Coleta Ou Colheita De Dados Para A Pesquisa?
- Por Wilson Correia
- Publicado 31/03/2008
- Educação
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Parece picuinha, mas não é. Desde que ouvi, tempos atrás, o depoimento de um professor, por meio do qual ele afirmava que "pesquisador faz 'colheita' de dados e informações porque quem faz 'coleta' é o padre da missa das dez", passei a seguir a sugestão dele.
No entanto, o termo "coleta" está tão arraigado no ambiente acadêmico-universitário que, recentemente, até em uma banca de exame de doutorado vi o emprego de "colheita" ser questionado.
Mas, se formos ao Dicionário <http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx>, vamos encontrar que:
- Coleta é um substantivo feminino que significa "trança de cabelo que os toureiros espanhóis usam na parte posterior da cabeça".
- Colheita, também um substantivo feminino, nomeia o "ato de recolher", "aquilo que se colhe ou se ajunta".
Pelo sentido dicionarizado, "colheita" calha muito mais apropriadamente à designação da atividade acadêmica de reunir dados e informações com a finalidade de atender às exigências de uma pesquisa científica.
No meu caso, o termo "colheita" apresenta uma densidade semântica muito rica. Sou oriundo do campo. Minha família, de agricultores, vivia às voltas com as atividades de plantar, cultivar e colher. E a colheita era suada. Dependia de dispêndio de energias físicas, mentais e intelectuais dos colhedores.
De outra parte, também conheci, muito cedo, a atividade de "coleta", nas missas de diferentes horários. Mas sempre a presenciei de um modo diferente. Quem portava a cestinha despendia bem menos energia para receber a oferta do fiel. Bastava estender a mão e lá estava caindo no fundo da cesta a oferta do penitente.
Por isso, colheita remete a um sentido muito mais rico quanto o assunto é pesquisa. Nessa atividade, sem trabalho não há "numerário". É preciso suar, ler muito, observar o tempo todo e não desistir nunca. Fora desse caminho, é difícil uma pesquisa ir adiante.
Por essas razões, vamos "colher" dados para nossas pesquisas. Quanto à "coleta", é melhor esquecer: nenhum dado, nenhuma informação caem do céu na cestinha cognitiva do pesquisador. Se ele não se desdobrar para ir colher, também não terá com que trabalhar.
Wilson Correia
Wilson Correia é Doutor em Educação pela UNICAMP. É mestre em Educação pela UFU. Cursou especialização em Psicopedagogia pela UFG. Graduou-se em Filosofia pela UCG. É professor universitário. É autor de Saber Ensinar. São Paulo: EPU, 2006. Endereço eletrônico: wilfc2002@yahoo.com.br.
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3 Comentários em "Coleta Ou Colheita De Dados Para A Pesquisa?" 
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comentou em 31 Mar 2008 4:36:34 PM CST
ok.... mto bom....
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comentou em 21 May 2008 11:12:28 AM CST
Para mim, colheita era somente "ato de colher o que se plantou" - relativo a safra, produtos agrícolas. E coleta, era o que os silvícolas faziam ao pegar os frutos encontrados na selva. Portanto, tinha mais lógica usar o termo "coleta" para provas periciais, dados ou material - como sangue - pois não plantamos essas provas, dados e materiais para podermos fazer uma "colheita". Mas, verificando o significado das duas palavras no Houaiss, vi que apesar de elas terem os significados acima mencionados, têm a mesma origem no latim "collecta" significando: colher, juntar, apanhar. Portanto, acho que é indiferente o uso de um ou outro termo, apesar de preferir usar a palavra colheita para se referir a produtos agrícolas e coletas para os outros casos.
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comentou em 23 May 2008 1:23:36 PM CST
concordo com o argumento geral do artigo, pois "coleta" significa: "Recolhimento de donativos para obras pias ou beneficentes: fazer coleta para a construção do templo.
O montante levantado: a coleta foi abundante. Liturgia cat. Oração que, na missa, precede a epístola" . Originalmente, o homem não cultivava nada, mas "colhia" o que estava disponível na realidade natural, algo muito parecido com o pesquisador, que, ainda que não tenha plantado nenhum dado, nenhuma informação, nenhuma causa ou efeito, vai à realidade "colher" dados para sua pesquisa. Agora, coleta, que os religiosos façam melhor uso do termo e empreguem com juízo o que cai em suas cestinhas.... rs.
Valeu, professor... parabéns por escrever com tanta simplicidade.
Agbraços
Marcos
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