Como o tempo pode ser definido? Segundo os dicionários, é uma noção de meio onde os acontecimentos se sucedem. Mas o que isso quer dizer? Pois bem, é inegável que para todos os homens o tempo é de suma preocupação pois nossa consciência, a mesma responsável pela interpretação temporal, é limitada. Como nossa vida humana é limitada a um recorte de tempo insignificante e, até onde sabemos, nossa consciência termina com a morte do corpo, então o aproveitamento desse intervalo de tempo, que chamamos de vida, torna-se importante assim como necessário. É nesse curto espaço de tempo (curto em relação aos grandes intervalos a que são atribuídas as vidas de outros elementos naturais) é que temos que completar todas as fases de nosso destino: nascer, crescer, reproduzir e envelhecer. A vida sempre procura sua perpetuação, assim como as diferentes espécies de seres vivos. Por isso o medo da morte e do envelhecimento é tão cultuado entre nós, humanos. Está cada vez mais difícil cumprir o papel natural dos homens e, por essa razão há cada vez mais doenças psicológicas como o estresse, a depressão, as psicoses, as síndromes, e outras tantas que proliferam-se.

Se o instinto natural de preservação da vida e da espécie comanda as ações inconscientes humanas, então pode ficar claro o porquê do tempo ser tão importante para nós. No fundo sabemos que a eternidade não é concedida à nossa consciência. E, por mais que tentemos disfarçar ou desviar, ou até mesmo retardar os processos de envelhecimento, o tempo para nós passa e, conseqüentemente, a vida vai terminando. Portanto, é necessário e importante para o ser humano o controle do tempo.

Certo, mas ainda não definimos tempo. É verdade, simplesmente porque é impossível definir tempo. O tempo é uma criação humana abstrata que serve para dividir e acompanhar o desenvolvimento do que chamamos de "nossa vida". É um instrumento para a medição dela, com vistas ao controle do que provavelmente lhe resta para reproduzir-se e, assim, perpetuar sua espécie dando continuidade à Vida, envelhecer e então morrer. Pois bem, se o tempo é uma criação teórica humana, antes dos primeiros homnídeos seria correto falarmos em espaço de tempo? Ou seja, o que estamos medindo afinal?

Certamente alguma noção de tempo os outros seres vivos têm, mas comparando-os aos homens, falta, somente, simbolizar essa noção através de palavras, nomes, medidas etc. o que não nos faz avançar nesta teoria. Mas saindo do mundo orgânico, por assim dizer, onde está o Tempo?

Algumas partículas juntam-se formando um átomo, que junta-se com outros formando elementos, que, unindo-se formam tudo o que é matéria no universo, como uma pedra, por exemplo. Esta pedra é exposta ao frio, ao calor, às chuvas, ao vento e a todo tipo de sorte climática de uma região. Com estas influências, além de outras tantas, a pedra sofre com o desgaste natural, que faz com que seus átomos se desvencilhem. Porém, o que era átomo, continua átomo. E assim sempre foi. Mas não medimos a idade de um átomo ou de uma partícula atômica, e sim, de coisas. Como a pedra. A pedra teve um intervalo de tempo que podemos chamar de vida. Durou alguns milhares de anos até decompor-se por completo. A pedra, para nós, não mais existe. Está finalizado seu período de "vitalidade" quando deixou de existir para o ser humano, assim como quando começou a existir, foi a data de seu "nascimento".

Quando Lavoisier criou a teoria de que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, a humanidade deu um importante passo para o conhecimento do universo. Onde nada se cria e nada se perde, os elementos são eternos. Assim, creio eu, seja o universo. Portanto, se a matéria básica para tudo o que é alguma formação atômica equilibrada é eterna, então o tempo não pode existir para o universo pois que o universo é todo feito com os mesmos átomos e partículas, só mudando sua justaposição. Ou seja, só há o tempo para as coisas de existência limitada. A eternidade é algo impensável para os humanos. Para nós, tudo tem começo, meio e fim. Desde um espaço até sua idade, é inimaginável que não existam limites determinados. Porquê esses limites deveriam existir é a resposta que deve-se buscar. A consciência humana não chegou ao estágio necessário para entender que finita é sua capacidade de compreensão e, por isso, necessitamos de explicações, ainda que irrazoáveis, como as religiões, para a aceitação, baseada em uma pseudo-compreensão, da ininteligibilidade do universal, limitando-o em espaço e tempo.