A deriva humana decorrem da perda do referencial: Deus. O homem, como concebe Pascal, vivia em um estado primeiro de natureza, (antes da queda), aliás no verdadeiro estado de natureza. Neste primeiro estado, tinha Deus como referência. Deus era, então, o seu porto. É nele que o homem se atracava. Não faltava nada ao homem, pois o homem era completado pelo ser divino, porém, após a queda o homem foi precipitado no reino da concupiscência. O que impera neste reino no qual o homem está atualmente, é a absoluta falta de porto, ou seja, de Deus. O que mais lhe era próprio no primeiro estado, isto é, Deus, não se faz mais presente neste segundo estado. Por isso, sem Deus, o homem navega à deriva, sem porto, sem referência, sem nada que alivie o fato de sua contingência. A explicação racional do universo acerca do homem encontra-se impotente e limitada sem poder se apoiar em algo sólido e seguro que dê conta de entender o homem.  Não há, portanto, uma antropologia racional em Pascal.

Referências

PARRAZ, I. Ciência e teologia nos caminhos de Pascal. 2004. p. 301 tese (Doutorado em Filosofia) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo.

PASCAL, B. Oeuvres Complètes. França: Librairie Gallimard. 1954.

__________. Pensamentos. São Paulo: Nova cultura, 1973. (Os pensadores)

SAN AGUSTÍN. La perfeccion de la justicia Del hombre: In LANERO, M.F. et. Al. (Comp). Escritos antepelagianos 3º: La perfeccion de la justicia Del hombre.