Escola, Participação E Cidadania
- Por Odair José Moura de Araújo
- Publicado 26/02/2007
- Sociedade e Cultura , Educação
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Escola, Participação e Cidadania
A formação cidadã deveria ser uma das preocupações primordiais da escola. Gadotti (2001) define cidadania como a consciência de direitos e deveres da democracia e defende uma escola cidadã como a realização de uma escola pública e popular, cada vez mais comprometida com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Para isso, a escola deve propiciar um ensino de qualidade, buscando a formação de cidadãos livres, conscientes, democráticos e participativos.
É isto que se espera da cidadania moderna, um cidadão sempre alerta e bem informado, critico, criativo, capaz de avaliar suas condições sociais, econômicas, dimensionar sua participação histórica, reconstruir suas práticas participar decisivamente da sociedade e da economia. (DEMO, 2002, p. 34).
A escola precisa então, repensar a formação de seu aluno, ajudando-o a tomar o rumo para a idealização de sua própria vida, resgatando o poder político da população na elaboração de valores sociais calcados na emancipação humana e na vontade democrática. Esta é feita por meio da escola baseada na democracia, assumindo a implantação de uma gestão mais participativa, pressupondo que seus alunos, professores e pais tenham a capacidade de participar efetivamente do processo de formulação de ações pertinentes a sua resolução. (ARAÚJO, 2005)
Segundo Galvão (2003, p, 01) a educação para a cidadania pretende fazer de cada pessoa um agente de transformação. A educação escolar além de ensinar o conhecimento científico, deve assumir a incumbência de preparar as pessoas para a cidadania. Isso exige uma reflexão que possibilite compreender as raíses históricas da situação de miséria e exclusão que vive boa parte da população.
A formação política que tem no universo escolar um espaço privilegiado deve propor caminhos para mudar as situações de opressão. Muito embora outros segmentos participem dessa formação, como a família, ou os meios de comunicação, não haverá democracia substancial se inexistir essa responsabilidade propiciada, sobretudo pelo ambiente escolar (GALVÃO, 2003, p. 01).
Lakatos (1999) destaca que democracia é a filosofia ou sistema social que sustenta que o indivíduo pela sua condição de pessoa, independentemente de raça, cor, sexo ou religião, deve participar dos assuntos da comunidade e exercer nela a direção que lhe corresponde. A participação é o primeiro passo para consolidar uma democracia capaz de garantir os direitos de todos os cidadãos. A escola precisa esta ligada a idéia de liberdade, democracia e cidadania. A escola não pode preparar para a democracia a não ser que também seja democrática. Seria contraditório ensinar a democracia no meio do autoritarismo. É preciso que o ambiente escolar tenha um caráter democrático e participativo, que reconheça e respeite os interesses e perspectivas particulares.
Participação é um dos cinco princípios da democracia. Segundo o sociólogo Herbert de Souza (2005) sem ela, não é possível transformar em realidade, em parte da história humana, nenhum dos outros princípios: igualdade, liberdade, diversidade e solidariedade. Nesse sentido, a participação não pode ser uma possibilidade aberta apenas a alguns privilegiados. Ela deve ser uma oportunidade efetiva, acessível a todas as pessoas. Além disto, é preciso que ela assuma formas diversas participação na vida da família, da rua, do bairro, da cidade, na escola e no próprio país. Participação é, ainda, um direito estendido a todos sem critérios de gênero, idade, cor, credo ou condição social.
Só com ampla participação, é que se pode lutar pelos princípios da democracia, neutralizando as formas de autoritarismo freqüentes na sociedade, sendo geradas as condições para o exercício pleno da liberdade e da cidadania, possíveis para consolidar a sociedade democrática.
Ainda segundo Souza (2005) a resignação e o medo da participação são resultados da cultura autoritária, que perpassa nossa história e instalou-se na cultura brasileira. Tem-se, então, o cidadão limitado, fechado, sem iniciativa, dependente.
Mas, nos últimos anos, uma outra cultura vem surgindo, em oposição à pressão exercida pela cultura autoritária: é a cultura democrática, a cultura da participação. O Brasil Passou por movimentos amplos de participação da cidadania que ajudaram a mudar muito a cara do país, como é o caso da luta contra a ditadura militar, fim da anistia política, Diretas Já. A cidadania também ampliou-se, com a participação da sociedade na elaboração da Constituição de 1988; pela primeira vez em nossa história a sociedade participou ativamente da elaboração da nova Constituição através de seminários, debates públicos, propostas de emendas populares que colheram milhões de assinaturas por todo o País. Outros movimentos também foram frutos da participação como o caso do movimento fora Collor, a sociedade se mobilizou através do Movimento Pela Ética na Política, que culminou no processo de cassação do presidente.
É importante destacar que muitos outros movimentos vêm se desenvolvendo no Brasil, em diferentes níveis e momentos de nossa vida política e cultural. É através dessa participação que está surgindo uma nova juventude, um novo cidadão e novas condições para que o Brasil possa superar a miséria e a exclusão e chegar à condição de uma sociedade democrática. A participação é o caminho da democracia, e quanto mais ampla e profunda, melhor. (ZOUZA,2005)
Sendo assim, é possível ensinar e buscar formas de participação social que ajudem na construção de uma cidadania, constituídas de pessoas ativas, conscientes de seus deveres e comprometidas com a conquista dos direitos humanos. A prática participativa permite questionar os valores e os interesses que sustentam a sociedade.
Não se aprende a participar teorizando sobre os processos participativos, aprende-se sim a participar participando. Ensina-se a participar abrindo espaços para que as pessoas participem. Uma prática social participativa ensina a cidadania e amplia os limites da qualidade de vida.
Promover espaços participativos é educar para a vida. Somente assim será possível o respeito e a valorização das diferenças presentes em nosso território brasileiro. Se isso não acontecer, alguém será excluído, e esse alguém com certeza será o mais fraco. Isso é um desafio e um compromisso da escola para a formação de uma sociedade democrática, justa, igualitária e solidária.
Referências Bibliográficas
ARAÚJO, O.J.M. Professores intelectuais transformadores e a formação do aluno cidadão crítico. 2005. 37 p. Monografia (Graduação em Pedagogia). Universidade Federal do Tocantins. Arraias-TO.
DEMO, Pedro. Pesquisa e construção do conhecimento: metodologia científica no caminho de Habermas. Rio de Janeiro- RJ. 2002. P. 33-35
GADDOTI, Moacir. Dimensão política do projeto pedagógico. SEED/MG. 2001.
GALVÃO, Roberto Carlos Simões. Educação para a cidadania: o conhecimento como instrumento político de libertação In: http://www.educacional.com.br. Acesso em 25/01/2003.
LAKATOS, Eva Maria. Sociologia geral. 7.ed. São Paulo: Atlas, 1999
SOUZA, Herbert. Participação cidadã. In: http://www.brazil-brasil.com. Acesso em: 25/02/2005.
Fonte: .
Odair José Moura de Araújo
Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Tocantins-Arraias-TO, Pós-Graduado em Gestão de Programa de Reforma Agrária e Assentamento pela UFLA, Pós-Graduado em Desenvolvimento Rural Sustentável pela UNITINS. Tem experiência na área de Educação e Extensão Rural. Professor da FADES- Faculdade Para o Desenvolvimento do Sudeste Tocantinense- Dianópolis-TO e Técnico em Extensão Rural no Instituo de Desenvolvimento Rural do Tocantins- RURALTINS.
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12 Comentários em "Escola, Participação E Cidadania" 
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Silvano de souza Maciel
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comentou em 20 Mar 2007 4:24:06 PM BRT
A escola só conseguirá ser democrática a partir do momento que conseguir superar seus próprios preconceitos,esses estão presentes desde as matrículas quando se privilegia alunos por classes sociais,e se estendem até o final do ano letivo quando os aprovados são os mesmos que foram privilegiados nas matriculas.Isso é uma verdade que não pode ser jogada debaixo do tapete mas combatida com ética e seriedade.
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jacieli
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comentou em 19 Sep 2007 6:23:39 PM BRT
Um artigo informativo com claras definições ao asunto mencionado.
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Socorro Brito
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comentou em 10 Jan 2008 8:45:07 AM BRT
Parabéns! Seu texto está excelente. Esclareceu-me dúvidas sobre o papel da escola. Vou socializá-lo com outros educadores.
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kelly
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comentou em 07 Apr 2008 6:30:37 PM BRT
10000000000000000000000000000000
excelente |
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luciene batista
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comentou em 27 Apr 2008 7:58:46 PM BRT
Parabéns. Seu texto trouxe de forma clara o constraste da relação escola e cidadania.
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Rhayani
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comentou em 29 Sep 2008 2:18:59 PM BRT
Muito bom!!!!Devemos mesmo estar passando informações sobre esse assunto.
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Josemir
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comentou em 15 Oct 2008 12:06:02 AM BRT
estou estudando como ingresar as famílias na escola formando cidadãos, ou seja, levar a escola até as famílias, como o sus.
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claudia
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comentou em 03 Nov 2008 5:50:48 PM BRT
Amei o blog...
tirei todas asminha dúvidas! nota 1000000² |
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Raimundo
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comentou em 28 Nov 2008 3:17:05 PM BRT
è importante ter pessoas com eesa forma de pensar a escola
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ZENILDA
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comentou em 08 Jan 2009 12:51:11 PM BRT
Devemos lutar para q/ o Brasil possa sair da miséria, através de debates , congressos e mto mais , não devemos é ficar de braços cruzados.
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Everardo Feitosa
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comentou em 26 Nov 2009 10:20:37 AM BRT
O texto mais objetivo, amplo e conciso que encontrei depois de dias de pesquisa na net. Obrigado!!!!!
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Bel Mota
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comentou em 18 Dec 2009 1:38:37 AM BRT
Encontrei o que estava procurando para fazer uma resenha sobre cidadania e escola.
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