Os Níveis Do Pensar E A Consciência Humana
- Por Rosany Mary Souza
- Publicado 15/12/2007
- Direito
-
Avaliação:




Influências no Direito
OS NÍVEIS DO PENSAR E A CONSCIÊNCIA HUMANA
No texto “OS NÍVEIS DO PENSAR E A CONSCIÊNCIA HUMANA”, os autores Clérisson Torres e Renata Torres, fazem uma reflexão sobre os três tipos do pensar humano e suas ligações com a consciência e a conduta, dando ênfase a importância das expressões do ato de pensar, levando em consideração que nosso agir é um reflexo consciente ou inconsciente dos nossos sentimentos e imaginações, conforme veremos adiante.
O pensamento evoluiu bastante em virtude de todas as mudanças pelas quais a humanidade passou, refletindo a diversidade cultural, o progresso da ciência, procurando sempre entender à vida, e tudo que envolve-a para garantir a satisfação, segurança e felicidade.
Busca-se uma integração do corpo físico com o espírito a alma e mente humana, orientados pela ciência, pela filosofia e as diversas religiões, para encontrar a beleza das coisas, sejam naturais ou espirituais, mas sempre desejando o que nos faz bem e que acrescenta o belo a nossa existência, às vezes a qualquer preço, atestando a fragilidade do pensar humano por vezes corrompido por dogmas e conceitos pré-estabelecidos.
Pensar então, foi definido como o ato de refletir, formar idéias, raciocinar, cogitar; ter certo parecer; julgar; prever; supor, conjecturar; calcular; ter no espírito, sonhar, imaginar.
E qual seria a diferença entre a imaginação e a inteligência? A imaginação pode vir envolta em fantasias e delírios, como pode ser também utilizada para criação, por estar “visceralmente” ligada as idéias e aos pensamentos e ser responsável pela coisa nova no mundo do saber, naturalmente que resultante de uma mente saudável, produtora final de inteligência.
A inteligência que é o resultado da construção de percepções e soluções de problemas e conta com a ajuda também do pensamento. E ai entra a educação com o papel primordial de estimular o saber, o pensar com participação da inteligência, influenciando a conduta humana nas suas diversas maneiras de expressar-se buscando a razão, o bom senso as boas intenções, permeadas por princípios universais dos direitos humanos.
E a arte de imaginar, de pensar do ser humano e interagir sobre suas faculdades são os pressupostos básicos para o conhecimento, a vida e tudo que a envolve. E isso só se torna realidade quando o homem busca sua relação com o universo, com o todo, de forma racional também, revelando a diversidade das coisas que alteram nossos emoções e sentimentos...
O sentir que nos leva a questionar o que é, e ai entra o pensar, e este pensar pode expressar-se de forma utópica ou racional, criando uma imagem do que sentimos e que reflete como a nossa verdade na busca de segurança, perdendo por isso o contato com o desconhecido, que pode não ter correspondência com o que pensamos e o que poderíamos sentir dando lugar a falta de experiência que em muito acrescenta o saber particular de cada um de nós.
Quando sentimos algo que nos perturba, a nossa imaginação nos leva a relembrar fatos, produzir opiniões, enfim, coisas que nos instigam o desejo de controlar tal situação e eliminar o que nos traz insatisfação, caracterizando o devir humano, desejando com isso a segurança, o prazer, como algo natural e necessário à vida humana.
Quem busca isto a qualquer preço encontra-se naturalmente com a dor, porque deixa de refletir sobre as suas ações. E é ai, no momento difícil, que podemos perceber mais nitidamente a existência de valores e princípios universais, que nos dão margem a conscientemente ou inconscientemente nos perguntarmos: quem somos? De onde viemos?
São nestes momentos da nossa vida, que aplicamos a nós mesmos tantos questionamentos, e procuramos entender a vida com toda sua complexidade. É a dor que melhor nos instiga ao uso das nossas forças psíquicas para construirmos o pensar, delineando métodos, meios e recursos para equacionarmos problemas e administrarmos nossos sentimentos.
E qual é a diferença entre pensar e pensamento? Pensar é a ação e pensamento é o produto desta ação. E quais seriam os níveis do pensar?
O autor nos elucida que são três os níveis do pensar, a saber:
- O pensar com pensamento fixo/rígido; o pensar com pensamento flexível e o pensar sem pensamento, eles estariam ligados à conduta e aos estados da consciência humana.
O objetivo do autor ao colocar os três níveis do pensar é puramente para instigar a reflexão sobre o poder do pensamento e a sua ligação com a consciência e a conduta humana. E este pensamento pode ser o nosso sucesso, a nossa segurança ou a nossa destruição, senão tanto, mas motivador de muitas mazelas.
O pensar com pensamentos fixos/rígido reflete a nossa imaginação, os símbolos e idéias que ditam a nossa conduta de forma inflexível. A este nível do pensar estão condicionadas algumas atitudes do nosso dia-a-dia, como tomar banho, por exemplo, e esta é uma conduta saudável e importante para nossa sobrevivência, em virtude de prevenir males à nossa saúde.
Porém, quando este pensar fixo se traduz, não só numa memória técnica, mas psíquica, de algo ou alguém, que nos causa asco, pavor, que nos deprime e ficamos presos a isso, são acionados então métodos de defesa não apropriados que mascaram nossa inteligência e agimos aquém da razão, tendo por conseqüência transtornos psíquicos e em estágios mais avançados, até surtos psicóticos.
É o pensamento fixo que denuncia o quão pouco conhecemos a nós mesmos e como a partir desta conduta nos tornamos suscetíveis a sofrimentos vários. E, de uma maneira dolorosa, somos obrigados a refletirmos, nos concentrarmos, buscando uma melhor qualidade de vida, um querer melhor.
Este nível do pensar fixo/rígido, também está presente na educação e sua conseqüência tem sido desastrosa, porque restringe à imaginação, a construção do novo, a criação, em detrimento do que já está estabelecido, castrando o autoconhecimento e inibindo a busca por si mesmo, o conhecimento interior.
O conhecimento cobrado aí, é uma mera e vã repetição. Esquecem-se as relações transpessoais, incentiva-se pouco as intrapessoais e passa-se o mais básico para as interpessoais, como se o conhecimento fosse suficiente para resolver nossos problemas sociais.
Já o pensar com pensamento flexível está diretamente ligado à imaginação humana que produz pensamentos com inteligência, possibilitando questionar valores, rever métodos, e darmos oportunidade a nós mesmos a fazermos uma viagem interior na busca do autoconhecimento, além de refletirmos sobre diversidades. Nesta maneira de pensar só se guarda a memória técnica, dirimindo a psicológica através da compreensão.
É na educação que este nível de pensar (flexível), tem sua aplicação no construtivismo, como um exemplo do bem formar. Ali, é incentivado o “construir” e desconstruir” conceitos, não só contemplando a história, como a sociedade, a ciência, e a parte espiritual, representada nas diversas religiões, dando oportunidade ao educando, lidar melhor com suas dúvidas, seus questionamentos, descobrir do que é capaz, conhecer-se melhor, e enfim, o despertar da sua consciência.
E esta consciência dá melhor oportunidade para o ser humano entender valores, a realidade que o cerca e as relações com o seu semelhante.
E o pensar sem pensamentos? É a inteligência na sua concepção pura manifestada. Não existem lembranças destes momentos, transcende a razão e o conhecido, enriquece a sabedoria interior através de suas experiências e sentimentos, promovendo intuições.
A mente está vazia, plena e ai o homem percebe que teve uma intuição, flexibiliza o pensar rígido e expressa o pensar flexível.
É interessante observar que o ser humano por suas próprias necessidades, pela dinâmica das relações, precisa mover-se entre os níveis do pensar, dando oportunidades aos três níveis em momentos da nossa vida e o que podemos perceber é que precisamos saber quando e como melhor aproveitá-los.
Ainda refletindo sobre o pensar sem pensamentos, é importante salientarmos que quando o ser humano adentra no pensar sem pensamentos, faz com que tenha conhecimento que a sua consciência é a pura manifestação das Leis Universais e ele tem Deus dentro de si mesmo.
Eis a mais pura expressão dos seres que refletem uma Luz Maior que brilham dentro de si mesmos.
Influências no Direito
É impossível nos dias atuais que um operador do direito, seja um advogado, um procurador, um juiz, limite as suas funções decidindo apenas com o uso das leis: os princípios gerais do direito e os valores sociais são de suma importância e traduzem as necessidades em inovar, contemplando um direito que se acomoda as carências do cotidiano que não estão tipificadas nos códigos, mas explícitas e implícitas na nossa Constituição Federal.
Um profissional do direito que faz uso nas suas decisões, nos processos que instrui, de princípios e valores, que por serem fluidos, exigem uma tarefa criativa em seu manejo, necessita ter a compreensão que não pode atuar tão somente com um pensar rígido que a lei determina, mas de maneira flexível, buscando o perfeito equilíbrio entre estas maneiras de pensar, visando à construção de uma decisão ajustada, nos diversos ramos que o direito atua.
Lega-se, com isso, a um segundo plano, a potencialidade transformadora desses instrumentos, que certamente seriam bem usados, se existisse uma proporção devida entre os níveis de pensar, não elevando ao mais alto grau a legislação fria, em detrimento de um agir flexível, criativo, contemplando valores éticos e sociais, formadores de uma consciência que busca entender o ser humano, como humano que é, passível de falhas, mas com uma história de vida que às vezes favorece a construção da violência, da brutalidade. Não para inocentá-los, mas para atenuar-lhes os rigores da lei.
É de suma importância a busca deste ideal do pensar, equilibrando o pensar rígido/fixo, com o pensar flexível, para evitar que existam profissionais do direito que atuem de forma impiedosa, formalista e mecânica, como meros aplicadores de leis, mas que estejam conscientes de que a Justiça deve ser feita com coerência, unindo flexibilidade, criatividade e firmeza nas suas decisões, e isso só se consegue quando existe mais de um nível de pensar.
Conclusão
É inerente ao ser humano o ato de pensar. A vida que brota do homem, a sua própria vida e o que ele reflete no seu meio social, requer dele, dentre outras virtudes, a necessidade de pensar.
Pensar para compreender o sentido da vida, da sua existência, do seu futuro e do futuro da humanidade, e principalmente como ele vai escrever a sua história, de maneira a fazer parte desta grande história da humanidade como alguém que pensou na vida contemplando as diversas dimensões do viver, sua afetividade, seus conhecimentos, suas emoções, sua contribuição à sociedade, suas emoções, sua espiritualidade.
Os três níveis do pensar mostram três maneiras diferentes de expressar o pensamento humano, todas altamente necessárias, enquanto bem dosadas e bem aplicadas, contemplando os momentos distintos da vida e as suas necessidades, primando pela busca do conhecimento do “eu” interior.
Neste processo, a dor pode e deve estar presente, porque ela instiga a uma reflexão mais apurada, que é imprescindível para nossa evolução.
O pensar fixo é necessário em momentos específicos, mas às vezes temos uma necessidade falsa para justificar atitudes, discriminatórias, por exemplo, e negamos a nós mesmos rever valores, estamos dizendo não a evolução de um processo de conscientização, tão necessário a nossa evolução como seres humanos inteligentes.
Percebemos, entretanto que existe uma exceção que leva pessoas a um estado de graça, mesmo pensando de maneira fixa. Alguns seres humanos têm um pensar fixo em determinada coisa, que para ele é sumamente importante, como a crença em Deus, por exemplo, em Jesus Cristo como Deus, continuando o exemplo, com um pensar rígido, e este pensar traz para ele, segurança, felicidade e bem estar, que perduram por toda vida.
Não estamos defendendo o fanatismo, mas um pensar fixo que remete o homem a refletir sobre seu “eu” interior quando recebe um ensinamento como a da necessidade em “nascer de novo no espírito”, a praticar ações que dignificam sua vida a ter sentimentos nobres, coisas que estimulam sua inteligência e domínio de emoções. Não existe, entretanto, nenhuma “janela aberta” para flexibilização, nem a mais remota possibilidade em mudar seu pensamento.
Pensar de forma fixa/rígida, buscando o equilíbrio, tomando para si os valores que trazem conforto, segurança e felicidade, respeitando a diversidade de pensamentos do outro homem, pode ser algo extremamente saudável.
Pensar de maneira flexível, é se apropriar de valores universais, é questionar dogmas que trazem comportamentos extremistas, é reconhecer que existe algo além do conhecimento físico e além da ciência. Algo muito maior. Pensar flexível é entender a diversidade cultural, a diversidade no mundo das idéias, é não se propor a ser o dono da verdade, mas deixar que a verdade se apresente ao nosso “eu” interior e faça brilhar a nossa aura .Pensar flexível é não ser um mero repetidor de informações, mas viver suas experiências, é não amar a arte da crítica e da dúvida, quando elas se fazem pertinentes.
E o que dizer do pensar sem pensamento? Podemos refletir sobre este nível do pensar como um meio para dissolver traumas, complexos, vícios, contemplando o “eu” interior em estado de transformação, de iluminação.
Aprendemos a explorar os detalhes do átomo e as forças que regem o universo, mas não sabemos ainda explorar o “mundo de dentro” com a sabedoria que nos foi outorgada, e com grande e misteriosa capacidade guardada na nossa mente. Temos informações que outra geração jamais imaginou ter, mas não sabemos pensar como deveríamos transformar a informação no conhecimento que precisamos, e o conhecimento em experiência á medida das nossas necessidades.
Eis o grande desafio para esta geração: Tornar-se ávida do saber e aberta a pensar o mundo, e a própria vida.
Rosany Mary Souza
Rosany Mary Souza
Estudante do 3º Ano de Direito da UNIME, em Lauro de Freitas-Ba.
Ver todos os artigos por Rosany Mary SouzaEncontrar Artigos
4 Comentários em "Os Níveis Do Pensar E A Consciência Humana" 
|
comentou em 15 Dec 2007 3:49:43 PM CST
Excelente, uma reflexão fundamental sobre a superação da exegese pura e fria.
|
|
comentou em 16 Dec 2007 5:01:01 PM CST
Pensar e importante "cogito ergo sum"
|
|
comentou em 18 Dec 2007 8:08:21 AM CST
O assunto é muito interessante e como sempre muito bem redigido por Rosany
|
|
comentou em 11 Jan 2008 7:27:16 AM CST
Lendo contigo e aprendendo... Muito bom o artigo. Persuasivo pela coerência.
Recebi seu comentário em meu texto, sobre ler algo mais doce de minha autoria. Bem, difícil...rs Muitos poemas eu não publiquei porque estou editando um livro. Mas se vc quiser, visite meus outros endereços, uma coisa ou outra você vai encontrar. Gosto muito da denúncia, me sinto participando de interesses públicos...rs
Inclusive fiz um soneto para você...hehe Em resposta. Postarei no
http://www.laboratoriodathali.blogspot.com.br
Beijos
|
Autor)