Análise Da Obra Ensaio Sobre A Cegueira, De José Saramago
- Por Elita de Medeiros
- Publicado 13/06/2008
- Literatura
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O Caos das sensações.
Contexto
Publicado inicialmente em 1995, a obra mostra o caos que se chega quando um dos sentidos falta a uma grande parcela da população. Evidencia uma epidemia de cegueira que atinge toda a população.
Intitulada Ensaio, a obra de Saramago critica os valores sociais, mostrando-os frágeis, pois onde ninguém vê, teoricamente nada aparece, elucidando que os valores, sejam morais ou materiais, são atribuições que homem faz. Neste contexto, a obra mostra desde aventuras sexuais, o pudor, que já não existe porque não é visto, até à imundície que se instala por toda a cidade.
Resumo
O Ensaio sobre a cegueira é uma crítica aos valores sociais, expondo o caos a que se chega quando a maioria da população cega. Revela traços da sociedade portuguesa contemporânea, vislumbrando a maneira como as pessoas vivem através de suas descrições das casas, dos utensílios, das roupas. As personagens não têm nomes, sendo descritas por características próprias – o primeiro cego, o médico, a mulher do primeiro cego, a rapariga de óculos, entre tantos outros que aparecem no desenrolar da narrativa, onde uma epidemia se alastra a partir de um homem que cega esperando o semáforo abrir.
Inexplicável é a imunidade da mulher do médico, parecendo que sua bondade, sua preocupação com o marido, mesmo convivendo entre os cegos sem medo de cegar, a impede de contrair a moléstia. Mas a solidariedade da mulher do médico estende-se, ainda, àqueles de convívio mais estrito, sendo verdadeiro anjo de guarda dos que dividem com ela a enfermaria do hospício abandonado em que são confinados os primeiros a contrair o mal.
De característica onisciente, a narrativa leva-nos a refletir sobre a moral, os costumes, a ética e o preconceito, pois faz com que a mulher do médico se depare com situações inadmissíveis às pessoas em condições normais. Exposta à sujeira, a uma existência miserável em todos os sentidos, ela mata para preservar a si e aos demais, e se depara com a morte de maneira bizarra após a saída do hospício: os cadáveres se espalham pelas ruas, o fogo fátuo aparece debaixo das portas do armazém onde, dias antes, ela buscou víveres.
A igreja com os santos de olhos vendados pode ser caracterizada como um dos momentos poéticos da obra: se os céus não vêem, que ninguém veja, numa alusão velada às idéias do filósofo Friderich Nietzshe, "se deus está morto, então tudo posso".
Saramago ainda brinca com a imaginação do leitor nas últimas linhas, deixando implícita a cegueira daquela que foi a única que viu em meio à treva branca, justamente no momento em que todos recuperam, aos poucos, a visão.
Estilo
Pode-se afirmar que a obra é difícil de ser lida não apenas pelo seu contexto filosófico, mas pelo estilo de José Saramago: as falas entre vírgulas forçam o leitor a um verdadeiro mergulho em suas idéias, pois é impossível parar em meio às idéias do autor. A desconstrução do tempo linear em suas idas e vindas nas memórias das personagens, as características únicas, a mesquinhez presente evocam a reflexão sobre os valores que cada um de nós tem da vida, da moral, dos costumes e até mesmo do que nos é caro: onde está a mãe do menino estrábico? Cegou, morreu? A rapariga de óculos que, em princípio, parece não ter valores, mostra-se filha amorosa, amiga e uma mulher capaz de amar, não pela beleza física, mas pela ternura que as situações a levam.
Personagens
Como exposto anteriormente, as personagens não caracterizadas por seus nomes, mas por particularidades. Podemos destacar como personagens principais os ocupantes da camarata onde estavam o médico, o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, a rapariga de óculos e o velho com a venda num dos olhos.
Como personagens secundários ou coadjuvantes, os cegos que promovem o levante para a redistribuição da comida, aqueles que encontram-se na camarata do cego que tem uma arma, o cego que escreve em braile, a mulher que estava com o cego que tem a arma no momento em que este é assassinado pela mulher do médico, o ladrão, os soldados, entre tantos outros.
Ao usar este artigo, faça referência, cite a FONTE:
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Elita de Medeiros
Cursou Letras Português e Inglês na Universidade do Sul de Santa Catarina. Ex-secretária da rede particular de ensino. Ex-professora das redes pública e particular de Ensino Básico e dos cursos de Engenharia Civil e Arquitetura da UNISUL. Integrante do quadro técnico da mesma instituição. Assistente Técnico-pedagógica da rede estadual.
Ler outros artigos de Elita de Medeiros9 Comentários em "Análise Da Obra Ensaio Sobre A Cegueira, De José Saramago" 
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Tovaga
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comentou em 12 Sep 2008 8:58:04 AM BRT
Considerando que vivemos num pais onde apenas 8% dos Políticos têm crédito da população, temo que estes 8% são os próprios políticos, mas porque votar nos demais 92%? Não seria uma cegueira Nacional?
Parabéns pela análise. PS. Sou apenas um Técnico de 2° Grau, mas gosto de aprender como se fosse durar mil anos, mesmo sabendo que posso morrer amanhâ. Será que o filme vai alertar os eleitores para mais esta cegueira em 2008? Eu tenho candidato a Prefeito porém não vereador. Os vereadores são os fiscais dos Prefeitos e em sua maioria aceita pp e manutenção no Poder pelas mesas razões. Grana, carrão, Sitio, cabeças de gado, fazendas, moteis, postos de gasolina, boates, Emissoras de TV, rádio e pistoleiros.... Ninguém fica preso, pode continuar candidatura para se manter em Forum priveligado... Julgamentos caducam e eles ficam ricos e suas famílias abastadas para sempre.... Vejamos PSM,JB,FL,RC,JS e muitos outros. Basta buscar na Internet... |
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eneas santos costa
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comentou em 28 Apr 2009 4:12:57 PM BRT
o comentario bem trabalhado, beijos
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Sal.
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comentou em 20 May 2009 5:02:11 AM BRT
O facto de José Saramago deixar implícito que a mulher do médico cega é realmente discutivél. Quando o narrador diz nas ultimas linhas: " Depois levantou a cabeça para o céu e viu-o todo branco, Chegou a minha vez, pensou. O medo súbito fê-la baixar os olhos. A cidade ainda ali estava." Ora se a cidade ainda ali estava penso que ela não cegou.
De resto, obrigada pela ajuda. |
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jose renan
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comentou em 22 May 2009 12:32:05 PM BRT
parabéns!! adorei!
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tiely maia
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comentou em 03 Jul 2009 9:33:13 AM BRT
um comentario bem comentado apesar que a cegueira baseada em um filme se protagoniza ao narrador de ser realmente um fato real em ser discutido.adorei !!!!!!!!!
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Guilherme
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comentou em 18 Oct 2009 6:35:58 PM BRT
"Friderich Nietzshe, 'se deus está morto, então tudo posso".
Pesquise melhor suas citações Nietzshe disse: "Deus está morto." DOSTOIÉVISK foi quem disse "Se Deus não existe, então tudo é permitido." Também não concordo com o fato de que a mulher do médico era cega, porém é uma questão de abstração e interpretação. Tecnicamente o artigo está suficiente mais poderia ter sido mais aprofundado. |
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Bruno
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comentou em 21 Oct 2009 8:34:50 PM BRT
já li o livro e aprovei, quero ler ensaio sobre a lucidez, mas ainda não ie coaem de abri-lo... dee se em legal tb
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Elisângela de Ribeirão Pires
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comentou em 28 Nov 2009 11:58:43 PM BRT
De acordo com o livro que acabei de ler hoje para uma prova na segunda-feira na faculdade gostei muito é fascinante como o autor descreve acontecimentos caso as pessoas ficassem cegas de verdade, a sociedade é esta mesmo seja no Portugal ou no Brasil é cada um por si, como a mulher do médico é raro pessoas acolhedoras em uma situação em estado de sítio.
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eneas santos costa
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comentou em 26 Dec 2009 12:07:50 PM BRT
o livro de jose e um relato factual de que a sociedade e formada por teoria morais falidas,e que somente por meio de uma reflexao honesta o homem pos moderno sera capaz de ser de fato autor de sua exstencia,jose faz uma anologia metafisica funtamentada em um filosofo que e de fato um bom filosofo,porem que perdeu o conceto de realidade ontometafisica,o ente nao e uma propriedade ontoestatica,mas e fenomenologicamente dialetico,de modo que a moralidade e a eticidade nao sao verdades absolutas,e os concetos de verdades nao sao em si, verdades sagradadas nao ha sagradas verdades visto que nao ha um deus que estabeleça verdades, jose de fato ver de forma a filosofia e o umico meio de o ente ser de fato ontologicamente aceitavel,jose e o mais novo filosofo da moral,ele deve de fato ser elevado a ao mais alto nivel de aceitaçao,Eneas Santos Costa PH.D
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