Avaliação Do Atendimento Aos Pacientes Cadastrados No Programa Hiperdia Da Farmácia-Escola Do Município De Santa Teresa - ES
- Por Ariane Bozetti Costa
- Publicado 28/07/2008
- Serviço Social
- Sem avaliações
AVALIAÇÃO DO ATENDIMENTO OFERECIDO PELA FARMÁCIA-ESCOLA
Escola Superior São Francisco de Assis
Coordenação do Curso de Farmácia
Anne Ariele Bozetti Costa
Ariane Bozetti Costa
Luciana Simões Gasparini
Avaliação do Atendimento aos Pacientes Cadastrados no Programa Hiperdia da Farmácia-Escola do Município de Santa Teresa-ES
Santa Teresa – ES
2007
Anne Ariele Bozetti Costa
Ariane Bozetti Costa
Luciana Simões Gasparini
Avaliação do Atendimento aos Pacientes Cadastrados no Programa Hiperdia da Farmácia-Escola do Município de Santa Teresa-ES
Monografia apresentada a Coordenação do Curso de Farmácia como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Farmacêutico.
Orientador: Prof. MSc. Maria José Foeger Romagnha
Santa Teresa – ES
2007
Anne Ariele Bozetti Costa
Ariane Bozetti Costa
Luciana Simões Gasparini
Avaliação do Atendimento aos Pacientes Cadastrados no Programa Hiperdia da Farmácia-Escola do Município de Santa Teresa-ES
Monografia apresentada a Coordenação do curso de Farmácia da Escola Superior São Francisco de Assis como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de farmacêutico.
Aprovada emdezembro de 2007
COMISSÃO EXAMINADORA
_____________________________
Prof. MSc. Maria José Foeger Romagnha
ESFA – Santa Teresa - Orientador
_________________________________
Prof. MSc. Valquíria Rocha Daher
ESFA – Santa Teresa
______________________________
Esp. Arlete Orletti
ESFA – Santa Teresa
______________________________
Prof. MSc. Eduardo Luís Pereira
ESFA – Santa Teresa – Suplente
Avaliação do Atendimento aos Pacientes Cadastrados no Programa Hiperdia da Farmácia-Escola do Município de Santa Teresa-ES [1]
Assessment of the Treatment to Registrated Patientis in the Progam Hiperdia in Drugstore-School in Santa Teresa Town in Espírito Santo
Avaliação do Atendimento Oferecido pela Farmácia-Escola
Anne Ariele Bozetti Costa [2]
Ariane Bozetti Costa [3]
Luciana Simões Gasparini[4]
Maria José Foeger Romagnha[5]
Resumo
O acesso aos medicamentos através da Farmácia básica no Brasil passou a ser bem mais amplo nos últimos anos e é através dessa assistência que a população usuária do Sistema único de saúde - SUS recebe tratamento eficaz, medicamentos e atenção farmacêutica adequada, de acordo com os conceitos do Ministério da Saúde e os princípios do SUS. A Farmácia Escola, criada com a parceria entre a Prefeitura Municipal e a Instituição de Ensino ESFA, tornou – se um instrumento para desenvolvimento da atenção farmacêutica no município de Santa Teresa/ES, dando êxito ao programa de apoio ao paciente do SUS nas suas diversas áreas de atuação e servindo ainda, como ambiente de aprendizado para professores e alunos do curso de graduação em Farmácia. O trabalho proposto tem por objetivo avaliar através de coleta de dados o atendimento oferecido aos pacientes cadastrados no programa Hiperdia da Farmácia Escola, as conseqüências trazidas à vida dos mesmos, bem como enfatizar as deficiências encontradas, de acordo com a opinião dos pacientes e gestores, visando melhorar a promoção à saúde e qualidade do atendimento oferecido. Esta avaliação mostrou que a implantação do projeto Farmácia-Escola deu-se de forma satisfatória para o município de Santa Teresa e o atendimento oferecido aos usuários é eficaz, apesar de algumas falhas terem sido detectadas.
Palavras-chave: SUS, Políticas Farmacêuticas, Atenção Farmacêutica, Farmácia Básica, Atendimento.
ABSTRACT
The access to the medicines throughout of the basic drugstore in Brazil is wider in the last years and it's because of this assistance that the people who use the Healthy Unique System – SUS receive efficient treatment, medicines and pharmaceutics attention efficient, according to Healthy Ministry and the aims of the SUS. The Drugstore-school was created by the City- Hall and the teaching institution ESFA, and now it is an instrument to the development of the pharmaceutics attention in Santa Teresa town in Espírito Santo, increasing the program of the backing to the patient of SUS in its many areas and it is even a place where teachers and students oh the Pharmacy graduation can learn more. This paper has the aim to evaluate through collect of data the treatment offer to the patients who are participating of the Hiperdia program of the Drugstore-school, the consequence came to their lives and emphasize the deficiency that we find out, according to patients'and administrator's opinions, wanting improve the healthy and the treatment offer. This evaluation shows that the Drugstore-school project is satisfactory to Santa Teresa and the treatment offer to the patients is great, besides that some lacks are been found out.
Keywords: SUS, Pharmacy politics, pharmaceutics attention, basic pharmacy, treatment.
- Introdução
Atualmente ainda se enfrentam muitos problemas no setor saúde, a maioria decorrentes de mudanças ocorridas ao longo da década, na administração pública, na economia nacional, nas formas nacionais de trabalho, nas políticas que se relacionam com trabalho, finanças públicas e educação – alterações que criam uma nova realidade administrativa e novos desafios (SEMINÁRIO INTERNACIONAL 2002). As ações de saúde objetivam elevar a qualidade de vida da população, controlar as doenças endêmicas e parasitárias e reduzir as enfermidades (FERREIRA 2002).
Um grande passo no setor saúde no Brasil foi em 1986 na VIII Conferência Nacional de Saúde, que contou com a participação de vários setores sociais (ANDRADE et al. 2000)querecomendava que a mudança do Sistema Nacional de Saúde deveria resultar na criação de um Sistema Único de Saúde, com comando único em cada esfera de governo. Essa Conferência serviu como base para a elaboração da Constituição de 1988 (ANDRADE et al. 2000), que vem firmando um conceito mais amplo de saúde. Apesar do SUS ter sido definido pela Constituição de 1988, ele somente foi regulamentado em 19 de setembro de 1990 através da Lei 8.080. Esta lei define o modelo operacional do SUS, propondo a sua forma de organização e de funcionamento (POLIGNANO 2001). O SUS tem como princípios a universalidade, a eqüidade, a integralidade, a descentralização, a regionalização e hierarquização e a participação dos cidadãos (MARIN et. al. 2003).
Um dos grandes problemas enfrentados pelo sistema é a alocação de recursos, mesmo que estes sejam repassados pela União aos Estados e Municípios de maneira proporcional, sempre haverá desigualdades que refletirão na saúde, pois a capacidade de arrecadação de recursos e gastos públicos é diferente em cada esfera, o que ressalta a necessidade da União em incentivar essas esferas de governo quanto à oferta de serviços, a fim de melhorar o acesso por parte da população (SILVA 2003). O SUS pode ser influenciado por vários fatores, por exemplo, interferências culturais, cabendo aos gestores compreendê-las e integrá-las para que as ações sejam concretizadas.
No município de Santa Teresa, localizado no Estado do Espírito Santo, foi implantada a Farmácia-Escola em abril de 2005, através de parceria da Prefeitura Municipal com a instituição ESFA – Escola de Ensino Superior São Francisco de Assis – com o intuito de trazer benefícios à população local, ampliando a promoção de saúde, serviços farmacêuticos diferenciados, além dos benefícios à Instituição, na forma de um ambiente de aprendizagem para os professores e alunos (MACHADO 2005). Dessa forma, o presente trabalho investiga a eficácia da implantação desse projeto no município de Santa Teresa e busca responder as seguintes questões, de acordo com a visão dos usuários e gestores: Quais foram as conseqüências advindas da implantação do projeto Farmácia-Escola à saúde dos pacientes? Como é o atendimento oferecido a esses pacientes?
O trabalho busca, portanto, descrever o atendimento oferecido e as conseqüências trazidas à vida dos pacientes cadastrados no Programa Hiperdia, que são atendidos na Farmácia-Escola, após dois anos de sua implantação.
1.1. Setor saúde no Brasil: o caso do SUS
No Brasil, é responsabilidade do Estado a formulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem, entre outros, a estabelecer condições que assegurem acesso universal às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde de acordo com a LEI 8.080/90 e 8.142/90, que estabelece a organização básica das ações e dos serviços de saúde quanto à direção e gestão, competência e atribuições de cada esfera de governo no Sistema Único de Saúde (MARIN et al.2003).
O SUS é um sistema descentralizado que proporciona à população o acesso às ações e aos serviços de saúde, através das entidades vinculadas, e no qual se observam princípios da eqüidade, da integralidade, da resolutividade e da gratuidade (NATALINI 2001).Tem como finalidade atender as necessidades da população, promovendo ações de saúde como prevenção, promoção e tratamento, buscando eficiência e eficácia para se obter resultados com qualidade, tudo isso voltado para o bem do indivíduo e da comunidade.
A implantação do SUS na década de 90 tornou possível uma mudança no modelo de atenção à saúde no Brasil e uma conseqüente melhora na desarticulação da assistência farmacêutica nos serviços de saúde (COSENDEY 2000), facilitando assim a adoção de medidas mais viáveis na relação paciente-medicamento.
1.2. Políticas farmacêuticas
No Brasil, apesar do SUS somente aparecer na década de 90, foi em meados dos anos 70 que houve uma inicial idéia sobre a questão de medicamentos, propondo algumas diretrizes gerais de ação, com o Plano Diretor de Medicamentos da CEME – Central de Medicamentos (BARROS 2004), que visava à adoção de várias medidas para o sistema de medicamentos no Brasil. O acesso aos medicamentos é direito do cidadão, pois estes são elementos vitais para a recuperação da saúde, sendo esta um direito de todos e dever do Estado, segundo a Constituição de 1988 e a Lei Orgânica de Saúde.
Neste contexto, e para melhoria do sistema, surgiram mais recentemente as Políticas Farmacêuticas que englobam a Política Nacional de Medicamentos, cujo propósito é garantir o acesso da população aos medicamentos considerados essenciais, bem como a sua necessária segurança, eficácia e qualidade (BRASIL 1998) e a Política Nacional de Assistência Farmacêutica que tem como propósito garantir o acesso da população a medicamentos essenciais com qualidade e segurança, além de promover seu uso racional.
Um dos principais objetivos da política de saúde é o acesso eqüitativo aos serviços e produtos de saúde (OLIVEIRA et al. 2002). No primeiro semestre de 1999, foi implementado um novo modelo de assistência farmacêutica básica no Brasil, denominada Política Nacional de Medicamentos – PMN (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO 2000), a ser implementada pelos gestores do SUS nos três níveis de governo e tendo como propósito garantir a necessária segurança, eficácia e qualidade dos medicamentos, a promoção do uso racional e o acesso da população àqueles considerados essenciais (BRASIL 1998).
Dentro dos esforços para facilitar o acesso aos medicamentos, vários programas foram criados, estando inseridos dentro da Política Nacional de Medicamentos, dentre eles a implantação dos medicamentos genéricos (DIAS & ROMANO–LIEBER 2006), que perfazem um equivalente a 7% do mercado nacional em unidades e 5% em valor (SANCHEZ 2002), uma política que no Brasil ainda se encontra em processo de implantação, necessitando de estratégias eficientes para alcance pleno no âmbito social (CARVALHO et.al 2005).
Pode-se destacar, entre as diretrizes e prioridades da Política Nacional de Medicamentos, a adoção do RENAME – Relação Nacional de Medicamentos Essenciais e a nova orientação da assistência farmacêutica, tendo como objetivos básicos assegurar e promover o acesso da população a medicamentos eficazes, seguros e de qualidade, com menor custo, tanto no setor público quanto no setor privado (GUERRA JRet al. 2004) e publicada como lista modelo que é periodicamente atualizada, através de estímulos da Organização Mundial de Saúde – OMS, desde a década de 70 (BRASIL 2002).
A assistência farmacêutica básica, em sua nova concepção, funciona por meio de repasse financeiro aos Estados, Municípios e o Distrito Federal, previamente habilitados, e que é destinado exclusivamente à aquisição de medicamentos básicos, contribuindo para a garantia da integralidade na prestação de assistência básica à saúde (III CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM POLÍTICAS PÚBLICAS 2002).
Levando em consideração a importância da ação farmacêutica no acesso e uso racional de medicamentos, em 6 de maio de 2004, a Resolução n° 338, do Conselho Nacional de Saúde, aprovou a Política Nacional de Assistência Farmacêutica como um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, individualou coletiva, visandoao acesso da população ao medicamento e seu uso racional (SILVA 2007). Essas ações envolvem pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos e insumos, como também a sua seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos produtos e serviços, acompanhamento e avaliação de sua utilização, com objetivo de obter resultados concretos e conseguir uma melhoria da qualidade de vida da população (BRASIL 2004).
A OMS definiu que o uso racional de medicamentos implica que o paciente receba o medicamento apropriado às suas necessidades clínicas, por um período adequado de tempo e com o menor custo possível para si e a comunidade (CHAVES et. al. 2005).O uso inadequado de medicamentos é conseqüência de vários fatores, como a falta de informação apropriada sobre dose, automedicação, escolha racional inadequada dos medicamentos e o não cumprimento das prescrições. Como conseqüência, tem-se o aumento dos serviços de saúde inclusive as hospitalizações.
A Assistência Farmacêutica tem um papel importante no uso racional de medicamentos, pois as atividades realizadas como, por exemplo, dispensação e orientação sobre o medicamento, tende a promover o seu uso racional, evitar que o medicamento seja fonte de custos e prevenir agravos desnecessários.
Para promover o uso racional de medicamentos é de suma importância a adequação dos currículos dos cursos de formação dos profissionais de saúde, com ênfase na adoção de medicamentos genéricos, incluindo comercialização, prescrição, produção e o uso. (BRASIL 1998). Além disso, é necessário educar os usuários ou consumidores sobre os riscos da interrupção, automedicação, troca da medicação prescrita e a importância de se ter a receita médica.
1.3. Programa farmácia básica
Levando em consideração o difícil acesso das populações carentes do Brasil aos medicamentos, em 1997 teve início o programa Farmácia Básica do Governo Federal, disponibilizando inicialmente 40 medicamentos essenciais para as populações menos assistidas dos municípios mais carentes (COSENDEY 2000). Assim, juntamente com programas de alimentação, saneamento básico e educação, a Farmácia Básica promoveria melhor qualidade de vida à população.
Segundo o Ministério da Saúde, a assistênciaestende-se desde a atenção básica, que inclui os programas de suprimento de carências nutricionais e bolsa alimentação, farmácia básica, entre outros, aos atendimentos de média e alta complexidade que incluem as internações e tratamentos feitos em redes de hospitais próprias e conveniadas(FERREIRA 2002).A Farmácia básica é, portanto, um programa de assistência, que se destina à atenção básica na rede SUS, que racionaliza a distribuição de medicamentos essenciais e permite o tratamento eficaz e o menor custo das doenças mais comuns que afetam a população brasileira. É um módulo-padrão de suprimento, composto por itens de uso mais generalizado, em quantidades calculadas para a cobertura das necessidades de cerca de 3.000 pessoas, no período médio de 3 meses, e será adquirida dos laboratórios oficiais (BRASIL 1997/98). O Programa Farmácia Básica é exclusivo da atenção básica na rede SUS a nível ambulatorial(BRASIL 1997/98).
1.4 Farmácia- escola
A Farmácia Escola é uma das atividades de responsabilidade do NUPS - Núcleo de Promoção de Saúde, projeto implantado pela ESFA, objetivando a prestação de serviços à população, bem como estender o ambiente de aprendizagem tanto aos professores quanto aos alunos, possibilitando que estes possam colocar em prática os conceitos adquiridos na teoria. Apresenta parceria com a Prefeitura Municipal por meio da Secretaria de Saúde, buscando atender aos pacientes usuários do SUS e alunos do curso de Farmácia da ESFA.
Na Farmácia-escola estão disponíveis os medicamentos adequados pra atender as necessidades dos usuários do SUS, além da Atenção Farmacêutica praticada pelos funcionários efetivos e pelos alunos do curso de Farmácia. Dentro desse programa, foi implantado o projeto Amigos do Coração, que tem a finalidade de proporcionar atenção farmacêutica sistematizada aos pacientes portadores de hipertensão e diabetes, que representam um número considerável entre os pacientes que freqüentam a Farmácia.
Atualmente há dois farmacêuticos em período integral na Farmácia-Escola, sendo um disponibilizado pelo município e outro pela sua instituição parceira, a ESFA. Esta parceria mostra nítidos benefícios ao município e ao paciente, sendo que ambos agora podem contar com um espaço adequado, atendimento humanizado, orientação individual ao paciente, melhor controle de estoque, dispensação adequada e atenciosa de medicamentos, além da otimização de recursos da assistência farmacêutica.
1.5 Programa hiperdia
O Ministério da Saúde desenvolve muitas ações de promoção à saúde no Brasil. Uma delas é o Plano de Reorganização da Atenção à hipertensão arterial e ao diabetes mellitus, que objetiva melhoria na vida dos pacientes portadores dessas patologias. Muitas ações são desenvolvidas, com disponibilização de sistema informatizado para cadastramento de portadores, seu acompanhamento, garantia dos medicamentos prescritos e, em longo prazo, formulação de estratégias de saúde, através do perfil epidemiológico de cada população, para melhorar a qualidade de vida e reduzir custos sociais (MINISTÉRIODA SAÚDE)
O hiperdia é um sistema de cadastramento e acompanhamento de hipertensos e diabéticos captados no Plano Nacional de Reorganização da Atenção à hipertensão arterial e ao diabetes mellitus, em todas as unidades ambulatoriais do Sistema Único de Saúde, gerando informações para os gerentes locais, gestores das Secretarias Municipais, Estaduais e Ministério da Saúde. (MINISTÉRIO DA SAÚDE)
2. Métodos
As pesquisas devem basear-se numa teoria, sendo esta utilizada para conceituar os tipos de dados analisados. No seu planejamento, os seguintes passos devem ser atentados: preparação, fase da pesquisa, execução e relatório. Quando um grupo grande ou numeroso de pessoas vai ser analisado é necessário escolher apenas uma parte destas, que represente o ponto de vista do todo (MARCONI & LAKATOS 2006).
O trabalho em questão foi elaborado inicialmente por pesquisa em fontes bibliográficas para levantamento de informações relevantes. Em um segundo momento, foram realizadas entrevistas padronizadas com pacientes cadastrados no Programa Hiperdia da Farmácia-Escola, através de questionário elaborado pelo grupo de trabalho com base nos objetivos propostos, que se encontra no anexo 1. O mesmo é constituído de questões fechadas, em que o informante escolhe sua resposta entre duas opções, sim ou não, e questões de múltipla escolha em que, apesar de serem fechadas, há uma série de possíveis respostas, abrangendo várias facetas do mesmo assunto (MARCONI & LAKATOS 2006). Com os gestores, que correspondem à secretária de saúde, a coordenadora do NUPs e os farmacêuticos responsáveis técnicos pela farmácia-escola, foram realizadas entrevistas com base em um questionário composto de perguntas abertas, que se encontra nos anexos 2 e 3.
A técnica de amostragem executada foi a não probabilística por quotas, que é muito utilizada em levantamentos de mercado, prévias eleitorais e sondagem de opinião pública, e que pressupõe três etapas: classificação da população em termos de propriedades que se presume serem relevantes para as características a estudar, a construção de uma maqueta da população a ser pesquisada e a fixação de quotas para cada entrevistador (MARCONI & LAKATOS 2006).
O número de pessoas entrevistadas foi de 138, esse valor corresponde a 10% do número de pacientes cadastrados que se localizam na sede do município de Santa Teresa. A análise dos dados foi feita com base nas informações contidas nos questionários aplicados tanto aos pacientes cadastrados no programa hiperdia quanto aos gestores, e apresentada em forma de gráficos.
3.Resultados
Os resultados demonstrados a seguir foram obtidos por entrevistas com pacientes cadastrados no programa Hiperdia em Santa Teresa, um município localizado na região Sudeste do Brasil, pertencente ao Estado do Espírito Santo, com 19.953 habitantes, segundo dados do IBGE.
O número de entrevistados foi de 138 pacientes, destes, 78 são mulheres e 60 homens, de faixa etária entre 25 a 86 anos, sendo que a maioria destes possui o ensino fundamental incompleto ou são analfabetos. Do total dos entrevistados, 62,32% são portadores de Hipertensão Arterial, 16,7% são portadores de Diabetes e 21% são portadores das duas doenças.
Quando questionados se buscam os medicamentos nas datas corretas, 71,7% dos entrevistados responderam que sim e sempre, 27,5% relataram que sim, mas nem sempre e 0,7% não.
Em relação à facilidade de acesso à Farmácia-Escola, 87,78% dos entrevistados consideram fácil e 15,21% relataram dificuldade em chegar à Farmácia-Escola, devido à sua localização ser muito distante de seus domicílios.
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Figura 1 Disponibilidade dos medicamentos aos pacientes. |
A figura 1 demonstra um fator de alta relevância, pois 65% dos entrevistados afirmaram que nem sempre encontram todos os medicamentos prescritos pelo médico.
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Figura 2 Conhecimento do farmacêutico pelos entrevistados. |
De acordo com a figura 2, somente 12% dos entrevistados conhecem os farmacêuticos responsáveis pela farmácia-Escola, os demais, que equivalem a 88%, desconhecem sua existência.
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Figura 3 Realização do teste de Glicemia Capilar e aferição da Pressão Arterial na Farmácia-Escola todo mês na busca dos medicamentos. |
O Gráfico 3 relata que dos 138 pacientes entrevistados, 42 tinham a Pressão Arterial aferida e realizavam o teste de Glicemia Capilar todo mês na busca do medicamento, em 60 pacientes isso não acontecia, 24 deles só aferiam a Pressão Arterial e 12 realizavam esses procedimentos na consulta médica.
Em relação aos funcionários foi questionado se estes ofereciam orientação e informação quanto à administração dos medicamentos. Dos entrevistados, 97,82% responderam que sim e 2,17% que não. Também foi perguntado se os funcionários em questão tinham paciência e davam atenção aos pacientes, sendo que 99,27% relataram que sim e 0,72% não.
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Figura 4Benefícios da implantação do projeto à saúde dos pacientes. |
Um dos objetivos do projeto Farmácia-Escola é promover benefícios à saúde dos pacientes. Como pode ser observado na Figura 4, do total de pacientes entrevistados, 71,01% disseram que melhoraram muito suas condições de saúde desde o ingresso no projeto, 6,5% melhoraram pouco e 22,5% relataram que sua saúde continua igual.
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Figura 5 Satisfação ou não dos entrevistados pela Farmácia-Escola. |
Como ilustrado na figura 5, das entrevistas realizadas com os pacientes, 99,5% estão satisfeitos com a Farmácia-Escola e 1,40% não estão satisfeitos.
Questionadas sobre a estrutura da Farmácia Básica antes da implantação da Farmácia-Escola, a Secretária Municipal de Saúde e a Coordenadora do NUPs relataram que esta funcionava numa sala pequena dentro da Unidade de Saúde da Sede do Município, onde acontecia somente a dispensação de medicamentos.
Segundo a Secretária de Saúde, a implantação da Farmácia-Escola trouxe vantagens para o município, tais como o atendimento humanizado, orientação individual ao paciente, espaço adequado, melhor controle de estoque, otimização dos recursos da assistência farmacêutica, compartilhando da mesma opinião a coordenadora do NUPs.
Ao ser questionada sobre os desafios ainda enfrentados pelo município, a Secretária de Saúde relatou ser a escassez de recursos, dificuldades de controle de estoque para que não haja falta de medicamentos, dificuldade de adesão da população ao programa Hiperdia, executado na Farmácia-Escola. A coordenadora do NUPs, quando questionada sobre o tema, relatou a necessidade de melhoria no controle de estoque e na promoção da assistência farmacêutica.
As farmacêuticas responsáveis pela Farmácia-Escola, quando questionadas sobre a falta de medicamentos relatada pelos pacientes, responderam que esta não ocorre pela escassez de recursos e sim pela burocracia enfrentada para efetuar a compra dos medicamentos.
3. Discussão
A iniciativa da ESFA, através do NUPs – Núcleo de Promoção à Saúde e da Prefeitura Municipal de Santa Teresa em otimizar os serviços das farmácia básicas, tornou-se uma forma de somar melhorias à qualidade de vida dos pacientes, principalmente os cadastrados no Programa Hiperdia, de atenção a Diabetes e Hipertensão.
Na análise de dados coletados, através de questionários com os pacientes, podem-se notar alguns pontos relevantes, como o desconhecimento do profissional farmacêutico por grande parte dos entrevistados. No entanto, em termos gerais, a avaliação do serviço prestado foi eficaz para os pacientes.
A maioria dos entrevistados possui ensino fundamental incompleto ou são analfabetos, fato que dificulta a compreensão da patologia existente e também em relação aos medicamentos que necessitam ser utilizados. Levando em consideração que a diabetes e a hipertensão possuem quadros muitas vezes assintomáticos, tem-se o fato de que os pacientes resistem a seguir um tratamento que, em grande parte, exige certo grau de disciplina, tanto na medicação quanto na alimentação. O resultado é o abandono do tratamento.
Sobre o acesso ao medicamento, alguns entrevistados disseram que pegam nas datas corretas, mas nem sempre, e outros relataram não seguir nenhuma das datas orientadas, fato este que pode levar a uma descontinuidade do tratamento, não se obtendo êxito em muitos casos, e ocasionando uma baixa auto-estima dos pacientes que acabam desacreditando no tratamento proposto.
A busca correta dos medicamentos e o devido acompanhamento tornam a qualidade de vida e tratamento dos pacientes melhor e mais eficaz, e os resultados mostram que a maioria das pessoas buscam seus medicamentos nas datas corretas, passando pelo acompanhamento da equipe que pode assim, monitorar e analisar a eficácia do tratamento.
A maioria dos pacientes considera fácil o acesso a Farmácia-Escola pelo fato de esta situar-se próxima à Unidade de Saúde da Sede. Apenas alguns expõem dificuldade devido ao fato de residirem em lugares distantes do centro da cidade, o que torna mais complicado o acesso; por isso, nem sempre podem comparecer para pegar o medicamento, tarefa que fica a cargo de um parente ou vizinho. Esse fato, que ocorre com freqüência, prejudica o acompanhamento do farmacêutico, que não pode aferir a pressão nem verificar a glicemia, resultando num acompanhamento inadequado, que leva à falha da proposta de atenção farmacêutica ao paciente. De acordo com informações da Secretária Municipal de Saúde do município, sua localização será modificada em breve para a nova Unidade de Saúde, que está sendo construída próxima à Prefeitura Municipal, o que provavelmente trará mais benefícios aos pacientes.
Um dos principais objetivos dentro da Farmácia-Escola, além da atenção ao paciente, é o acesso ao medicamento. Uma parte dos pacientes afirma que nem sempre encontra os medicamentos prescritos pelo médico e, segundo as farmacêuticas responsáveis, isso se deve à burocracia existente no momento da compra dos medicamentos. A Coordenadora do NUPs acrescenta que é necessária uma capacitação para que estes profissionais façam uma melhor organização no estoque de medicamentos.
O desconhecimento do profissional farmacêutico pela maioria dos entrevistados é um fato de grande relevância. Poucos conheciam os responsáveis pela farmácia, e ainda assim, conheciam por terem nascido na cidade e serem de uma família conhecida.De acordo com informações dadas pelas farmacêuticas responsáveis pela Farmácia-Escola, o fato deve-se à cultura existente, que trata o farmacêutico como balconista, já que este exerce muitas funções administrativas, distanciando-se, muitas vezes, da função clínica junto ao paciente.
Outro dado relevante e que chamou atenção foi o resultado do acompanhamento dos pacientes, quando a grande maioria relatou que a cada visita para buscar o medicamento, não são realizados os testes de glicemia e aferição da pressão arterial, levando-se em consideração que a maioria já realiza estes procedimentos na Unidade de Saúde, em consulta médica. Alguns deles ainda relataram que apenas é feita a aferição da pressão arterial, o que se deve provavelmente ao fato de que a grande maioria é portadora de hipertensão apenas.
Como grande parte dos pacientes é atendida pelo farmacêutico e também pelos funcionários, estes devem ser capacitados, pois atendimento é primordial. A grande maioria relatou que os funcionários ofereciam orientação e informação quanto à administração dos medicamentos, um dado relevante, já que a maioria dos pacientes encontram-se em idadeavançada, necessitando muitas vezes de mais e melhores informações, com dados menos técnicos, além de um atendimento tranqüilo e paciente, pois alguns idosos sentem-se sós e necessitam, às vezes, conversar, falar de seus problemas, já que nem sempre têm essa possibilidade no local onde vivem ou com as pessoas que moram ao seu redor. Foi muito satisfatória a avaliação da Farmácia Escola nesse sentido.
Como o intuito da Farmácia é promover a saúde dos pacientes, os resultados demonstram uma melhora significativa na condição de saúde do paciente após começar o acompanhamento com os profissionais, além de todo o processo ser satisfatório aos olhos dos pacientes atendidos. Cabe ressaltar a importância do farmacêutico na orientação ao paciente. Sendo ele o profissional mais capacitado para prestar uma atenção farmacêutica adequada, notam-se grandes avanços e melhorias em sua área de trabalho, o que lhe permite, assim, realizar seus objetivos na orientação e promoção da saúde ao paciente portador de patologias diversas.
A avaliação do projeto Farmácia-Escola implantado em 2005, foi satisfatória, atendendo os objetivos propostos no estudo em questão, apesar de alguns fatos identificados serem de muita relevância, e necessitam de maior atenção dos gestores envolvidos.
Agradecimentos
A Deus, nosso Pai, pela nossa vida e por mais essa vitória! Obrigada por sempre estar nos guiando e pela oportunidade de realizarmos este trabalho.
Aos nossos familiares, amigos e Alcimar pelo apoio e força sempre, por entender todo nosso estresse e falta de tempo, muitas vezes inevitáveis.
A nossa orientadora Maria José, pela força em enfrentar os desafios, confiança em nosso trabalho e pela incalculável paciência com nossos e-mails e telefonemas, muitas vezes tarde da noite...
A todos os nossos professores, mestres que fizeram parte de nossas vidas e nunca mediram esforços para nos ajudar, atenciosos mesmo no meio do corredor, com nossas inúmeras perguntas...
Em especial ao Professor Luiz Cláudio Pereira, por nos indicar alguns bons caminhos, com boas idéias e sempre boa vontade e ao Prof. Ary Gomes da Silva pelo apoio nessa caminhada.
A Secretária Municipal de Saúde Andréia Corteletti e aos funcionários da Unidade de Saúde de Santa Teresa, pela paciência e informações que tornaram nosso trabalho melhor.
Aos funcionários da Farmácia - Escola, pela boa vontade e paciência com nossas visitas, pesquisas, perguntas e perguntas...
Ao nosso amigo Guilherme Lirio, pelo tempo empregado em nossos caprichos e detalhes no banner...e que, mesmo longe, se fez muito presente. Obrigada amigo!
Finalmente, mas não menos importante, nosso agradecimento a todos aqueles que fizeram parte de cada passo dado, de cada luta, de cada palavra escrita aqui!
Valeu cada riso, cada choro, cada coração, cada amizade, cada canção...
"Comprometimento individual a um esforço conjunto —
isso é o que faz um time funcionar, uma empresa funcionar, uma sociedade
funcionar, uma civilização funcionar."
(Vince Lombardi)
Referências
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Anexos
Anexo 1- PROJETO DE PESQUISA PARA MONOGRAFIA DO 8° PERÍODO DO CURSO DE FARMÁCIA DA ESCOLA SUPERIOR SÃO FRANCISCO DE ASSIS – ESFA
Entrevista com paciente cadastrado no programa Hiperdia da Farmácia Escola
Nome_____________________________________________________________
Idade _______________________________Sexo__________________________
Nível de escolaridade________________________________________________
Ocupação _________________________________________________________
Estado civil ________________________________________________________
() Paciente com Hipertensão
() Paciente com Diabetes
1)Há quanto tempo você faz parte do Programa Hiperdia?
() Menos de 1 ano() Mais de 1 ano
2)Você segue as datas corretas para busca do medicamento?
() Sim, sempre () Sim, mas nem sempre() Não
3)Você encontra facilidade em chegar na Farmácia Escola e adquirir seus medicamentos?() Sim() Não
Se a resposta for não, porque? _______________________________________________________________
4)Encontra sempre todos os medicamentos prescritos pelo seu médico?
() Sim() Ás vezes não() Não
5)Você conhece o farmacêutico responsável pela Farmácia Escola?
() Sim() Não
6)Na sua opinião, é importante ter um farmacêutico presente na Farmácia Escola?
() Sim() Não() Não faz diferença
7)O funcionário orienta sobre modo de utilizar e dá informações sobre o medicamento?() Sim() Não() Só quando eu pergunto
8)Você normalmente pergunta como usar um medicamento ou espera que o funcionário te explique?
() Eu pergunto() Espero o funcionário explicar
9)A cada mês, na busca do medicamento, é medida a pressão arterial e/oufeito teste de glicemia?
() Sim() Não() Só glicemia
() Sópressão arterial() Mede antes na consultamédica() Nunca fez
10)Os funcionários da Farmácia Escola são atenciosos e pacientes?
() Sim() Não
11)O que faz você ir até a Farmácia Escola?
() O medicamento ser de graça() A boa orientação dos profissionais() Medir pressão()Outros, quais? ___________________________
12)Como você avalia o desempenho de sua saúde após a participação no Programa Hiperdia da Farmácia Escola?
() Melhorou muito() Melhorou bem pouco()Continua igual
13)Qual seu grau de satisfação com a Farmácia Escola?
() Muito satisfeito() Satisfeito() Pouco satisfeito() Não satisfeito
Anexo 2-Projeto de Pesquisa para Monografia do8°Períododo Curso de Farmácia da EscolaSuperiorSão Francisco de Assis – ESFA
Entrevista aplicada a Secretária de Saúde e a coordenadora do NUPs
1) Como era a Farmácia Básica antes da implantação da Farmácia-Escola?
2) Quais as vantagens para o município após a implantação da Farmácia-Escola?
3) Quais os desafios ainda enfrentados pelo município?
Anexo 3- Projeto de Pesquisa para Monografia do8°Períododo Curso de Farmácia da EscolaSuperiorSão Francisco de Assis – ESFA
Entrevista aplicada as farmacêuticas responsáveis técnicas da Farmácia-Escola
1) Em seu ponto de vista qual a razão da falta de medicamentos relatada pelos pacientes?
2) Qual a sua opinião sobre a falta de conhecimento do profissional farmacêutico por grande parcela dos pacientes?
[1] Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do Curso de Farmácia – ESFA - Rua Bernardino Monteiro, 700, Bairro Dois Pinheiros, Santa Teresa, ES. CEP 29650-000.
[2] Acadêmica. annebozetti@yahoo.com.br
[3] Acadêmica. arianebozetticosta@hotmail.com
[4] Acadêmica. lucianagasp@yahoo.com.br
[5] Orientadora, professora de Economia e Administração, Empreendedorismo e Liderança e Políticas Públicas do Curso de Graduação em Farmácia. mfoeger@limainfo.com.br
Ariane Bozetti Costa
Ariane Bozetti Costa, sou bacharel em Farmácia graduada pela ESFA- Escola Superior São Francisco de Assis, curso de Bioquímica e pós-graduação em andamento.
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