Guilherme Veber Adami
Jonatas Marcolin
Fernando Carminatti
Vanilson dos Santos

INTRODUÇÃO

A alface (Lactuca sativa L.) é uma planta herbácea, pertencente à família das Cichoriaceae (Sonnenberg, 1985 e Lisbão et al., 1990). Hortaliça típica de saladas, considerada como uma planta de propriedades tranqüilizantes e que, devido ao fato de ser consumida crua, conserva todas as suas propriedades nutritivas. Segundo Maroto-Borrego (1986) e Camargo (1992) é uma excelente fonte de vitamina A, possuindo ainda as vitaminas B1, B2, B5 e C, além dos minerais Ca, Fe, Mg, P, K e Na, cujos teores variam de acordo com a cultivar.

Tradicionalmente, o cultivo da alface é realizado em canteiros, em condições de campo e utilizando, principalmente, o método de irrigação por aspersão convencional. Atualmente, com o desenvolvimento da plasticultura nacional, o cultivo de hortaliças em estufas e túneis plásticos tem sido muito difundido.

O grupo repolhuda americana teve seus primeiros plantios iniciados na década de 90, no Sul de Minas, principalmente na região de Lavras, com uma área cultivada anualmente em torno de 1.800 hectares. Esta área cultivada é atribuída principalmente às condições edafoclimáticas favoráveis ao seu desenvolvimento.

Da produção total de alface, 50% é descartado no campo, principalmente folhas externas e plantas danificadas por pragas e/ou doenças. De toda esta produção que sai do campo, passando pela indústria até o produto final, o aproveitamento está em torno de um ¼ (Yuri, 1999).

As plantas são sensíveis às condições de verão chuvoso, portanto, para o cultivo nesta época é necessário o uso de uma cobertura plástica (túnel ou estufa) promovendo melhorias nas condições microclimáticas do ambiente, oferecendo um produto de boa qualidade e obtenção de bons preços.

O uso dos nutrientes minerais é importante para a planta se desenvolver e produzir. Segundo Garcia (1982) potássio é o mineral mais exigido pela alface, e proporciona os seguintes benefícios: aumento da resistência ao ataque de pragas e doenças; maior conversão do nitrogênio em proteínas, aumentando a biomassa; ativa diversos processos enzimáticos; maior translocação de carboidratos; promove a eficiência do uso da água, devido ao controle da abertura e fechamento dos estômatos.

Com o crescimento da redes de "fast food" no Brasil, foi necessário a produção de um tipo especial de alface conhecida como alface americana até então pouco comercializado no país. A grande aceitação deste grupo de alface se deve a sua boa conservação durante o período de armazenamento e principalmente a sua resistência às altas temperaturas na época de verão, possibilitando o cultivo durante o ano inteiro.

Estas, após serem colhidas no campo, são lavadas, picadas, embaladas e distribuídas para toda a rede de consumo. Sua vantagem em relação aos demais grupos de alface, esta na resistência ao calor durante o preparo de sanduíches e a seu aspecto crocante.

Segundo Goto (1997) e Pimentel (1997) alface também é utilizada na forma de suco, para combater a insônia, possuindo propriedades diurética, depurativa, calmante, eupéptica, mineralizante,vitaminizante, esintoxicante, além de contribuírem no combate às palpitações do coração e a prisão de ventre, devido a seu alto teor de celulose.

A alface americana é uma planta herbácea, muito delicada, com caule diminuto, não ramificado, ao qual se prendem as folhas. Estas são muito grandes, lisas ou crespas, fechando-se ou não na forma de uma cabeça. Sua coloração varia do verde-amarelado até o verde-escuro, sendo que algumas cultivares apresentam as margens arroxeadas. As raízes são do tipo pivotante, podendo atingir até de 60 cm de profundidade, porém apresentam ramificações delicadas, finas e curtas, explorando apenas os primeiros 25 cm de solo (Filgueira, 1982).

A planta de alface é típica de inverno, capaz de resistir a baixas temperaturas e a geadas leves, sendo as temperaturas amenas, essenciais durante toda a fase vegetativa de seu ciclo, especialmente, durante o desenvolvimento da cabeça. Temperaturas elevadas (20-30°C) aceleram o ciclo cultural resultando em plantas menores, e também induzem a presença de um indesejável sabor amargo (Filgueira, 1982). Jackson et al. (1997) comenta que a alface tem exigência de temperatura distinta sendo que o ótimo para o dia esta em torno de 22,8°C e para a noite 7,2°C.

Segundo Filgueira (1982) a alface americana é adaptada ao clima seco predominante na Califórnia, Estados Unidos, região onde é cultivada. Apresentam cabeças crespas, folhas imbricadas como no repolho, consistentes e quebradiças, cor verde-esbranquiçadas com nervuras verdes destacadas e um aspecto geral pouco delicado. Resistem bem ao transporte a longas distâncias.

Segundo Conti (1994) as cultivares americanas apresenta grande acúmulo de matéria verde e seca. São normalmente cultivares tardias, pendoando após 60 dias.

As hortaliças são cultivadas em áreas agrícolas das mais tecnificadas e está entre as culturas que mais consomem fertilizantes e corretivos no Brasil.

Segundo a ANDA - Associação Nacional dos Defensivos Agrícolas, em 1990, as hortaliças ocupam uma área cultivada em torno de 687.000 ha, o que representa 1% do total da área cultivada no Brasil, com um consumo médio de fertilizantes em torno de 619kg/ha.

Segundo Zambon (1982), a alface absorve em maior quantidade os nutrientes como o potássio, o nitrogênio, o cálcio e o fósforo, não se podendo desprezar, entretanto, a importância dos demais. A alface aumenta de peso lentamente até os 30 dias, quando então, o ganho de peso é acentuado até a colheita. Apesar de absorverem quantidades relativamente pequenas de nutrientes quando comparadas com outras culturas, seu ciclo rápido (50 a 70 dias), a torna mais exigente em nutrientes.

Segundo Faquim, (1994) o potássio é de maneira geral, o segundo nutriente mais exigido pelas culturas, depois do nitrogênio. O requerimento de k+ para o ótimo crescimento das plantas está aproximadamente entre 2 a 5% na matéria seca, variando em função da espécie e do órgão analisado.

Quando o solo apresenta um elevado teor de potássio, sua assimilação pela planta pode ser quatro vezes maior que a absorção de fósforo, e igual ou maior que a absorção de nitrogênio.

Sendo o cloreto de potássio relativamente solúvel em água e pouco higroscópico, este apresenta uma alta tendência em elevar a pressão osmótica da solução do solo, devido ao seu alto índice salino, podendo prejudicar a germinação das sementes ou afetar o desenvolvimento do sistema radicular de plantas recém-transplantadas. Este fertilizante pode ser retido no solo na forma trocável. O seu movimento descendente não se dá com a mesma intensidade que o nitrato, sendo que lixivia em função do seu teor na solução do solo e da quantidade de água que percorra através do perfil do solo. O cloreto de potássio é a fonte de potássio mais utilizada com, aproximadamente, 47,6% de cloro em sua fórmula.

Segundo Yamada (1995) e Malavolta (1997), o potássio exerce nas plantas, uma serie de funções, relacionadas com o papel de armazenamento de energia. Entre as várias funções cita-se: melhor eficiência de uso da água, devido ao controle da abertura e fechamento dos estômatos; maior translocação de carboidratos produzidos nas folhas para o restante da planta; maior eficiência enzimática, além da melhoria da qualidade comercial da planta.

Também é verificado que o potássio aumenta a resistência natural da parte aérea das hortaliças às doenças fúngicas que tornam os tecidos mais fibrosos e resistentes, inclusive ao acamamento e, principalmente, contrabalanceando o efeito contrário causado pelo excesso de N. Segundo Filgueira (1981) e Faquim (1994), o excesso de K+ desequilibra a nutrição das hortaliças, dificultando a absorção de Ca e Mg.

No caso das hortaliças, como a alface ocorre uma grandes extração de potássio, no entanto altas dosagens não têm demonstrado resposta de produção.

As plantas retiram do solo a maior parte dos nutrientes minerais que necessitam para o seu desenvolvimento. Para evitar seu desgaste prematuro, é necessário que se reponha esses minerais por meio de adubações e, quando se tem a irrigação para suprir água as plantas, torna-se possível praticar a fertirrigação, que é uma técnica simples de aplicação de adubos via água de irrigação.

Para se obter uma boa produtividade, o teor de umidade no solo deve ser mantido acima de 80% da água útil disponível no solo, durante todo o ciclo cultural, inclusive na colheita. Devido a cultura da alface ser consumida crua é de suma importância que água de irrigação seja de boa qualidade isenta de microrganismos causadores de doenças (Filgueira, 1981/82).

De acordo com Frizzone (1984) e Abreu (1987), a aplicação mecânica de fertilizantes é relativamente demorada e em alguns casos provoca a compactação do solo, sendo a fertirrigação bastante rápida e cômoda já que a solução de fertilizantes dilui-se de forma homogênea na água de irrigação, distribuindo-se na área da mesma forma que a água.

Dentre dos sistemas de irrigação, o mais utilizado para a produção da alface americana é a fertirrigação. Dentro das vantagens do uso desta técnica pode-se citar:

a) nenhum equipamento pesado entra no campo, evitando a compactação do solo;

b) as técnicas de aplicações químicas convencionais danificam as raízes e as folhas;

c) menos equipamentos para aplicar substâncias químicas;

d) menos energia nas operações de aplicações químicas;

e) menos trabalho para supervisores gerenciar as aplicações;

f) pode-se regular mais cuidadosamente e monitorar o fornecimento de nutrientes;

g) os nutrientes são distribuídos mais uniformemente junto ao sistema radicular;

h) os nutrientes podem ter suas dosagens ajustadas ao longo do ciclo da cultura, de acordo com as exigências das plantas e a expectativa de produtividade (Andrade, 1998).

Para obter uma boa uniformidade de aplicação de fertilizantes, estes devem ser solúveis em água e não reagir entre si, formando precipitados, o que levaria à obstruções freqüentes do sistema.

De acordo com Kalil (1992) e Bernado (1995), quando são usados adubos potássicos pode-se ter problemas se a água for rica em matéria orgânica, devido ao seu efeito floculante com possibilidade de causar entupimento dos emissores.

O presente trabalho teve por objetivo testar diferentes doses de potássio via fertirrigação no cultivo de alface americana em ambiente protegido.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na Fazenda escola da Faculdade Assis Gurgacz – FAG, no município de Cascavel /Paraná, em uma estufa convencional, com cobertura de plástico transparente e paredes laterais com sombrite. O cultivo das alfaces foi realizado dentro de vasos individuais, com área de 0,7068 m2 e volume de 0,212 m3.

O delineamento experimental utilizado foi com 5 tratamento de potássio: 0; 50 (0,589 g); 100 (1,178g); 200 (2,356g) e 300 (3,534g) kg de KCl.ha-1 em 4 repetições. A fonte de potássio utilizada foi o cloreto de potássio de cor avermelhada (60%K2O).

O experimento foi realizado entre os meses de agosto e setembro de 2007, sendo, portanto, durante o inverno.

As mudas foram transplantadas para os vasos quando apresentavam media de 5 folhas e 6cm de comprimento.

A aplicação do potássio através da fertirrigação foi realizada dissolvendo-se as dosagem pré estabelecida para cada vaso em 500ml de água. A irrigação do experimento foi realizada diariamente, aplicando-se 500ml de água por vaso.

A colheita foi realizada quando as cabeças atingiram seu máximo desenvolvimento, apresentando grandes e compactas. Foi realizada a colheita, que constituía em cortar a planta logo abaixo das folhas basais, bem rente ao solo, como recomenda Filgueira (1982). Foram colhidas 4 plantas de cada tratamento, totalizando 20 plantas. Posteriormente, as plantas foram pesadas sem o talo, somente com as folhas, a fim de estimar a produtividade total real. Posterior a isto, foram postas em uma estufa, a 75°C, durante cerca de 90 horas, afim de se obter a massa seca.

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