Beijinho 2008!
- Por Félix Maier
- Publicado 8/08/2008
- Esportes e Recreação , Sociedade e Cultura
- Sem avaliações
Beijinho 2008!
Félix Maier
Iniciou-se às 8 horas do dia 8 do mês
E os chineses mostraram que não vieram para brincadeira. O primeiro impacto
visto no estádio foram os 2008 tambores, de modelo milenar, rufando com um jogo
de luzes magnífico, fazendo a contagem regressiva para as 8 horas local,
ocasião em que começaram a ser lançados os fogos de artifício - uma criação
chinesa.
Outro impacto foram as pegadas gigantes desenhadas no céu de Pequim, com fogos
de artifício, em que um atleta imaginário se aproxima do palco principal, o
Ninho de Pássaro, onde se desenrolou a cerimônia de abertura.
Muralha da China, rota da seda, a filosofia de Confúcio, lutas marciais,
aquarelas, óperas, as várias épocas da China através de suas dinastias. As 4
grandes invenções da humanidade, feita pelos chineses: pólvora, papel,
impressão e bússola. Embarcações medievais que equivaliam, em tamanho, a 10
caravelas de Colombo. Toda a milenar cultura chinesa apareceu no grandioso
Ninho de Pássaro.
Imagina-se o que seria esse espetáculo se tivesse ocorrido na década de 1960:
chineses vestidos com o uniforme safári de Mao, de cor cáqui, brandindo
livrinhos vermelhos, perseguindo professores, artistas e todos os demais que
não se sujeitassem ao jugo comunista. O que mais haveria de ser mostrado se a
cerimônia ocorresse naquela época, após o desastroso planejamento econômico
"Grande Salto Para a Frente", que pretendia, em uma década,
igualar a China à Economia da Grã-Bretanha? Dez milhões de cadáveres?
Hoje, 8/8/2008, é dia de esquecer o passado. Esquecer a ocupação e o genocídio
chinês promovido contra o Tibete, em que a quase totalidade dos mosteiros
budistas foram queimados, alguns com monges dentro, ocasião em que morreram
cerca de 2.000.000 de pessoas.
Hoje é dia de esquecer uma forma de canibalismo sui generis que houve na
China durante a Revolução Cultural, em que vítimas do sistema tinham seus
testículos cortados, assados e comidos pelos alucinados revolucionários.
Hoje é dia de esquecer todo o tétrico legado comunista, que ainda reina
absoluto no país, e que ocasionou a morte de cerca de 60.000.000 de pessoas.
Hoje é dia de esquecer o trabalho semi-escravo atual na China, em que 2/3 de
sua população mal consegue seu próprio sustento, mormente no meio rural. Cerca
de 4.000.000 de trabalhadores tiveram que deixar às pressas a capital e voltar
às suas cidades de origem, muitos dos quais não receberam sequer o salário
prometido. A TV Globo, um dia desses, mostrou muitas dessas pessoas perambulando
por praças e calçadas, com mochilas e algumas quinquilharias, sem dinheiro para
comprar passagem, sendo literalmente açoitados por policiais. O que vale, para
os dirigentes comunistas atuais, é fazer uma maquiagem olímpica para inglês
ver.
Grande parte desse êxodo bíblico foi ocasionado porque a China, para diminuir a
poluição do ar em Pequim, transferiu ou desativou, provisoriamente, milhares de
indústrias. Outra parte desse êxodo foi ocasionado pelo fim dos trabalhos na
Vila Olímpica e seus estádios, ginásios e arenas colossais.
Hoje é dia apenas de comemorar no estádio toda a filosofia de Confúcio, muito
útil aos mandarins vermelhos, que ressuscitaram essa prática sócio-religiosa,
já que ela prega a completa obediência. Obediência férrea ao Partido Comunista
Chinês.
Hoje é dia apenas de comemorar a "nova China", que cada dia se torna
mais capitalista e mais totalitária, vendendo produtos falsificados a todos os
recantos do mundo, produtos esses que são, em sua maioria, feitos em um sistema
de semi-escravidão, repito, em que a grande massa de trabalhadores recebe um
salário ridículo e não tem direito de organizar sindicatos, para pleitear
melhores salários.
Todos os países do mundo, hoje, estão fazendo comércio com a China. Ninguém quer
ficar fora dessa festa do dinheiro, não importa a que preço. Os EUA, que
promoveram uma guerra de "libertação do Iraque", também fazem questão
de participar da festa chinesa e são seu maior parceiro comercial. Bush, de vez
em quando, fala em falta de direitos humanos na China, convida o Dalai Lama
para uma visita à Casa Branca. Os dirigentes chineses dizem que os problemas da
China competem apenas aos chineses. Pura encenação do presidente americano. Se
é para promover a democracia, por que Bush não inicia uma guerra de libertação
do Tibete?
O que importa, no momento, para nós brasileiros, é torcer pelo sucesso dos
nossos atletas. Torcer pelo futebol, pelo vôlei, pelo vôlei de praia,
pela natação, pela ginástica e pelo atletismo, modalidades em que temos as
maiores chances de sucesso.
Com ou sem bandeira brasileira na janela, o que importa, no momento, é
levantarmos mais cedo nestas duas semanas para torcer pelo Brasil. Que nossos
atletas tragam muitas medalhas!
Beijing 2008
Rio 2016?
Aos meus amigos leitores de Webartigos,
Beijinho 2008!
Félix Maier
"Natural de Luzerna, SC (antigo Distrito de Joaçaba), Félix Maier é militar da reserva e ensaísta. Autor do livro "Egito - uma viagem ao berço de nossa civilização", Thesaurus, Brasília, 1995, escreve para Usina de Letras, Usina das Palavras, Domínio Cultural, Texto Livre, Recanto das Letras, Ternuma, Resistência Militar e é também articulista de Mídia Sem Máscara (www.midiasemmascara.org)."
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