Brincando De Fazer Leis
- Por Gerliann Aquino
- Publicado 8/09/2008
- Arte e Ciência
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Há Realmente Segurança Jurídica No Brasil?
O que não se pode conceber é essa verdadeira balbúrdia legislativa existente no Brasil! Solidarizo-me com os mais diversos estudantes de Direito e profissionais do ramo que, mal adquirem uma doutrina a respeito de determinado assunto ou um código qualquer, bastam alguns meses para que haja alguma “mudança” (se é que pode ser nominada disso) no ordenamento jurídico pátrio!
Obviamente sei que não mudarei em nada o que acontece pelo que estou redigindo aqui, apenas demonstro a minha consternação, em primeiro lugar como cidadã, de toda esta bagunça existente nas leis de nosso país.
Às vezes fico a refletir: não seria bem mais inteligente e prático mudar, em alguns casos, determinadas leis em sua completude? Naturalmente, entendo que para isso necessitaria da vontade de muitos segmentos sociais que, por vezes, encontram-se em arestas diametralmente opostas...
Recordo-me neste momento também da IMENSA técnica legislativa possuída pelos autores de determinadas leis. Perdão àqueles que cumprem corretamente o seu papel como produtores das normas jurídicas brasileiras, mas convenhamos: o que muitas leis trazem em seu bojo, apenas a título exemplificativo, senão uma grande confusão nos âmbitos da semântica, coesão e coerência gramaticais? Por vezes, o legislador quer dizer algo que não se entende absolutamente nada do que fora posto no texto legal. Que tipo de revisão gramatical é feita nestas futuras normas que não refletem um bom texto no final? Não obstante eu não possuir conhecimentos tão acurados assim do português pátrio, o que me parece é que diversas vezes não há cuidado algum com as disposições postas em vigência em uma lei qualquer. Não é preciso ter graduação em letras para perceber determinados erros crassos cometidos pelos legisladores, que não passam por uma correção mínima!
O que muitas vezes se deve ter em mente é que não estamos em um concurso para ver quem ganhará o prêmio de quem elaborou e/ou propôs mais leis durante o ano, ou quiçá se sentir lisonjeado por ter seu nome atribuído ao rol daqueles que propuseram “reformas” para o Direito brasileiro. Deveríamos nos preocupar mais em realmente fazer a diferença, sermos deveras precursores de idéias e atitudes realmente significativas. As leis, como fruto da produção humana e, portanto, passível de equívocos, pode e deve ser alterada, mas repita-se, não com a irresponsabilidade com que vem sendo tratada, a meu ver.
Gerliann Aquino
Bacharela em Deireito, pós-graduação em Direito do Trabalho.
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4 Comentários em "Brincando De Fazer Leis" 
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comentou em 11 Sep 2008 10:21:45 PM CST
É impressionante como o texto consegue dizer o óbvio, todavia com um senso de oportunidade que faz a leitura ter um certo ar de ineditismo.
Faço coro à indignação da autora. Parece até que os legisladores estão em conluio com as editoras, que precisam vender cada vez mais livros e desovar seus estoques.
Se os parlamentares tivessem consciência do papel que deles se espera, buscariam melhorar as leis do país pela ótica da prestação de um relevante serviço à sociedade, não pela arrogância e vaidade.
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comentou em 12 Sep 2008 6:58:02 AM CST
Muito bom! É isso mesmo que acontece!
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comentou em 06 Nov 2008 6:28:47 AM CST
Como comentário, cito o fato da NOSSA responsabilidade direta, por permissividade. Sugiro à sociedade um meio de correção eficaz: temos que nos ORGANIZAR, independentemente dos poderes estatais. Um abraço, Alfredo Castro.
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comentou em 28 Nov 2008 7:30:19 AM CST
Data Venia: a atualização das leis e da constituição é, em tese , uma necessidade do Estado em adaptar-se às mudanças que a sociedade reclama. Nada mais natural, portanto.
Pode-se até reclamar se as leis são justas ou não (eis um bom tema para a filosofia do direito), mas não da rapidez de suas alterações.
Outra coisa: as leis resultam da barganha e da discussão política produzida pelo conjunto de forças da sociedade, representadas no parlamento, mas que nem sempre estão a serviço da maioria da sociedade, e sim a favor de grupos de interesses (aí está uma boa discussão para a sociologia jurídica).
Pra terminar, é cediço que bons advogados se destacam na profissão justamente por identificar as falhas e lacunas no texto das leis. Parece-me que a autora do tópico é uma séria candidata a ser um deles... ( em terra de cegos quem tem um olho é rei).
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