Uma forma de corrigir a acidez do solo é através da aplicação de calcário agrícola (CaCO3 + MgCO3),na tentativa de elevar o pH a valores superiores a 5,5. Desta forma o alumínio se tornará insolúvel, não prejudicando a planta. Porém é economicamente inviável para os produtores de menor poder aquisitivo. Além disso, a calagem corrige apenas as camadas superficiais do solo e o subsolo pode permanecer ainda ácido, restringindo o crescimento das raízes das cultivares sensíveis ao alumínio somente nas camadas superficiais do solo. As plantas tornam-se mais sensíveis à seca por serem impedidas de obter água das camadas mais profundas do solo, o que afeta significativamente a produção de grãos (FOY et al., 1965; CAMARGO et al., 1998).

Segundo Cassiolato et al. (2000), o efeito da calagem sem resíduos vegetais foi efetiva apenas nos 10 primeiros centímetros do solo, enquanto que a calagem na presença de extratos de aveia aumentou o pH e Ca-trocável e diminuiu o Al-trocável até 20 centímetros de profundidade. Isto prova que os compostos solúveis contidos na aveia melhoram o transporte de Ca no perfil do solo, melhorando a eficiência do calcário aplicado na superfície do solo.

Mecanismos fisiológicos das plantas tolerantes ao alumínio

Os mecanismos de tolerância ao Al conhecidos, se resumem basicamente em duas classes: os que agem no sentido de expulsar o Al depois de absorvido ou de impedir sua entrada pela raiz e os mecanismos de desintoxicação, complexando o Al em organelas específicas da planta, principalmente nos vacúolos.

Exsudação de ácidos orgânicos da raiz

Este mecanismo é o que atrai maior atenção pela pesquisa. A exudação é desencadeada pela presença do Alumínio. Foi detectado primeiramente em trigo onde genótipos tolerantes acumularam de três a oito vezes menos Al no ápice da raiz (sítio crítico da toxidez do Al) em relação a genótipos sensíveis (RINCÓN; GONZALES, 1992; DELHAIZE; RYAN; RANDALL, 1993). Estes autores relatam também que em tecidos mais maduros das raízes a exsudação de malato não ocorreu de forma significativa, e uma forte evidência de que o Al foi
excluído, tanto pelas paredes celulares quanto pelas vias do simplasto, o que é consistente com a formação de ligantes orgânicos que complexam o Al na rizosfera impedindo sua entrada na raiz em genótipos considerados tolerantes.

A ativação malato pelo Al ocorre numa região muito específica, a poucos milímetros do ápice da raiz. Também, constataram que este processo corre de forma muito rápida, questão de minutos, corroborando então que toda maquinaria da ativação do malato ocorre a nível celular do ápice das raízes primeiramente expostas ao Al.