Além das idéias Nazistas, eugenistas e sócio-dawinistas, ainda podemos citar um outro movimento racista da mesma época, que foi de extrema importância para o tema eugenista. Ensaios sobre a desigualdade da raça humana que é considerada a bíblia do racismo moderno, foi escrita pelo conde de Gobineau em 1853. Esse livro afirma a existência de uma superioridade geral da raça branca sobre as outras, principalmente dos arianos que eram identificados como louros e de descendência germânica sobre todos os outros.
 
Gobineau interpretou a história de uma maneira totalmente inusitada, dizendo que a Revolução Francesa foi uma vitória da raça inferior sobre a raça superior, e que a queda da bastilha nada mais foi do que uma vingança Celta-romana contra os franco-germânicos, raça dominante no pais desde o século V, causando a decadência da França. Essa teoria passou a ser muito apreciada no circulo cultural freqüentado pelo compositor Wagner e seu amigo o jovem Nietzsche.
 
O genro de Wagner, o inglês Houston S. Chamberlain, após a publicação de os fundamentos do século XIX, se tornou figura central da antropologia alemã. Tornando inquestionável a superioridades de pessoas louras, altas e com características cranianas que serão chamadas de dolicocéfalo (pessoas com um crânio cuja largura é menor que o comprimento), a perfeição era facilmente encontrada em países nórdico-germânicos. Os alemães eram considerados por ele o povo mais bem dotado intelectualmente, considerados a elite da raça branca.
 
As leis eugênicas adotadas pelos nazistas foram decorrências diretas de estudos feitos pelo instituto de antropologia, genética humana e eugenia e pela sociedade alemã de pesquisas. Utilizando argumentos médicos do Professor Doutor Eugen Fischer, chefe do departamento de psiquiatria, do psiquiatra Professor doutor Ernest Rudin, chefe do departamento de antropologia e do professor Von Verschuen, essas instituições eram consagradas em suas áreas nacional e internacionalmente. Foram elas as responsáveis pela orientação e organização da política de esterilização, eutanásia e de extermínio praticadas durante o regime nazista.
 
O professor Clauss apareceu com uma teoria que foi usada como base para o não casamento misto, dizendo que almas de distintas procedências raciais jamais poderiam desenvolver uma verdadeira afinidade e compatibilidade, mesmo sendo as duas partes envolvidas no casamento, nascidas e criadas no mesmo local e falando o mesmo idioma.
 
Abaixo vamos colocar um pequeno resumo de leis e decretos da política eugenista durante o período nazista:

-14/jul/1933
Lei da Profilaxia dos Descendentes com Doenças Genéticas (lei de proteção da hereditariedade)

Esterilização à força nos casos de debilidade mental congênita, esquizofrenia, loucura maníaco-depressiva, epilepsia hereditária e alcoolismo grave (atingiu a dois milhões de indivíduos).

14/jul/1933
Lei do Subsídio ao Casamento

Visava estimular os casamentos "puros" e os nascimentos, subsidiando os casais que tivessem filhos adicionais.

15/set/1935
Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemã (leis de Nuremberg)

Proibição de casamentos mistos, especialmente com judeus, bem como qualquer relacionamento sexual entre alemães e judeus. Os casamentos mistos foram declarados ilegais e os casais obrigados a se separar.

1/set/1939
Autorização para o programa de eutanásia a ser executado pelo Reichleiter Bühler e o Doutor Brandt.

Autorização para certos médicos para executarem o programa da morte misericordiosa a ser aplicada nos loucos, doentes incuráveis, velhos senis e menores excepcionais (A pressão da Igreja e do clero fez com que suspendessem o programa).

1941
Lei Contra Estranhos à Comunidade (Projeto do Ministério da Justiça)

Médicos decidiriam pela esterilização dos anti-sociais em comum acordo com os oficiais de justiça que fixaram as penas de morte em campo de concentração, calculados os atingidos ao redor de um milhão (lei não aplicada porque os outros ministérios não permitiram).

20/jan/1942
Conferência de Wansee, Berlim, com a participação de todos os ministérios coordenados por Heydrich da SS e SD.

Oficialização do programa da "solução final" (Endlösung) da questão judaica em campos de extermínio (Vernichtungslager). Estimou-se um genocídio de 10-12 milhões de judeus europeus e de 200-300 mil ciganos (o programa vitimou entre 6 a 6.200 milhões de pessoas, entre 1941-5). (fonte Educaterra sobre eugenia).
 
Para acompanhar essas leis a eugenia teve que ser dividida em 3 grandes categorias:

1)     Esterilização: feita em pessoas consideradas insanas, idiotas, pervertidos, criminosos ou pessoas suspeitas de ter cometido um crime e que sejam de raça considerada inferior.

2)     Eutanásia: que poderia ser feita com o auxilio de injeções de fenol ou que poderia ser feita fechando os asilos e os deixando ao léu, sendo que os pacientes impossibilitados de sair do local morreriam de fome. As pessoas que eram candidatas à eutanásia eram: doentes irrecuperáveis de qualquer idade desde que não fossem arianos; dementes e idosos senis e não arianos.

3)     Extermínio: Provavelmente o modo mais divulgado para a limpeza da raça. O modo mais comum e Eficiente de extermínio era a gasificação. A gasificação foi usada pela primeira vez em 1939, dentro de um hospital psiquiátrico, utilizando 4 voluntários que estavam internados em uma clinica psiquiátrica. Exterminados com o uso de óxido de carbono em frente a um grupo de médicos e um químico, essa experiência devido ao seu sucesso, deu origem a o projeto extermínio em massa. Após o evento, essa técnica foi utilizada em crianças com mongolismo, segundo dados cerca de 4000 crianças e adolescentes, que estavam acolhidos em escolas especiais, foram gasificadas. O número estimado de e pessoas internadas em certos sanatórios que passaram pelo extermínio é de aproximadamente 70.273 por gás e 120 mil de fome, até então a morte era causada por monóxido de carbono (as pessoas eram levadas para dentro de caminhões adaptados para serem uma câmera de gás). Depois de mortas essas pessoas eram cremadas em fornos crematórios montados dentro dos hospitais. E finalmente podemos citar o:

4)     Holocausto, onde 6 milhões de judeus, 200 mil ciganos e vários outros considerados não merecedores de pertencerem à sociedade foram exterminados.
 
Segundo Himmler a população dos paises ocupados eram divididas em quatro:
1)     Os alemães e seus descendentes.
2)     Os não alemães.
3)     As pessoas consideradas úteis, pois eram aptas ai trabalho.
4)     As pessoas enviadas aos campos de trabalho/ extermínio.
 
Em 1941, Himmler ordenou que todos os campos de concentração fossem limpos de doentes e incapazes de trabalho. Para essas pessoas serem consideradas como tal, elas só precisavam ter uma dessas qualificações: idosas, doentes, judias, sacerdotes, comunistas, socialistas, ou defensores do regime democrata.
 
Uma boa parte dessa seleção já era feita quando os comboios lotados de pessoas chegavam aos campos de trabalhos, os velhos os fracos e as crianças eram mandados imediatamente para as câmeras de gás. Os mais jovens e mais sadios eram mantidos como escravos.
 
O controle da natalidade, que foi considerado o modo mais importante e autêntico do eugenismo, era uma arma muito forte, que tentava controlar de várias maneiras a reprodução de seres considerados menos capacitados.
 
A revista controle de natalidade era dedicada à elite eugenista. O diretor da liga americana pró-controle da natalidade, Dr Lothrop Stoddart, publicou um livro em 1940 onde deixava clara sua admiração pela maneira de como os alemães estavam purificando a sua raça, utilizando para isso o método de esterilizarão das pessoas consideradas inaptas à reprodução. A frase célebre dita por esse médico foi A lei de esterilização extirpa os traços genéticos mais negativos da raça germânica, de uma maneira científica e realmente humanitária".
 
Compare essas duas frases:
a) Aplicar uma política firme e séria de esterilização e de segregação àquele segmento da sociedade, cuja herança é suscetível de transmitir traços controvertidos à sua descendência. Preparar terrenos agrícolas e prédios para essas pessoas segregadas, onde aprenderiam a trabalhar, sob a supervisão de instrutores idôneos, durante o resto de suas vidas".
b) Aqueles que têm má saúde física e mental não devem perpetuar seus sofrimentos nos corpos de seus filhos. O Estado deve colocar a raça no centro de toda a vida?".

A frase A foi publicada na revista controle de natalidade 1932, sendo considerada um roteiro para se atingir a paz. A frase B foi extraída do livro Mein Kampf, de Adolf Hitler.