Tenho em uma mão o escudo
Na outra a espada
Disseram-me que esta guerra é um absurdo
E que eu não agüentarei a empreitada

Disseram-me, também, que há sangue escorrendo em demasia
(Inocentes pagando pela cegueira alheia)
E que é mais fácil eu estar morto até o raiar do dia
Do que encontrar alguém liberto da cegueira

Então respiro
Aflito e com medo...
E, por fim, persisto quando vejo a multidão
Rasgar o véu e refletir a luz
Que liberta e leva a tirania ao chão

Respiro
Finalmente livre
A alma nua, agora, se mostra bela
Com calma atravessa
As cinzentas horas da manhã flagela