Estudos demonstram que alguma plantas como por exemplo: hortênsia (Hydrangea macophylla) e trigo sarraceno (Fagopyrum esculentum), que acumulam Al em seus tecidos, como meio de desintoxicação interna. A hortênsia é uma planta ornamental que torna suas pétalas do vermelho ao azul quando o solo é acidificado. A alteração na cor é dada pela acumulação de complexos de Al nas pétalas. Esta espécie pode acumular até 3000 mg L-1 de Al em suas folhas e pétalas, complexado com citrato (MA et al., 1997). Segundo o mesmo autor, no citosol a pH 7,0, este é um complexo extremamente forte, impossibilitando ao Al causar injúrias no citosol. Estudos feitos com trigo Fagopirum mostraram que seus protoplasto e vacúolo ( nas folhas) Tinham acumulado Al A partir do isolamento foram encontrados mais de 80% do Al no protoplasto na forma de complexos de oxalato, e a maioria destes complexos seqüestrados no vacúolo (SHEN et al., 2002).

Compostos fenólicos
Os compostos fenólicos exsudados apresentam a peculiaridade de complexar metais, tais como o Al, além de ter ação como agente antioxidante em condições de estresse abióticos, por isso, estes compostos começaram a ser relacionados com a tolerância ao Al (MATSUMOTO et al., 1976; OFEIMANU et al., 2001). A razão pelo qual não é dada tanta importância a este processo é devido ao fato de que em condições ácidas, o Al e H+ competem pelos sítios dos compostos fenólicos, o que reduz sua capacidade de complexação comparado aos dos ácidos orgânicos.

Outros mecanismos potenciais de tolerância ao Al

Outros exsudatos orgânicos quelantes do Al, não descobertos, são questionados. Há especulações sobre compostos que participam na formação de barreiras via componentes que alteram o pH da rizosfera, complexação do Al por mucilagens secretadas pelas raízes. Entre os mecanismos de desintoxicação interna do Al, é especulada a fixação do Al na parede celular e a complexação no simplasto via diferentes compostos orgânicos.

Perspectivas
Há uma grande carência de trabalhos desenvolvidos e publicados caracterizando genótipos de espécies importantes quanto aos mecanismos associados à tolerância ao Al. existe inda algumas lacunas sobre aspectos bioquímicos do transporte do Al na planta e as inter-relações entre quelatização do Al pelos exsudatos das raízes, exclusão, absorção, transporte do Al e acumulação do Al nos vacúolos das raízes e folhas. Torna-se fundamental para o melhoramento genético no desenvolvimento de novos genótipos.

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