Um Hospital Precisa De Marketing?
- Por Nilson Maranhao Moreira
- Publicado 3/09/2008
- Administração e Negócios
-
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Um Hospital Precisa de Marketing?
Marketing
na área de saúde? É um absurdo, afirmam algumas pessoas que estão na área. Um
diretor de um hospital chegou a ficar ofendido quando um aluno de marketing na
área hospitalar foi perguntar sobre como era conduzido o marketing naquele
hospital. O diretor disse que o hospital não precisava de marketing para
funcionar.
É certo
que existe confusão na mente de muitas pessoas que dirigem ou trabalham em
hospitais pela defesa do não uso do marketing nessas organizações. E ela se
prende ao fato de que existe um mal-entendido no conceito do marketing fazendo
correlação com a propaganda ou promoção.
A
propaganda e a promoção fazem parte do marketing, mas o marketing vai muito
além.
Afinal
de contas as pessoas não vão ao hospital por ter visto um outdoor com uma
promoção especial de final de semana, algo do tipo: "passe dois finais de
semana no hospital e pague um”.
Marketing
parece ser algo exclusivo de empresas que comercializam produtos. Muitas vezes
instituições e organismos de saúde não aceitam o fato de realizarem ações de
marketing no seu dia-a-dia.
Primeiramente
é preciso esclarecer o que é marketing e qual o seu papel. O marketing tem por
objetivo a satisfação das necessidades dos clientes. E vai, além disso, no
conceito atual o marketing objetiva a manutenção do cliente. Segundo Philip
Kotler, estudioso na área de marketing, o "marketing é a ciência e a arte
de conquistar e manter clientes e desenvolver relacionamentos lucrativos com
eles", (Philip Kotler em Marketing para o século XXI - como criar,
conquistar e dominar mercados, Editora Futura, 1999, p. 155) ressaltando que a
lucratividade não se refere exclusivamente a bens de capital.
O
desenvolvimento 'lucrativo' de um paciente, que se torna, cada vez mais,
cliente das organizações que lidam com a saúde, está relacionado com o seu bem
estar. Com a possibilidade de melhoria de vida, de conquista de um estado
saudável para um convívio melhor com a sociedade. E é disso que o marketing trata
o relacionamento de cada integrante no hospital com o público. O marketing
busca entender o cliente e satisfazer as suas vontades. Busca fazer com que o
vigilante, recepcionista, atendente de portaria, enfermeiro ao médico - todos
estejam preocupados com o bem estar do cliente/paciente.
E que
os momentos que o cliente passe no hospital sejam os melhores na medida do
possível. Isso envolve a psicologia no trato tanto com o paciente quanto com os
familiares, e isso é marketing.
É
preciso retirar completamente a idéia de que o marketing é algo que pensa
exclusivamente no lucro da empresa. O lucro é preciso para que a empresa
continue viva, mas o marketing se preocupa com os clientes para que eles dêem
lucro.
Uma
empresa não funciona sem clientes, assim como um hospital não funciona sem
pacientes/clientes.
O
principal papel do marketing é fazer com que o relacionamento entre
cliente/empresa seja duradouro. O cliente precisa estar satisfeito com o
atendimento para que tenha vontade de retornar. E mais, é preciso que o cliente
seja o verdadeiro propagador dos serviços prestados pelo hospital.
O
hospital precisa fazer marketing sim. Precisa saber lidar com as pessoas de
maneira mais humana. Precisa entender os problemas dos clientes/pacientes e
seus familiares para atuarem no mercado.
Precisa
saber coisa que parece complicada, que as pessoas não ficam doentes porque
querem, mas, mesmo quando estão doentes têm horários a cumprir. Chega de fazer
com que os verdadeiros pacientes fiquem 'impacientes' nas recepções aguardando
o médico que marcou às 14h00 e às 15h00 ainda não chegou.
É
possível concordar com os profissionais da área de saúde que dizem não precisar
de marketing se eles puderem afirmar que não precisam que seus clientes,
pacientes ou 'impacientes', venham a fazer novamente 'negócios' com eles.
Entendendo negócios como relacionamento. E que não querem, em hipótese alguma,
que seus clientes indiquem a amigos, parentes e conhecidos os serviços
prestados pelo profissional seja um médico, enfermeiro ou assistente.
Um
simples sorriso do atendente na recepção do hospital, o médico que trata o
paciente pelo nome e olha atentamente para o cliente enquanto prescreve uma
receita. O médico que liga para o cliente para saber se ele está melhor, ou
mesmo faz esse serviço por meio de seu atendente estará fazendo ações de
marketing.
Fazer
marketing em organizações voltadas para a área de saúde é se preocupar
verdadeiramente com o cliente para que ele possa sentir-se bem e indicar para
os seus entes queridos os serviços recebidos naquele local. E mesmo se precisar
de um tratamento não hesitará em retornar a procurar aquela competente equipe
do hospital.
Enfim,
o marketing num hospital tem que ser pensado da seguinte forma: quando o
cliente tiver alta, ele tem que pensar que se a mãe dele precisar, algum dia,
de ir a um hospital... ela será levada para aquele hospital e será tratada pela
equipe que o atendeu. Caso isso não esteja ocorrendo, é preciso urgentemente
repensar a saúde do marketing do hospital.
Nilson Maranhao Moreira
Nilson Maranhão Moreira, 49 anos, publicitário por profissão há 25 anos, escritor por devoção, poeta por impulso. Perfil? Bom, sempre em busca de oportunidades e caçando sonhos, já foi vendedor de assinaturas de jornal, de anúncios para classificados, contato publicitário, gerente de classificados, gerente comercial, gerente de marketing, diretor comercial em jornais, rádios e TV. Atualmente presta consultoria de comunicação e marketing em em Brasília, onde mora.
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