Qual é Mesmo A Abreviatura De “mestre”?
- Por Wilson Correia
- Publicado 23/11/2007
- Educação
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Qual é mesmo a abreviatura de “Mestre”?
Quem faz mestrado no Brasil é mestre ou mestra, certo? Mestre ou mestra em alguma área do conhecimento humano. No meu caso, meu título é o de “Mestre em Educação”. Isso todo mundo entende, e bem.
O problema começa quando vão abreviar o termo “Mestre”. Deparo todos os dias com “Ms.”, a abreviatura para “manuscriptos” (manuscrito), conforme a Academia Brasileira de Letras (ABL).
A par desse “Ms” aí, tenho visto “Msc.”, abreviatura do inglês “Master of Science” (Mestre em Ciências), para designar a abreviatura da titulação de pessoas que nunca estiveram nos Estados Unidos da América do Norte.
Entretanto, meu título não se refere a “Manuscrito”, nem é de “Mestre em Ciências”. No entanto, há quem insista em usar essas formas, erradas, ao largo de “Me”, a abreviatura em Língua Portuguesa para Mestre. Mestra recebe a abreviatura “Ma.”, também segundo a ABL
Outra confusão que fazem é com “PhD”, que em inglês, é a abreviatura para “Doctor of Philosophy” (Doutor em Filosofia). Mas a forma “PhD” tem sido usada em lugar de “Dr.”, abreviatura para “Doutor”, em Língua Portuguesa. “Dra.” É a forma abreviada de “Doutora”. Mas não são essas formas que prevalecem. Pergunto: que quê?
Depois de uma série de conversas com colegas e de algumas pesquisas, cheguei à conclusão de que devo valorizar a língua materna. Em função disso, adotei, desde que a tenho, a fórmula “Me.”, quando a indicação da minha titulação se faz necessária nos meandros da burocracia acadêmica brasileira.
Embora tenha tomado essa providência, minhas dúvidas persistem: por que será que as pessoas continuam ignorando a maneira correta de empregar esses elementos de nossa língua? Será desconhecimento? Ignorância? É a tão manjada submissão ideológica aos norte-americanos dos Estados Unidos a causa dessas impropriedades? É muito difícil diferenciar quem obtém titulação no Brasil (o meu caso) de quem a alcança nos Estados Unidos?
Dizem que um povo que ignora os próprios valores, termina por não ter história. De minha parte, penso que um povo que não sabe defender a língua-pátria, também não saberá o que é soberania, amor-próprio, auto-estima e, principalmente, a importância dos valores em meio aos quais vive.
É por essas razões e por querer defender a cultura brasileira, defender os nossos valores e as nossas especificidades diante de outras nações, que paro e escrevo esse tipo de texto. Sei, entretanto, que isso é questiúncula diante das aberrações políticas, educacionais e de outras naturezas que campeiam meu país. São tristezas que não invalidam esta discussão sobre a valorização da língua materna. Como educadores, ela diz respeito a todos nós.
Wilson Correia
Wilson Correia é Doutor em Educação pela UNICAMP. É mestre em Educação pela UFU. Cursou especialização em Psicopedagogia pela UFG. Graduou-se em Filosofia pela UCG. É professor universitário. É autor de Saber Ensinar. São Paulo: EPU, 2006. Endereço eletrônico: wilfc2002@yahoo.com.br.
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18 Comentários em "Qual é Mesmo A Abreviatura De “mestre”?" 
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comentou em 25 Nov 2007 8:10:54 AM CST
Wilson,
interessantes os seus esclarecimentos. Parabéns.
Abraçose tudo de bom,
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comentou em 29 Nov 2007 9:41:11 AM CST
Prezado Mestre,
Ao refletir sobre o tema penso igualmente que mais que estar submisso ideologicamente aos norte americanos dos Estados Unidos é questão de amor-próprio, auto-estima, soberania e valoração do espaço em que se vive.
Prof. Marco
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comentou em 28 Dec 2007 6:52:25 PM CST
Concordo plenamente com o professor.
Sou admiradora e tenho uma curiosidade extremada pela nossa língua. (aprendiz).
Parabéns pelo artigo.
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comentou em 29 Dec 2007 7:49:44 AM CST
Concordo plenamente.
Parabéns!
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comentou em 31 Dec 2007 3:45:07 PM CST
ERRATA:
- Onde se lê "'Dra.' É a", leia-se "'Dra.' é a".
- Onde se lê "pergunto: que quê", leia-se "pergunto: por quê?". Não sei porque cargas d'água o texto insiste em sair errado, logo este!
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comentou em 04 Jan 2008 6:18:19 AM CST
Wilson, obrigada pelo seu texto. Li, recentemete, o livro O poder da gentileza, que Rosana Braga escreveu pela Editora Minuano. Todo o livro é gentel. Porém, na quarta-capa, que não é de responsabilidade dela, um texto elogioso à empreitada de Rosana, assinada por profissional da área administrativa, diz que é Coach. Que é isso? Será o modo idiota de falar do pessoal de administração que baixou nele? Digo isso porque minha mãe, pessoa simples, ficou intrigada com o termo, o qual eu tive de esclarecer para ela. Não é nada gentil em um livro sobre gentileza esse tipo de coisa. Até quando vamos achar bonito falar a língua daqueles que nos explora? Sucesso, caro Wilson. E parabéns pelos seus textos.
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comentou em 22 Jan 2008 7:01:13 AM CST
Parabéns pelo artigo. Certamente ajudará as pessoas da acadêmia a valorizar a nossa língua portuguesa.
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comentou em 03 Mar 2008 9:00:45 AM CST
Concordo com você, parabéns!
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comentou em 27 Mar 2008 11:32:06 AM CST
Perfeito. Acredito que as pessoas continuam usando as abreviações erradas devido a uma falsa sensação de superioridade que as siglas em inglês parecem dar. Fora isso, o povo brasileiro costuma não valorizar a própria língua. Também há de se citar a recorrente utilização de "pós-doutor(a)" como título, apesar de ser um estágio acadêmico que não confere diploma (título). Nada contra quem faz pós-doutorado (ou vários), pelo contrário, é extremamente importante continuar os estudos e pesquisas. Porém, a titulação máxima dentro da academia é "doutor(a)"; livre-docente, titular, etc, fazem parte do plano de carreira.
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comentou em 22 Apr 2008 2:52:39 PM CST
VOU DISSEMINAR ESSA IMPORTANTE INFORMAÇÃO, MUITO OBRIGADA PELA AULA.
SEI QUE SE TRATA DE OUTRO TIPO DE PROBLEMA, DIFERENTE DE GRAFIA, MAS GOSTARIA TAMBÉM DE PODER MUDAR AQUELE VÍCIO HERDADO DO PASSADO, DE CHAMAR DOUTOR PARA TODO ADVOGADO E MÉDICO, AMBOS COM APENAS BACHARELADO.
ANALOGICAMENTE, DONO DE FAZENDA É CORONEL.
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comentou em 10 Jun 2008 9:13:51 AM CST
Muito bom. Acabei meu mestrado agora, e vou usar Me ao invés do "popular" Msc. :D
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comentou em 10 Jul 2008 5:58:30 AM CST
Primeiramente parabéns pela postagem.
Bom, na realidade, reverenciar a lingua pátria é alimentar o sentimento de desigualdades e fronteiras no mundo. Acredito que o estado mundial deveria falar a mesma lingua. Isso será um processo de evolução inevitável e tardio. Grato pelo seu esclarecimento e espero que reflita a respeito!
A favor da padronização universal,
Rodolfo Ranck.
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comentou em 17 Aug 2008 1:18:49 PM CST
Excelente e por demais oportuno o seu artigo, prezado Wilson Correia, devemos valorizar a nossa língua e a nossa cultura, das mais ricas dentre as das sociedades contemporâneas, devido as matrizes lingüísticas do idioma português brasileiro e da pluralidade do nosso povo e as suas tradições. Somos diversos nesses muitos Brasis do Brasil com toda potência e propriedade da nossa brasilidade, motivo de orgulho e honra, sendo inteiramente desnecessários estrangeirismos, quando inoportunos, que só fazem por erodir a essencial relação língua e cidadania do nosso povo; da nossa gente. Parabéns, Wilson!...
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comentou em 04 Sep 2008 3:06:00 PM CST
Há muito tempo queria tirar essa dúvida. Creio que a forma equivocada no uso de abreviatura da titulações provém da ignorância mesmo. Muito obrigada pelo texto!
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comentou em 17 Sep 2008 11:07:34 AM CST
Adorei o artigo, e concordo com tudo o que escreveu. Hoje aprendi uma coisa nova e estou feliz por isso, abreviar corretamente o termo.
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comentou em 26 Nov 2008 7:02:40 AM CST
Excelente! Obrigada pelo esclarecimento!
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comentou em 02 Dec 2008 3:15:10 PM CST
Adorei, pois trabalho com digitação de trabalhos universitários e sempre digitei para mestre/mestra Msc, mas contrariada, pq não entendia o porquê disso. Todos os rascunhos que me trazem vem com Msc Fulana de tal.
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comentou em 02 Dec 2008 3:16:57 PM CST
Adorei!!!!!!!!!!!!!!
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