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Indução De Calos Embriogênicos A Partir De Brotos De Bananeira (musa Spp.)
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Carlos Alan Couto
Carlos Alan Couto dos Santos é Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) , Mestrando em Ciências Agrárias e estudante do curso de pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior. Atualmente é professor de Biologia do Colégio da Faculdade Adventista da Bahia. contato: alanbiologia@ig.com.br 
Por Carlos Alan Couto
Publicado 5/11/2007
 
A bananicultura possui grande importância econômica e social, sendo cultivada numa extensa região tropical, geralmente por pequenos agricultores.

EMBRIOGÊNESE SOMÁTICA
A bananicultura possui grande importância econômica e social, sendo cultivada numa extensa região tropical, geralmente por pequenos agricultores. O Brasil é o terceiro produtor mundial de banana, com produção aproximada de seis milhões de toneladas, numa área cultivada de 560 mil hectares. É indiscutível o papel da banana na complementação alimentar das populações de baixa renda e, praticamente, toda a produção brasileira destina-se ao mercado interno.

O Brasil apresenta-se como um dos maiores mercados o mundo para essa fruta e o consumo per capita passou de 21,5 kg/hab/ano, no triênio 1973/75, para 24 kg/hab/ano, no triênio 1993/95. Como qualquer espécie cultivada em grandes áreas, a bananeira é afetada por diversos problemas fitossanitários causados por fungos, bactérias, vírus, nematóides e insetos. As pragas e doenças são responsáveis por severas perdas na produção de banana, que, a depender dos fatores envolvidos, pode ser de até 100%, uma vez que, em muitos casos, não existe nenhuma alternativa de controle.

O cultivo da bananeira no Brasil apresenta aspectos peculiares em relação à diversidade climática esperada, ao uso de cultivares e a forma de comercialização. Com exceção de algumas plantações nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Goiás e Rio Grande do Norte, o cultivo é conduzido com baixos níveis de capitalização e tecnologia. A maioria das plantações apresenta baixo potencial de produtividade, com média nacional em torno de 11,6 t/ha/ano.

Os maiores problemas do cultivo de bananeira no Brasil são a falta de variedades comerciais produtivas, com porte adequado e resistência às principais doenças, aos nematóides e às pragas, além do manejo inadequado do sistema solo-água-planta. Em adição às doenças como o mal-do-Panamá, a Sigatoka amarela e o moko, aos nematóides e às pragas (broca-do-rizoma), que prejudicam o cultivo, existe a Sigatoka negra, recentemente introduzida, que pode causar danos expressivos à bananicultura nacional. Uma das estratégias para a solução dos problemas mencionados é a criação de novas variedades resistentes a doenças, nematóides e pragas, mediante o melhoramento genético que possibilita a obtenção de híbridos superiores ( Silva et al., 2000). Devido à esterilidade das variedades mais importantes, o melhoramento genético pelo método convencional é seriamente dificultado.

Conseqüentemente, a engenharia genética apresenta-se como uma ferramenta bastante promissora para a obtenção de novas cultivares. Os tecidos utilizados para engenharia genética em bananeira são meristemas e suspensões de células embriogênicas. As suspensões celulares são também utilizadas para regeneração de protoplastos e indução de mutação (Panis et al., 1993; Roux, 2004). Em bananeira, existem quatro procedimentos para o desenvolvimento de suspensões de células embriogênicas, os quais diferem principalmente com relação à fonte do explante: embriões de zigóticos (Cronauer & Krikorian, 1988), fatias do rizoma e envolturas de folha (Novak et al., 1989), flores masculinas imaturas (Côte et al., 1996) e cultura múltipla de meristemas (escalpos). Para obtenção deste último tipo de explante, o meristema de plantas in vitro é cultivado em meio de indução de multibrotações e, em seguida, é feita a excisão de aproximadamente 3 mm da camada superior dos grupos de meristemas obtidos e os escalpos são cultivados em meio de indução de embriogênese.

A vantagem principal deste último procedimento é que se utiliza plantas que já estão in vitro, não sendo necessário acesso ao campo, diferente da maioria dos outros métodos (Strosse et al., 2005). Este trabalho tem por objetivo induzir calos embriogênicos através da cultura múltipla de meristemas utilizando plantas mantidas in vitro.

OBJETIVO

Indução de calos embriogênicos de bananeira através da cultura múltipla de meristema utilizando explantes in vitro.

MATERIAL E MÉTODOS

Este trabalho foi conduzido no Laboratório de Cultura de Tecidos e Citogenética Vegetal da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, município de Cruz das Almas, BA.

Material vegetal

Além dos diplóides Calcutta e Lidi (AA) Foram utilizadas plantas in vitro dos seguintes genótipos: as cultivares Grande Naine (AAA), Maçã (AAB), Terra (AAB), Pacovan (AAB), e o híbrido diplóide 0116-01, gerado pelo programa de melhoramento da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Foram desenvolvidas as seguintes fases:

1º) Estabelecimento dos genótiposPacovan (AAB) e Lidi(AA), utilizando dez explantes de cada genótipo. Foi realizada lavagem com detergente após a redução do pseudocaule . A desinfestação foi feitaem álcool 70% durante 5 minutos e emhipoclorito de sódio (NaOCl) a 2% durante trinta minutos. Em seguida foi feita nova redução e limpeza dos meristemas. Foram colocados emtubos de ensaio de 150 ml com 25 ml meio estabelecimento, constituído desais e vitaminas do MS(Murashige & Skoog, 1969) e deixados durante 15 dias na sala escura e quinze dias na sala de crescimento com fotoperíodo de 16 horas. Após esse período os explantes foram transferidos para o meio MS suplementado com BAP (6-Benzilaminopurina) 2,50 ml.L-1 .


2. Preparação das culturas múltiplas de meristema
No início da cultura, foram utilizados brotos simples in vitro. Estes foram cortados e reduzidos a 0,5 cm sobre o meristema apical, inoculados em tubos de ensaio de 150 ml com 15 ml meio de multiplicação inicial, constituído de  sais e vitaminas do MS (Murashige & Skoog, 1969) suplementado com 10 µM 6-benzylaminopurine (BAP), 1 µM ácido indolacético (AIA), 10 ácido ascórbico de mg.L-1, 30 sacarose de g.L-1, e solidificado com 3 g.L-1 Phytagel®. O pH do meio de cultura foi ajustado para 6,2 e autoclado por 20 minutos a 121°C.

Depois de um mês de cultura (1 ciclo), com a formação de brotos, estes foram selecionados, cortados e transferidos para o mesmo meio fresco. A cultura de brotos foi mantida em sala de crescimento com temperatura de 26 ± 2°C e com fotoperíodo de 16 horas. Depois de 2 ciclos de cultura os brotos múltiplos foram transferidos para o mesmo meio de cultura acrescentando 100 µM BAP cultivados no escuro. Os explantes foram subcultivados mensalmente

RESULTADOS

Os genótipos Pacovan (AAB) e Lidi(AA), que foram estabelecidos, apresentaram bom desenvolvimento, pouca oxidação e ausência de contaminação nos explantes.

Os genótipos: Terra (AAB), 0116-01 e calcutta quando submetidos a preparação das culturas múltiplas de meristema, apresentaram plantas pequenas e muita oxidação. As cultivares Grande Naine (AAA) e Maçã (AAB) apresentaram bons resultados em todas as etapas.

Os brotos estão sendo cultivados no escuro seguindo o protocolo proposto até a formação de grupos meristemáticos e posteriormente serão transferidos para meio de cultura apropriado para indução de embriogênese e estabelecimento de suspensão celular das variedades utilizadas.

Futuramente o calos formados serão testadas em varias concentrações de 2,4-D (1, 5, 10, 20 e 50 mM) na indução de embriogênese dos diferentes genótipos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Silva, S.de O. Melhoramento Genético da Bananeira, II Simpósio Brasileiro de Melhoramento de fruteiras, Viçosa, MG, p.20-48, 2000.

Strosse, H.;  Schoofs, H.; Panis, B.;  Andre, E.; Reyniers, K.; Swennen, R. Development of embryogenic cell suspensions from shoot meristematic tissue in bananas and plantains (Musa spp.). Plant Science, v. 170, p.104-112, 2006.

Frison, E.;  Sharrock, S. The economical, social and nutritional importance of banana in the world. In: C. Picq, E. Frison (Eds.), Bananas and Food Security, Procedings of  the International Syposium on Bananas and Food Security, Douala, Cameroun, 1998, pp.21-35.

Jones, D.R. Diseases of Banana, Abacá and Enset, CABI  Publishing, Wallingford, UK, 2000.pag?

Panis, B.; Van Wauwe, A.; Swennen, R. Plant regeneration through direct somatic embryogenesis from protoplasts of banana (Musa spp.). Plant Cell Report, v.12, p. 403-407, 1993.

 Roux, N. Mutation indiction in Musa – review. In: S. Mohan Jain, R. Swuennen (Eds.), Banana Improvement: Cellular, Molecular Biology, and Induced Mutations, Science Publishers Inc., Enfield, NH, USA, 2004. p. 23-32

S.S. Cronauer, A.D. Krikorian, Plant regeneration via somatic embryogenesisin the seeded diploid banana Musa ornata Roxb., Plant Cell Resport, v.7, p.  23-25, 1988.

Novak, F.J.;  Afza, R.; Van Duren, M.; Parea-Dallos, M.;  Conge, B.V.; Xialong, T. Somatic embryogenic na plant regeneration in suspension cultures of desert ( AA and AAA) and cooking(ABB) bananas (Musa spp.). Biotechnology, v.46, p.154-159, 1989.

Côte, F.X.; Domergue, R.; Monmarson, S.; Schwendiman, J.; Teisson, C.;  Escalante, J.V.; Embryogenic cell suspension from the male flower of Musa AAA cultivar Grand Nain.  Physiology Plantarum, v. 97, p. 285-290, 1996.