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Das Pesquisas Eleitorais
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Ary Carlos Moura Cardoso
Nascido em Sambaíba-MA. Filho de Mauro Cardoso dos Santos e Carmozina Moura Cardoso. Bacharel e Licenciado em Letras -UGF -, Mestrado em Literatura - UnB -, Pós-Graduado em Administração da Educação, Políticas, Planejamento e Gestão (UnB) e Filosofia (UGF). Estudou no Mestrado em Filosofia da UGF. Foi acadêmico de Direito (FDC-RJ); de Filosofia (Uerj); de Teologia (STBS-RJ). Fez o Ensino Médio no Colégio Batista Fluminense-RJ. Atualmente, é professor efetivo da Universidade Federal do Tocantins  
Por Ary Carlos Moura Cardoso
Publicado 1/08/2008
 
O fato é que uma pesquisa ou dezenas delas não representam a vontade última dos eleitores. Cuidado com o apelo mítico da palavra “pesquisa” tentando passar por verdade o que não o é. Ou desconfiamos dos dados que nos apresentam, buscando transformá-los criticamente, ou seremos arrastados pelos jogos capciosos dos números.

Das Pesquisas Eleitorais

Se for séria, uma pesquisa eleitoral, em termos de resultados, é científica. Quando, porém, interpretada, a coisa toma dimensões políticas. Assim, há dois grandes caminhos: um afirma que ela serve apenas para averiguação da "temperatura" do processo; outro que diz se tratar de pura manipulação do voto.

Grande defensor do primeiro ponto de vista é Reginaldo Prandi. Nesta ótica, a função social da pesquisa consiste em servir de instrumento de mensuração de opinião onde todos – candidato, eleitor e partido – tenham condições de análises profundas em dado momento da caminhada eleitoral. Através dela, argumenta, candidatos e partidos se reconhecem e medem sua capacidade de expansão.

A segunda tese é defendida por ninguém menos do que Marilena Chauí. Esta corrente alega que os números, em si, pouco importam. A verdade da pesquisa, assegura a mestra, está em sua função sócio-política. Ou seja, em produzir a opinião sob a aparência de estar a procurá-la. Imaginemos, portanto, as tremendas dificuldades que um candidato em desvantagem tem pela frente. É preciso muita competência para se destruir a denominada "produção de opinião adversa".

O fato é que uma pesquisa ou dezenas delas não representam a vontade última dos eleitores. Cuidado com o apelo mítico da palavra "pesquisa" tentando passar por verdade o que não o é. Ou desconfiamos dos dados que nos apresentam, buscando transformá-los criticamente, ou seremos arrastados pelos jogos capciosos dos números.

Em tempos de eleições, nossa consciência política há de estar, digamos, cada vez mais ativa. Afinal, não nos deparamos a todo instante com blefes, máscaras e encapotamentos como se essa porcariada fosse natural?

Gustavo Venturi nos sugere algumas dicas para o enfrentamento das pesquisas: para que as entrevistas foram feitas; confira a amostragem da pesquisa; confira a formulação das questões aplicadas aos entrevistados; confira as credenciais de quem faz as pesquisas e os propósitos dos clientes e veja os resultados das pesquisas com seus próprios olhos.

Maldizer, destarte, as prévias eleitorais é tão ingênuo quanto mitificá-las. Tomemos, pois, o capacete da prudência filosófica e jamais nos curvemos às suas investidas. Bobos e ignorantes são aqueles que se recusam a pensar no papel destas sondagens.