PBH, 2008. Anual.

KAUFFMANN NETO, José. Ponto ? Localização. 2008. Disponível em Acesso em: 05/08/2008.

MASANO, Tadeu Francisco. Geografia de Mercado. In: DIAS, Sérgio Roberto. Gestão de Marketing. São Paulo: Saraiva, 2005.

PARENTE, Juracy. Varejo no Brasil: Gestão e Estratégia. São Paulo: Atlas, 2000.

PETROLA, Yoakim, MONETTI, Eliane. A importância do local de implantação para um shopping center. X Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído. I Conferência Latino-Americana de Construção Sustentável. 18-21 julho 2004, São Paulo. Disponível em . Acesso em 17 nov. 2005.

RIBEIRO, FERNANDES E VISEU (2002)
ANEXO 01
 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Professor de Geografia, Mestre em Tratamento da Informação Espacial (PUC-MG, 2008), Especialista em Geoprocessamento (UFMG, 2004) e Graduado em Geografia (UFMG, 2003). Como pesquisador tem se dedicado ao estudo do perfil epidemiológico da RMBH, à Geografia do Comércio em Belo Horizonte (MG); ao Pla...
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