Centro De Atenção Psicossocial - Caps
- Por Clarice Cristina da Silva Melo
- Publicado 28/12/2007
- Psicologia
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Centro de Atenção Psicossocial - CAPS
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são unidades de atendimento intensivo e diário aos portadores de sofrimento psíquico grave, constituindo uma alternativa ao modelo centrado no hospital psiquiátrico, caracterizado por internações de longa permanência e regime asilar. Os Centros de Atenção, ao contrário, permitem que os usuários permaneçam junto às suas famílias e comunidades.
O primeiro CAPS do país surge em março de 1987, com a inauguração do CAPS Luis da Rocha Cerqueira, na Cidade de São Paulo, e representa a efetiva implementação de um novo modelo de atenção em saúde mental para expressiva fração dos doentes mentais (psicóticos e neuróticos graves) atendidos na rede pública, sendo seu ideário constituído de propostas dirigidas à superação das limitações evidenciadas pelo binômio ambulatório-hospital psiquiátrico no tratamento e reabilitação de sua clientela (ONOCKO-CAMPOS, 2006).
Inserido no contexto político da redemocratização do país e nas lutas pela revisão dos marcos conceituais, das formas de atenção e de financiamento das ações de saúde mental que se fortaleceram a partir do final da década de 1980 na América Latina e no Brasil, o CAPS Luis da Rocha Cerqueira (ou CAPS Itapeva), juntamente com os Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS), inaugurados a partir de 1989, em Santos, irão se constituir em referência obrigatória para a implantação de serviços substitutivos ao manicômio em nosso país (ONOCKO-CAMPOS, 2006).
Porém, serão os NAPS santistas que, através do funcionamento territorializado, 24 horas/dia, com leitos destinados a pacientes em crise e operando em rede com outros serviços, que efetivarão o mais significativo avanço na superação do modelo centrado nos hospitais psiquiátricos, ambulatórios e urgências psiquiátricas, efetivando verdadeira ruptura paradigmática em relação ao modelo anterior (ONOCKO-CAMPOS, 2006)
Essas duas iniciativas serão precursoras de congêneres não só no Estado de São Paulo, mas em todo o Brasil, uma vez que subsidiarão o Ministério da Saúde na formulação da Portaria n. 224/92, primeiro documento oficial a estabelecer critérios para o credenciamento e financiamento dos CAPS pelo SUS. A partir da publicação dessa portaria, o número de CAPS e /ou NAPS aumentou significativamente, atingindo cento e sessenta serviços em 1995 e superando quinhentas unidades em todo o país em 2004 (ONOCKO-CAMPOS, 2006).
Os CAPS configuram-se como serviços comunitários ambulatoriais e regionalizados nos quais os pacientes deverão receber consultas médicas, atendimentos terapêuticos individuais e/ou grupais, podendo participar de ateliês abertos, de atividades lúdicas e recreativas promovidas pelos profissionais do serviço, de maneira mais ou menos intensiva e articuladas em torno de um projeto terapêutico individualizado, voltado para o tratamento e reabilitação psicossocial, devendo também haver iniciativas extensivas aos familiares e às questões de ordem social presentes no cotidiano dos usuários (ONOCKO-CAMPOS, 2006).
De acordo com o Ministério da Saúde, "um CAPS (...) é um serviço de saúde aberto e comunitário do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele é um lugar de referência e tratamento para pessoas que sofrem com transtornos mentais, psicoses, neuroses graves e demais quadros, cuja severidade ou persistência justifiquem sua permanência num dispositivo de cuidado intensivo, comunitário, personalizado e promotor de vida (...), realizando acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários(PELISOLI, 2005).
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que os transtornos mentais de cerca de 450 milhões de pessoas ainda estão longe de receberem a mesma relevância dada à saúde física, sobretudo nos países em desenvolvimento. Estima-se que os transtornos mentais e de comportamento respondam por 12% da carga mundial de doenças, enquanto as verbas orçamentárias para a saúde mental na maioria dos países representam menos de 1% dos seus gastos totais em saúde; além do que, 40% dos países carecem de políticas de saúde mental e mais de 30% sequer possuem programas nessa área. Ainda, os custos indiretos gerados pela desassistência provenientes do aumento da duração dos transtornos e incapacitações acabam por superar os custos diretos (OMS, 2001).
No Brasil com gastos de 2,4% do orçamento do SUS em saúde mental e prevalência de 3% de transtornos mentais severos e persistentes e 6% de dependentes químicos tem havido sensível inversão do financiamento nos últimos anos, privilegiando-se os equipamentos substitutivos em detrimento dos hospitais psiquiátricos, como ilustra o fato de que em 1997 a rede composta por 176 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) recebia 6% dos recursos destinados pelo SUS à saúde mental, enquanto a rede hospitalar, com 71 mil leitos, recebia os outros 94%. Em 2004, os 516 CAPS existentes receberam 20% dos recursos citados contra 80% destinados aos 55 mil leitos psiquiátricos no Brasil (MINISTERIO DA SAÚDE, 2004)
O final do ano de 2006 marcou como dado histórico a efetiva reorientação de financiamento do governo em saúde mental, ou seja, se há dez anos os gastos hospitalares eram de 93,1%, hoje, 51,3% destinam-se aos gastos extra-hospitalares e 48,7%, aos gastos hospitalares. Os gastos com CAPs que, em 2002, eram por volta de 7 milhões de reais, cresceram visivelmente e hoje estão próximos dos 170 milhões de reais (FUREGATO, 2007).
Tais dados são a materialização da mudança do modelo assistencial que desloca os recursos financeiros e humanos para a comunidade, com reflexos nos contornos sociais, incluindo novas parcerias e modificação de valores, diminuindo o estigma e incentivando o pacto pela vida, não pela exclusão (FUREGATO, 2007).
Fonte: .
Clarice Cristina da Silva Melo
Estudante de Enfermagem do Centro Universitário de Caratinga - UNEC, em Caratinga - MG.
Ler outros artigos de Clarice Cristina da Silva Melo15 Comentários em "Centro De Atenção Psicossocial - Caps" 
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Eduardo Morad
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comentou em 24 Mar 2009 1:08:21 PM BRST
Este artigo é muito rico e completo, contudo, gostaria de saber algumas coisas mais, como por exemplo como entrar em contato com os CAPS. Moro em São Paulo e sou estudante de psicologia, minha intenção é conversar com os responsáveis e aprimorar meus conhecimentos etc.
Muito obrigado. |
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channi
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comentou em 25 Oct 2009 4:41:32 PM BRST
Ola meu nome é channi ja trabalhei em um caps como oficineira, pode entrar em contato com caps I de itararé, com certeza te ajudaram em alguma duvida ....15 35323799
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hidalgo costa gomes
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comentou em 23 Apr 2009 10:53:17 AM BRST
gostaria de saber se os caps,tem a obrigatoriedade de fornecer a medicação das pessoas com transtornos que fazem tratamento na unidade?medicação por ex.cloridrato de tioridazina,cloridrato de amitriptilina e clonazepam,e se caso venha essa medicação faltar na unidade,sendo feita a reclamação ,como proceder?
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Ana Cláudia
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comentou em 14 May 2009 7:20:30 AM BRST
Não é que eles são obrigados, é que pelo ser uma unidade do SUS existem famarcias vinculadas a eles, que possuem remedios para o tratamento deles. E quando o remedio não é disponivel pelo SUS eles entram em contato com a casa de saude, para eles liberarem. Mas passam por uma avaliação psiquiatrica, e tudo mais..
* Eu gostaria de saber as fontes das citações.. |
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Marineide
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comentou em 04 Feb 2010 1:55:33 PM BRST
Excelente estudo nota 10,00
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morgana dantas
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comentou em 18 May 2009 7:42:40 PM BRST
Gostaria de ver a referencia bibliografica :Pelisoli 2005
Pq o artigo nao tem as referencias bibliografica.... |
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ROBERVAL LEONIDIO DOS SANTOS
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comentou em 14 Jun 2009 7:50:06 AM BRST
nao estou aqui para avaliar nada mas acho todo o sitema de voces fantastico. gostaria de que voces mim desse o endereso de voces aqui em salvador pois aminha mae esta muito doente tenho de leva-la ai para uma tratamento estou precisando muito da colaboracao de todos voces que DEUS ABESOE A TODOS. meu cel. 71-82423076
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Rosilene
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comentou em 19 Jun 2009 2:06:21 PM BRST
Olá, gostaria de saber se o CAPS atende tmb pessoas q precisam de psicólogos como eu q necessito urgente. Na minha cidade tem ponto de apoio, mas entendo q são somente para pessoas q estão em tratamento psiquiátrico... Estou precisando muito de ajuda profissional.
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Ana Cláudia
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comentou em 07 Sep 2009 4:33:48 PM BRST
Onde estão as referências bibliográficas desse artigo? É um texto do Manual do CAPS. Vocês deveriam ter colocado os créditos e as referências.
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Gênova
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comentou em 25 Sep 2009 11:29:43 AM BRST
Meu irmão se trata no CAPS de São Pedro D'Aldeia. Como minha mãe está mal de saúde, de repente terei que assumi-lo. Minha dúvida é se meu irmão pode se transferir para o CAPS do Lins, onde resido. Sem ter que passar por triagem ou coisa parecida. Não gostaria que ele ficasse sem atividade. Agradeço desde já.
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ana
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comentou em 30 Sep 2009 5:42:59 PM BRST
Gostaria de saber a fonte das citações!As referências usadas ...
Sou estudante de enfermagem ... e estou fazendo um trabalho sobre CAPS... |
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meire
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comentou em 14 Oct 2009 11:47:41 AM BRST
e de grande avalia esse documentario sobre saude mental
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Alessandra
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comentou em 26 Oct 2009 8:23:30 PM BRST
Gostaria de saber se existe caps em Campo Grande(RJ) ou proximo.
Obrigada . |
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Margarete
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comentou em 01 Nov 2009 4:35:18 PM BRST
Achei perfeito seu artigo, só senti falta das referencias bibliográficas, elas nos norteiam e dá mais credibilidade ao artigo
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maria mazarelo alves
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comentou em 30 Nov 2009 10:27:56 AM BRST
Meu nome é Maria
Mazarelo Alves.Tenho um irmão que frequenta o CAPS.Gostaria de saber se a Lei permite recesso, ou se o atendimento é initerrupto, salvo dias feriados. |


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