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1984 - Muito Atual
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Cristina Soares da Fonseca
Meu nome é Cristina, sou natural de São Paulo, capital. Tenho 36 anos, sou casada e tenho dois filhos, 10 e 8 anos. Atualmente curso Pedagogia (6º semestre) na Faculdade Sumaré. Me considero uma pessoa que pensa e reflete sempre a respeito da vida, da sociedade e de tudo o que nos rodeia, e acredito que essa atitude é essencial ao ser humano para uma maior tomada de consciência, que nos permita caminhar para um mundo melhor. 
Por Cristina Soares da Fonseca
Publicado 9/07/2009
 
O livro 1984, de George Orwell é brilhante. Através de uma ficção trata de política, sociedade e humanidade de uma forma muito inteligente e perspicaz. E o mais incrível é que há muitos momentos da leitura em que é impossível não fazer comparações com nossa sociedade atual. É uma leitura que amplia nossa consciência da realidade. É como diz uma famosa música "...Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter..."

Leitura indispensável para uma maior tomada de consciência
1984

O livro 1984, escrito por George Orwell é uma ficção que mistura política, sociedade, humanidade, bizarrices e até romance, no ano de 1984. A trama ocorre em um mundo onde as pessoas são constantemente vigiadas, não somente em suas atitudes, mas até mesmo em seus pensamentos, isso para as pessoas que realmente conseguem pensar, refletir e enxergar como é o funcionamento dessa sociedade, porque existe uma ideologia dominante (a do Partido, maior do que qualquer indivíduo e muito forte), que tudo faz para que as pessoas nem mesmo percebam que são oprimidas e que o mundo e suas vidas poderiam ser muito melhores.
Para que as pessoas continuem em estado de cegueira perante a realidade, existe um trabalho muito bem planejado, que além da vigilância da vida das pessoas, inclui a mudança da história, conforme a conveniência do Partido. Também existe a educação das crianças de uma forma tão intensa, que elas não pensam duas vezes em denunciar os próprios pais, se acharem que eles tenham qualquer atitude que possa prejudicar o Partido. É uma clara ilustração de como a educação pode ser usada para o bem ou para o mal e que nunca é neutra. Além disso, existem outros artifícios como a mudança gradual da língua (novilíngua), que aos poucos vai extinguindo palavras, de maneira que em um futuro não muito distante, só existam palavras e pensamentos de acordo com os ideais do Partido.
Além do horror de viver em um mundo miserável, onde tudo é controlado e não existe a liberdade nem mesmo do pensamento, as manifestações de afeto não são bem vistas. Mas, mesmo nesse ambiente tão hostil, o livro traz uma história de amor e o autor tem a capacidade de nos “prender” a cada capítulo, para saber o que acontecerá com o personagem principal, “Winston”. É uma obra muito inteligente, astuciosa e sagaz.
Mas, apesar de se tratar de uma ficção, guardadas as devidas proporções, existe muita similaridade com a humanidade e sociedade dos dias atuais. É claro que ao ler o livro sentimos um grande alívio por viver em uma sociedade no qual temos a liberdade de pensar e agir, pelo menos a maioria de nós. Por outro lado, sentimos uma grande angústia, ao nos questionarmos até que ponto somos pessoas alienadas que não percebem a ideologia dominante, que existe, e é real. É claro que não a ponto de fazer com que nossa vida seja um horror, como a das pessoas que vivem na sociedade descrita no livro, mas é notório que nossa vida poderia ser bem melhor, se existisse realmente igualdade de direitos e liberdade para todos.
Podemos também fazer uma comparação com o trabalho que a mídia faz conosco, criando para nós “necessidades” totalmente “desnecessárias” e influenciando em nossas decisões desde as mais simples, como a de comprar um item no supermercado, até as mais importantes, como votar em determinada pessoa para um cargo político. É claro que somos também anestesiados pelo sistema e que muitas vezes nem percebemos os fatos com clareza e mesmo quando os enxergamos, nos falta coragem e estímulo para mudar, afinal quem percebe a realidade, assim como no livro, é sempre minoria, e se sente oprimida e sem forças para lutar. Mas, não custa nada ficar atento, não se deixar influenciar facilmente e colaborar com atitudes como a do voto consciente, respeito às pessoas e ao planeta, informação e reflexão, para um mundo melhor, que talvez, a passos muito lentos, chegue a ser mais fraterno e justo, sem distinção nenhuma, á todos os homens.