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Erosão Na Cidade De Açailândia Maranhão
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Zilmar Timoteo Soares
Zilmar Soares, biólogo, Mestre e Dr. em Educação, professor assisten daUniversidade Estadual do Maranhão. 
Por Zilmar Timoteo Soares
Publicado 2/04/2008
 
Parece extremamente óbvio que qualquer interferência na natureza causada pelo homem, necessita de estudos que levem ao diagnóstico, ou seja, a um conhecimento do quadro ambiental onde se vai atuar. O município de Açailândia passou por um processo acelerado de devastação de suas florestas sem estudo prévio e que causou processo erosivo em todo o município, tanto na zona rural quanto na zona urbana. No que se refere à zona urbana o processo parece ser mais destruidor devido ao intenso fluxo migratório numa determinada época da formação da cidade, que criou espaços bem diferentes num contexto social. As periferias são povoadas de pessoas de pequena formação no que diz respeito à retirada da vegetação das encostas dos morros, assim como, a delimitação das áreas de construção de suas casas. Falta de esgoto sanitário na área urbana causa a poluição dos rios que se encontram nos arredores da cidade e também do seu lençol freático.

Açailândia Maranhão

Em Açailândia, o risco de erosão está associado à topografia irregular, à condição geológica de formação sedimentar, a precipitação na estação chuvosa, ao aprofundamento dos canais abertos pelo esgoto e a inadequada dos cortes de ruas. Sendo assim, pequenas ravinas evoluem para voçorocas de grandes dimensões, causando desastres, como a derrubada de casas, que se amplia a cada estação chuvosa. No Município, o assistencialismo tem sido um empecilho na solução dos problemas sociais e ambientais. Esse problema é causado pelos os administradores e o empresariado local que distribuem lotes a segmentos menos favorecido da população com fins eleitoreiros. Lotes em locais sem nenhuma estrutura urbana, assim sugiram vários bairros em locais inadequados, causando prejuízos para o meio ambiente e para a população. Estes problemas vêm acontecendo desde ano de 1999 devido às fortes chuvas, a falta de manutenção das ruas,o acúmulo de lixo e os esgotos a céu aberto. Diante dessa problemática, surgiu a idéia de se realizar um trabalho de educação ambiental com intuito de conscientizar os estudantes sobre os problemas existentes.

O trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar os sinais críticos provocados pela erosão no município de Açailândia Estado do Maranhão, buscando conhecer os elementos causadores deste problema local. Trabalhar com a comunidade estudantil uma possível solução para amenizar os efeitos nocivos ao meioambiente.

O projeto foi realizado com os alunos de uma escola pública para uma a análise ambiental da área, considerando além dos condicionantes físicos (solo, relevo, geologia, drenagem, declividade, clima e feições erosivas), as interações entre os elementos geográficos tais como localização, posição, mapeamento do uso da terra, formas de urbanização e atividades econômicas da área em estudo. Estas interações são reproduzidas sob a forma de cruzamento de planos de informações, com base em técnicas de geoprocessamento, onde foram elaborados mapas temáticos georreferenciados. Com uma visão regional, procurou-se explicar a ocorrência dos processos erosivos que se apresentam nas áreas urbanas e rurais do município de Açailândia, através das relações que se estabelecem entre os fatores solo, geomorfologia, declividade e uso do solo, tanto a nível regional quanto local.Para esse estudo utilizou-se técnica de geoprocessamento, importantes na aquisição, manipulação e interpretação de dados temáticos, oferecendo subsídios para a correlação dos processos erosivos com os condicionantes físicos e a caracterização das áreas suscetíveis à erosão. A partir de informações de campo e fotointerpretação foi produzido um mapa de localização de feições erosivas, o que possibilitou a confirmação dos cruzamentos produzidos. A integração do mapa de feições erosivas com os cruzamentos permitiu a visualização do predomínio da localização das voçorocas em relação às novas classes, possibilitando a hierarquização de áreas suscetíveis e explicação para a sua ocorrência.

 

A suscetibilidade à erosão mesmo ligeiramente reduzida na área com eucalipto é marcante nos solos estudados. A pesquisa revela que o avanço da erosão pode ser rápido em áreas onde não há vegetação ou onde a ocupação se dá de forma desordenada, sem planejamento e sem infra-estrutura básica. Isso indica que o controle do problema depende de uma consciência pública quanto aos riscos decorrentes dos processos erosivos, através da obtenção e divulgação de informações essenciais. As medidas adotadas pela prefeitura de Açailândia têm sido ineficazes porque não se baseiam em uma compreensão adequada da origem e natureza da erosão e foram definidas sem a participação de especialistas (de organizações governamentais e não-governamentais) e da comunidade atingida, para que juntos pudessem trabalhar na elaboração de um projeto que venha solucionar essa questão.

A cidade, porém, apresentaoutros problemas ambientais, que vão além daerosão,a poluição do ar provocada pelas serrarias, pelos fornos de carvão e pela fumaça negra das guserias. Encontrar soluções para tais problemas exige práticas inovadoras de gestão urbana, como a participação da comunidade (através de comitês de bairros, por exemplo) na discussão de prioridades e na definição das medidas de controle, através de parceria entre prefeitura e população buscando desenvolver um programa de gestão ambiental compartilhada.No caso de Açailândia, assegurar um tratamento mais adequado à questão das voçorocas. Quanto à informação sobre o problema da erosão, 80% dos entrevistadosafirmaram que não tem conhecimento de um projeto por parte das autoridades do município quanto às erosões, os moradores tentam conter usando sacos de areia empilhando-os na tentativa de melhorar, enquanto 20% tentam participar de atividades que possam contribuir para desacelerar o processo erosivo no município.

É significativo considerar que a natureza, por sua vez, também tem seus mecanismos de defesa ou pelo menos de auto-regeneração; e que as degradações ou correção, e isso se deve ás dificuldades tecnológicas. No ambiente, como na questão da saúde, é preciso ter uma postura mais voltada para o preventivo do que para o corretivo. Da mesma maneira que é mais fácil e mais econômico prevenir-se das doenças do que curá-las, na natureza certamente é bem menor o custo da prevenção de acidentes ecológicos e da degradação generalizada do ambiente, do que corrigir e recuperar o quadro ambiental deteriorado; mesmo porque determinados recursos naturais uma vez mal utilizados ou deteriorados tornam-se irrecuperáveis. Para resolver os problemas ambientais em determinada região é necessário um programa de educação ambiental, para que haja mudança no comportamento, e essa mudança traz grande beneficio para todos.