E o entrevistado chorou....
- Por Aurea Regina de Sá
- Publicado 28/06/2009
- Desenvolvimento Pessoal , Administração e Negócios
- Sem avaliações
Porta-voz se nega a dar entrevista e perde chance de visibilidade
Foi há quase 20 anos. Quando eu era repórter do programa Notícias Agrícolas, produzido pelo Olivideo e exibido pelo SBT, fui visitar uma empresa exportadora de frutas. No galpão, na periferia de Campinas, os funcionários organizavam frutas de primeiríssima qualidade para o despacho aos Estados Unidos e Europa.
O dono da empresa, empenhado em ajudar nossa equipe a entender como funcionava o negócio, apresentou as instalações, explicou como era feita a seleção das frutas, os critérios dos compradores e o processo de exportação. Quando eu julguei ter todas as informações necessárias para fechar a matéria, perguntei: "Vamos gravar a entrevista?". Surpreso, ele achou que já tivesse feito o papel de porta-voz e disse que não gravaria. Bateu um desespero controlável em mim, já que sem a entrevista, tinha poucas chances de colocar a matéria no ar, afinal precisava do responsável pela empresa para falar. Ele ainda argumentou que eu saberia dizer ao telespectador o que ele tinha me explicado, mas eu insisti que precisava da participação dele.
Quase convencido, o empresário levou nossa equipe à sala dele. Sentamos, o cinegrafista ligou os equipamentos e eu fiz a primeira pergunta. O entrevistado travou, literalmente. Ele ficou me olhando fixamente, sem dizer nenhuma palavra, e depois de alguns segundos disse que não conseguiria. Naquele momento entrou em cena o lado psicólogo da repórter (todo mundo tem que botar isso pra fora de vez em quando, né?). De novo, tentei explicar didaticamente a importância da entrevista. E aquela oportunidade não era importante só para eu concluir a minha matéria, mas seria uma chance muitíssimo valiosa para a empresa dele ter visibilidade gratuita na televisão. Tentamos mais uma vez, e ele se comportou do mesmo jeito: travou e chorou. Foi a primeira vez que me deparei com aquela atitude e fiquei quase sem ação, já que insistir mais um pouco com ele seria um grande tormento.
Se alguém tinha que ceder, eu tomei a iniciativa e voltei atrás, compreendi a situação de pânico do homem, reuni a equipe e fomos embora. Resultado: ele perdeu a oportunidade de se expor na mídia com chances de promover o próprio negócio e eu perdi a matéria, porque sem a entrevista, o editor não quis colocar o material no ar.
Foi nesse momento que eu comecei a planejar a consultoria do Media Training. O treinamento de mídia, que forma entrevistados para o contato com a imprensa, é cada vez mais uma ferramenta imprescindível para o destaque de executivos, empresários, políticos, artistas, atletas e outros porta-vozes.
Ao usar este artigo, faça referência, cite a FONTE:
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O dono da empresa, empenhado em ajudar nossa equipe a entender como funcionava o negócio, apresentou as instalações, explicou como era feita a seleção das frutas, os critérios dos compradores e o processo de exportação. Quando eu julguei ter todas as informações necessárias para fechar a matéria, perguntei: "Vamos gravar a entrevista?". Surpreso, ele achou que já tivesse feito o papel de porta-voz e disse que não gravaria. Bateu um desespero controlável em mim, já que sem a entrevista, tinha poucas chances de colocar a matéria no ar, afinal precisava do responsável pela empresa para falar. Ele ainda argumentou que eu saberia dizer ao telespectador o que ele tinha me explicado, mas eu insisti que precisava da participação dele.
Quase convencido, o empresário levou nossa equipe à sala dele. Sentamos, o cinegrafista ligou os equipamentos e eu fiz a primeira pergunta. O entrevistado travou, literalmente. Ele ficou me olhando fixamente, sem dizer nenhuma palavra, e depois de alguns segundos disse que não conseguiria. Naquele momento entrou em cena o lado psicólogo da repórter (todo mundo tem que botar isso pra fora de vez em quando, né?). De novo, tentei explicar didaticamente a importância da entrevista. E aquela oportunidade não era importante só para eu concluir a minha matéria, mas seria uma chance muitíssimo valiosa para a empresa dele ter visibilidade gratuita na televisão. Tentamos mais uma vez, e ele se comportou do mesmo jeito: travou e chorou. Foi a primeira vez que me deparei com aquela atitude e fiquei quase sem ação, já que insistir mais um pouco com ele seria um grande tormento.
Se alguém tinha que ceder, eu tomei a iniciativa e voltei atrás, compreendi a situação de pânico do homem, reuni a equipe e fomos embora. Resultado: ele perdeu a oportunidade de se expor na mídia com chances de promover o próprio negócio e eu perdi a matéria, porque sem a entrevista, o editor não quis colocar o material no ar.
Foi nesse momento que eu comecei a planejar a consultoria do Media Training. O treinamento de mídia, que forma entrevistados para o contato com a imprensa, é cada vez mais uma ferramenta imprescindível para o destaque de executivos, empresários, políticos, artistas, atletas e outros porta-vozes.
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Aurea Regina de Sá
Formada em 1989 em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo do Campo, Aurea Regina de Sá iniciou a carreira como repórter de tv. Aurea trabalhou na EPTV Campinas, TV Manchete, TV Bandeirantes, SBT (TV Alterosa, em Varginha e Belo Horizonte) e Rede Cultura, além de produtoras de vídeo. Depois de 15 anos, a jornalista e radialista inaugurou o Escritório de Comunicação. É pós graduada em Comunicação Empresarial e Comunicação Pública e consultora de media training.
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